Os estudantes que conheceram os resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior encontram um mercado de quartos cada vez mais apertado. Em agosto, a oferta disponível para arrendamento caiu mais de 25% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto o preço médio anunciado se mantém próximo dos 527 euros. Segundo o Diário de Notícias, o Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior previa reforçar a oferta pública em quase 19 mil camas, mas apenas 5.094 estão concluídas. O programa, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, inclui 72 projetos em curso, entre construção nova, adaptação de edifícios, renovação de residências e aquisição de imóveis para reconversão, num total de 11.095 unidades de alojamento. Há ainda nove empreitadas a decorrer em imóveis total ou parcialmente ocupados, correspondentes a 2.649 camas.
Menos de um terço do investimento previsto foi executado
O investimento total previsto no PNAES ascende a 466,7 milhões de euros. Até agora, foram executados 129,3 milhões, menos de um terço do montante global. A limitação da oferta pública empurra uma parte significativa dos estudantes para o mercado privado, precisamente numa altura em que também aí há menos quartos disponíveis. De acordo com o Diário de Notícias, dados do Imovirtual mostram que em agosto existem, em média, 3.627 anúncios ativos por dia em Portugal, contra 4.850 no mesmo mês do ano passado. A quebra é de 25,2%. O preço médio anunciado, contudo, praticamente não mudou: passou de 526 euros em agosto de 2025 para 527 euros em agosto deste ano, uma subida de 0,2%.
Lisboa perde 30% da oferta e Porto quase 42%
A pressão é particularmente visível nas duas maiores cidades universitárias do país. Em Lisboa, a média diária de anúncios ativos passou de 2.827 em agosto de 2025 para 1.975 este mês, uma redução de 30,1%. Ao mesmo tempo, o preço médio subiu 1,4%, de 560 para 568 euros. No Porto, a quebra da oferta foi ainda mais acentuada. O número médio de anúncios ativos caiu de 752 para 438, menos 41,8%. O preço médio recuou ligeiramente, 0,4%, para 491 euros. Lisboa e Porto concentram mais de metade da população universitária do país e continuam a ser os mercados onde a procura encontra maiores dificuldades em acompanhar a oferta disponível.
Coimbra é mais barata, mas também tem menos quartos
Em Coimbra, o Imovirtual regista uma média de 245 anúncios ativos por dia em agosto, menos 19% do que há um ano. O preço médio aumentou 2,9%, para 387 euros. Em Braga, a oferta média diária cresceu 7,7%, para 56 quartos, mas o preço médio avançou 4,3%, para 390 euros. Aveiro apresenta apenas 21 anúncios ativos em média, menos 19,2% do que em agosto de 2025, enquanto o preço médio caiu 4,2%, para 438 euros. Em Faro, a oferta é ainda mais reduzida, com uma média de dez anúncios ativos por dia.
Preço máximo chega aos 1.140 euros
Os dados da plataforma Alfredo.pt apontam para um preço médio nacional de 423 euros por quarto no início de agosto, praticamente inalterado em relação ao ano anterior. A plataforma contabilizou 9.254 quartos disponíveis em Portugal, considerando tanto a oferta privada identificada em mais de 20 plataformas imobiliárias como a rede pública de residências estudantis. De acordo com esta fonte, Coimbra apresenta o preço médio mais baixo, de 300 euros. Braga e Aveiro rondam os 350 euros, Faro os 400, Porto os 450 e Lisboa os 500 euros. O valor máximo identificado no mercado nacional chega aos 1.140 euros e corresponde a um anúncio em Faro. Em Lisboa e Porto, os preços mais elevados anunciados atingem os mil euros.
Procura por alojamento especializado chega aos 227 mil estudantes
A escassez estende-se também às residências especificamente destinadas a estudantes. Segundo dados da CBRE citados pelo Diário de Notícias, a procura por alojamento estudantil especializado ronda os 227 mil estudantes. Deste universo, 147 mil são estudantes nacionais deslocados e 80 mil são internacionais. A oferta cobre apenas cerca de 28 mil camas em residências públicas e privadas, deixando 119 mil jovens portugueses e respetivas famílias dependentes do mercado tradicional de arrendamento. A JLL considera que o setor continua marcado por um subdimensionamento estrutural em relação ao crescimento da população estudantil.
Oferta privada ganha peso em Lisboa e Porto
A oferta privada profissionalizada já representa mais de 40% do stock nacional de alojamento estudantil. Na Área Metropolitana de Lisboa, esse peso sobe para 60% e, na Área Metropolitana do Porto, chega aos 75%. A Cushman & Wakefield estima que o número total de camas, públicas e privadas, ronde atualmente as 33 mil, das quais quase 18 mil estão concentradas em Lisboa e no Porto. Apesar da insuficiência em relação à procura, o total representa um crescimento de cerca de 16% em comparação com o ano anterior.
Residências privadas chegam aos 870 euros em Lisboa
Nas residências privadas, as mensalidades médias atingem 870 euros na zona de Lisboa e Cascais e 680 euros no Porto. Em Lisboa, os preços já se aproximam dos praticados em alguns mercados europeus considerados maduros, sobretudo nos segmentos premium. No Porto, os preços médios continuam ligeiramente mais competitivos, embora a procura internacional esteja também a contribuir para valorizar estes ativos. Estão atualmente em construção mais 1.390 camas privadas no Porto e existem outras 660 em projeto. Em Lisboa, encontram-se em desenvolvimento mais 570 camas. Aveiro deverá receber o primeiro projeto privado de alojamento estudantil, com 240 camas. Em Coimbra e Braga, o mercado continua mais concentrado na reabilitação de imóveis e em operadores de menor dimensão (Executive Digest)

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