Li no
Económico que “a ECM quer pôr os continentais a beber Coral e Brisa Maracujá,
aumentando em dez milhões a produção. A crise, e a retracção de consumo
associada, não deixaram imune a Empresa Cerveja da Madeira (ECM). Agora, Miguel
de Sousa, director-geral da empresa, aposta no crescimento, fugindo à
insularidade da ilha a meio do Atlântico. À aposta no "mercado da
saudade" junta-se agora a expansão sustentada para Portugal Continental,
que no espaço de um ano poderá representar mais dez milhões de litros de
cerveja Coral, Brisa Maracujá, Laranjada e Água Atlântida. "Nos últimos
três anos, a empresa reduziu muito os seus custos operacionais, tem uma
estrutura financeira equilibrada que permite ter uma performance competitiva no
sentido de poder oferecer no mercado continental preços que tenham
receptividade por parte dos consumidores", explica Miguel de Sousa. A
empresa quer assim aumentar o mercado potencial de cerca de 100 mil madeirenses
que residem na região da grande Lisboa, chegando a todo o país. A estratégia
passa pelo lançamento, no início de Setembro, de uma campanha que aumente a
percepção sobre as marcas da ECM, transmitindo "com rigor a imagem da
Coral e da Brisa Maracujá junto dos consumidores continentais, para dar a
conhecer a sua venda nas grandes superfícies e canal Horeca [hotelaria,
restauração e cafetaria] e para que passem a ser um hábito de consumo no
Continente". Para 2013, a ECM prevê um volume de negócios de 57 milhões de
euros - foram 44 milhões no ano passado -, com a venda de 45 milhões de litros.
Numa altura em que ainda está a ser preparado o orçamento para o próximo ano,
Miguel de Sousa acredita que a entrada em Portugal Continente pode permitir à
empresa aumentar em cerca de dez milhões de litros as exportações. "Neste momento, encaramos a
possibilidade de beneficiar de apoios comunitários à exportação. Está a
acontecer na Europa, nomeadamente nas Canárias, e poderá agora ser aproveitado
pela produção da Madeira", assume o gestor, sublinhando que existe
"um esforço global para se viabilizar a exportação regional, fundamental
para poder suportar mais postos de trabalho". As marcas da ECM_são já
comercializadas em países "com forte presença de emigrantes madeirenses",
Angola, Guiné Bissau e Timor. Contando com 220 colaboradores, Miguel de Sousa
admite que se verificaram "algumas reduções" no quadro de pessoal
desde 2007, "reflectindo por um lado as necessidades da empresa face ao
volume de produção, por outro lado a optimização dos recursos e consequente
aumento da produtividade individual". Uma tendência que a empresa espera
poder inverter com o aumento das vendas por via da internacionalização. A
produção é assegurada pela fábrica da Madeira e assim deve continuar a ser a
breve prazo, mas Miguel de Sousa não afasta a possibilidade de vir a produzir
em Portugal Continental, "para o qual já tem algumas propostas", o
que passaria inicialmente por produzir por licenciamento, explica”