segunda-feira, dezembro 06, 2010

Portugal tem 300 mil crianças na pobreza...

Escrevem os jornalistas do Correio da Manhã, André Pereira e Bernardo Esteves que "um relatório coloca jovens como os mais pobres da OCDE. Nos lugares mais baixos do ranking estão ainda os vizinhos espanhóis e os italianos, países onde os apoios sociais têm menos impacto na redução da pobreza. Nórdicos estão no topo. Portugal tem a maior percentagem de crianças a viver na pobreza entre os 21 países europeus da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), indica um relatório da UNICEF ontem revelado. A taxa de pobreza infantil no nosso País é de 18,7 por cento já depois das ajudas do Estado, subindo para 21,2 por cento sem esses apoios. De resto, em Portugal, os apoios do Estado têm muito pouco impacto na redução da pobreza, comparando com os restantes países analisados. O relatório ‘Children Left Behind’ (Crianças que ficam para trás), elaborado pelo Innocenti, um Centro de Pesquisas da UNICEF, considerou crianças até aos 17 anos, que em Portugal são cerca de 1,8 milhões. Assim, os dados revelados pela UNICEF apontam para que cerca de 300 mil crianças portuguesas vivam na pobreza. Este estudo considera que vivem na pobreza crianças cujos agregados familiares auferem metade ou menos do rendimento médio, sabendo-se que o salário médio em Portugal é de 840 euros. Depois de Portugal, Espanha é o país com maior taxa de pobreza infantil (18,5% antes dos apoios sociais e 17,2% se contabilizarmos as ajudas do Estado), seguindo-se a Itália (16,6%;15,5%) e o Reino Unido (26,4%; 14,6%). A liderar o ranking está a Finlândia, muito graças aos apoios estatais, que reduzem a percentagem de pobres de 15,2 para 5,2 por cento. Os dados do relatório da UNICEF, agência das Nações Unidas que promove os direitos das crianças, indicam ainda que os três países na cauda do ranking, Portugal, Espanha e Itália, são também aqueles em que o impacto dos apoios do Estado na redução da pobreza é menor. No plano oposto, a Irlanda é o país onde as transferências do Estado para as famílias mais importância têm, permitindo que a taxa de pobreza infantil baixe de 34 para apenas 11 por cento. O relatório analisou também o grau de desigualdades na Educação, Saúde e bem-estar material em 24 países da OCDE. Agregando os três itens, Portugal fica a meio da tabela, juntamente com a Áustria, o Canadá, a França, a Alemanha e a Polónia. Oito países ficam mais bem posicionados do que Portugal e dez obtêm uma classificação inferior.
ESTUDO AINDA NÃO MEDE EFEITO DA CRISE
Os dados divulgados no relatório da UNICEF são anteriores à grave crise financeira de 2008, que afectou milhões de pessoas em todo o Mundo. Segundo os próprios autores do estudo, os dados apresentados sobre a desigualdade são "uma fotografia dos bons velhos tempos". Apesar de ainda não existirem dados que permitam perceber os impactos da crise nas crianças e nos jovens, sabe-se já que a taxa de desemprego entre os jovens da União Europeia passou de 15% para 20%.
MAUS ALUNOS TÊM MENOS HIPÓTESES
Os maus alunos portugueses têm menos hipóteses de sucesso do que alguns dos seus congéneres europeus. Segundo o ranking das desigualdades na área da educação, Portugal encontra-se a meio de uma tabela liderada pela Finlândia, Irlanda e Canadá. Nestes três países, os alunos com maus resultados têm as mesmas oportunidades de sucesso do que os bons alunos. Os países com desigualdades superiores à média da OCDE na educação são Áustria, França e Bélgica. Isto permite concluir, segundo os autores do estudo, que o sucesso escolar está mais associado às políticas educativas do que às qualidades de cada país.
SAÚDE RECEBE NOTA POSITIVA NO RELATÓRIO
O dado mais positivo para Portugal do relatório diz respeito à Saúde. Na avaliação que é feita a 24 países da OCDE às desigualdades na área da Saúde, o nosso País aparece em terceiro lugar, depois da líder Holanda e da Noruega. Atrás de Portugal, seguem-se a Alemanha e a Suíça. O estudo analisou hábitos alimentares, doenças e exercício físico. Portugal não apresentou dados do exercício, mas foi o 9º país com a alimentação mais saudável e o 3º com menos queixas por doença"

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