terça-feira, maio 08, 2007

Nacionalistas escoceses derrotam Labour e Blair

O primeiro-ministro Tony Blair e os trabalhistas britânicos sofreram uma derrota histórica nas regionais escoceses, perdendo as eleições para o Partido Nacionalista Escocês (SNP). Alex Salmond poderá, assim, tornar-se no próximo "primeiro-ministro" (first minister) da Escócia, sucedendo ao trabalhista Jack McConnel. Numa primeira reacção, Blair, que deverá anunciar a data da sua saída do governo britânico na próxima quinta-feira, declarou-se satisfeito com os resultados do Labour nas eleições de quinta-feira e que englobaram as regionais da Escócia e do País de Gales, além de múltiplos escrutínios locais na Inglaterra. Explicando as razões porque os resultados só ontem é que foram conhecidos. Sem que isso disfarçasse os problemas técnicos provocados pelo colapso do novo sistema electrónico de apuramento dos votos. O que acabou por introduzir neste escrutínio um factor de suspense adicional, uma vez que Labour e SNP discutiram até ao fim a primazia na Escócia, tendo os nacionalistas - que propõem um referendo sobre a independência da região até 2010 - suplantado os trabalhistas por um único deputado entre os 129 que compõem o novo parlamento regional: 47 contra 46. O SNP obteve, assim, mais 20 deputados regionais do que tinha, enquanto o Labour perdeu quatro. Menos do que as sondagens deixam antever, sem que isso altere, no entanto, o veredicto final: o novo governo deverá ser liderado pelos nacionalistas. Sem que, neste momento, se saiba quem é que poderá ser o seu parceiro de coligação, uma vez que nem os conservadores, nem os liberais-democratas (que estavam no executivo cessante com os trabalhistas) são suficientes para formar maioria. Pelo que não é de excluir uma eventual coligação com o Labour. Seja como for, e embora Blair tenha considerado que os resultados do Labour na Escócia, no País de Gales e na Inglaterra, poderão servir de "trampolim" para uma nova vitória dos trabalhistas nas legislativas "de 2009 ou 2010", o facto é que o seu Governo sofreu agora uma derrota.
E, no caso específico da Escócia, sofreu até um duplo revés: primeiro porque todos sabiam que o que estava em causa não era a governação de Jack McConnel, mas a do executivo britânico. Segundo porque tanto Blair, como Gordon Brown, que lhe deverá suceder, são escoceses. O que, a partir de agora, deixa pairar no ar a dúvida sobre se o Labour conseguirá voltar a ganhar umas legislativas no país sem o especial contributo dos votos escoceses. Mais razões de satisfação têm os conservadores de David Cameron, Não tanto por causa da Escócia ou do País de Gales, onde ficaram na mesma, mas por causa de Inglaterra. Embora parciais, estas eleições locais deram uma enorme primazia aos tories, confirmando igualmente o mau momento do Labour, mas também dos Liberais-Democratas. Com base nestes resultados, uma projecção da BBC permitia perceber ontem que os conservadores deverão obter 40% dos votos ingleses, contra 27% dos trabalhistas e 26% dos liberais-democratas. Estes números ficam aquém dos 41% que David Cameron pretendia, mas permitem-lhe, mesmo assim, reivindicar uma vitória clara em Inglaterra, sem a qual só muito dificilmente ganhará as próximas legislativas no Reino Unido (fonte: ARMANDO RAFAEL, DN de Lisboa)

Nota: aos mais interessados deixo este link

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