sexta-feira, abril 10, 2009

Aviação: "EuroAtlantic" foi a única a dar lucros

Com este título publica hoje o semanário Expresso um texto do jornalista Alexandre Coutinho segundo o qual "apenas uma companhia aérea portuguesa obteve resultados positivos em 2008, ano marcado pela crise do sector. A EuroAtlantic, a maior companhia aérea privada nacional, terá sido a única transportadora portuguesa do sector da aviação a fechar o exercício de 2008 com resultados líquidos positivos. “Foi um ano muito complicado, principalmente, no segundo semestre, mas atingimos os objectivos. A facturação (na ordem dos €100 milhões) teve um crescimento pequeno de 4%, relativamente a 2007, mas os resultados líquidos cresceram mais de 15% (de €12,5 para cerca de €14,5 milhões)”, revelou ao Expresso, Tomaz Metello, presidente da empresa. “Muitas companhias deixaram aviões no chão e a procura de voos charters e fretados reduziu-se substancialmente. Em 2008, a quebra na procura foi de 35% e, no primeiro trimestre de 2009, a situação agravou-se: o decréscimo já vai em 42%”, frisou Tomaz Metello. Com a transferência dos passageiros dos operadores de viagens, dos voos charter para as linhas regulares da TAP, “deixou de haver charters em Portugal”, acrescentou. Nas palavras do seu presidente, a EuroAtlantic “foi forçada a ser criativa” e reforçou a sua presença no mercado do aluguer operacional de aeronaves (ACMI — avião, tripulação, manutenção e seguros), cujo peso na actividade da empresa subiu para 78%, e com margens muito superiores. “Todas as companhias charter entraram neste negócio e, até, as transportadoras regulares. Dos aviões de 17 companhias concorrentes ao transporte de peregrinos do Hajj muçulmano, 20% eram portugueses”, afirma Tomaz Metello. Foi o caso da White, que também colocou um avião durante dois meses na Papua Nova-Guiné, e renovou o contrato para transportar a equipa de futebol do Benfica. Apesar de contactada no âmbito deste trabalho a empresa da OMNI (participada da SLN-Sociedade Lusa de Negócios) escusou-se a fornecer números do exercício de 2008. Das participadas da EuroAtlantic, apenas a STP Airways (onde a empresa portuguesa detém 37%) registou um prejuízo de 370 mil dólares (€280 mil) no seu primeiro ano de actividade, incluindo os investimentos. A companhia realiza um voo semanal para o arquipélago de S. Tomé e Príncipe, operado pela EuroAtlantic. Por sua vez, o grupo açoriano SATA (onde se incluem as companhias aéreas SATA Air Açores e SATA Internacional) logrou fechar o ano transacto com um prejuízo de €2,9 milhões (face a um lucro de €4,9 milhões, em 2007), enquanto o valor dos proveitos totais ascendeu a €252,6 milhões, o que representa um crescimento de 8,3%, em relação ao exercício de 2007. No período em análise, a SATA transportou um milhão e meio de passageiros (menos 17 mil que no ano anterior), com uma taxa de ocupação ( load factor) de 73% na SATA Internacional e de 63% na SATA Air Açores, indicadores semelhantes aos verificados em 2007. Em 2008, o resultado consolidado do grupo TAP (TAP Air Portugal e PGA Portugália Airlines) poderá ter ascendido aos €280 milhões, dos quais €180 milhões imputáveis ao desvio no preço dos combustíveis. A este valor somam-se os prejuízos da empresa de assistência a aeronaves em terra ( handling) Groundforce e da empresa de manutenção brasileira VEM, respectivamente, de €36 e €30 milhões. No ano passado, a TAP transportou um total de 8,7 milhões de passageiros (um acréscimo de 12,3%, face ao ano anterior), volume que quer aumentar em 2009, para 9,2 milhões (mais 3,3%). As projecções dos gastos com o combustível, no ano em curso, apontam para valores da ordem dos €400 milhões de euros. TAP e a PGA só deverão apresentar as contas de 2008, no próximo dia 23 de Abril".

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