sexta-feira, março 04, 2011

Agrava-se o diferendo

Afinal o que é que se passou? Mais uma notícia explosiva sobre o deputado do PND hoje ao DN do Funchal com o título "Coelho arrasa PND - Diz que era mandado por "tiranetes". Mas aceita continuar se o PND mudar:"As últimas revelações de José Manuel Coelho sobre o PND deverão representar o corte do cordão umbilical que ainda o mantém ligado ao partido de Baltasar Aguiar. Enquanto se aproxima o fim do prazo para anunciar o seu futuro político, Coelho assume posições duríssimas em relação à 'barriga de aluguer' que lhe serviu de palco para chegar a candidato a Presidente da República. Depois de uma ligação política de pelo menos quatro anos ao PND, só agora Coelho descobriu que o partido "funciona à margem da lei". E porquê? Porque "não aceita novos militantes" e porque, assim, não é democrático. O ainda deputado diz que quem manda no PND são apenas duas pessoas: Baltazar Aguiar e Gil Canha. Joel Viana, secretário-geral, "só assina cheques". E o resto, acrescenta, são "marionetes" ou "figuras decorativas", acusa. "Eu próprio também me limitava a cumprir o que eles diziam, era uma figura decorativa. Não tinha espaço político", reconhece agora o primeiro madeirense a concorrer a Belém. Apesar de tudo, José Manuel Coelho insiste que não está zangado com os dirigentes do PND na Madeira. Admite que o partido foi importante para aquilo a que chama "a primeira fase da luta" política contra o Governo de Alberto João Jardim. "Foi um partido importante para alavancar a luta", já que os outros partidos estariam pouco motivados. Mas, agora, Coelho acredita que chegou a segunda fase dessa luta contra o regime regional. E, para isso, o PND já não serve. Não enquanto estiver "a funcionar à margem da lei", insiste. Agora é preciso um partido democrático, caso contrário representaria um recuo no combate ao actual regime. Sarcástico como é seu timbre, Coelho chega ao ponto de usar para com Baltasar Aguiar e Gil Canha da mesma linguagem 'bélica' que atira contra Jardim, sobretudo quando explica a dificuldade em lutar pelo PND nas actuais condições. "Isso seria como substituir um tiranete por outro tiranete". Mais: "Assim, era melhor ficar no PSD a ser mandado pelo Jardim e pelo 'Machadinho'. No PSD também são apenas dois que mandam". Apesar da crítica feroz, o deputado desdramatiza. Insiste que não quer desvalorizar a importância do PND para a luta contra Jardim, mas garante que agora é preciso um partido que respeite as regras democráticas, que aceite militantes como manda a Constituição. E por falar na Lei Fundamental, Coelho desconfia que o PND viola alguns preceitos constitucionais, nomeadamente o da liberdade de expressão, o da liberdade de participação em partidos políticos desde que se identifique com os princípios dos mesmos e ainda tem dúvidas em relação a um dos fundamentos do PND que, segundo a sua leitura, defende a substituição do Estado Social, conquistado com a Revolução de Abril, pelo estado arbitral, onde a sociedade perde direitos sociais já consolidados.
As denúncias agora assumidas, aparentemente assentes na confortável votação que o deputado teve nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro - foi mais votado do que Cavaco Silva nos concelhos do Funchal, Santa Cruz e Machico - levam à mais que previsível ruptura. Se a ligação estava por um fio desde as presidenciais, é provável que esse fio se parta nos próximos dias. O deputado do PND volta hoje às entrevistas nacionais. Desta vez para um programa humorístico conduzido por Nicolau Breyner. O "NicoShow" com José Manuel Coelho foi gravado ontem, em Lisboa, e será emitido hoje à noite na RTP1. Deputado a praz: O mandato acaba dia 11José Manuel Coelho sente-se um trabalhador precário. Mesmo sendo deputado, não foi eleito directamente e nunca sabe quando deixará de o ser. Isto porque ao longo desta Legislatura tem sido repetidamente convidado a substituir Baltasar Aguiar, o deputado efectivamente eleito pelo PND nas regionais de 2007, mas sempre pelo período mínimo. Enquanto na generalidade dos outros partidos ou grupos parlamentares, as substituições de deputados ocorrem por seis meses ou um ano, no caso de José Manuel Coelho, as renovações, diz, são feitas por apenas dois meses e habitualmente renovadas por igual período. Tal procedimento tem motivações óbvias para o deputado: "Se não me portasse bem era dispensado". É isso que espera ver acontecer de hoje a oito dias, sexta-feira, dia 11 quando terminar o actual prazo. A razão é simples: "Comecei a contestar e eles já não me querem".
Futuro: "Queria ficar no PND democrático"Apesar das acusações ao PND, José Manuel Coelho confessa que preferia partir para as eleições regionais de Outubro integrado nas listas do PND. Mas, para isso, o PND teria de se "reconverter". Teria de ser democrático e aceitar militantes, congressos e todas as regras habituais num partido. O deputado admite que a sua vasta experiência política com um percurso errante por vários partidos não beneficia a imagem de coerência que pretende dar à sua mensagem política. Reconhece que assumir-se como comunista, ter passado pela UDP e ser deputado pelo PND não abona a favor da sua credibilidade. E aceita ainda que Guida Vieira, no artigo que escreveu na nossa edição de ontem, tinha alguma razão ao referir-se justamente a esse percurso de 'salta partidos'. Mesmo assim, parece-lhe inevitável nova mudança porque não acredita que o PND aceite deixar de "excluir militantes" como terá feito com João Paulo Gomes e outros que queriam dar expressão partidária à votação presidencial
".

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