sexta-feira, julho 17, 2026

Radioterapia: Os efeitos Secundários Que Deve conhecer

A radioterapia é um dos tratamentos mais utilizados no combate ao cancro. Mais de metade dos doentes oncológicos irá necessitar de radioterapia em algum momento da doença. Apesar disso, continua a ser um dos tratamentos menos compreendidos. Muitas pessoas chegam ao primeiro dia com muito receio. Perguntam se vão ficar radioactivas. Se podem abraçar os filhos. Se vão perder o cabelo. Se vão sentir dor durante o tratamento. A resposta à maioria destas perguntas é tranquilizadora. Mas também é importante não transmitir a ideia errada de que a radioterapia não provoca efeitos secundários. Provoca!

A boa notícia é que a maioria pode ser prevenida, reconhecida precocemente e tratada de forma eficaz. O primeiro passo é perceber como funciona. Ao contrário da quimioterapia, que circula por todo o organismo, a radioterapia é um tratamento local. O objectivo é destruir o ADN das células cancerígenas exactamente na zona onde a radiação é dirigida, preservando o máximo possível os tecidos saudáveis que a rodeiam. É precisamente por isso que os efeitos secundários dependem da parte do corpo que está a ser tratada.

A pele é o órgão mais frequentemente afectado

Tal como acontece com uma queimadura solar, a pele pode reagir à radiação. Inicialmente pode surgir vermelhidão. Mais tarde, a pele pode ficar mais escura, seca, sensível ou começar a descamar. Na maioria dos casos estas alterações aparecem de forma gradual ao longo das semanas de tratamento. Hoje sabemos que cuidar da pele desde o primeiro dia faz diferença. Lavar suavemente a zona irradiada com água morna e sabonetes suaves. Secar sem esfregar. Aplicar os cremes recomendados pela equipa de radioterapia. Usar roupa larga de algodão. Evitar sol directo na área irradiada durante o tratamento e nos meses seguintes. Evitar perfumes, álcool e produtos irritantes sobre a pele tratada. Nunca aplique um creme apenas porque alguém lhe aconselhou. Nem todos os produtos são adequados durante a radioterapia.

A fadiga também acontece na radioterapia

Muitas pessoas pensam que a radioterapia provoca apenas problemas na pele. Não é verdade. Um dos efeitos secundários mais frequentes é a fadiga. Não se trata de preguiça. Nem de falta de vontade. O organismo está diariamente a reparar tecidos saudáveis afectados pela radiação, enquanto continua simultaneamente a combater a doença.

Além disso, muitos doentes continuam a trabalhar, deslocam-se diariamente ao hospital e vivem sob enorme pressão emocional. Tudo isto contribui para o cansaço. Curiosamente, a melhor estratégia continua a não ser permanecer deitado todo o dia. Tal como acontece na quimioterapia, o exercício físico adaptado é uma das intervenções com melhor evidência científica para reduzir a fadiga. Uma caminhada diária, quando possível, ajuda frequentemente mais do que o repouso absoluto.

Quando a radioterapia é feita na cabeça e pescoço

Esta é uma das localizações onde os efeitos secundários podem ser mais exigentes. A boca pode tornar-se muito seca. Podem surgir feridas dolorosas. O paladar altera-se. Engolir pode tornar-se difícil. Algumas pessoas deixam de conseguir comer alimentos sólidos. Nestes casos, a higiene oral torna-se ainda mais importante. Escovar cuidadosamente os dentes. Manter a boca hidratada. Beber pequenos goles de água frequentemente. Evitar álcool e tabaco. Quando a alimentação começa a tornar-se insuficiente, a intervenção precoce de um nutricionista pode evitar perdas importantes de peso. Quanto mais cedo se actuar, melhores costumam ser os resultados.

Radioterapia ao tórax

Quando o pulmão ou o esófago estão incluídos no campo de tratamento podem surgir dificuldades em engolir. Alguns doentes descrevem uma sensação semelhante a uma queimadura ao engolir alimentos. Nesta fase costuma ser mais confortável optar temporariamente por alimentos macios, mornos ou frios. Também pode surgir tosse seca ou falta de ar. Embora muitas vezes sejam efeitos esperados do tratamento, qualquer agravamento significativo deve ser comunicado rapidamente, pois poderá indicar uma pneumonite induzida pela radioterapia, uma complicação pouco frequente mas potencialmente importante.

Radioterapia ao abdómen e à pélvis

Quando parte do intestino recebe radiação podem surgir diarreia, cólicas e aumento da frequência das dejeções. Manter uma boa hidratação torna-se fundamental. Em muitos casos ajuda reduzir temporariamente alimentos muito gordurosos, picantes ou ricos em fibra insolúvel, seguindo sempre as orientações da equipa clínica. Também a bexiga pode ficar temporariamente mais sensível. Pode surgir vontade frequente de urinar, ardor ou desconforto. Na maioria dos casos estes sintomas melhoram após o fim do tratamento.

A radioterapia não torna o doente radioactivo

Este continua a ser um dos maiores mitos. A radioterapia externa não deixa radiação dentro do corpo. Quando termina cada sessão, não existe qualquer perigo para familiares, crianças ou animais de estimação. Pode abraçar os seus filhos. Pode pegar ao colo os seus netos. Pode dormir ao lado do seu companheiro. Existem algumas excepções em tratamentos muito específicos de medicina nuclear ou braquiterapia, mas essas situações são explicadas individualmente pela equipa de saúde.

Nunca sofra em silêncio

Existe uma tendência para pensar: "Se estou a fazer radioterapia, isto deve ser normal." Muitas vezes é. Mas mesmo quando um sintoma é esperado, isso não significa que tenha de o suportar sem ajuda. Hoje existem tratamentos eficazes para aliviar a dor, proteger a pele, melhorar a alimentação, controlar a diarreia e reduzir muitos outros efeitos secundários. Quanto mais cedo pedir ajuda, melhor.

A grande mensagem

A radioterapia salvou milhões de vidas. É um tratamento extremamente preciso e muito mais seguro do que era há algumas décadas. Os seus efeitos secundários existem. Mas, na maioria das situações, são temporários, previsíveis e tratáveis. O conhecimento continua a ser uma das melhores ferramentas para enfrentar o tratamento com confiança. Porque quando sabemos o que esperar, deixamos de ter medo de tudo (OncoConsigo)

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