quarta-feira, outubro 16, 2019

CALRE: JMR deverá estrear-se em reuniões internacionais em Peruggia (Itália)

O novo Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira deverá fazer a sua estreia em reuniões internacionais, no plenário geral da CALRE - Conferência das Assembleias Legislativas das regiões europeias, que terá lugar a 21 de Novembro em Peruggia, capital da Umbria.
José Manuel Rodrigues deverá também passar a integrar a Comissão Permanente da Conferência, que integra um representante de cada um dos oito estados-membros da União Europeia e que normalmente reúne-se 3 a 4 vezes por ano em diferentes países. A presidente do parlamento dos Açores, Ana Luís é a actual Vice-Presidente da CALRE.
Ana Luís
Da Comissão Permanente, para além da Presidente e Vice-Presidente, fazem actualmente parte Harald Sonderegger, Presidente do Parlamento de Vorarlberg (Áustria), Philippe Courard, Presidente da Comunidade Francófona (Bélgica), Gun-Mari Lindholm, Presidente do Parlamento das ilhas Äland (Finlândia), Reinhold Bocklet, primeiro vice-presidente do parlamento do Estado da Baviera (Alemanha), Rosetta D’Amelio, Presidente do Consiglio Regionale da Campania (Itália), Tranquada Gomes, ex-Presidente da Assembleia da Madeira (Portugal) e Carolina Darias San Sebastián, ex-Presidente do Parlamento das Canárias (Espanha).
Donatella Porzi é desde 2015 a Presidente da CALRE, presidindo também à Assembleia Legislativa da região italiana da Umbria.
Para além da CALRE, a Madeira também está associada às Jornadas Parlamentares do Atlântico que reúnem os deputados dos Açores, Canárias, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Madeira.
Lembro que em Fevereiro de 2019 teve lugar em Cabo Verde um encontro preparatório das X Jornadas Parlamentares Atlânticas que terão lugar em Cabo Verde, a 13 e 14 de julho de 2020, cabendo à Madeira acolher a próxima reunião dos Presidentes e do Grupo de Ligação, no início desse ano (LFM)

terça-feira, outubro 15, 2019

Nota: o mistério de uma patifaria de Centeno

Tenho uma dúvida com múltiplas interrogações em relação às quais preciso de uma resposta que não sei qual é: ou Centeno envolveu o Hospital da Madeira nas célebres cativações que apenas servem, para aldrabar os números orçamentais portugueses em Bruxelas, ou é uma bandalhice pessoal com a cumplicidade persecutória e conhecimento do Costa, ou foi alguma encomenda feita a partir do Funchal por causa da época eleitoral. É esta história toda que precisamos conhecer e ver esclarecida e esperamos que o "mister selfies" tome a iniciativa de o exigir como é seu dever e obrigação institucional. Porque esta patifaria é tão nojenta e que revela bem o carácter bandalho de quem assim se comporta com uma região do país, não pode passar impune, mais uma vez. Basta de andarmos de cócoras! (LFM)

Nota: Festança porquê?

Quando nos mantêm os juros muito acima daqueles que o Estado paga pelos empréstimos, fazendo com que Lisboa encha a pança à custa dos madeirenses, quando o idiota do ministro das Finanças faz uma patifaria como aquela que foi hoje denunciada que encarece os encargos com o empréstimo que a RAM vai ter que contrair para construir o novo Hospital da Madeira (que há muito devia estar feito), quando parece que nos vão lixar o avião cargueiro por causa dos problemas no aeroporto de Lisboa, quando continuam a reter verbas adiantadas pela RAM por conta de serviços prestados pelo Estado aos beneficiários residentes na Madeira que não podem ficar privados desses direitos (saúde e segurança social e outros), quando não pagam um tostão com o helicóptero anti-incêndios,fazem propaganda mentirosa para enganar os madeirenses, mas multiplicam-se os casos de contratos duvidosos com aviões, casos de alegada corrupção generalizada no Continente na área da protecção civil (até com as golas...), com demissões, arguidos e o que ainda estará para vir, quando nos obrigam a pagar em determinadas épocas do ano 350, 400 ou 500 euros pela merda de uma viagem a Lisboa - quando a mesma companhia aérea, que é do estado cobra 30 ou 40 euros para Madrid, Paris ou outras cidades europeias - quando recusam financiar as ligações marítimas no quadro da pretensa continuidade e coesão territoriais que não passam de um embuste para enganar Bruxelas (mais um), quando se preparam para lixar o subsídio de mobilidade encarado como um favor de Lisboa para com os "pretos" das ilhas - convicção imperial que não foi derrubada com a revolução, longe disso - quando nos vão dar mais uma facada nas transferências do OE em detrimento dos Açores que terão eleições regionais para o ano e precisam de resolver muitos problemas financeiros que por lá andam, acham mesmo que tenho algum motivo para alinhar com festanças que cedo nos farão cair na realidade do costume, nesta realidade crónica de um governo socialista em Lisboa (mas o mesmo fizeram governos de outra cor) que apostou tudo para nos lixar a todos em nome da tal doentia obsessão que alguém reconheceu lhe tirar o sono? (LFM)

sábado, outubro 12, 2019

Nota: a "culpa" não morre solteira mas os factos são os factos (Porto Santo)

Peço muita desculpa mas prefiro nem comentar os "motivos" avançados pela demissionária CPR do PSD do Porto Santo, para justificar seja o que for. Pragmaticamente a demissão aconteceu, inevitavelmente, porque falharam e porque na realidade reconheço que uma das causas - a mais importante - teve a ver com o descalabro eleitoral em Setembro que se repetiu em Outubro, resultados que se ficaram a dever, na minha opinião, a motivos diferentes é certo, mas que apresentam pontos de contacto como causas das derrotas
Vamos recapitular:
Eleições regionais de 2011 (as piores com a anterior liderança de AJJ)
Abstenção - 44,1%
PSD - 1.745 votos, 55,8%
PS - 511 votos, 16,3%
Eleições autárquicas de 2013 (as piores com a liderança de AJJ no PSD)
Abstenção - 37,2%
PSD - 1.310 votos, 38,6%
PS - 1.484 votos, 41,4%
Eleições regionais de 2015 (as primeiras com MA na liderança do PSD-M)
Abstenção - 49,9%
PSD - 1.532 votos, 55%
PS - 504 votos, 18,1%
Eleições legislativas de 2015 (as primeiras com MA que não foi candidato a São Bento)
Abstenção - 47,2%
PSD - 982 votos, 38,6%
PS - 812 votos, 31,9%
Eleições autárquicas de 2017 (recuperar da edilidade mas sem maioria absoluta)
Abstenção - 35,9%
PSD - 1.283 votos, 37,9%
PS - 1.251 votos, 37,9%
Eleições europeias de 2019 (normalmente as eleições mais difíceis para o PSD-M)
Abstenção - 65,4%
PSD - 639 votos, 35,7%
PS - 638 votos, 35,6%
Eleições regionais de 2019 (a pressão socialista não explica tudo)
Abstenção - 40,8%
PSD - 1.089 votos, 35,7%
PS - 1.547 votos, 50,8%
Eleições legislativas de 2019
Abstenção - 53,4%
PSD - 858 votos, 31,5%
PS - 982, 38,6%

Há coisas que eu não entendo, porque me parecia mais do que evidente que alguma coisa estava a penalizar eleitoralmente o PSD-M no Porto Santo, nos últimos anos.
E não quero desenvolver de forma mais aprofundada e polémica o tema porque acho - apesar de muitas outras ramificações, que são sobretudo de natureza pessoal e têm a ver com o perfil de certas escolhas e a receptividade das mesmas junto das pessoas, por isso espero algumas mudanças, porque inevitáveis na medida em que nada pode ficar na mesma nem as responsabilidades morrerem solteiras - que o essencial de tudo isto teve a ver também com o processo de escolha do deputado do Porto Santo parta as eleições de 2019. A discussão devia ter sido maior e em vez de pressões o pragmatismo deveria ter estado presente. Não vou desenvolver mais o assunto, mas acho que o PSD do Porto Santo devia ter agido como todos sugeriam, arranjando uma solução que propiciasse nova dinâmica e que garantisse unidade, algo que me repetidamente garantem ser a causa de tudo o que se passou. Aliás, o próprio deputado sabe como chegou à ribalta política em 2015 em condições que não vale a pena discutir, porque se há coisa que é óbvia, e ele sabe-o, nunca assegurou a unidade do PSD portosantense. Duvido que tenha, que alguma vez tenha tido qualquer representatividade efectiva ou que tivesse capacidade para se impor na estrutura social-democrata do Porto Santo muito dividida e com especificidades muito complexas. Peço desculpa mas é isso que eu penso.  Isso não tem nada a ver com pessoas, tem a ver com o perfil de pessoas e com limitações que todos percebiam existir. Julgo que não estarei a dizer nada de mais se afirmar que o deputado esteve para ser substituído, mas que acabou por continuar devido sobretudo aos efeitos do jogo das pressões de bastidores. Obviamente que o problema não é apenas o da representatividade do deputado e a sua aptidão, sim ou não, para a política no terreno.
Não gosto de ficar pelas meias-palavras, mas odeio quem sacode a água do capote ou desvaloriza questões que são essenciais. Os resultados foram péssimos, a representatividade do deputado do PSD é perfeitamente questionável e desigual face ao eleito do PS (mais de 50% dos votos) mas gostaria que a CPR demissionária, nomeadamente o seu Presidente, identificassem quais foram as alegadas "intromissões externas"... Que eu saiba as únicas intromissões falhadas foram as de manter tudo na mesma quando deviam ter feito mudanças. Embora seja relativo, continuo a afirmar que o Porto Santo contribuiu decisivamente para "roubar" ao PSD-M o seu 23º mandato. Estamos a falar de uma diferença para o PS de quase 500 votos (LFM)
Frases:
  • “A demissão deveu-se não só aos resultados locais, mas também a um conjunto de atitudes e opções políticas durante a campanha eleitoral, por parte do PSD Madeira, que entendemos terem sido prejudiciais”. O que é isto quando claramente fogem ao reconhecimento da verdade?
  • “Assumimos, em primeiro lugar, a nossa quota-parte de responsabilidade nos resultados obtidos. Para o bem e para o mal entendemos ser os primeiros responsáveis. Posteriormente indicámos ao Presidente do Partido aquilo que entendemos ter corrido mal, por opções políticas tomadas sem a nossa consulta e contra os diversos avisos e alertas dados no decorrer de todo o processo”. E admitem que a causa principal da queda eleitoral foi a que foi, aquela que no Porto Santo todos dizem ter acontecido?

Nota: a esperteza saloia (tardia ) da JPP

Eu não vou discutir os argumentos colocados pela JPP no comunicado, até porque antes deles já me tinha referido a muitos deles, assumindo o ónus da crítica e do apoio, particularmente da rafeirada anónima que conspurca as redes sociais. O que se passou com a presidência da Assembleia Legislativa da Madeira nunca poderia ter acontecido, Nunca! Não falo em pessoas - embora reconheça que a ambição pessoal e outros atributos são naturais sempre que falamos em pessoas, em características humanas que de uma forma ou de outra toldam a nossa formação e as nossas virtudes e defeitos. Nada disso!
Falo e valorizo os procedimentos políticos adoptados e as formas pouco claras, inaceitáveis, como se chegou a esta situação claramente desenvolvida no submundo da política, longe de tudo e de todos. E não mudo nada do que disse.
Canárias exemplar
Lembro, porque nunca é demais referi-lo, um exemplo do que é a política protagonizada por gente com ética e valores:
  • o PSOE ganhou as eleições autonómicas em Canárias realizadas em Maio deste ano. Ganhou sem maioria absoluta, mas teve mais votos, mais deputados, apenas 25 num universo de 70, em que a maioria absoluta necessária é garantida apenas com 36 deputados.
  • o Presidente do parlamento das Canárias - proposto pelo PSOE - o socialista Gustavo Matos, licenciado em direito na Universidade de Canárias, mestrado na Universidade de Salamanca - foi eleito com 36 votos a favor, do PSOE, da Nueva Canarias, Podemos e Agrupacion Socialista Gomera e 33 votos em branco do PP e Coligacion Canária. Não se registaram votos contra!
  • o Presidente do Governo Autónomo das Canárias - Ángel Víctor Torres - é do PSOE, o partido mais votado, indigitado depois de um acordo político - o Pacto das Flores - que viabilizou um governo de coligação, que acabou com a liderança de Canárias, de 26 anos, da Coligación Canária, nacionalista. Torres obteve o apoio do PSOE "5 deputados), Nueva Canarias (5), Sí Podemos (4) e Agrupación Socialista Gomera (3), partidos que assinaram o acordo para o referido governo de coligação e votos contra da Coalición Canaria (19), PP (10) 2 Ciudadanos (2) - apenas dois deputados estiveram ausentes, um do PP e outra dos CC.

Intolerável mas...
O que ser passou na Madeira, repito, é intolerável, uma vergonha que em nada abona a favor da política e dos políticos. Ninguém sai bem desta cena absurda. Quando se misturam ambições, pressões, chantagens, negociatas, ameaças, etc, para se conseguirem determinados desideratos políticos, nada feito. É a política no patamar mais rasca. Que me remeteu obrigatoriamente para um período de desilusão e de reflexão sobre o meu próprio envolvimento na política e na militância partidária. Que a seu tempo terá um epílogo que eu acredito ser inevitável.
Mas a culpa disso é dos partidos e dos políticos, pela fragilidade que demonstram, pela incapacidade de se afirmarem entre os seus pares, de forma democrática e legitimada pela eleição, na tarefa imensa de credibilizar a política e os partidos e de denunciarem de forma peremptória, sem jogos duplos ou posturas cinzentas, tudo o que se passa quando são descaradamente pisadas as linhas vermelhas da tolerância, da ética e da verdade.
Caixa de pandora aberta...
A caixa de pandora foi aberta. A partir de agora vale tudo na política regional, qualquer deputado pode pressionar, ameaçar ou chantagear, porque  a política desceu ao ponto máximo de ficar a pouca distância entre a política-lixo e a política-trampa. Política e políticos cuja credibilidade, aos olhos das pessoas, está tão lá em baixo, onde nunca esteve. E não deixa de estar com tudo isto.
Mas há o mas e a sonsa JPP
Neste quadro entra (tardiamente) a JPP que aparece metida na "confusão" por optimismo e com claras intenções desestabilizadoras. 
A JPP, que sempre recusou qualquer entendimento com o PSD - repito, veremos em 2021 se precisará ou não... - aparece agora, depois de formalizado o acordo de coligação PSD-CDS, depois de formalizada a candidatura de JMR à liderança do parlamento - aceite pelos social-democratas, apesar da polémica, dos cacos que esse processo gerou e do rasto ameaçador que ainda subsiste nas bases do PSD - a tentar de forma sonsa e saloia gerar divisões na maioria, na expectativa e na esperança de que uma crise coloque em causa a coligação beneficiando isso as JPP e seus potenciais parceiros da esquerda (estou desejando de ver esta unidade de esquerda quando começar a pré-campanha eleitoral para as autárquicas de 2021...)
Se a JPP está contra JMR devia tê-lo dito aberta e publicamente em tempo útil. Se a JPP queria a recandidatura de Tranquada Gomes, que elogia, devia ter tomado logo no início do processo, e quando conheceu sinais de polémica, essa posição. Não o fez, preferiu ficar sentada de bancada a assistir, na certeza de que isso não esconde que foi um dos derrotados das eleições de 22 de Setembro, como outros o foram. Alguns até ganhando acabaram por não ganhar...
Admito mesmo que a JPP esteja contra a eleição de um partido - CDS - com 3 deputados, os mesmos da JPP, que perdeu mais de 9 mil votos (muito mais das perdas da JPP), que perdeu 4 deputados (o dobro das perdas da JPP), assuma a liderança do parlamento em circunstâncias estranha se lamentáveis que a história um dia vai contar, tenho a certeza disso. Admito isso. Mas esta posição súbita da JPP, na tarde de sexta-feira, mesmo que seja "justificada" pelas formalização da candidatura PSD-CDS, poderia ter sido tomada mais cedo. E mesmo que não tivesse efeito prático, confundia a abria uma nova frente. O problema é que a JPP acha que um entendimento parlamentar com o PSD é uma espécie de pandemia que a vai matar...
E agora?
Chegados a este ponto, temos o seguinte:
- PSD e CDS assinaram um acordo político com incidência parlamentar, pelo que devem cumprir o compromisso assumido entre ambos. A política está tanto na merda que era o que nos faltava termos partidos e políticos, causadores de tudo isto, a se mostrarem, incapazes de cumprirem os acordos que formalizam e assinam. Só nos faltava isso neste descrédito generalizado.
- se a JPP quer contrariam a candidatura do PSD-CDS convença os seus parceiros da esquerda - já que recusou qualquer entendimento com o PSD nesta matéria - a formalizarem uma candidatura à liderança do parlamento, contra JMR, mas que eu admito esteja eventualmente condenada ao fracasso e por isso compreensivelmente sem encontrar entusiasmo e candidatos disponíveis (acresce que o PS já formalizou a candidatura de Vítor Freitas à vice-presidência do parlamento)
- se por exemplo, JMR, alvo de ataques políticos e pessoais que em nada o beneficiam - e condeno o ataque pessoal que se mistura com a política porque isso não faz sentido e a vida de cada um a cada um pertence e diz respeito - por iniciativa própria abandonasse a candidatura - acreditam nisso?! - então julgo que a normalidade que a JPP reclama seria reposta. O que se fica a saber é que, em principio - o voto é secreto - JMR contará com os votos do PSD e do CDS mas já sabe que terá os votos contra da JPP. Resta saber o que PCP e PS farão... (LFM)

sexta-feira, outubro 11, 2019

Nota: negócio de quê?

O Secretário-Geral do PS madeirense reagiu com a histeria socialista tonta do costume, à composição do novo governo da coligação, como uma espécie de "negócio de nomes", como se isso não fosse praxis natural em qualquer governo. Alias, julgo que o dito SG socialista local sabe melhor do que ninguém o que  é isso de "negócio de nomes" na política. A começar pela CMF....
Que raio de negócio foi aquele envolvendo a lista europeia do PS, no que à representação socialista local diz respeito? Que negociata estranha foi aquela na CMF onde quatro candidatos socialistas efectivos foram obrigados a renunciar ao mandato (quando Cafôfo saiu da edilidade...) para que entrasse um candidato suplente que o novo Presidente da CMF pretendia ver na sua equipa por confiança pessoal? Negócios de nomes? E isto o que é? Transacção de pessoas como se de um talho se tratasse? Sejamos sérios e rigorosos (LFM)

Nota: o helicóptero contra incêndios e a seriedade do debate

O agora deputado do PS-Madeira, Rui Caetano, afirmou na noite das eleições legislativas nacionais, e numa primeira reacção aos resultados eleitorais que começavam a ser conhecidos, que o governo socialista de Lisboa tinha um carinho especial pela Madeira. Percebe-se, sobretudo depois de Costa ter reconhecido que tem uma obsessão pela Madeira. Caetano deu como exemplo - um triste exemplo -  o "helicóptero que temos por aí a voar no combate aos incêndios" algo que segundo ele foi graças ao governo do PS de Lisboa. O problema é que Caetano se esqueceu de dizer que a Lisboa da geringonça que ele tanto gosta e defende, não pagou nem paga um cêntimo furado que seja com isso mas gasta milhões de golas inflamáveis e outras patifarias sob a alçada da justiça. Se Lisboa (socialista e da geringonça) não pagou um cêntimo furado como se explica então a lata de Caetano em reclamar como seus (e do Costa) louros que o orçamento regional é que paga? A resposta, digo eu, é apenas uma: as tretas do costume de um PS-M que como diz o povo não engana ninguém. O que se exige é seriedade e verdade, em nome da credibilidade da política e dos seus protagonistas (LFM)

Notas: as tretas do PS-M sobre a composição do novo GRM

O Secretário-Geral do PS madeirense reagiu com a histeria socialista tonta do costume, à composição do novo governo da coligação na Madeira, afirmando com uma idiota "indignação" saloia que se tratava do maior governo da RAM em termos de composição. Pois é. Por um lado trata-se do primeiro governo de coligação - algo que o rapaz se esqueceu de dizer. Depois sabe, se não sabe, informe-se antes, que o que se passa com todos os governos de coligação há sempre um princípio de proporcionalidade que regra geral é observado e que tem algum impacto na sua orgânica. Em Portugal, que me recorde, só em 2011 isso foi impossível porque depois da falência do país causada por Sócrates e pelo PS - lembra-se? -  a troika desembarcou em Lisboa e ninguém fazia mais do que ela mandava. Só que o SG socialista local - a trabalheira que o homem tem ou então a falta de aconselhamento em nome da seriedade, algo que não é para a todos - bate de frente na asneira ou na omissão manipuladora deliberada, cada um que decida.
Como? Vejamos: o novo governo de coligação PSD-CDS na Madeira tem 1 Presidente, 1 Vice-Presidente, 2 secretários regionais do CDS e 7 indicados pelo PSD, num total de 11 membros.
Façamos uma viagem aos Açores, aqui ao lado, onde há um governo de maioria absoluta de um só partido (PS) - maioria absoluta que os socialistas madeirenses tanto criticaram e objectaram no caso das Madeira... - governo esse constituído apenas por membros do PS açoriano: 1 Presidente, 1 Vice-Presidente, 7 secretários regionais e mais 2 sub-secretários-regionais - que aparecem em lugar de destaque na orgânica do executivo e que são apenas sub-secretários regionais para disfarçar a realidade, a de que estamos a falar de um governo regional açoriano com 11 membros, de facto. Nunca na Madeira existiram sub-secretários regionais. Já agora o último governo de Carlos César, que acabou o mandato em  2012, tinha 1 Presidente, 2 sub-secretários regionais e 8 secretários regionais! O anterior a esse, de César também (mandato até 2008) tinha 1 Presidente, 1 Vice-Presidente, 1 sub-secretário regional e 8 secretários regionais. Quer mais? Informe-se... (LFM)

quinta-feira, outubro 10, 2019

Cafofo abre nova frente (perigosa) no PS-Madeira

Tenho poucas dúvidas que Paulo Cafôfo ao anunciar hoje no DN-Madeira a sua esperada disponibilidade (diria natural depois do que aconteceu até 22 de Setembro) para liderar o PS-M - algo que poderá acontecer já no congresso de 2020 - terá aberto uma frente interna politicamente perigosa.
Desde logo porque se fica sem saber se essa liderança terá sido negociada com Emanuel Câmara que sairia do terreno, deixando espaço livre ao candidato derrotado em 22 de Setembro. Depois porque não sabemos se os sectores do PS-M que sempre olharam para esta solução Câmara-Cafôfo com desconfiança aceitam, essa ideia de uma nova liderança tipo "salvadora", sem marcar o seu espaço próprio.

Relação bizarra e algo circense
Acho uma candidatura natural depois dos episódios bizarros, politicamente caricatos e algo circenses que caracterizaram a relação de Cafôfo e o PS-M, uma liderança (?) duplicada em, que ambos os protagonistas, mais ou menos discretamente. Se no início se percebeu que Cafôfo chegou ao PS-M pela mão e por arrasto de Emanuel Câmara - que teve que derrotar Carlos Pereira, graças a movimentações de alguns homens da máquina socialista que se colocaram ao lado de Câmara - e que andaram meses a se marcar um ao outro, hoje tudo parece ter mudado.
Mudado como? Eu arriscaria dizer que Cafôfo percebeu que não podia alimentar mais a cena caricata no PS-M, que tem que se definir de uma vez por todas aos olhos das pessoas, que ou se filia e disputa a liderança ou afasta-se e poderá ficar condenado a uma espécie de travessia do deserto de 4 anos, tempo demasiado longo, caso a coligação PSD-CDS se mantenha firme. Isto salvo se Lisboa lhe deitar a mão, hipótese que, repito, está em cima da mesa.
Trindade importante e Costa quer Cafofo
E dou mais uma informação que me foi dada como certa por uma fonte socialista da minha confiança: Costa não aposta em Câmara e pretende que Cafôfo, mais cedo ou mais tarde, seja o líder dos socialistas. Neste  contesto, garantem-se que Bernardo Trindade poderá ser uma peça fundamental nesta estratégia de Costa para o PS-Madeira que deixaria de fora - os dois candidatos à liderança do PS-M, Emanuel Câmara e Carlos Pereira, numa disputa que politicamente nunca ficou resolvida como aliás recentemente o constatamos. 
Independentemente deste poder ser (?) o primeiro grande erro politico de Cafôfo - o de considerar que os 51 mil votos obtidos pelo PS-M em 22 de Setembro são ganhos adquiridos - é evidente que o primeiro sinal de que Cafôfo estaria a preparar-se para disputar a liderança dos socialistas madeirenses foi dado com os nomes para o parlamento. Tanto Iglésias como Vítor Freitas são dois nomes próximos de Cafôfo e que garantem a adequada "cobertura" política no PS regional caso se confirme o avanço do antigo autarca funchalense o que em certa medida explica a surpreendente escolha dos dois políticos para posições de destaque no quadro da actividade parlamentar socialista.
Cafôfo não pode esquecer-se de uma questão essencial: eleitoralmente o PS na Madeira não chega aos 30 mil votos e episódios eleitorais esporádicos em determinadas eleições não alteram em nada essa realidade que a história dos números o demonstra. 
O segundo aspecto é que Cafôfo sabe - se não sabe pior ainda - que muitos dos 51 mil votos que o PS conseguiu nas regionais deste ano, tiveram a ver com a expectativa de uma mudança que saiu gorada, pelo que a sua candidatura será para todos os efeitos uma candidatura falhada e derrotada, salvo se algum volte-face escandaloso vier a ocorrer, algo que, confesso, nunca direi que não possa suceder. Não há volta a dar quanto a isso.
Contestação hipócrita 
Acresce que se Cafôfo e o PS-M contestam com alguma irritação o CDS - vá lá saber-se os motivos... - devido ao envolvimento deste na viabilização da coligação com o PSD -ideologicamente a mnais natural, aliás na linha do que aconteceu a nível nacional entre 2011 e 2015, já não se percebe porque razão, para conseguir o poder - o poder pelo poder - o PS-M tenha tentado aproximar-se e aliciado o mesmo CDS-M que tanto critica (e sei que o fez antes das eleições de 22 de Setembro e podem negar 1000 veses porque 1000 direi que é verdade e que houve até reuniões entre elementos dos dois partidos).
Aliás o que é que se passsou com a geriongonça em 2015 em Lisboa? Não é umna coligação - assente num acordo parlamentar - perfeitamente natural entre partidos da esquerda? Como é que um entendimento parlamentar entre PSD e CDS na Madeira é tão criticado pelos socialistas locais? Com que autoridade reclamam como seus os votos de quem não votou no PSD, como que a distorcem de forma manipulada os resultados de 22 de Setembro e como se alguém que não votou no PS - e foram muitos milhares, tivesse passado de repente um mandato a Paulo Cafôfo e à sua corte, para perorarem asneiras como o têm feito, frustrados pela derrota e por terem sido afastados do poder.
Com uma diferença essencial. A geringonça envolveu três partidos derrotados nas urnas - considerados individualmente - mas que lograram, por via do método de Hondt, a maioria absoluta parlamentar que serviu de sustento a esta geringonça, agora com futuro imprevisível.
A coligação na Madeira, entre PSD e CDS, envolve o partido mais votado e aquele que elegeu mais deputados, porque presumo ter sido essa a vontade dos eleitores. Ou não foi?
PS-M culpado do falhanço de Cafôfo
Pergunto: não terá sido o próprio Cafôfo e o PS-M os culpados da derrota e de terem ficados apeados do poder, falhando a candidatura do ex-autarca do Funchal? Até que ponto a fragilização do PCP, do Bloco e da JPP - que perderam milhares de votos e deputados - não impediu os desejos do PS-M que terá em meu entender desvalorizado o facto de que para obter esta votação, tinha inevitavelmente de invadir o terreno eleitoral da restante esquerda.
Bem vistas as coisas o PSD-M perdeu apenas cerca de 130 votos enquanto que o crescimento do PS se ficou a dever ao aumento dos eleitores votantes (cerca de 15 mil) - que reconhecidamente não votaram no PSD-M - e às perdas eleitorais da esquerda (cerca de 13.600 votos incluindo mais de 1.500 votos do pouco falado PCTP) e parte do eleitorado do CDS - perdeu mais de 9 mil votos. Falamos de 38 mil votos em "movimento", incluindo novos eleitores, quando o PS aumentou mais 36.600 votos comparativamente à coligação de 2015 que foi um dos piores resultados de sempre do PS para regionais.
O que pretendo dizer é que ninguém sabe, a confirmar-se o assalto de Cafôfo à liderança do PS-M qual o futuro dos socialistas em actos eleitorais seguintes. Uma coisa é eleitores votarem no "independente" (mesmo que falsificado como todos sabiam) Cafôfo, outra coisa é votarem no mesmo Cafôfo já efectivamente líder do PS regional, despido das vestes de "independente" que eleitoralmente o ajudaram na caça ao voto na CMF mas que ficaram aquém do pretendido nas regionais de 22 de Setembro. Isto promete (LFM)

A geografia das legislativas de 2019



Os resultados eleitorais para a Assembleia da República mostram em 2019 um novo mapa político do país. Confira os números. Segundo os resultados divulgados pela Direcção Geral da Administração Interna, o Partido Socialista (PS) foi a força política mais votada nas eleições de 6 de outubro de 2019, ao obter 36.65% dos votos e 106 deputados. O PSD obteve 27.9% e elegeu 77 deputados, o BE 9.67% com 19 deputados, o PCP-PEV 6.46% e 12 deputados, o CDS-PP 4.25% e 5 deputados, o PAN 3.28% e 4 deputados, o Chega 1.3% e 1 deputado, o Iniciativa Liberal 1.29% e 1 deputado, o Livre 1.09% e 1 deputado e os outros partidos e votos brancos e nulos 5.98%. Os resultados não são os definitivos, faltando ainda apurar 4 deputados eleitos pelos círculos fora de Portugal.

Políticos destacam-se nas redes sociais em mês de campanha eleitoral

Em setembro, Cristiano Ronaldo foi novamente a personalidade mais mencionada nos social media, mas os políticos estiveram em destaque em mês de campanha eleitoral. Cristiano Ronaldo foi, entre as personalidades analisadas pelo serviço Social Media Explorer da Mediamonitor, o que registou maior número de menções nas redes sociais durante o mês de setembro. O jogador de futebol mantém a primeira posição há oito meses consecutivos. Em sites como Facebook, Twitter, Blogs, Fóruns e Instagram, foram encontradas, ao longo do mês, mais de 6 mil referências ao jogador.

Portugueses não acreditam que deixar de consumir carne de vaca tenha impacto nas alterações climáticas

Em sondagem realizada pela Marktest, os portugueses dizem acreditar no aquecimento global e no papel do homem nesse fenómeno mas não creem que deixar de consumir carne de vaca tenha impacto nas alterações climáticas.
"Acredita no aquecimento Global da Terra?". Esta foi uma das questões que a Marktest colocou aos residentes em Portugal com 16 e mais anos, em sondagem recentemente realizada. E a resposta foi claríssima: 93.7% respondeu afirmativamente. Outra das questões avaliadas nesta sondagem foi a de saber se os entrevistados entendiam que a ação humana teria impactos diretos no aquecimento global. Também aqui não houve qualquer hesitação: 90.3% entende que sim.

quarta-feira, outubro 09, 2019

PS-M faz escolhas parlamentares e alimenta a dúvida sobre Cafofo

O PS-Madeira cumpriu hoje as disposições político-parlamentares a que estava obrigado antes do início da actividade da nova Assembleia Legislativa: escolher o líder parlamentar que será eleito pelos 19 deputados socialistas e indicar o candidato do PS à vice-presidência que será proposto em plenário, 2 dias antes da reunião marcada para 15 de Outubro - como as demais candidaturas à Mesa - e que deve ser eleito por maioria absoluta dos deputados.
A primeira surpresa teve a ver com a escolha de Miguel Iglésias para a liderança do grupo parlamentar, apesar de não ter nenhuma experiência como deputado - presumo que terá alguma na Assembleia Municipal do Funchal mas, com o devido respeito, não se compara à ALRAM. Não foi revelada a restante equipa de Iglésias, que poderá ter 2 ou 3 vice-líderes parlamentares, mas admito que venha a haver um equilíbrio que pelo menos atenue a primeira conclusão que se pode retirar deste processo: Paulo Cafôfo pode ter negociado ou feito questão de "controlar" o grupo parlamentar e mesmo não surgindo em lugares de destaque - será que vai avançar como candidato a Presidente da Assembleia, sujeitando-se a uma nova derrota, ou o PS desistiu dessa possibilidade? - garante uma presença efectiva entre os seus pares.
Por outro lado, julgo que a escolha de Iglésias, considerado o braço-direito de Paulo Cafôfo (desde a CMF onde foi chefe de gabinete do ex-Presidente), indicia ter sido feita a opção para a liderança do grupo parlamentar de alguém conotado com a ala mais radical, politicamente falando, e que provavelmente o PS-Madeira, mais do que recusar qualquer entendimento com o PSD e o CDS, poderá ter dificuldades também em negociar com a oposição de esquerda, JPP e PCP, matéria que deverá ficar reservada, sempre que necessário, ao próprio Cafôfo.
Vítor Freitas meia-surpresa
A segunda decisão - para mim uma meia surpresa, dado que julguei que o ex-líder do PS, Jacinto Serrão, com uma longa experiência política e parlamentar, poderia ser o escolhido - privilegiou também a ala política socialista mais radical, para além de premiar o envolvimento nos bastidores de Iglésias e Vítor na campanha de Cafôfo. Resta saber com que votos vai Vítor Freitas contar na sua eleição
E Cafôfo? Um intervalo em Lisboa?
Sem ser ainda - parece que vai aderir até final deste ano - militante do PS-Madeira, sem ser líder parlamentar - confesso que não o vejo com perfil para essa função - e não sendo vice-presidente da Assembleia (admito que num outro cenário tanto Serrão como Cafôfo poderiam avançar...), estas escolhas confirmam informações que me foram dadas esta semana, repito e insisto embora sem confirmação, sobre o futuro de Cafôfo.
Segundo a minha fonte, próxima do PS-M, bem próxima do PS-M - acreditem ou não, é-me indiferente - há a possibilidade de Paulo Cafôfo ser promovido a um  lugar de destaque no futuro governo de Costa - que se empenhou na candidatura falhada de Cafôfo e que garantiu ao PS-M significativos recursos financeiros e uma experiente equipa de marketing e assessoria de comunicação - eventualmente uma secretaria de estado ou um lugar político num gabinete ministerial, para "adquirir tarimba", para preservar a sua imagem, "retirando-o do desgaste causo por um previsível combate partidário mais radicalizado e agreste" nestes primeiros meses da Legislatura, evitando assim um  perigoso desgaste pessoal e político, no fundo fazendo um percurso muito idêntico ao de Carlos César quando saiu dos Açores, esteve em Lisboa vários anos, e terá sido enviado por Mário Soares de volta aos Açores para destronar o PSD do poder, o que veio a acontecer quando Mota Amaral abandonou a liderança social-democrata. Enfim cenários plausíveis, interessantes e curiosos, mas que ainda não se confirmam.
O mistério de Carlos Jardim...
Curiosa a declaração colocada hoje na sua pagina do Facebook por Carlos Jardim, antigo responsável pela Frente Mar - e que chegou a ser considerado próximo de Cafôfo - declaração que dispensa mais comentários: "Defendi, hoje, na Comissão Política do PS Madeira, que o PS não pode pactuar com a indigitação de um deputado do CDS PP para Presidente da ALM. O PS deve apresentar um candidato à Presidência da Assembleia Legislativa da Madeira. Que os deputados decidam e que o PPD justifique como pode ceder a presidência da ALM à terceira força política. Eu não percebo e, estou certo, poucos percebem". Registei igualmente o comentário de Rita Pestana, antiga dirigente socialista e ex-Vice-Presidente da Assembleia: "Defendo mais, Carlos Jorge... Defendo que o PS deveria subscrever a candidatura de um deputado do partido mais votado. E aí veríamos!" (LFM, fotos DN-M com a devida vénia)

Nota: boa sorte

A RTP-M deu notícia do que será a composição do futuro governo regional, o primeiro na Madeira negociado e apoiado por uma coligação política, algo nunca antes ocorrido. Tal como sempre referi, e mantenho, quando um governo é empossado para iniciar uma caminhada que nenhum dos seus membros sabe como vai decorrer e como vai acabar, não nos cabe julgar pessoas. Habitualmente vemos nas redes sociais os bandalhos e rafeiros do costume pronunciarem-se anonimamente sobre pessoas, falando delas sem as conhecerem, inventando trampas só porque lhes interessa destruir o carácter de alguém. O lixo do costume!
Na política a responsabilidade pela escolha dos nomes é de quem lidera os governos, neste caso uma responsabilidade partilhada parcialmente também pelo CDS-M que devido à coligação chega ao governo regional pela primeira vez indicando dois dos seus aos principais membros do executivo. Porque ainda falta a segundo parte do processo, as linhas intermédias, direcções regionais e empresas públicas.
Recuso fazer qualquer avaliação, nem tão pouco julgo os programas de governo que são essencialmente uma espécie de "cartilha", de carta de intenções, se quiserem. O que depois importa é fazer o balanço justo do grau de cumprimento, da eficácia, da resposta técnica e política dada por cada governante relativamente àquilo que as pessoas esperam dos seus governantes.
Ao GRM desejo boa sorte, toda a sorte do mundo, porque é isso que a Madeira e os Madeirenses precisam, e não perderem tempo com lamentáveis minudências que em nada promovem e dignificam a política e os políticos, pela forma como foram pensadas, executadas e impostas da lógica do "agora ou nunca". Acresce - e não vou insistir porque acredito que as pessoas já tiraram as suas conclusões, que alguém perderá com tudo o que se passou e porque isso nem sequer é neste contexto o tema mais importante - que a verdade é apenas uma, não se constroem "verdades" em função do momento, do tempo, do interesse, da conjuntura, do disfarce, da manipulação, etc. Portanto, boa sorte, sucesso e sobretudo que os governantes tenham a consciência de que mais importante do que se diz cá fora é garantirem lá dentro a estabilidade interna e o entendimento político que garante uma Legislatura sem crises políticas, que normalmente acontecem neste tipo de situações.
Independentemente do que penso da nova realidade política regional, de perceber ao pormenor o que realmente está em cima da mesa, do espaço de manobra - menor para uns, maior para outros - não vou retomar o assunto - repito e insisto, espero que haja sobretudo verdade, seriedade, ética, idoneidade, estabilidade e competência. No final estaremos todos prontos a avaliar o trabalho realizado e as consequências concertas desse trabalho. Obviamente que poderíamos deambular sobre o movimento de saídas e entradas de pessoas, como alguns fazem e as redes sociais tanto gostam, sobretudo na tentativa de encontraram as "explicações" para promoções e os motivos para exclusões. Não vou por aí, embora não tivesse qualquer problema em alinhar nessas águas. Prefiro valorizar o essencial, estabilidade social e política, recuperação financeira, pragmatismo, coerência, atenção às áreas sociais mais sensíveis, recusar ir a reboque de bandeiras de outros que nem constituíram mais-valias eleitorais coisa nenhuma. E competência governativa sem a fobia mediática que tem o seu tempo, como tudo na vida. O que é demais, enjoa e penaliza, inevitavelmente.
Boa sorte a todos e que o combate político tenha sucesso, mesmo que existam factos de todos conhecidos que entristeceram a cordialidade e a naturalidade deste processo e que causaram "tempestades" evitáveis que certamente serão avaliadas pelos eleitores no momento próprio e da forma adequada que eles entenderão fazer, penalizando quem não teve a postura ética, se for esse o caso. Mas isso diz respeito à consciência e à convicção das pessoas (LFM, foto DN-M com devida vénia)

Eleições: por falar em regiões mais abstencionistas....

Nestas quatro eleições escolhidas para efeitos comparativos constata-se os melhores (azul) e piores (negro) resultados da abstenção em termos percentuais em todos os círculos eleitorais do país, faltando os valores dos dois círculos eleitorais da emigração que excluímos de qualquer comparação porque se caracterizam por crónicas elevadíssimas taxas de abstenção (lfm)

terça-feira, outubro 08, 2019

Estranho puxão de orelhas no PS-Madeira...

Estranho (e nada inocente) puxão de orelhas a Carlos Pereira. Fica assim a dúvida, natural e legítima, sobre se não fossem as regionais de Setembro se teria sido esta a lista de candidatos do PS-M à Assembleia da República. E qual a fonte desta notícia ou da publicitação do puxão de orelhas? Mas afinal o PS-M não foi o segundo partido mais votado e não conseguiu recuperar um 3º mandato ao Bloco de Esquerda? E nas regionais o "às de trunfo" não era Cafofo (lá vai a "rede" do Iglésias responder nas redes sociais, ou mandar responder, anonimamente como sempre, também e como sempre a insultar, como se eu ligasse alguma coisa a essas diarreias insultuosas dessa bandalhice)
Como se verifica, o melhor resultado foi em 2005, seguido de  1995, 2019 em 3º e  1999 em 4º, todos com votações acima dos 42.600 votos.

JCA não deixa a sua dama (poesia)...


fonte: Correio dos Açores

Legislativas-2019 na Madeira: perceba tudo sobre as eleições em quadros fáceis




Cada um que faça as suas análises e comparações.... Curioso que o pior resultado do PSD foi em 2015, seguido de 2019. Depois em 3º e a uma larga distância o resultado de 1999. Quanto ao CDS, os piores resultados foram obtidos em 1987, 2015,1991 e 2019 (LFM)

Notas sobre o novo parlamento regional

CDS-PP - 3 eleitos
  • Rui Miguel da Silva Barreto - líder do CDS-M deverá sair para o GRM, entanto para o seu lugar o médico Mário Pereira muito próximo de JMR e da ala mais radical do CDS-M
  • José Manuel de Sousa Rodrigues - antigo líder do CDS, deverá ser eleito Presidente da ALRAM, cargo que exigiu desde antes as eleições de 22 de Setembro - caso o CDS acabasse por estar no papel em que se encontra, apesar de ter sido um dos grandes derrotados das eleições regionais - como o próprio confirmou à comunicação social no dia da assinatura do acordo
  • Ana Cristina Monteiro dos Santos - autarca do CDS na CMF, estreante no parlamento, não se sabe ainda se vai continuar ou suspenderá mandato
JPP - 3 eleitos
  • Élvio Duarte Martins Sousa - autarca e deputado, mantém-se no cargo
  • Paulo Alves - deputado, mantém-se no cargo
  • Rafael Nunes - deputado, mantém-se no cargo
PCP - 1 eleito
  • Edgar Silva, líder do PCP-M, ex-candidato presidencial e deputado, mantém-se no cargo sendo de prever que adopte rotatividade de funções com os dois candidatos comunistas que o seguiam na lista)
PSD - 21 eleitos
  • Miguel Albuquerque - líder do partido e presidente do GRM, vai suspender o mandato
  • Pedro Calado - numero dois do PSD-M, vice-presidente do GRM, vai suspender o mandato
  • Tranquada Gomes - presidente da ALRAM, ultrapassado pelas exigências do CDS-M de não prescindir do cargo, apesar de paradoxalmente ter perdido 4 deputados e ter sido um dos derrotados da noite eleitoral, vai suspender o mandato
  • Conceição Franco Pereira - médica, estreante no parlamento 
  • José Prada - secretário-geral do PSD-M, deverá ser um dos candidatos a vice-presidente da ALRAM
  • Jaime Filipe Ramos - líder parlamentar do PSD, deverá ser reconduzido no cargo
  • Rubina Leal - ex-secretária regional e actual deputada,deverá deverá ser candidata a vice-presidente da ALRAM, caso se mantenha fora do GRM.
  • Bruno Melim - líder da JSD, estreante
  • Brício Araújo - advogado, ex-presidente da OA na Madeira, estreante
  • Carlos Fernandes - escolha pessoal de Miguel Albuquerque como alegado "representante" dos madeirenses regressados da Venezuela, estreante
  • Rui Abreu - antigo SG do PSD, deverá sair já que parece ser candidato a uma direcção regional 
  • Higino de Sousa Teles - deputado, continua em funções, autarca e dirigente partidário em Câmara de Lobos e com ligações ao sector desportivo
  • Nuno Maciel - autarca e dirigente social-democrata da Calheta, bem cotado no concelho, estreante
  • Cláudia Marina Rodrigues Gomes - chegou a ser deputada mas saiu devido à rotatividade. Oriunda de Machico - concelho onde o PSD sofreu uma folgada derrota para regionais, é filha de um conhecido ex-presidente da CMM e dirigente do PSD
  • Bernardo Caldeira - apontado como "representante" do Porto Santo chega ao parlamento, onde já estava desde 2015, com uma copiosa derrota que vai dificultar o seu trabalho
  • Gualberto Fernandes - experiente autarca e deputado, volta ao parlamento regional, depois do seu nome ter sido associado a uma falhada candidatura do PSD à Câmara da Ponta do Sol, em 2017, tendo sido alegadamente preterido devido a uma disputa entre pessoas que acabaram por acelerar a derrota do PSD. Poderá chegar ao parlamento em "viagem" para um novo desafio em 2021.
  • Clara Tiago de Sousa Coelho - continua no parlamento, era secretária da mesa, tida como representante da Ribeira Brava
  • Guido Andrade Gonçalves - Continua como deputado, tido por "representante" de S.Vicente, concelho onde o PSD teve um bom resultado
  • Cláudia Perestrelo - Estreante, vem de Santana, faz parte de uma nova vaga de políticos social-democratas no norte da ilha
  • Sónia Barros Silva - Estreante, candidata de Câmara de Lobos
  • Valter Correia - estreia-se no parlamento. Vem do Porto Moniz, tem larga experiência sobretudo como autarca e dirigente do PSD e da JSD, tudo indicando que será "peça" fundamental na estratégia laranja para aquele concelho do norte
Substituições
  • Eduardo Jesus - deputado e ex-secretário regional, substituirá Tranquada Gomes ou Miguel Albuquerque e pode suspender o mandato caso seja convidado para funções executivas
  • Carlos Rodrigues - político experiente, deputado entre 2015 e 2019, deverá substituir Tranquada Gomes, Miguel Albuquerque ou Pedro Calado, conforme forem apresentados os pedidos de suspensão de mandato
  • Adolfo de Freitas Brazão - deputado em 2015, advogado, deverá substituir Tranquada Gomes, Miguel Albuquerque ou Pedro Calado, pelos mesmos motivos
  • Rafael Isidoro Carvalho - eleito em Santa Cruz, poderá entrar na roleta atrás referida dos pedidos de suspensão de mandato, entrando para o lugar de Eduardo Jesus, caso este saia
  • Rui Marques - ex-presidente da Câmara de Ponta do Sol, poderá ser com Gualberto Fernandes o segundo deputado da Ponta do Sol, mas esta situação não se me afigura politicamente uma mais-valia. Tudo ainda por causa do processo autárquico de 2017.Poderá substituir Rui Abreu, mais tarde, se se confirmar a ida deste para uma direcção regional. Como tomam posse mais tarde a suspensão de mandato neste caso não será imediata
  • Rui Santos - Poderá entrar no parlamento em estreia. O presidente da Junta de Freguesia carrega um ónus altamente negativo, por causa das derrotas do PSD numa freguesia (menos 500 votos nas regionais e nas legislativas nacionais) - Santo António - que era sempre um baluarte laranja apesar de "sacudir".
PS - 19 eleitos
  • Paulo Cafôfo - foi o trunfo do PS-Madeira para ganhar as eleições regionais. Falhou. Independente deverá aderir ao PS a prazo - exigência do próprio partido - e duvido que não volte a tentar em 2023 (ou antes se falharem os acordos da maioria), mas confesso que ainda não sei se vai continuar por cá ou se Costa vai ajudá-lo a ganhar mais experiência e protagonismo fora da Região para depois regressar.
  • Emanuel Câmara - líder socialista, suspenderá o mandato para regressar ao Porto Moniz e garantir a vitória socialistas em 2021, depois do PSD ter ganho duas das três últimas eleições no concelho
  • Luísa Paolinelli - docente da UMa tem estado regra geral associada ao PS com Cafofo, embora não seja propriamente uma militante socialista. Aliás não é a única a fazê-lo nos últimos dois anos do PS com Cafofo. Fez parte da equipa socialista que ganhou a CMF em 2017. Desconheço se se vai manter como deputada
  • Marina Viríssimo - estreante, advogada, é vice-presidente da JS-Madeira
  • Élvio Jesus - ligado ao movimento sindical dos enfermeiros, vai dar ao PS uma outra intervenção na área da saúde, algo que regra geral não tinha, estreia
  • Maria Elisa Seixas - é autarca na AM do Funchal e docente, estreia-se no parlamento, apesar de ser apresentada como "representando" Câmara de Lobos, onde reside.
  • Victor Freitas - antigo líder do PS é um dos políticos da nova ALRAM com maior experiência e mais anos de actividade politica. Deverá ter posição de destaque no quadro do GP socialista 
  • Jacinto Serrão - antigo líder do PS-Madeira tem contra si o facto de ter conduzido de forma errada o posicionamento do partido na polémica aquando das alterações na Lei de Finanças Regionais em 2006-2007. Tem muita experiência parlamentar, regional e nacional, e deverá ter uma função de destaque no quadro do GP socialista apesar da sua actividade docente. Surpresa seria não o ter...
  • Olga Fernandes - da Ribeira Brava, estreante, foi uma das protagonistas do processo eleitoral do PS, ao abandonar o PSD para integra a lista socialista como independente. Professora no Campanário, não impediu uma vitória folgada do PSD nesta freguesia (51%), apesar de tudo
  • Rúben Eiras - Estreante, foi o coordenador da área do Mar do programa do PS-M, mas residindo em Lisboa onde tem a sua actividade profissional é provável que peça a suspensão do mandato
  • Avelino Conceição - Continua como deputado, político com muitos anos de actividade, é um dos homens fortes de Machico e conseguiu passar ao lado de potenciais polémicas pessoais surgidas na parte final do seu mandato com origem, ainda por explicar devidamente. A vitória do PS em Machico e na Agua de Pena fala por si.
  • Sílvia Silva - De Santa Cruz, engenheira de produção animal, dizem-me que é um dos rostos que o PS conta para a equipa que fará o assalto à Câmara Municipal em 2021, que nunca ganhou
  • Rui Caetano - docente mas com uma longa carreira política, deverá desta vez manter-se no parlamento, salvo se a opção for pela carreira e existir alguma eventual incompatibilidade, o que não parece ser o caso
  • Miguel Iglésias - um dos braços-direitos de Cafofo com quem esteve na CMF (Chefe de Gabinete), chegou a liderar a estrutura socialista no Funchal, é um dos alvos preferenciais dos adversários de Cafofo, normalmente tido como coordenador das campanhas de Cafofo e das movimentações socialistas nas redes sociais.
  • Mafalda Gonçalves - deputado e líder da estrutura das mulheres do PS-M
  • Sérgio Gonçalves - Um dos reforços obtidos pelo PS de Cafofo para a área económica, esteve ligado ao grupo Sousa e à ACIF, estreia-se no parlamento, deverá assumir papel de relevo no debate parlamentar
  • Luís Paixão Brito - oriundo do Porto Santo, responsável pela vitória socialista esmagadora e surpreendente, com mais de 50% dos votos, o que coloca problemas novos no debate que terá com o eleito pelo PSD
  • Sofia Canha - Continua como deputada, da Calheta, próxima de Carlos Pereira e de Cafofo, fez parte da mesa do parlamento
  • Beto Ramos Mendes - Porto Moniz, representante aquele concelho cuja autarquia é do PS, mas onde o PSD parece estar a recuperar lentamente do desaire de 2017.
Substituições
  • Carlos Coelho - da Ponta do Sol, entra para substituir Emanuel Câmara
  • Tânia Freitas - médica veterinária, é oriunda de Santana, deverá entrar para substituir Luísa Paolinelli, caso suspenda, ou  Ruben Eiras
  • Jaime Leandro - deputado, experiente, poderá regressar ao parlamento nesta roleta de suspensões de mandatos (LFM)

Legislativas-2019: perceba tudo sobre as eleições em quadros fáceis








(Nota: também publicaremos os resultados regionais, na Madeira. Como é evidente os resultados de 2019 ainda aguardam a contagem dos votos dos dois círculos da emigração- LFM)

Nova "guerra" na presidência da AMRAM ou novo acordo de bastidores?

A anunciada saída do autarca de Santana, Teófilo Cunha, do CDS-M, para o futuro Governo Regional madeirense, coloca em cima da mesa outra disputa politica, menos relevante, sem impacto na vida regional ao nível do que se passou depois das regionais de 22 de Setembro, mas que poderá colocar em evidência, sim ou não, a capacidade de negociação dos autarcas e a sua habilidade sobretudo nas movimentações de bastidores: a eleição do novo Presidente da Associação dos autarcas.
Depois do Presidente da CMF, Miguel Gouveia, ter avançado com a proposta de candidatura de Ricardo Nascimento à liderança da Associação dos Municípios da Madeira, manifestando também a insatisfação pelo facto de Teófilo ter participado enquanto secretário-geral do CDS-M nas negociações com o PSD - como se isso fosse um crime de lesa-pátria... - numa clara jogada de antecipação, hoje surgiu a notícia da disponibilidade de Pedro Coelho, autarca do PSD e líder de Câmara de Lobos, para suceder a Teófilo Cunha.
Neste momento temos o seguinte cenário:
- PSD - 3 Câmaras Municipais (Porto Santo, Calheta e Câmara de Lobos)
- CDS - 1 Câmara Municipal (Santana)
- PS - 4 Câmaras Municipais (Funchal, Machico, Porto Moniz e Ponta do Sol)
- JPP - 1 Câmara Municipal (Santa Cruz)
- Independentes - 2 Câmaras Municipais (Santa Cruz e Ribeira Brava).
Aliás nessas declarações proferidas, Pedro Coelho reconheceu a dificuldade em garantir esse objectivo, uma vez que o PSD lidera apenas três das 11 Câmaras da Madeira. Lembro que o presidente da Câmara de São Vicente já voltou a filiar-se no PSD-Madeira depois de o ter abandonado ainda sob a liderança de Alberto João Jardim e tendo as autárquicas de 2013 como causa da divergência.
Julgo que a manter-se o cenário anterior, e assumindo que os autarcas do PS e da JPP estarão no mesmo barco, temos 5 autarquias, contra 4 apoiantes de Pedro Coelho, se contabilizarmos os três social-democratas e o autarca de São Vicente. Caso o novo autarca de Santana se junte ao PSD, passaremos a ter 5 autarcas a favor de Coelho, cabendo a Ricardo Nascimento o desempate. Talvez por isso Miguel Gouveia se antecipou, na esperança de que estas contas não fossem feitas o que efectivamente era inevitável. Isto promete (LFM)