quinta-feira, outubro 15, 2026

Exclusivo: EUA ponderam utilizar a "mãe de todas as bombas" contra infraestruturas energéticas e instalações nucleares do Irão

As Forças Armadas dos EUA desenvolveram novos planos de ataque que incluem a possibilidade de utilizar a chamada "mãe de todas as bombas" para atingir infraestruturas energéticas e instalações nucleares iranianas, caso o Presidente Donald Trump dê ordem para retomar as operações de combate, antes ou depois das eleições intercalares, segundo vários responsáveis norte-americanos familiarizados com o assunto.

A utilização da bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast, ou MOAB, a maior bomba não nuclear do arsenal dos EUA, pela primeira vez no conflito com o Irão representaria uma escalada significativa, embora existam dúvidas quanto à sua eficácia para concretizar os objetivos estratégicos declarados por Trump ou alterar o equilíbrio da guerra, afirmaram várias fontes familiarizadas com as discussões internas sobre o planeamento militar relativas à possível utilização desta arma.

Trump está a ser pressionado para pôr fim à guerra profundamente impopular, enquanto os republicanos se preparam para uma possível reação política negativa dos eleitores nas próximas eleições intercalares e há poucos indícios de que os dois países estejam perto de alcançar uma solução negociada, após mais de seis meses de bombardeamentos norte-americanos. Embora as Forças Armadas dos EUA continuem a apresentar a Trump opções para possíveis ataques contra alvos iranianos ainda por atingir, alguns responsáveis continuam a questionar, em privado, se a Casa Branca dispõe de uma estratégia que integre esses planos de forma a conseguir efetivamente pôr fim à guerra — algo que só o Presidente tem poder para fazer.

Há meses que Trump e os seus conselheiros discutem opções que possam servir como um desfecho "definitivo" da guerra, pelo menos do ponto de vista da comunicação pública, conscientes da impopularidade que o conflito tem vindo a adquirir entre os norte-americanos. Embora alguns membros da Administração tenham descrito a guerra como essencialmente ganha, Trump tem sido mais cauteloso nas suas declarações recentes, evitando declarar vitória e afirmando que os EUA ainda têm assuntos por resolver no país.

Nos bastidores, Trump também manifestou dúvidas em relação a alguns aliados externos que o têm incentivado a simplesmente retirar as tropas norte-americanas e seguir em frente. Trump argumentou que fazê-lo seria interpretado como uma derrota.

Ao longo das últimas semanas, conselheiros da Casa Branca realizaram reuniões para discutir várias opções para o Irão. Embora Trump tenha anunciado publicamente que não tomaria novas medidas antes das eleições intercalares, vários conselheiros disseram, em privado, não saber se essa declaração era definitiva ou se poderia mudar antes do dia das eleições.

Trump ordenou às Forças Armadas que desenvolvessem pacotes adicionais de ataques contra alvos iranianos, incluindo "muitas infraestruturas energéticas" e a possível utilização de uma MOAB, disse uma das fontes à CNN. A mesma fonte afirmou que a formulação utilizada foi a de que este ataque ocorreria "antes da retirada dos EUA da AOR do CENTCOM (área de responsabilidade)", indicando que a Administração poderia lançar os ataques adicionais, tentar declarar vitória e retirar rapidamente todas as forças.

Uma segunda fonte disse à CNN que os planos militares para atacar instalações nucleares iranianas, incluindo Pickaxe Mountain, também preveem explicitamente a utilização da MOAB. Nos últimos meses, Trump ameaçou repetidamente atacar Pickaxe, onde os EUA e Israel acreditam que Teerão armazenou componentes do seu programa nuclear, mesmo depois de ter suspendido as operações de combate em grande escala no início deste ano. Trump continua a sublinhar que o seu objetivo é garantir que o Irão nunca obtenha uma arma nuclear.

Dúvidas quanto à eficácia da MOAB

Outro responsável norte-americano observou que, durante o planeamento militar, são desenvolvidas várias opções para os decisores políticos, desde as mais ambiciosas às mais limitadas. Os alvos de maior prioridade, incluindo os que se encontram a grande profundidade no subsolo, exigem bombas maiores, e a MOAB é a maior, acrescentou o responsável.

No entanto, existem dúvidas quanto à eficácia da MOAB contra instalações nucleares iranianas e outros locais situados a grande profundidade no subsolo. Embora a bomba, guiada por GPS, seja capaz de destruir uma área equivalente a nove quarteirões urbanos, é provável que não tenha capacidade para penetrar suficientemente fundo para destruir as suspeitas instalações nucleares de Pickaxe, que se acredita estarem protegidas por camadas de granito, e outras instalações nucleares iranianas que ainda subsistem, afirmaram as fontes.

"A MOAB é uma arma concebida sobretudo para operações psicológicas e de informação, excelente para limpar áreas muito extensas, mas pouco mais", disse à CNN uma terceira fonte familiarizada com as discussões sobre o planeamento militar relativo ao Irão. "Definitivamente, não foi concebida como uma ogiva de penetração profunda."

Se for utilizada, a MOAB terá efeitos devastadores na área atingida, mas provavelmente apenas à superfície, observaram as fontes. O enorme raio de explosão da bomba suscitaria quase certamente preocupações quanto à possibilidade de vítimas civis, sobretudo se fosse utilizada contra infraestruturas iranianas situadas perto de zonas povoadas e na proximidade de instalações não militares.

Ainda assim, Trump poderá optar por utilizar a MOAB como arma psicológica, numa altura em que o regime iraniano parece estar entrincheirado e pouco disposto a ceder às suas exigências diplomáticas. Embora responsáveis norte-americanos alertem que a sua utilização dificilmente obrigará o Irão a capitular ou permitirá alcançar uma vitória militar estratégica, poderá dar a Trump uma opção adicional, sem necessidade de retomar operações de combate em grande escala, para alterar o atual impasse do conflito.

"O POTUS colocou-se, infelizmente, numa situação em que quase se vê obrigado a fazer alguma coisa e, sem munições concebidas para penetrar a essa profundidade [...], é necessário considerar os efeitos psicológicos, para os quais a MOAB está bem equipada", acrescentou a terceira fonte familiarizada com as discussões de planeamento recentes.

Muitos membros da Administração, assim como analistas externos, concordam que a única forma de derrotar decisivamente o Irão seria através de uma grande operação que envolvesse tropas terrestres, um compromisso que poderia custar milhares de vidas norte-americanas. O Pentágono considera todos os cenários, pelo que esses planos existem, mas, até ao momento, ninguém na Administração defende uma ação tão drástica.

Trump indicou ter pouco interesse em enviar tropas terrestres norte-americanas para o Irão, mas o seu desejo de pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível coloca-o perante um dilema político. O Presidente está bem consciente da impopularidade crescente da guerra, mas não conseguiu garantir um acordo diplomático que permita terminá-la.

Os principais responsáveis da Administração Trump e os planeadores militares têm-se concentrado, há semanas, em encontrar uma saída que proporcione a Trump uma vitória "simbólica" — no mínimo — que possa apresentar aos norte-americanos sem impedir um eventual avanço diplomático, começando por um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, noticiou a CNN.

Uma quarta fonte familiarizada com as recentes discussões de planeamento do Pentágono sobre o Irão disse à CNN que os responsáveis militares tinham desenvolvido algumas opções que equivaleriam a um "espetáculo de fogo de artifício", com o objetivo de proporcionar a Trump uma saída do conflito, mesmo que esses ataques não consigam alcançar os objetivos que o Presidente declarou ter quando iniciou a guerra.

Apesar da recente promessa de Trump de não lançar ataques adicionais antes das eleições intercalares, as Forças Armadas dos EUA parecem já estar a preparar-se para uma eventual retaliação iraniana, caso o Presidente dê ordem para avançar.

A próxima rotação das tropas norte-americanas destacadas para o CENTCOM deverá também ocorrer nas próximas semanas, segundo uma quinta fonte, um responsável norte-americano que reconheceu ser possível que alguns dos militares que abandonem a região não sejam substituídos por novos efetivos.

Questionado sobre os planos, um responsável da Casa Branca disse à CNN que não comenta planos militares sensíveis que possam ou não existir, acrescentando que "o Presidente Trump mantém todas as opções em aberto para garantir que o Irão nunca possa ter uma arma nuclear".

Em resposta ao pedido de comentário da CNN, um responsável do Pentágono afirmou: "O Departamento da Guerra planeia uma vasta gama de cenários operacionais para executar as orientações do Presidente e do secretário ao mais alto nível e garantir o sucesso da missão em qualquer ambiente operacional."

MOAB desenvolvida para "operações psicológicas"

Desenvolvida durante a Guerra do Iraque, a MOAB é uma ogiva de explosão aérea que detona antes de atingir o solo, projetando uma enorme explosão em todas as direções. Durante as fases finais dos testes, em 2003, responsáveis militares disseram à CNN que a MOAB tinha sido concebida sobretudo como uma arma para "operações psicológicas". Na altura, os responsáveis militares afirmaram esperar que uma explosão de tais dimensões abalasse as tropas iraquianas e as pressionasse a render-se ou até a evitar o combate.

Tal como foi inicialmente concebida, a MOAB destinava-se a ser utilizada contra grandes concentrações de tropas e equipamento ou contra bunkers reforçados à superfície. A lista de alvos foi alargada para incluir locais enterrados sob superfícies menos resistentes, como grutas ou túneis.

Trump foi o primeiro Presidente dos EUA a utilizar a MOAB, durante o seu primeiro mandato, quando autorizou as Forças Armadas a lançar a mais poderosa bomba não nuclear do arsenal norte-americano contra posições do Estado Islâmico no Afeganistão, em 2017.

O ataque teve como alvo uma rede de túneis subterrâneos fortificados que o Estado Islâmico utilizava para preparar ataques contra forças governamentais. Segundo responsáveis afegãos, morreram 36 combatentes do grupo. A explosão destruiu três túneis subterrâneos, bem como armas e munições, mas não causou feridos civis, acrescentaram na altura responsáveis afegãos e norte-americanos.

Na altura, o bombardeamento representou uma mudança dramática de atitude por parte de Trump, que tinha defendido uma política externa isolacionista, assente no princípio "América em primeiro lugar", durante a sua primeira campanha eleitoral. Após o ataque de 2017, responsáveis militares norte-americanos foram questionados sobre se a bomba de 21.600 libras era necessária para aquele alvo específico e poderão enfrentar questões semelhantes caso a arma seja utilizada contra o Irão (CNN-Portugal)

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