domingo, agosto 23, 2026

Regiões mais saturadas pelo turismo na Europa: Grécia ocupa os dois primeiros lugares



A Grécia surge no topo da lista das regiões europeias onde a pressão turística é mais elevada, com o Egeu Meridional a registar 127,2 noites passadas por turistas por cada residente. Os dados, referentes a 2024 e divulgados pelo Eurostat, mostram uma diferença particularmente expressiva entre a população residente e o número de noites de alojamento turístico em algumas das regiões mais procuradas da União Europeia. A análise dos dados do Eurostat, citada pela Euronews, revela que as regiões insulares gregas do Egeu Meridional e das Ilhas Jónicas apresentam os níveis mais elevados de saturação turística da União Europeia. A diferença entre visitantes e residentes é especialmente acentuada no Egeu Meridional, que inclui destinos como Santorini, Rodes e Kos.

Egeu Meridional regista mais de 41,5 milhões de dormidas

O Egeu Meridional ocupa o primeiro lugar da classificação, com 127,2 noites turísticas por cada residente. A região registou mais de 41,5 milhões de dormidas, apesar de ter uma população de aproximadamente 326 mil habitantes. A relação entre estes dois números traduz uma das maiores diferenças entre população residente e fluxo turístico registadas em qualquer região da União Europeia. Durante o período analisado, o número de noites passadas por visitantes ultrapassou largamente aquilo que seria expectável tendo em conta a dimensão da população permanente. A região inclui algumas das ilhas gregas mais conhecidas internacionalmente, entre as quais Santorini, Rodes e Kos, destinos que há muito integram os principais circuitos turísticos do Mediterrâneo. Os dados mostram, assim, a enorme dimensão que o turismo alcançou nestes territórios insulares, onde a população residente representa apenas uma pequena fração do número de visitantes contabilizados através das dormidas turísticas.

Ilhas Jónicas ocupam o segundo lugar

A segunda posição pertence também à Grécia. As Ilhas Jónicas, onde se encontram destinos como Corfu e Zakynthos, registaram 102,6 noites turísticas por residente. Nesta região foram contabilizadas cerca de 20,5 milhões de dormidas, para uma população de aproximadamente 200 mil habitantes. A distância para as restantes regiões analisadas é significativa. De acordo com os dados apresentados, nenhuma das outras regiões da União Europeia se aproximou dos níveis de saturação turística alcançados pelo Egeu Meridional e pelas Ilhas Jónicas. A concentração turística nestes territórios ajuda a explicar a crescente atenção dada ao impacto do turismo de massas em algumas das ilhas mais procuradas da Europa, sobretudo durante os meses de maior procura.

Itália e Croácia também aparecem entre os destinos mais pressionados

Fora da Grécia, a região italiana de Bolzano surge na terceira posição do ranking, com 68,9 noites turísticas por residente. A província, situada no norte de Itália, é conhecida por funcionar como uma das principais portas de entrada para as Dolomitas, na região dos Alpes italianos. A Croácia ocupa o lugar seguinte com a sua costa do Adriático, que registou 67,5 noites por residente. A área inclui destinos turísticos de grande notoriedade internacional, como Dubrovnik e Split, que atraem milhões de visitantes todos os anos. Logo depois aparecem as Ilhas Baleares, com 60 noites turísticas por residente. O arquipélago espanhol inclui destinos como Ibiza e Maiorca e constitui há décadas um dos principais polos turísticos do Mediterrâneo. A lista dos territórios com maior saturação turística volta depois a incluir a Grécia, desta vez através de Creta. A maior ilha grega registou 55,6 noites por residente, ocupando a sexta posição entre as regiões consideradas no levantamento.

Maioria das regiões europeias fica abaixo das 15 noites por residente

Apesar dos números extremamente elevados registados nas principais regiões turísticas, a realidade predominante na União Europeia é bastante diferente. Segundo os dados do Eurostat analisados, a maioria das regiões da União Europeia registou menos de 15 noites turísticas por residente. A própria Grécia apresenta diferenças consideráveis entre as suas regiões. O Egeu Setentrional, por exemplo, foi a terceira região grega com maior valor, mas registou apenas 14,9 noites por residente. Ainda assim, esse resultado foi suficiente para colocar o território na 24.ª posição do ranking europeu. A disparidade entre as várias regiões demonstra que a pressão turística não se distribui de forma uniforme, mesmo dentro dos países que estão entre os principais destinos de férias da Europa.

Onde o turismo tem menor peso face à população residente

No extremo oposto da classificação encontram-se regiões onde o número de noites passadas por turistas é muito reduzido quando comparado com a população residente. A região polaca de Mazowieckie, onde se situa Varsóvia, registou apenas 0,7 noites turísticas por residente. Ainda assim, este não foi o valor mais baixo identificado no levantamento. O último lugar pertence a Mayotte, território francês situado no oceano Índico e que, apesar da sua localização geográfica, integra o território da União Europeia para efeitos deste enquadramento estatístico. Mayotte registou apenas 0,5 noites turísticas por residente, o valor mais baixo entre as regiões consideradas. A comparação evidencia a enorme diferença existente dentro da União Europeia: enquanto algumas regiões gregas contabilizam mais de uma centena de noites turísticas por cada residente, outras registam menos de uma noite por habitante.

Turismo coloca pressão especialmente forte nas ilhas

Os resultados evidenciam ainda um padrão claro: as regiões insulares e os destinos costeiros estão entre os territórios europeus onde a presença turística tem maior peso relativamente à população permanente. No caso grego, essa realidade é particularmente evidente. O Egeu Meridional e as Ilhas Jónicas ocupam os dois primeiros lugares do ranking, enquanto Creta também aparece entre as regiões com maior número de dormidas por residente.

A dimensão destes números permite perceber por que razão a chamada saturação turística constitui um desafio particularmente relevante para destinos com populações residentes relativamente pequenas e capacidade territorial limitada. As estatísticas do Eurostat, referentes a 2024, oferecem assim uma fotografia da intensidade turística em diferentes pontos da União Europeia, mostrando uma realidade marcada por contrastes extremos: de um lado, ilhas e regiões mediterrânicas onde os visitantes superam largamente a população local; do outro, territórios onde as dormidas turísticas representam uma parcela muito pequena face ao número de residentes (Executive Digest, texto do jornalista Pedro Zagacho Gonçalves)

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