segunda-feira, agosto 17, 2009

A matemática derruba mitos do futebol..

Segundo a jornalista Ana Luísa Marques do Jornal de Negócios, "os números do futebol, analisados pelo economista Stefan Szymanski e pelo jornalista de desporto Simon Kuper, revelam factos surpreendentes. E derrubam muitos mitos da modalidade. Afinal, o futebol não é um grande negócio. Nem um bom negócio. E há dúvidas de que seja um negócio. "O negócio do futebol é o futebol".
É um grande negócio
Basta comparar os clubes com as cotadas. Ou o Real Madrid com a Shell
Na temporada 2008/2009, o Real Madrid liderou o "ranking" Football Money League elaborado pela consultora Deloitte, com receitas de 325 milhões de libras (cerca de 379 milhões de euros). Um valor "simpático" mas muito pequeno quando comparado com o da maior empresa cotada na bolsa londrina. A Royal Dutch Shell encerrou 2008 com receitas de 458 mil milhões de dólares (323 mil milhões de euros). Os autores sublinham ainda que no futebol, ao contrário do que acontece noutros negócios, os clubes são classificados pelas receitas, e não pelo lucros ou pelo valor de mercado. "Na verdade, nenhum destes métodos funciona no futebol". Por "excelentes razões", a maior parte dos clubes nem sequer está cotada em bolsa, e, se a Deloitte os classificasse pelos lucros, os resultados seriam "embaraçosos".
É um bom negócio
Perto de metade dos clubes já passou por processos de insolvênciaO futebol não é apenas um pequeno negócio. É também um mau negócio. "Qualquer pessoa que passe algum tempo dentro do mundo do futebol rapidamente descobre que, tal como o petróleo faz parte do negócio petrolífero, a estupidez faz parte do negócio futebolístico". Quem está a gerir os clubes de futebol não domina as técnicas da gestão. E muitas das ideias de negócios implementadas são impostas pelo exterior. Como aconteceu no início dos anos 90 com o Relatório Taylor, que obrigou os clubes a renovarem os seus estádios. "Era uma ideia de negócio óbvia." "Não admira que entre 1992 e Maio de 2008, mesmo antes do colapso financeiro, 40 dos 92 clubes profissionais de Inglaterra tenham estado envolvidos em processos de insolvência, alguns mais do que uma vez".
É um negócio: Os autores do livro têm dúvidas
Depois de concluírem que o futebol não é um grande negócio, nem um bom negócio, Simon Kuper e Stefan Szymanski ficam com dúvidas. Será que o futebol é mesmo um negócio? Os autores olham para o exemplo de Alan Sugar, que em 1991 se tornou presidente do Tottenham. O seu objectivo? Conseguir que o clube vivesse com os meios de que dispunha. Nem pensar em transferências milionárias. "Ele manteve a sua palavra". Mas dez anos mais tarde, os fãs odiavam-no, o clube só tinha conseguido ganhar uma Taça da Liga e passou a maior parte do tempo no meio da tabela. E conseguiu apenas um lucro de 2 milhões de libras por ano nos primeiro seis anos. Gerir uma equipa de futebol com o objectivo de fazer dinheiro é uma causa perdida. Os lucros privam o clube de dinheiro que poderia ser gasto na equipa. "O negócio do futebol é futebol".

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