Segundo o Correio dos Açores, num texto da jornalista Ana Coelho, "nos Açores não se sabe ao certo quantas pessoas ainda não possuem médico de família. As contas, segundo fonte da Secretaria Regional da Saúde ainda não estão feitas apesar do nível de carência ser elevado, em especial quando falamos dos maiores centros urbanos açorianos, nomeadamente Ponta Delgada (onde existiam apenas 29 médicos de medicina geral e familiar em 2008 para cerca de 60 mil habitantes), Ribeira Grande (com 13 médicos), Angra do Heroísmo (com 14 médicos no ano passado) e Praia da Vitória, com menos um médico que o outro concelho da ilha Terceira. Entretanto, e segundo o “Correio dos Açores” conseguiu apurar junto da mesma fonte da SRS, actualmente encontram-se ao serviço da Região, nos centros de saúde locais, 131 médicos de medicina geral e familiar, contrariamente aos 107 especialistas que existiam em 2000. Acabados de finalizar o internato médico estão, no entanto, cinco novos especialistas que integrarão brevemente os quadros dos centros de saúde de Ponta Delgada (3), Ribeira Grande (1) e Angra do Heroísmo (1). Apesar dos números, a SRS avança que “tem sido feito um grande esforço para divulgar os incentivos financeiros actualmente existentes e disponibilizados pelo Governo Regional, inclusivamente através da publicação dos mesmos em diversas publicações da especialidade”. Os incentivos em vigor para a classe médica fazer a sua fixação nos Açores passam por um acréscimo do vencimento bruto mensal de 800 euros (aos quais podem ainda somar-se mais 40% se for o caso dos médicos pretenderem ser colocados nos concelhos mais carenciados atrás citados), para além de apoios ao alojamento (200 a 600 euros mensais), ao transporte, à bagagem e viatura. Na Região estão, actualmente, a finalizar o seu internato médico, 18 especialistas, 15 dos quais são bolseiros da Região o que poderá significar que os mesmos possam mesmo vir a fixar-se nos centros de saúde locais. Mas não há garantias de que o façam, fazendo engrossar cada vez mais a lista de utentes que necessitam de um médico de família há anos e que quase já perderam a esperança de, um dia, o virem a ter. Por seu turno, o Tribunal de Contas recomendou ao Governo da República “medidas activas” para resolver a curto prazo os casos de utentes sem médico de família e diz que não são ainda visíveis melhorias resultantes das Unidades de Saúde Familiar. Segundo o relatório de seguimento às recomendações formuladas na auditoria ao “Acesso aos Cuidados de Saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS) – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), em 31 de Dezembro de 2008 havia quase 1,5 milhões de utentes sem médico de família no país, um aumento de 27 por cento relativamente a Junho de 2006. O Tribunal de Contas sugere aos conselhos directivos das administrações regionais de saúde que elaborem um plano de reafectação do pessoal médico aos utentes, para que não existam pessoas sem médico de família".
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