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quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Como votaram os mais jovens e os mais velhos

Na primeira volta das eleições presidenciais, de que forma votaram os mais jovens e os mais velhos? E por nível de instrução e por género? De acordo com uma sondagem à boca das urnas do ICS-ISCTE, GfK e Pitagórica, nos votantes com 65 ou mais anos, António José Seguro venceu por larga margem, com 37% dos votos, sendo que André Ventura, o segundo classificado, se ficou pelos 18%. Mas, a realidade na faixa etária entre os 18 e os 34 anos é bem diferente. António José Seguro alcançou também um bom resultado (30%), mas quem recebeu mais votos foi João Cotrim de Figueiredo (33%). André Ventura ficou-se pelos 20% nesta faixa etária.

Relativamente ao nível de instrução, entre os votantes com menos do que o ensino secundário, a vitória foi de André Ventura (34%), seguido de perto por António José Seguro (32%). Entre os votantes com ensino superior, António José Seguro destacou-se com 38% dos votos, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 25%. André Ventura não ultrapassou os 11%. Por último, relativamente ao género, entre os homens a vitória foi também de António José Seguro (28%), seguido de perto por André Ventura (25%) e João Cotrim de Figueiredo (20%). Entre as mulheres, António José Seguro atingiu 38% dos votos, sendo que André Ventura, o segundo classificado, se ficou pelos 19% (Mais Liberdade, Mais Factos)

Comparação entre as eleições legislativas de Maio de 2025 e a primeira volta das eleições presidenciais de Janeiro de 2026

A comparação entre os resultados das eleições legislativas de Maio de 2025 e a primeira volta das eleições presidenciais de Janeiro de 2026, revela uma alteração profunda no padrão territorial do voto em Portugal continental e regiões autónomas. Nas legislativas de 2025, a Aliança Democrática (AD) apresentou uma clara hegemonia territorial, vencendo na maioria dos concelhos (199 dos 308 concelhos), sobretudo no norte e centro do país. O Partido Socialista (PS) manteve bastiões relevantes no Alentejo e na Área Metropolitana de Lisboa, enquanto o Chega (CH) consolidou uma presença forte e contínua no sul, em especial no Algarve, Ribatejo e Setúbal.

Já nas presidenciais de 2026, o mapa eleitoral sofreu uma inversão significativa. António José Seguro (PS) passou a dominar amplamente o território, vencendo na grande maioria dos concelhos do país (225). O apoio ao candidato socialista expandiu-se de forma transversal, do litoral ao interior, reduzindo fortemente a expressão territorial da AD no norte e centro, e do Chega no sul. André Ventura (CH) também cresceu em número de concelhos face ao seu partido nas legislativas de 2025 (de 60 para 80 concelhos), com vitórias não tão concentradas no sul do país. É certo que o Algarve continua a ser um bastião ,mas penetrou no norte, especialmente em concelhos do interior, e na Madeira , onde venceu em todos os concelhos da região autónoma. Já Luís Marques Mendes (AD) apenas conseguiu arrecadar a vitória em 3 dos 199 concelhos que a AD tinha vencido em Maio de 2025. Os restantes candidatos presidenciais não venceram em qualquer concelho (Mais Liberdade, Mais Factos)

terça-feira, setembro 23, 2025

Eleições contam este ano com mais freguesias

Para além das câmaras, nas eleições de 12 de outubro serão escolhidos também os representantes para as freguesias. Este ano, há mais freguesias. Depois da junção de várias freguesias em 2013, o número reduziu de mais de quatro mil para pouco mais de três mil. Agora, 12 anos depois, muitas das uniões criadas foram desfeitas e o número de freguesias volta a aumentar.

quinta-feira, setembro 18, 2025

Eleições autárquicas: a abstenção no país e na RAM

Este quadro recorda a abstenção registada nas eleições autárquicas, entre 2011 e 2021, quer no País quer nas Região - a abstenção é um dos maiores desafios que se colocam aos partidos e aos candidatos, já que a abstenção desde 2009 se situa acima dos 40%. Acresce, como verificamos no quadro acima, que entre 2001 e 2021 a abstenção na Madeira, em termos percentuais, apenas não foi superior à registado a nível nacional em 2021 (LFM)

quarta-feira, setembro 17, 2025

Eleições autárquicas: os mandatos na AM e CM entre 2001 e 2021

Como estou convencido que estas eleições serão disputadas, provavelmente mais do que as anteriormente realizadas, ao nível dos mandatos, mais dos mandatos, do que em saber quem ganha, embora o partido mais votado assume a liderança do respectivo órgão autárquico, mesmo não dispondo de maioria absoluta dos mandatos. Coisas diferentes. Neste contexto recordo os mandatos eleitos, entre 2001 e 2021 para as Câmaras e Assembleias Municipais da Madeira (LFM)

domingo, setembro 14, 2025

Eleições: as mudanças eleitorais chegaram pelo voto jovem e pela abstenção

Voto jovem. É este grupo etário que explica, em grande parte, o resultado das últimas eleições legislativas (18 de maio), as primeiras da história democrática que acabaram com o domínio PSD-PS das maiorias constitucionais de dois terços e que relegaram os socialistas (agora 58 deputados) para terceira maior força parlamentar, atrás do Chega (60) e do PSD (89) (Expresso, texto do jornalista João Pedro Henriques)

quinta-feira, setembro 11, 2025

Barómetro do poder local: Presidente da Câmara motiva voto de mais de 60% dos portugueses nas autárquicas, revela estudo

Mais de 80% dos portugueses considera que os municípios deveriam ter maior influência nas áreas da saúde e habitação, segundo o novo Barómetro do Poder Local da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que acaba de ser divulgado. O estudo, desenvolvido por Filipe Teles e Nuno F. da Cruz, envolveu 1.070 entrevistas representativas da população residente em Portugal continental com 18 ou mais anos e analisa perceções, atitudes e comportamentos face ao poder local, a pouco mais de um mês das eleições autárquicas. O barómetro revela ainda que 51% dos inquiridos apontam a prestação de serviços públicos de qualidade, ao menor custo possível, como a principal missão das autarquias, enquanto apenas 31% valorizam a participação pública e 18% destacam a autonomia face ao governo central.

Apoio à descentralização e confiança nos presidentes de Câmara

O estudo indica um claro apoio à descentralização: 62% dos entrevistados defendem que investimentos e serviços públicos devem ser adaptados ao contexto regional. Contudo, os autores alertam para o desconhecimento generalizado sobre competências das instituições regionais, o que limita um debate informado sobre modelos de governação. A figura do presidente da Câmara surge como o principal símbolo do poder local, com mais de 60% dos inquiridos a reconhecer forte influência na definição das políticas municipais. Por contraste, Assembleias Municipais, empresas privadas e organizações da sociedade civil são vistas como atores menos influentes.

quarta-feira, setembro 03, 2025

Eleições autárquicas: algumas datas a reter

1.9.2025

Afixar as listas retificadas à porta do tribunal

3.9.2025

Reclamar das decisões para o juiz

8.9.2025

Publicar à porta do tribunal as listas admitidas e enviar à SGMAI havendo reclamações

5 dias após recepção PCM

Publicar as listas definitivamente admitidas

ate 9.10.2025

Desistência de lista ou de candidato perante o juiz do tribunal competente

13.8.2025 a 12.10.2025

Suspensão da atualização do Recenseamento eleitoral

Ate 2.9.2025

Remeter às CM e ao juiz as denominações, siglas e símbolos dos partidos políticos e coligações e os símbolos dos órgãos a eleger

Ate 12.09.2025

Determinar os locais de voto, requisitar os edifícios necessários e comunicar às JF

até 14.9.2025

Afixar os editais com os locais de voto

20.9.2025 a 22.09.2025

Reunião na sede da JF para escolha dos membros de mesa

Ate 26.09.2025

Afixar edital à porta da JF e da CM com os nomes dos membros das mesas

Nota: Os procedimentos de voto antecipado que obedece a normas mais restritivas que em anteriores eleições, em grande medida devido à natureza do acto eleitoral e à fragmentação das candidaturas por milhares de órgãos autárquicos

Ate 19.09.2025

Operadores radiofónicos Indicar o horário dos tempos de antena ao tribunal competente

26.09.2025

Sortear os tempos de antena

Nota: nestas eleições, dada a sua amplitude, em termos de órgãos autárquicos a eleger e à sua natureza e descentralização dos actos eleitorais - por Assembleia de Freguesia e Assembleia e Câmaras Municipais - não há tempos de antena na televisão, apenas nas rádios

30.09.2025 a 10.10.2025

Campanha eleitoral

12.10.2025

Votação

Depois de 14.10.2025

Elaborar a ata do apuramento geral

Ate 16.10.2025

Proclamar os resultados do apuramento geral e publicar por edital à porta da AAG (fonte: CNE)

domingo, agosto 31, 2025

Os desafios eleitorais do PSD-M no Funchal

Este quadro mostra o comportamento eleitoral do PSD-Madeira na corrida para a Câmara do Funchal, entre 2001 e 2021, tendo concorrido em 2021 coligado com o CDS, opção que volta a repetir este ano.

Contudo, se olharmos para os resultados oficiais acima reproduzidos, constata-se que o PSD-Madeira, no caso da capital madeirense, superou em 2021 os resultados catastróficos de 2013 e 2017 - ambos abaixo dos 18 mil votos. O quadro mostra igualmente o total de votos do PSD-M na Região, mostrando estes que 2021 foi o pior ano para os social-democratas com pouco mais de 44 mil votos e pese as vitória no Funchal. Verdade é que o PSD não ganhou Machico nem Santa Cruz, apoiou listas que não eram suas na Ribeira Brava e São Vicente, perdeu no Porto Moniz e em Santana, neste caso para o CDS, parceiro da coligação na capital.

Continuo a pensar que há muita coisa em jogo nestas autárquicas para o PSD-Madeira e demais partidos, sobretudo ao nível dos mandatos - mais do que os votos finais - alcançados em cada órgão autárquico, porque o cenário de algumas "forças de bloqueio" surgirem entre a oposição não pode ser colocado de parte, o que implicaria dificuldades acrescidas para autarcas ganhadores nas urnas mas sem a maioria absoluta dos mandatos. Isto não é nem novidade em muitas eleições no país nem vem "nada de mal ao mundo" se tal desfecho ocorrer. Pelo contrário, vai fomentar o diálogo e a negociação entre os membros dos executivos para a aprovação de medidas consideradas essenciais, vai fomentar uma renovação numa certa mentalidade política que acha que só é possível governar os órgãos autárquicos com maioria absoluta, etc. Obviamente que quem pretender impor o seu programa, sem maioria para o fazer, ignorando os demais eleitos em representação de outros partidos, vai bater de frente e corre o risco de ser bloqueado. Mas essa mentalidade de abertura e de diálogo pós-eleitoral, que deveria começar pelos partidos está, francamente, muito longe de ter  viabilidade ou de conhecer qualquer forma de inflecção, em grande medida devido aos resquícios intolerância que durante anos a bipolarização alimentou.

No caso do Funchal o PSD elegeu 6 mandatos (maioria absoluta) em 2001 e 2005, aumentou para 7 mandatos em 2009, perdeu em 2013 e 2017, ambos com apenas 4 mandatos eleitos e voltou aos 6 mandatos em 2021 em coligação com o CDS. No fundo, é isso que PSD e CDS querem manter em Outubro próximo (LFM)

Autárquicas de 2025 - eleições sem coligações com peso eleitoral

Este quadro recorda as principais coligações concorrente às eleições autárquicas na RAM, entre 2013 e 2021. Este ano, nas eleições de Outubro próximo, para além da tradicional CDU - que no fundo se limita ao PCP concorrendo com outra designação - não há coligações com peso político e eleitoral constituídas para o efeito, o que não deixa de constituir um sinal interessante. Um acto eleitoral marcado por avanços e recuos, por mudanças de candidatos alguns deles publicamente anunciados e por jogadas de bastidores, nalguns casos pouco claras, inéditas e também pouco dignas para os seus protagonistas, que não conseguem disfarçar um pesado e agreste conflito de influências, pessoais e grupais, ao nível de municípios e mesmo de freguesias, que transportam, consigo muitas interrogações e alimentam, mais dúvidas que certezas. Aliás não sei até que ponto todos estes acontecimentos, aos quais acrescem a substituição de oito presidentes de Câmara, há muitos anos no cargo e agora impossibilitados de concorrerem (no Continente tivemos a pouca vergonha de vermos autarcas que no seu município não podem concorrer mas que resolveram candidatar-se no concelho do lado, com a cumplicidade patética dos partidos, sem que ninguém ponha termo a estas habilidades mafiosas que ridicularizam a política e os políticos) - ficam apenas os de Porto Santo, Santana e Ponta do Sol - vão ou não influenciar os resultados da abstenção.

Recordo que nestas eleições o que está em causa não é apenas saber o partido mais votado nas urnas, porque nalguns casos isso pode até valer de pouco. O essencial é saber, no final do apuramento dos resultados, a distribuição dos mandatos pelos executivos e, com eles, aquilatar da eventual eficácia, sim ou não, dos novos executivos. E é isso que eu acho que há pessoas e partidos que parecem estar esquecidos. Acresce, finalmente, que no caso de listas de cidadãos, alegadamente independentes, apoiadas por puro oportunismo eleitoral por partidos, o que se passa é que falamos de listas constituídas por militantes de um ou mais partidos, que se desvincularam dos seus partidos para poderem formalizar esta candidatura independente em resposta ao facto dos seus próprios partidos não se terem lembrado deles, pese a disponibilidade dessas pessoas (LFM)

sábado, agosto 09, 2025

Eleições: recordando o quadro das presidenciais desde 1976

Andam para aí teorias da treta de que as presidenciais de 2026 devem ser olhadas de forma diferente, agora manipuladora e ridícula, com apelos a apoios inesperados a candidatos militares oportunistas, pelo simples facto de que, alegadamente, não estão ligados a partidos. O problema é que os que acham que isso é "chique" se esquecem que também há militares - aconteceu o mesmo com Ramalho Eanes em 1976 depois do seu protagonismo no 25 de Novembro de 1975 - que apenas são candidatos presidenciais a reboque do mediatismo público alcançado por causas bem identificadas e a reboque de factos concretos, neste caso a pretensa liderança de uma enorme equipa de pessoas que tratou da de vacinação no tempo da pandemia Covid. Antes disso quem conhecia Ramalho Eanes em 1976 ou este militarista Gouveia que se comportou da forma que se comportou no caso do Mondego, sujeitando-se ao vexame público da desautorização por um Tribunal civil de tudo o que fez e decidiu.

Resolvi então elaborar este quadro só para recordar quem foram os candidatos presidenciais, a começar pelo "militarista" Ramalho Eanes em 1976, e os candidatos que se lhe seguiram, todos eles associados a partidos políticos - incluindo o actual inquilino de Belém.

Notas: Desde 1986, com a vitória na segunda volta de Mário Soares sobre Freitas do Amaral (as tais eleições em que até Cunhal mandou os comunistas votar no socialista, mesmo que tapassem a sua imagem no boletim de voto...), o Palácio de Belém foi sempre ocupado por pessoas - Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa - ligados ao PS e PSD e não me lembro de nesses anos todos a questão da "ligação a partidos" tenha sido suscitada como elemento condicionador do voto. Por mim podem escolher quem entenderem. Votei em 1976 e 1980 e nunca mais votei desde então. Não o farei de novo em 2026.

Olha ndo o quadro constata-se que Mário Soares continua a ter o melhor resultado em votos e percentagem, em 1991, seguido de Ramalho Eanes em 1980 (em 1976 obteve a segunda melhor percentagem) e de Jorge Sampaio em 1996 (a tercera  melhor percentagem eleitoral foi de MRS em 2021).

As presidenciais de 1980, 1986 (2ª volta) e 19890 foram as que registaram mais votantes, enquanto que as eleições de 2021, 2011 e 2016 foram aquelas que registaram menor afluência de eleitores. Está tudo dito!

Cavaco Silva em 2006, Marcelo em 2016 e de novo Cavaco Silva em 2011, foram os eleitos com menor percentagem eleitoral. Cavaco obteve em 2011 o pior resultado eleitoral, em votos, seguido de Jorge Sampaio em 2001 e de Marcelo em 2016.

Recordo que foi durante a campanha eleitoral presidencial em 1980 que Sá Carneiro e Amaro da Costa, e outras pessoas, morreram no misterioso acidente aéreo de Camarate, na medidas em que o PSD e o CDS, depois de terem apoiado Ramalho Eanes em 1976, não conseguiram estabilizar a relação com o Presidente, acabando em 1980 por apoiarem o candidato Soares Carneiro que, obviamente, depois de Camarate, seria inevitavelmente derrotado. Até pelas divisões que esta situação causou no seio do PSD e junto do eleitorado afecto aos social-democratas e aos centristas (LFM)

domingo, junho 08, 2025

Eleições: Deputados a mais?

Por vezes discute-se se o atual número de deputados eleitos para a Assembleia da República é adequado ao número de cidadãos que representa. Uma das bandeiras do Chega é a redução do número de deputados, sendo que o partido propôs no seu programa eleitoral a redução dos atuais 230 deputados para um número entre 100 e 180. Importa, portanto, analisar quantos deputados por habitante existem em Portugal e nos restantes países europeus. A análise a 31 países (27 Estados membros da UE + Islândia, Noruega, Reino Unido e Suíça), mostra que Portugal está entre os que têm menos deputados por habitante (10.º país com o menor rácio), comparando com países como o Reino Unido ou a Hungria.

No topo da lista destaca-se a Islândia, sendo que a Alemanha é o país com menos deputados por habitante. Importa realçar que alguns países têm Parlamentos regionais, que não foram considerados para esta análise. Apenas foram considerados os deputados eleitos para os Parlamentos nacionais, somando-se as duas Câmaras, nos casos em que isso se aplica. Se a proposta do Chega fosse implementada, e assumindo uma redução para 100 deputados, Portugal tornar-se ia o segundo país na Europa com menos deputados em proporção da população (cerca de 2 deputados por cada 250 mil habitantes) (Mais Liberdade, Maisfactos)

Eleições: Os deputados únicos


O sistema eleitoral português é constituído por 22 círculos eleitorais e assente na aplicação do Método D'Hondt. A existência de vários círculos eleitorais pequenos favorece os partidos maiores, aquando da conversão dos votos em mandatos. O sistema eleitoral tende também a beneficiar os partidos que têm uma maior concentração de votos, especialmente em grandes círculos eleitorais onde o desperdício de votos (ou seja, votos que não permitem eleger qualquer deputado) é menor. Para a AD, Chega, PS e JPP, bastaram menos de 25 mil votos para eleger cada um dos seus deputados, nas eleições legislativas deste ano. O esforço foi muito superior nos partidos mais pequenos. O PAN conquistou um lugar no parlamento com 81 mil votos e o BE precisou de 119 mil votos para conquistar também um assento parlamentar.

A AD obteve 16 vezes mais votos (cerca de 2,0 milhões de eleitores) do que o BE, mas conquistou 89 vezes mais deputados. O ADN ficou de fora do Parlamento, apesar de ter obtido quase quatro vezes mais votos do que o JPP (79 mil vs. 20 mil). No entanto, a votação do ADN foi dispersa, ao contrário da votação do JPP que se concentrou quase totalmente na Madeira. Em 2024, 761 mil votos não foram convertidos em mandatos. Apesar de algumas discussões públicas em torno da importância de se rever o sistema eleitoral, tais esforços têm sido inconsequentes. Algumas das ideias habitualmente apresentadas consistem na revisão do tamanho dos círculos eleitorais (evitando a existência de círculos muito pequenos), adopção de círculos uninominais (aproximando o eleitor do eleito), ou a criação de círculos de compensação nacionais (Mais Liberdade, MaisFactos)

Eleições: Perfil dos deputados

Nas eleições legislativas deste ano, de que forma votaram os mais jovens e os mais velhos? E por nível de instrução, e por género? De acordo com uma sondagem à boca das urnas, da Pitagórica, e cálculos de Pedro Magalhães e João Cancela (https://www.pedro-magalhaes.org/as-bases-sociais-do-novo.../), nos votantes acima dos 55 anos de idade, a AD e o PS tiveram, cada um, mais de 35% dos votos, sendo que o Chega se ficou pelos 15%. Mas, a realidade na faixa etária entre os 18 e os 24 anos é bem diferente. AD continua a liderar (29%) mas o Chega está a apenas 2 pontos percentuais (27%). O PS obteve apenas 11% nesta faixa etária. Relativamente ao nível de instrução, entre os votantes com menos do que o ensino secundário, a vitória foi do PS (32%), seguindo-se a AD (29%) e o Chega (26%). Entre os votantes com ensino superior, a AD obteve 39% dos votos, seguindo-se o PS com 21% e o Chega não ultrapassou os 12%. Por último, relativamente ao género, entre os homens a vitória foi da AD (32%), seguindo-se o Chega (27%) e o PS (23%). Entre as mulheres, a AD obteve 34% dos votos, seguindo-se o PS com 26% e o Chega com 20% (Mais Liberdade, MaisFactos)


quinta-feira, maio 29, 2025

A final da Taça e a economia

No dia em que Sporting e Benfica voltam a encontrar-se numa final da Taça de Portugal, 29 anos depois, vale a pena olhar para a evolução da economia portuguesa desde o último duelo entre os dois clubes na final desta competição. Em 1996, o PIB per capita português, em paridade de poderes de compra, representava 81% da média da União Europeia (atuais 27 Estados membros). Três anos depois, em 1999, atinge o pico relativo: 85% da média da UE. Desde então, a tendência foi de queda relativa ou estagnação.

No início da segunda década deste século, a crise da dívida pública obrigou à assistência financeira da Troika, e o PIB per capita viria a cair para 75% da média da UE, em 2012. A pandemia de Covid-19 viria a desencadear mais um mínimo histórico. O ponto mais baixo neste século foi em 2021: apenas 74%. Em 2025, com base em estimativas recentes da Comissão Europeia, o PIB per capita português valerá 82% da média da UE – o mesmo valor de 2010, mas ainda abaixo do que se verificou na viragem de século. A economia nacional cresceu em termos absolutos, mas de forma insuficiente para convergir com os países mais ricos da UE. Em quase 30 anos, Portugal mantém-se praticamente no ponto de partida (Mais Liberdade, Mais Factos)

quarta-feira, maio 28, 2025

O nosso sistema eleitoral

O sistema eleitoral português é constituído por 22 círculos eleitorais e assente na aplicação do Método D'Hondt. A existência de vários círculos eleitorais pequenos favorece os partidos maiores, aquando da conversão dos votos em mandatos. O sistema eleitoral tende também a beneficiar os partidos que têm uma maior concentração de votos, especialmente em grandes círculos eleitorais onde o desperdício de votos (ou seja, votos que não permitem eleger qualquer deputado) é menor.

Para a AD, Chega, PS e JPP, bastaram menos de 25 mil votos para eleger cada um dos seus deputados, nas eleições legislativas deste ano. O esforço foi muito superior nos partidos mais pequenos. O PAN conquistou um lugar no parlamento com 81 mil votos e o BE precisou de 119 mil votos para conquistar também um assento parlamentar. A AD obteve 16 vezes mais votos (cerca de 2,0 milhões de eleitores) do que o BE, mas conquistou 89 vezes mais deputados. O ADN ficou de fora do Parlamento, apesar de ter obtido quase quatro vezes mais votos do que o JPP (79 mil vs. 20 mil). No entanto, a votação do ADN foi dispersa, ao contrário da votação do JPP que se concentrou quase totalmente na Madeira.

Em 2024, 761 mil votos não foram convertidos em mandatos. Apesar de algumas discussões públicas em torno da importância de se rever o sistema eleitoral, tais esforços têm sido inconsequentes. Algumas das ideias habitualmente apresentadas consistem na revisão do tamanho dos círculos eleitorais (evitando a existência de círculos muito pequenos), adopção de círculos uninominais (aproximando o eleitor do eleito), ou a criação de círculos de compensação nacionais (Mais Liberdade, Mais Factos)

sábado, maio 24, 2025

Eleições: e agora que solução?

Numa altura em que se discutem soluções governativas em Portugal, é importante olhar para o que se verifica na Europa. Quantos partidos estão incluídos nos Governos nacionais? São Governos maioritários ou minoritários? Quais são as famílias políticas europeias destes partidos? Dos 30 países analisados, no qual se inclui Portugal (assumindo Governo da AD sem outros partidos na coligação), apenas quatro não são governados por coligações (Grécia, Malta, Noruega e Reino Unido). Boa parte dos países tem vários partidos no Governo. Na Bélgica o governo integra 5 partidos. A maior parte dos Governos tem maioria no Parlamento, sendo que apenas dez não têm a maioria dos assentos.

Existe uma grande variedade de famílias políticas nos Governos nacionais, embora seja notória a maior presença de partidos de direita. Apenas seis países não têm qualquer partido de direita nas suas soluções governativas (Eslováquia, Espanha, Lituânia, Malta, Noruega e Reino Unido). Definiu-se a família política dos partidos consoante a sua filiação europeia ou presença nos grupos parlamentares do Parlamento Europeu. Por último, existem várias coligações entre partidos de esquerda e de direita. Mais de um terço dos Governos (11) apresentam uma solução governativa desta natureza (Mais Liberdade, Mais Factos)