quarta-feira, março 23, 2011

Incompetência socialista: Centros de emprego só arranjam trabalho a 0,75% dos inscritos...

Segundo a jornalista do Jornal I, Margarida Bon de Sousa, "o Instituto de Emprego e de Formação Profissional (IEFP) deveria ser a maior bolsa de emprego do país. Mas não é. Para os quase 651 mil desempregados inscritos neste organismo chegaram apenas cerca de 19 mil pedidos de colocações por mês ao longo de 2010. E destes menos de metade encontraram trabalho por esta via. Ou seja, o IEFP apenas recebe 3,1% de pedidos de colocações para o universo dos seus desempregados. E só consegue encontrar emprego para 0,75% das pessoas que não têm emprego. Os números são do próprio instituto e demonstram que existe uma total desadequação da oferta à procura. Ou seja, na prática, os centros de emprego não conseguem cruzar os desempregados que têm inscritos com os pedidos de emprego, havendo por parte dos empregadores maior procura de trabalhadores qualificados e oferecendo o IEFP mão-de-obra pouco qualificada. Em simultâneo, as empresas não procuram o IEFP para recrutar desempregados. É voz corrente que a maior parte das vezes não conseguem encontrar trabalhadores com o tipo de qualificações de que necessitam, e muitos dos desempregados preferem manter o subsídio a fazer um contrato a prazo.
Emprego sem qualificação
Quase metade das cerca de 4500 colocações feitas por mês através dos centros de emprego circunscrevem-se a quatro grupos profissionais: pessoal dos serviços de protecção e segurança, onde imperam os recibos verdes e a rotatividade de mão- -de-obra, outros operários, artífices e trabalhadores similares, trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio e trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústria transformadora. Do lado da oferta, as actividades económicas com maior dinamismo na procura de emprego são as actividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio, o comércio por grosso e a retalho, o alojamento, a restauração e similares e a construção. Estes quatro ramos de actividade foram responsáveis por cerca de metade das ofertas recebidas ao longo do ano nos centros de emprego do IEFP. Francisco Madelino, presidente do IEFP (ver P&R), faz a ressalva de que estes números apenas dizem respeito às colocações directas. "O IEFP abrange mais de 35 mil estágios e é o grande colocador de jovens licenciados no mercado de trabalhadores. Segundo a última avaliação, 70% destes estagiários acabam por conseguir emprego por essa via. A isto juntaria cerca de 7 mil pessoas por ano que criam o seu próprio emprego e mais 50 mil que trabalham no mercado social de emprego. As colocações indirectas do IEFP superam largamente esse valor”.”Há nitidamente um desfasamento entre a oferta e procura", contrapõe Torres Couto, ex-secretário geral da UGT, ao i. "O IEFP não cumpre o seu papel. Tem um orçamento totalmente desajustado à sua eficácia. As empresas não procuram os centros de emprego, a formação dada está totalmente desajustada à realidade e não há cruzamento de dados." O presidente do instituto realça também que através das operações de controlo dos desempregados muitas pessoas criam o seu próprio emprego com o apoio dos centros. Esta realidade coabita com a declaração conjunta assinada entre o executivo e alguns parceiros sociais, já entregue em Bruxelas, que prevê a melhoria da qualificação dos desempregados com reconhecimento, validação e certificação das competências adquiridas (200 mil não têm o 12.o ano) - e a requalificação de 20 mil desempregados, dos quais 5 mil são jovens licenciados, orientada para as 100 profissões estratégicas em que há carências actuais ou previstas no mercado de trabalho (sobretudo de níveis 3 e 4)”.

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