Os maiores entre os maiores animais têm muitas vezes um lugar no Livro de Recordes Mundiais do Guinness. Em 1997, o paleontólogo e biólogo evolucionista Stephen Jay Gould alertou para o perigo de nos maravilharmos com estes casos “notáveis”: os animais maiores, os mais pesados, os mais ferozes, os mais... “A nossa preferência forte e enviesada para nos concentrarmos nos extremos, em vez de documentarmos toda a gama de variações [das características das espécies], gera todo o tipo de erros profundos e persistentes”, dizia o divulgador de ciência norte-americano (1941-2002). Ou seja, corre-se o perigo de não observar toda a variedade de uma espécie, mas apenas um caso extremo, que está longe de ser representativo. É como se alienígenas chegassem à Terra, olhassem para todos os registos da civilização e tomassem Robert Wadlow, norte-americano com 2,72 metros que morreu em 1940, e que é considerado a maior pessoa de sempre, como o padrão da altura da espécie humana. Os animais marinhos são também alvo deste tipo de enviesamento. Além disso, a dificuldade em obter indivíduos de algumas espécies e de medir grandes animais como a baleia-azul ou a lula-gigante lançam dúvidas sobre as medições realizadas no passado a estas criaturas. Mas uma equipa de cientistas fez uma investigação exaustiva sobre o tamanho e, algumas vezes, o peso de 24 animais marinhos gigantes de diferentes grupos. Para algumas espécies, os cientistas tiveram de corrigir os tamanhos máximos – baixando-os (Público, texto do jornalista NICOLAU FERREIRA, com a devida vénia)




