quarta-feira, março 23, 2011

Sócrates mentiroso: Bruxelas não considera eleições antecipadas em Portugal um desastre

Escreve o jornalista do Jornal I, "Nuno Aguiar que uma “fonte da Comissão Europeia admite que a situação é preocupante, mas que confia na democracia portuguesa para a resolver. O governo português continua entre a espada e a parede, sem conseguir angariar apoio interno para as medidas com que se comprometeu no exterior. Antecipando uma crise política que, nesta altura, parece inevitável, José Sócrates tem classificado o chumbo do novo Programa de Estabilidade e Crescimento (ver págs. 6-7) e as consequentes eleições antecipadas como um cenário desastroso para o país. No entanto, a Comissão Europeia parece não partilhar esta visão. "Eleições nunca podem ser um desastre. Fazem parte da vida democrática de um país", explicou ao i fonte próxima da Comissão. Apesar de o governo continuar a garantir que está disponível para negociar com a oposição, os restantes países têm manifestado a sua intenção de chumbar as medidas de austeridade inscritas no PEC IV. A confirmar-se este chumbo, o primeiro-ministro já deu a entender que deveria pedir a demissão. "O senhor primeiro-ministro foi claro ao dizer que se houver uma recusa do PEC entende não ter condições para estar à frente do governo", afirmou Francisco Madeira Lopes, do partido Os Verdes, a seguir a uma audiência com José Sócrates. "A Comissão não pode substituir o governo e criar condições para a aprovação interna destas medidas", esclareceu a mesma fonte diplomática. "Claro que vemos esta situação com preocupação, mas confiamos que a democracia em Portugal consegue resolver os seus problemas." José Sócrates tem defendido a tese de que foi graças à actualização do PEC IV que Portugal teve um resultado positivo na cimeira extraordinária de 11 de Março. "Foi a apresentação destas medidas que permitiu a Portugal obter nessa Cimeira uma vitória importante", afirmou o primeiro-ministro. Uma ideia que poderá não corresponder exactamente à realidade. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), já alertou para o facto de estas medidas serem insuficientes para resolver a crise da dívida e a maioria dos analistas continua a prever que Portugal terá de pedir em breve ajuda. "Se a cimeira tivesse sido uma vitória, o primeiro-ministro não seria obrigado a discutir estas medidas na Assembleia. Sócrates esperava um resultado melhor do que teve na cimeira", refere a mesma fonte de Bruxelas.
Compromissos
Ainda assim, a não aprovação destas medidas deixa José Sócrates numa posição muito complicada, depois de se ter comprometido com elas junto das instituições europeias. Jean-Claude Juncker, presidente do eurogrupo, defendeu ontem que Portugal deve cumprir os compromissos que já assumiu. "É claro que há compromissos assumidos por Portugal e não podemos afastar-nos de compromissos assumidos", apontou, embora tivesse esclarecido que não deseja interferir num "debate interno". Juncker acrescentou ainda que as novas medidas de austeridade foram "tomadas e anunciadas pelo governo e endossadas pela CE e BCE" e que não vê "razão para alterar o PEC" português. Elena Salgado, ministra espanhola da Economia, também considera decisiva a aprovação destas medidas. "Espero que o plano que o governo português apresentou possa ser aprovado, porque isso contribuirá para a estabilidade das finanças em Portugal e portanto também para a estabilidade do euro", afirmou”.

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