quarta-feira, dezembro 19, 2012

Opinião: "COMUNICAÇÃO SOCIAL E O FUTURO (I)"

"A comunicação social regional, de repente, volta a estar em destaque informativo e negocial. Percebe-se porque razão. A crise na comunicação social nacional e regional acentua-se, os meios de comunicação social locais estão cada vez mais sob a pressão de um ano de 2013 pior do que o que agora termina, os empresários questionam a continuidade de alguns projetos, há ameaças de redução significativa dos recursos humanos nas empresas, devido a uma violenta queda das receitas publicitárias e de vendas (no caso da imprensa), enfim, há a conjugação de fatores que nos colocam perante o desafio simples de entender: sobrevivência, custe o que custar, ou morte. Não há mais alternativas.
Sei, por sugestão de pessoa amiga em Lisboa, que o futuro enquadramento da RTP não contemplava - pelo menos na fase inicial deste complicado e contraditório processo de alienação da empresa por parte do estado central - nem a Madeira nem os Açores. A RTP está agora empenhada em encontrar rapidamente (a pressão dos prazos) uma solução para o problema, mas o governo de coligação de Lisboa não exclui de todo a possibilidade de encerramento dos centros. Isto se os dois governos regionais - inicialmente renitentes, agora mais flexíveis - não assumirem, tal como Lisboa sempre recomendou, a responsabilidade pelo funcionamento das respetivas emissões televisivas insulares.
Quando se fala na RTP, fala-se obviamente também na Antena Um, mas junto-lhe igualmente a agência Lusa que devido a um corte da ordem dos 39% das transferências do Estado, está a reprogramar-se internamente, juntando ao despedimento de jornalistas e à negociação de acordos com ex-trabalhadores transitoriamente em situação de pré-reforma, o enceramento de delegações no estrangeiro e no país. Ou seja, sem saber concretamente o que a agência pensa para a Madeira e Açores, admito que num quadro de análise global do problema as duas regiões autónomas possam seguir o mesmo caminho da RTP, caso não seja tomada uma medida global, com viabilidade e lógica. Pelo menos até que esta conjuntura ameaçadora seja superada.
Estamos a falar de dois meios de comunicação (uma rádio e uma televisão), detidos a 100% pelo Estado, e de uma agência de notícias, cada vez mais importante no contexto da comunicação social (até pela sua polivalência), onde o Estado detém 51% - o restante está disseminado por privados. Ou seja, de acordo com as minhas previsões, estamos a falar de 130 a 150 postos de trabalho.
Mas como estamos a abordar o futuro da comunicação social do estado na Madeira, e porque só me parece haver uma solução plausível e com viabilidade - a criação de uma empresa multimédia, com diferentes ramificações, se quiserem uma "holding" comunicacional regional - parece-me perfeitamente normal, aliás recomendável, que o Jornal da Madeira, detido maioritariamente pela, região, seja envolvido neste projeto empresarial, preenchendo a componente "imprensa" naquela empresa regional a ser criada, caso seja essa a opção a escolhida e caso este cenário, sobre o qual me venho baseado, corresponda à realidade. Ou seja, para os 4 meios de comunicação social, estimo cerca de 230 a 240 postos de trabalho e custos que anualmente ascenderia a 15 milhões de euros, montante que posteriormente acabaria por ser gradualmente inferior à medida que os ajustamentos fossem feitos.
Deixando a "análise swot" desta hipotética solução - que me parece útil que seja feita - há duas premissas que me parecem importantes a ter em consideração. Três melhor dizendo, pois não podemos ignorar uma contenção de despesas decorrente da concentração de toda a estrutura diretiva numa única equipa. Incluindo na informação. Os outros dois aspetos que considero também determinantes nesta apreciação, por antecipação, do problema, que até pode correr o risco de não corresponder à realidade, são:
a) a definição do modelo informativo pretendido para cada meios de comunicação social abrangido. No caso da televisão e da rádio qual a dimensão, no horário de emissão, da componente preenchida com a produção regional;
b) a definição, em função dessas opções, dos recursos humanos necessários em cada uma das componentes (televisão, rádio, agência e jornal) desta hipotética empresa de multimédia regional.
Outras questões aparentemente periféricas se colocam, com pertinência e acrescida acuidade a um projeto que teria que ser bem pensado, discutido e viabilizado com estabilidade:
a) sem um entendimento (financeiro) entre o Estado e a Região, dado que esta se encontra sob o rigor de um programa de ajustamento financeiro, nomeadamente impedida de criar empresas públicas regionais, a Madeira não tem condições financeiras para suportar os custos deste projeto;
b) desmistifiquemos de uma vez por todas: não vislumbro no setor empresarial privado regional, a braços com o impacto de uma crise económica regional inegável (ou queriam que ela fosse só nacional?!), condições para que, individual ou coletivamente, assuma encargos financeiros com este projeto de comunicação social que teria depois de crescer para outros desafios, casos da televisão por cabo, a internet, etc, abrindo-se pouco a pouco para uma operação de privatização, parcial ou total, conforme o mercado fosse reagindo positivamente à evolução de uma crise que tende a prolongar-se mais do que se prevê.
Claro que a um projeto desta natureza, caso seja viável, várias questões internas e externas se colocam, desde a estrutura da empresa, em termos de funcionamento, dada as diferentes ramificações que teria (rádio, imprensa, televisão e agência noticiosa), atividade comercial, contenção de despesas, e não limitados à estrutura dirigente, etc. No caso da rádio e da televisão públicas, e ao que julgo saber, é urgente - embora não essencial neste momento - um investimento na modernização dos equipamentos que pode ascender aos 3 a 4 milhões de euros. Há ainda a necessidade de decidir que tipo de relação, empresarial e não só, a RTP e a Lusa poderiam ter nessa futura hipotética empresa regional de média. Até para facilitar a transição dos bens móveis e imóveis de uma estrutura empresarial para outra" (in  JM)