Fui, sou e serei sempre um firme e convicto apoiante do referendo ao Tratado reformador, mesmo sabendo, tinha a certeza, que o "sim" ganharia porque teríamos todos os partidos efectivamente empenhados na campanha desse referendo ao contrário do que acontece com outros referendos anteriormente realizados onde os partidos estiveram a "meio-gás" ou nem tanto. Eu acho que os portugueses, e os europeus de uma maneira geral, tinham o direito, tinham o dever, melhor dizendo, de se pronunciarem sobre o Tratado. Assim não quiseram os governos, assim não quis a ridícula comissão europeia que nada consegue resolver em termos dos reais problemas dos europeus, mas que se diverte com mexeriquices de gente menor. Eu continuo a pensar que se vão arrepender, mais tarde ou mais cedo, da decisão tomada agora. Porque a curto prazo vamos começar ouvir falar de referendos sobre a continuidade de países europeus ocidentais na actual União Europeia. Eu creio - e admito que possa estar errado - que a continuar pelos caminhos por onde vai, esta União Europeia vai bater no fundo e em vez de alargamento vamos assistir a tentativas de abandono, nalguns casos possivelmente através de referendos nacionais. Finalmente uma questão política mais polémica: pessoalmente não reconheço à Assembleia da República qualquer competência política e constitucional, de facto, para ratificar este Tratado. Tal como não ousou pronunciar-se sobre o aborto, obrigando o País a um referendo. Os portugueses quando elegeram estes 230 deputados em Fevereiro de 2005 não votaram neles para que ratificassem este Tratado. O que se está a passar é uma patifaria política, um embuste próprio de quem não tem a coragem de dar ao Povo uma oportunidade (e o direito) de se pronunciar sobre um assunto que lhe diz directamente respeito e ao seu futuro. A mesma elite política e governativa que não tarda muito, daqui a um ano, vai andar por aí a mendigar votos para eleger deputados, dando sei quantos tachos a alguns candidatos para que durante quatro anos se possam pavonear nos “eixos” europeus numa vida de luxos e mordomias. Penso que politicamente os partidos não devem desistir da questão do referendo e creio que os portugueses, tal como os europeus, nas europeias de 2009 deveriam dar a resposta adequada a quem agora os traiu, abstendo-se em larga escala. Serei, e fica já o aviso, um fervoroso adepto do fomento (e do apelo) da abstenção europeia como resposta ao não referendo, decisão elitista tomada por uma minoria de privilegiados iluminados que mandam nos partidos e que se apoderam dos centros de decisão e dos tachos governativos ou presidenciais e parlamentares e que se arrogam a falar em nome do povo sem que ninguém lhes tenha dado mandato ou passado procuração. As europeias de 2009 devem ser um exemplo, por via da abstenção, de como o povo tem o direito de se vingar, deve vingar-se, da patifaria agora cometida contra si e contra os seus direitos.
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