sábado, fevereiro 24, 2024

Sondagem TVI/CNN: AD à frente do PS, Chega com 16%, Livre supera a CDU

 

AD vence entre os inquiridos que têm o 1.º ciclo ou Ensino Superior. PS e Chega à frente entre as pessoas com Ensino Secundário. Se as eleições fossem hoje era a Aliança Democrática (AD) a ganhar, de acordo com uma sondagem feita pela Duplimétrica-IPESPE para a TVI / CNN Portugal e que atribui uma votação na casa dos 24% à coligação liderada por Luís Montenegro. Atrás surge o Partido Socialista (PS), com menos três pontos percentuais, sendo que o Chega tem 16%. Isto num cenário em que há 14% de indecisos, pelo que as votações destes três partidos em particular devem ser mais altas. Em quarto e quinto lugares, como em 2022, surgem Iniciativa Liberal e Bloco de Esquerda (BE), com 6% e 4%. Já o Livre sobe para 3%, ultrapassando uma CDU que não vai além de 1% e deixando também para trás o PAN, que tem igualmente 1%.

Chega com os mais novos, PS com os mais velhos

De acordo com a mesma sondagem, a AD consegue 19% entre os eleitores dos 18 aos 34 anos e 22% dos 35 aos 54 anos. De resto, apenas na faixa etária dos 55 anos ou mais é que o PS consegue vencer (reuniu 32% das respostas). O Chega bate o PS e a AD na faixa etária entre os 18 e 34 anos (obtém 25%, contra 19% da AD e 10% do PS). Fica ainda à frente do PS na faixa etária entre os 35 e 54 anos. Quanto à escolaridade, há uma tendência menos prevalente. A AD vence nos inquiridos que têm o 1.º ciclo ou Ensino Superior, mas perde para PS e Chega nas respostas de pessoas com Ensino Secundário (aqui vence o partido de André Ventura).

Só Lisboa e ilhas votam PS

De acordo com a sondagem realizada para a TVI e CNN Portugal, a Grande Lisboa é a única zona do continente em que o PS tem vantagem. E é mínima – ganha por 1 ponto à AD e por 2 ao Chega. A grande diferença está no polo oposto. O Grande Porto atribui 28% dos votos à AD e 17% ao PS. A coligação liderada por Luís Montenegro vence também no Norte, Centro e Sul, ficando também atrás do PS nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

FICHA TÉCNICA

A presente sondagem foi realizada pela Duplimétrica/ IPESPE para a TVI e a CNN Portugal. As entrevistas aleatórias por cotas foram realizadas entre os dias 10 e 20 de fevereiro de 2024. Foram recolhidas 800 entrevistas representativas do eleitorado recenseado de Portugal, com 18 anos e mais, tendo por base os critérios de género (53% mulheres e 47% homens), idade (24% com 18 a 34 anos; 33% com 35 a 54 anos; e 43% com 55 anos e mais), e região (22% Norte, 13% Grande Porto, 26% Centro, 23% Lisboa, 12% Sul e 5% Ilhas). A margem de erro máxima é de 3,5% para um grau de confiança de 95,45%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel”, mantendo uma proporção aproximada dos três principais operadores móveis. Quando necessário, foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas foram recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing). A taxa de resposta foi de 61,07%. O estudo teve como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses sobre temas relacionados com as eleições legislativas, a serem realizadas no dia 10 de março de 2024. A ficha técnica completa e os resultados desta sondagem foram depositados junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social.

segunda-feira, fevereiro 19, 2024

Endividamento das famílias quadruplica face a 2015 à boleia de créditos à saúde

Empréstimos com finalidades específicas ascenderam aos 140,9 milhões de euros em 2023, tendo sido a saúde uma das categorias com mais peso. Crescimento expressivo reflete fragilidades do SNS, atestam especialistas. A tendência é marcante e surge à luz dos números divulgados na semana passada pelo Banco de Portugal (BdP): os empréstimos contratualizados entre o setor financeiro e as famílias para fazer face a despesas de saúde, educação e energias renováveis têm crescido a um ritmo vertiginoso ao longo da última década. Só em 2023, foram concedidos 140,9 milhões de euros para o conjunto das referidas finalidades, o que significa quatro vezes mais (332%) do que o valor financiado em 2015 (32,6 milhões), o último ano de governação social-democrata. Falamos de uma diferença nominal de 108,3 milhões de euros.

De acordo com a Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), os seus 28 associados foram responsáveis por conceder 125 milhões de euros nestas categorias, o correspondente a 89% daquele montante. Por questões concorrenciais, a instituição não está autorizada a refinar a estatística além dos padrões do supervisor, mas ao DN/Dinheiro Vivo, Duarte Pereira Gomes, o seu secretário-geral, admite que, na variação observada, pesam sobretudo os segmentos da saúde e das energias renováveis. Os empréstimos para educação, por seu turno, ter-se-ão mantido estáveis, ao passo que o leasing de equipamentos “nem é de se considerar”.

Sondagem: PS à frente do PSD, mas Direita ganha vantagem à Esquerda

Socialistas continuam com margem de cinco pontos sobre os sociais-democratas. Chega sólido no terceiro lugar. BE cai e CDU em último pela primeira vez. O PS de Pedro Nuno Santos (33,1%) mantém uma vantagem de cinco pontos sobre a AD de Luís Montenegro (27,7%) quando faltam três semanas para as legislativas, de acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. Ao contrário, os partidos à Direita aumentam para cinco pontos a vantagem sobre os partidos à Esquerda, com o Chega sólido no terceiro lugar (16,4%) e a valer quase tanto como os quatro seguintes: um BE em queda (6,3%), Iniciativa Liberal (4,9%), PAN (3,3%) e Livre (2,8%) a crescer. Em último lugar, e pela primeira vez nestes barómetros, fica a CDU de Paulo Raimundo (2,3%).

Para os três primeiros, ficou quase tudo na mesma entre janeiro e fevereiro, apesar de ter sido um período de forte agitação política e social, com os protestos dos polícias e dos agricultores e a queda do Governo Regional da Madeira (o trabalho de campo da sondagem decorreu entre 8 e 13 de fevereiro, ainda antes da decisão de libertar, sem indícios de crime, os três principais suspeitos deste caso, que envolve também o demissionário Miguel Albuquerque).

Geringonça é curta

Se estes resultados se confirmassem nas urnas, teriam o potencial de se transformar numa espécie de vitória de Pirro para o PS, uma vez que seria difícil conseguir uma maioria parlamentar com uma nova “geringonça”: o bloco de partidos mais à Esquerda (PS, BE, Livre e CDU) soma escassos 44 pontos, que comparam com os 49 do bloco mais à Direita. Mesmo com uma junção do PAN, essa eventual coligação “arco-íris” ficaria nos 48 pontos.

É importante acrescentar, no entanto, que para além de uma sondagem ser sempre um retrato do passado (mesmo que seja um passado recente), há vários fatores que acrescentam incerteza ao processo eleitoral e que podem fazer oscilar a balança para um lado ou para o outro: desde logo, o frente a frente de hoje entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, a partir das 20,30 horas, com transmissão pela RTP, TVI e SIC; depois, o período de campanha eleitoral que ainda temos pela frente; finalmente, os indecisos, que nesta sondagem ainda são 7,7%; e os 24% de inquiridos que só decidem o seu voto em definitivo “mais em cima” da eleição.

Sondagem: Eleitores entre o "forte e decidido" e o "honesto e confiável"

Líder socialista leva vantagem sobre o social-democrata numa lista de 13 atributos pessoais e políticos. Mas há um país partido a meio entre mais novos e mais velhos. Pedro Nuno Santos é mais “forte e decidido” (41%) e “inteligente” (40%); Luís Montenegro conhece melhor “os problemas que os portugueses enfrentam” (36%) e é mais “honesto e confiável” (32%). De acordo com uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF em que se questionou os portugueses sobre um conjunto de características e qualidades pessoais e políticas, há algum equilíbrio entre os dois grandes candidatos a primeiro-ministro, mas com a balança a pender para o lado do socialista.

No entanto, quando a análise se centra nos diferentes grupos populacionais, o que sobressai é uma profunda divisão: Montenegro está ancorado entre os que residem na Região Norte e os que fazem parte dos dois escalões sociais mais desafogados; Santos domina entre os que vivem nas regiões de Lisboa e Centro e entre os dois escalões mais pobres. A divisão é ainda mais evidente quando se tem em conta a idade: o líder da AD vence todas as categorias entre quem tem 18 a 34 anos; o líder do PS é o campeão indiscutível entre os mais velhos (com a notável exceção da honestidade, em que até estes preferem Montenegro). Dos 13 atributos em que os portugueses foram “obrigados” a escolher entre os dois grandes candidatos a primeiro-ministro, Pedro Nuno Santos bate o rival social-democrata em sete deles, com destaque para o facto de ser “um líder forte e decidido” (vantagem de 11 pontos percentuais), ser “inteligente” (mais dez pontos) e partilhar “os mesmos valores” que o inquirido (mais sete pontos).

Bancos com lucros gigantes não baixam comissões

O valor das receitas das comissões nos maiores seis bancos em 2023 (exceto o 4.º trimestre da CGD e do BCP, ainda não divulgado) foi de 2,17 mil milhões de euros. Instituições não se comprometem com descidas nos preçários, levando a Deco Proteste a denunciar falta de consciência social, num contexto de juros altos e perda de rendimentos. A tabela de preços relativa às comissões de manutenção de conta, anuidade do cartão de débito e transferências bancárias mantém-se até agora inalterada nos principais bancos, havendo apenas uma exceção, segundo um levantamento da Deco Proteste para o JN/Dinheiro Vivo. Enquanto os preçários do BPI, Caixa Geral de Depósitos, BCP, Montepio e Santander não sofreram variações até janeiro de 2024, o do Novobanco subiu.

Embora não se tenham verificado aumentos na maioria das instituições, a organização considera incompreensíveis os valores que se continuam a cobrar em pleno tempo de altas taxas de juro, acusando mesmo a banca nacional de ter “falta de consciência social”. Justificando-se com a necessidade de aproximar os valores aos do mercado, o Novobanco agravou a comissão mensal da sua principal conta à ordem em 27%, para os clientes sem acesso às bonificações, e 29%, para os que delas beneficiam.

Encaixou 2,17 mil milhões

Contudo, nota Nuno Rico, especialista em assuntos financeiros da Deco Proteste, apesar de não existir, de momento, conhecimento de futuras alterações de preçário nas restantes instituições, “não será de excluir que as mesmas possam vir a ser anunciadas nos próximos meses”. No início deste mês, a CGD anunciou que não irá aumentar o custo dos seus serviços, à luz do que já tinha feito no ano passado, “com o intuito de ajudar as famílias portuguesas a manter o orçamento num contexto de elevada inflação”.

Impostos sobem há 23 anos e não vão parar

Foi sempre a subir desde 2000 e, para este ano, a previsão é de que os portugueses vão continuar a pagar mais impostos, isto apesar de todos os partidos concorrentes às próximas eleições de 10 de março prometerem um alívio no bolso dos contribuintes. O relatório anual da Direção-Geral dos Impostos e União Aduaneira da Comissão Europeia diz tudo: Portugal foi dos poucos países da União Europeia que, nos últimos 25 anos, mais aumentaram as taxas máximas do imposto sobre o rendimento, ao contrário da maioria dos estados-membros (Jornal de Notícias)

A política traz à tona o pior de nós e "transforma-nos a todos em canalhas". E a ciência já descobriu porquê

“A política, ao que parece, transforma-nos a todos em canalhas.” Esta é a grande conclusão de uma investigação publicada na revista Political Psychology e que revela o porquê de os políticos mostrarem uma postura intransigente e sempre crítica face aos seus opositores e uma postura tolerante face a esquemas duvidosos ou à margem da lei dos seus parceiros. Segundo a Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, basta as pessoas entrarem no mundo da política para alterarem a sua moral e comportarem-se de forma antiética, independentemente da idade, da situação sócio-económica e do partido com que mais se identificam.  Para chegarem a esta conclusão, os investigadores Kyle Hull, Kevin Smith e Clarisse Warren questionaram 2.472 adultos sobre o quão dispostos estariam para se comportar de forma mais antiética na esfera política em comparação com a esfera pessoal e se seriam mais tolerantes com os desvios morais cometidos por um político do que por um amigo. 

“As nossas análises fornecem evidências de diferenças entre o comportamento moral e a tolerância moral no domínio político e no domínio pessoal”, lê-se no estudo. E parte dessa diferença comportamental e de julgamento deve-se à palavra ‘político’, suficiente para a pessoa mudar a forma de pensar e, por consequência, de agir.  “Basicamente, estávamos a fazer praticamente as mesmas perguntas à mesma pessoa”, revela Kevin Smith, explicando que “a única diferença nas questões é que mudámos ‘pessoa’ para ‘político’”. “E isso foi suficiente para mudar o julgamento moral das pessoas”, garante o professor de Ciência Política, em declarações ao site da universidade. 

Com medo de perder a casa, sem emprego e contas para pagar: crise atira cada vez mais mulheres para a prostituição

A crise em Portugal tem ‘empurrado’ cada vez mais mulheres para a prostituição, indicou esta quarta-feira o ‘Diário de Notícias’. “O país está na miséria. É esta crise que está a levar as mulheres para a rua. Há pessoas que perdem a casa, porque o banco lhes tira, outras são despejadas pelos senhorios. Há casais que estão os dois no desemprego. As pessoas veem-se obrigadas a isto. E vai haver cada vez mais prostituição”, indicou Maria de Jesus, que abandonou a prostituição há cinco anos, em declarações ao jornal diário. As associações de apoio já estão no terreno, como é o caso da Obra Social das Irmãs Oblatas. “Muitas das mulheres que estão na rua perderam o emprego. Não conseguem encontrar um trabalho formal e continuam na prostituição. Outras vão à rua para pagar a água, a luz e o gás. A crise trouxe mais mulheres para a rua”, referiu a responsável Carla Fernandes.

“A crise fez com que viessem mais mulheres para a rua. Há mulheres que não exerciam há alguns anos e que tiveram de voltar. A acrescentar, temos uma crise gravíssima ao nível da habitação. Temos mulheres que nos dizem que há dias em que só trabalham para pagar o quarto. E que se não trabalharem não têm forma de pagar o quarto, para dormir”, garantiu. A mesma opinião tem Conceição Mendes, da associação O Ninho. “As pessoas não têm meios de subsistência e, atualmente, existe também a falta de opção habitacional. Vê-se mulheres de todas as idades, mas, em alturas de crise, surgem mulheres mais velhas, que não têm outras escolhas”, sublinhou (Executive Digest)

Políticos terão dados online mas consulta a rendimentos e património só a pedido

No novo portal da Entidade da Transparência, a informação do registo de interesses e as atividades dos políticos passa a estar disponível, mas há uma parte dessa informação cujo acesso terá que ser solicitado para poder ser acedido: os rendimentos e o património, explica o “JN”. Qualquer cidadão vai poder consultar os dados sobre os rendimentos e o património dos políticos em Portugal através da nova plataforma online da Entidade da Transparência mas essa informação só estará disponível mediante pedido, de acordo com informação avançada esta segunda-feira pelo “JN”.

Explica o diário que estão a ser feito “todos os esforços” para que o site esteja a funcionar antes das eleições legislativas, sendo que o mesmo irá abranger as declarações de rendimentos e património dos políticos e titulares de altos cargos públicos.

Ouvida pelo “JN”, Margarida Mano, líder da Associação Transparência e Integridade, deposita a esperança de que este portal tenha um “grande potencial para melhorar o escrutínio” mas terão que ser cumpridos dois requisitos: que tenha uma política de dados aberta e que se articule com outras plataformas. Assim, a informação do registo de interesses e as atividades dos políticos passa a estar disponível na internet, mas há uma parte dessa informação cujo acesso terá que ser solicitado para poder ser acedido: os rendimentos e o património (Jornal Económico, texto do jornalista José Carlos Lourinho)

sábado, fevereiro 17, 2024

Sondagem: AD e Montenegro na Pole Position

A três semanas da ida às urnas e nas vésperas do frente a frente entre os líderes dos dois maiores partidos e do arranque da campanha eleitoral, a AD de Luís Montenegro destaca-se como força política mais votada na sondagem da Consulmark2 para o Nascer do SOL e a EuroNews. A coligação liderada pelo PSD e que integra também o CDS e o PPM, além de um grupo de cidadãos independentes, volta a colocar-se em posição de poder formar Governo após 10 de março, com 30% nas intenções de voto, sendo que o PS tem agora 27,4% e o Chega 18,1%. Para estes resultados terão com certeza contribuído as eleições nos Açores – com a vitória da AD de José Manuel Bolieiro e a destruição do discurso do PS segundo o qual o PSD estaria refém do Chega para poder governar – e as boas prestações de Montenegro nos debates televisivos, designadamente frente a Mariana Mortágua e a André Ventura.

Quem tem também surpreendido pela positiva nos frente a frentes televisivos é Rui Rocha, líder da IL, que aparece agora em quarto lugar nas intenções de voto (5,5%), mercê também de uma queda do BE_de Mariana Mortágua (4,2%). Da mesma forma, o Livre de Rui Tavares (2,9%) ganha vantagem em relação a uma CDU (2,6%) penalizada pela incapacidade mediática do seu secretário-geral, Paulo Raimundo. Já o PAN, de Inês Sousa Real, mantém-se como o menos votado entre os partidos com assento parlamentar. Relativamente às eleições nos Açores, dois em cada três portugueses dizem-se pouco (25%) ou nada (41%) surpreendidos com os resultados, sendo que a maioria aponta José Manuel Bolieiro, Luís Montenegro e a AD_como os grandes vencedores e o PS, Vasco Cordeiro e Pedro Nuno Santos como os principais derrotados.

Saúde continua ‘a’ prioridade

Relativamente às questões que mais preocupam os portugueses, o mau funcionamento do Sistema Nacional de Saúde continua a liderar destacado, com a habitação e a educação a ocuparem os dois restantes lugares do pódio das prioridades, ultrapassando claramente a inflação/custo de vida. Não obstante todas as polémicas recentes e da corrupção ser uma preocupação maior, a Justiça continua no fundo da tabela das prioridades deste estudo da Consulmark2.

Ficha técnica

Estudo de opinião sobre a atual situação social e política em Portugal, realizada pela Consulmark2, Estudos de Mercado e Trabalho de Campo, Lda para o jornal Nascer do SOL. Universo: Indivíduos maiores de 18 anos residentes em Portugal. Amostragem por quotas pelas variáveis sexo, idade e região, com base nos Censos 2021. A amostra teve 804 entrevistas efetivas: 382 homens e 422 mulheres; 68 entre os 18 e os 24 anos, 102 entre os 25 e os 34 anos, 130 entre os 35 e os 44 anos, 278 entre os 45 e os 64 anos e 226 para os 65 e mais anos; Norte 276, Centro 184, A. M. Lisboa 217, Alentejo 56, Algarve 37, R. A. Açores 17 e R. A. Madeira 17. Técnica: Entrevistas telefónicas (CATI). O trabalho de campo decorreu entre 6 e 12 de fevereiro de 2024. Taxa de resposta: 69,7%. O erro máximo de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é de + 3,5%. Responsabilidade do estudo: Consulmark2, Estudos de Mercado e Trabalho de Campo, Lda, sob a direção técnica de José Constantino Costa. A percentagem de Ns/Nr/Recusas distribuída aritmeticamente é de 19,3% (Sol)

Sondagem: 31% dos portugueses admitem que polícias e Madeira podem influenciar o voto


São os mais jovens e os potenciais eleitores do Chega os que se mostram mais sensíveis aos casos que contaminam a campanha. Primeiro rebentou a crise na Madeira, com uma operação policial que viria a provocar a queda do executivo regional liderado pelo PSD. No dia seguinte, as ruas de Lisboa encheram-se com milhares de polícias num protesto massivo que se alargou ao Porto e fez tremer o Governo do PS. Dois acontecimentos que entraram pela campanha eleitoral, mas que, a julgar por uma sondagem da Aximage para o DN, JN e TSF, terão um efeito limitado a 10 de março: só 31% dos portugueses admitem, num caso, como no outro, que têm a força suficiente para influenciar o seu sentido de voto.

O trabalho de campo da sondagem decorreu entre 8 e 13 de fevereiro, o que significa, no caso da Madeira, que não reflete os últimos desenvolvimentos: os três detidos a 24 de janeiro foram libertados, três semanas depois, pelo juiz de instrução, com a indicação de que não havia indícios de que tivessem cometido qualquer crime. Antes dessa reviravolta, 59% dos portugueses garantiam que não teria influência no seu sentido de voto. Em particular os mais velhos (78%) e os que votam nos três partidos mais à esquerda (Livre, CDU e BE). 

Irineu e a crise na Madeira: a única decisão possível numa realidade condicionada até final de Março

Apesar de eu ter criticado, e mantenho, o tempo excessivo em que demorou a perceber a crise política regional e a tomar decisões, em função dos dados que lhe chegavam, nomeadamente do Presidente do Governo e do seu processo de demissão, acho que Irineu Barreto hoje fez a declaração que devia ter feito e tomou a decisão que porventura Marcelo lhe recomendou.

As pessoas precisam entender, desde logo, que a crise política, a sua evolução e a tomada de decisões, está fortemente  condicionada, diria mesmo limitada, por uma data - 24 de Março - a partir da qual o Presidente, liberto de impedimentos constitucionais, pode pronunciar-se sobre esta crise política na Madeira e, caso seja essa a sua escolha, anunciar a dissolução, sim ou não, do parlamento regional - eleito em Setembro do ano passado, há dois meses! - e convocar eleições regionais que nunca poderiam realizar-se antes de final de Junho - temos europeias no início desse mês, e considerando que o PSD-M vai reclamar tempo para realizar um Congresso, presumo que antes das eleições, caso essa opção venha a ser a prevalecente.

Irineu tinha duas opções - governo de gestão com espaço muito limitado, sem poder ser alvo de moções de censura ou de confiança e com capacidade legislativa substancialmente limitada - ou novo governo, obrigando a novo acordo político e parlamentar, a novo programa de governo e a novos protagonistas, ainda por cima correndo o risco de, chegados a 24 de Março, tudo se "derreter" por decisão do sempre imprevisível e instável Marcelo Rebelo de Sousa.

Não há uma vacatura no exercício do poder executivo regional, Irineu ganha tempo, já anunciou o que se segue em função de qualquer dos cenários ao alcance do Presidente, não deu indicações sobre o que MRS fará, mesmo que eu duvide, e duvido muito, que este tenha dito alguma coisa ao seu representante na Madeira no decorrer da audiência de 6ª feira em Lisboa.

Temos ainda a incerteza em torno da evolução da situação política e parlamentar nos Açores onde há um governo minoritário do PSD, CDS e PPM (a AD, e demais coligações, extinguem-se com a publicação dos resultados oficiais) que quer aprovar o seu programa de governo num quadro político e parlamentar sem acordos alargados e prévios e numa Assembleia que é instalada 5ª feira próxima, fazendo com que o cenário de eleições antecipadas nos Açores também se coloque em cima da mesa, provavelmente com a mesma limitação temporal que hoje existe para a Madeira e condiciona decisões que alguns desejariam fossem mais rápidas (LFM) (Video aqui)

Calado no Funchal: declaração séria, convicta e cautelosa

Pedro Calado fez, no regresso ao Funchal, uma declaração emotiva, tranquila, prudente, cautelosa, claramente combinada com o seu advogado. Disse no aeroporto do Funchal o que devia dizer, com convicção, reclamando repetidamente a sua inocência - o ónus das provas faz com que sejas o MP a acusá-lo e a provar as acusações com factos concretos, não com teorias estapafúrdias ou deambulações - sem criticar nem o tempo excessivo passado detido, 22 dias, e que tanta polémica e celeuma tem causado, e elogiando a postura de todas as diferentes entidades envolvidas no seu processo, desde os advogados aos simples guardas prisionais ou agentes policiais.

Registo a sua esperada recusa em desempenhar qualquer cargo público ou exercer funções partidárias, até que o processo de que é alvo seja finalizado, o que não significa que, depois de tudo ser esclarecido e de haver uma decisão final na justiça, possa ser, caso queira, um nome a contar pelos social-democratas, caso reúna no epílogo de tudo isto, condições para esse desiderato. Mesmo que se viva numa terra de justicialistas bandalhos, licenciados nas redes sociais e na maledicência, que acham que todos são bandidos e corruptos e que todos devem ser presos, mesmo sem julgamento, comportamento que alteram  quando a justiça lhes pisa os calos ou os obriga a pagar milhares em indemnizações a terceiros por causa dos insultos proferidos indiscriminadamente, menos àqueles que lhes garantem sustento na política ou na sociedade. E escroques desses também existem na política (LFM) (Video aqui)

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

Sondagem: Aliança Democrática em primeiro lugar com 23%

A Aliança Democrática aparece em primeiro lugar nas intenções de voto de uma nova sondagem para as legislativas. A coligação liderada pelo PSD tem 23% das intenções de voto na sondagem da Consulmark2 para o jornal Nascer do Sol e para a EuroNews. O PS segue com menos 2 pontos. Em terceiro lugar está o Chega, com 14,2%. A Iniciativa Liberal está nos 4,2%, seguida do Bloco de Esquerda com menos um ponto. Em sexto lugar uma novidade: o Livre, que surge à frente da CDU, com pouco mais de 2% das intenções de voto. O PAN fica em último lugar. Os resultados desta sondagem mostram que a Aliança Democrática está em posição de poder formar governo porque há uma maioria de direita no Parlamento. A sondagem tem ainda uma elevada taxa de indecisos e de recusas, de 19,3%.

Aumentam os passageiros apanhados a fumar em aviões

ANAC abriu 229 processos de contraordenação desde 2019, no valor de 326 mil euros. Consumo de álcool é a segunda infração mais cometida. Fumar dentro dos aviões continua a ser a infração mais cometida pelos passageiros, a par de problemas com o consumo de álcool e o uso irregular de dispositivos eletrónicos. Nos últimos cinco anos, foram instaurados em Portugal 229 processos de contraordenação a bordo de aeronaves, que resultaram na aplicação de coimas no valor total de 326 mil euros (Jornal de Notícias)

Sondagem: Montenegro ganha ‘batalha’ da confiança a Pedro Nuno Santos

Líder socialista perdeu a vantagem em relação ao candidato social-democrata na questão sobre quem irá ser primeiro-ministro após as eleições. No frente a frente na luta pelo lugar de primeiro-ministro, os portugueses confiam mais no líder da Aliança Democrática (AD), Luís Montenegro, em relação ao secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, de acordo com a sondagem da Intercampus para o CM/CMTV e ‘Negócios’. Os inquiridos no barómetro preferiram Montenegro nas questões sobre pedir um conselho financeiro (17,1% contra 13,2%), entregar dinheiro para gerir (12,3% contra 7,7%) ou comprar um carro em segunda mão (12,3% contra 8,7%) (Correio da Manhã)

Sondagem: Montenegro ultrapassa Pedro Nuno como preferido para primeiro-ministro

No mesmo mês em que passa para a frente nas intenções de voto, Luís Montenegro também supera Pedro Nuno Santos na avaliação de quem seria melhor primeiro-ministro. Secretário-geral do PS é visto como mais poderoso e melhor líder. Tal como nas intenções de voto, Luís Montenegro superou o principal adversário nas preferências dos portugueses e é agora o mais bem avaliado para suceder a António Costa como primeiro-ministro. O líder social-democrata já estava na frente, mas sobe ainda mais nas avaliações de caráter sobre honestidade, seriedade e responsabilidade. Pedro Nuno Santos é visto como melhor líder (Jornal de Negócios)

Venezuela expulsa funcionários de agência da ONU para os direitos humanos

O governo do presidente Nicolás Maduro vai manter a suspensão até que a agência "retifique publicamente, perante a comunidade internacional, a sua atitude colonialista, abusiva e violadora da Carta das Nações Unidas". O governo da Venezuela anunciou a suspensão de funções do gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no país, e ordenou a saída dos seus funcionários no prazo de 72 horas. Na prática, esta decisão significa que o país fica sem qualquer supervisão estrangeira, numa altura em que o governo de Nicolás Maduro é acusado de intensificar a censura e a repressão sobre a população. A medida surge na sequência de um comunicado emitido por aquela agência da ONU, no qual manifestava "profunda preocupação" com a detenção da ativista venezuelana Rocío San Miguel, conhecida por ser bastante crítica do presidente Nicolás Maduro. 

Em comunicado, o ministro dos Negócios Estrangeiros justifica a decisão como uma resposta à postura que considera ser "inadequada" e "imparcial" do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. "Tornou-se o escritório de advocacia privado de golpistas e terroristas que conspiram permanentemente contra o país", afirmou Yvan Gil, citado pelo comunicado. O ministério acrescenta que esta suspensão irá manter-se até que aquela agência da ONU "retifique publicamente, perante a comunidade internacional, a sua atitude colonialista, abusiva e violadora da Carta das Nações Unidas".

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos foi estabelecido na Venezuela em 2019, altura em que era dirigido pela ex-presidente do Chile Michelle Bachelet. Antes de deixar o cargo, Bachelet assinalou progressos no respeito pelos direitos humanos no país, mas sublinhou que ainda havia muito trabalho para fazer. Citado pelo New York Times, Phil Gunson, especialista do International Crisis Group, notou que a expulsão da agência de direitos humanos, a par com a detenção da ativista Rocío San Miguel, "marca um endurecimento drástico" do governo de Maduro nas suas ações contra opositores e críticos políticos (CNN-Portugal)

Tribunal de Contas deteta ilegalidades em contratos do Governo da Madeira durante a pandemia de covid-19

O Tribunal de Contas considerou ilegal a adjudicação de serviços hoteleiros pelo Governo da Madeira (PSD/CDS-PP) a duas empresas durante a pandemia de covid-19, em 2020, refere o relatório da auditoria ao Instituto de Administração da Saúde. O Tribunal de Contas (TdC) esclarece que se debruçou sobre uma amostra constituída por seis contratos, cujo preço conjunto ascendeu a 3,5 milhões de euros, com o propósito de aferir o cumprimento da legalidade e da regularidade das despesas contratualizadas em 2020 pelo Instituto de Administração da Saúde da Madeira (IASAÚDE) para combate à pandemia causada pela covid-19 e aos seus efeitos. “O Tribunal concluiu que a adjudicação dos serviços hoteleiros com pensão completa e alojamento às empresas ITI — Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira, S.A. e à M. & J. Pestana, S.A. foi ilegal”, é referido numa nota de imprensa. A autoridade adianta que, antes da celebração de cada contrato, foram “ilegalmente autorizados” pagamentos àquelas empresas, no montante de 109.797 euros e de 574.671 euros, respetivamente.

“Por ausência de contraprestação efetiva, a parcela dos pagamentos ilegais, respeitante aos serviços eventuais de alimentação associados aos denominados quartos-garantia (não ocupados), é causadora de dano para o erário público, que deve ser reintegrado”, indica o TdC. O Tribunal precisa que os valores a reintegrar são 8.701,82 euros, relativamente ao contrato celebrado com a empresa ITI — Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira, S.A. e 106.419,64 euros, no âmbito do contrato celebrado com a empresa M. & J. Pestana, S.A.. “Apesar do contexto pandémico, o sistema de controlo interno do Instituto de Administração da Saúde da Madeira revelou, quanto aos contratos incluídos na amostra analisada, fragilidades importantes que carecem de ação corretiva”, adianta o Tribunal de Contas, recomendando a implementação de procedimentos ao nível do sistema de controlo interno. O TdC recomenda também que seja acautelado o “estrito cumprimento da legislação” em matéria de contratação pública (Lusa)

Sondagem: portugueses preveem nova ida antecipada às urnas pouco depois de 10 de março


A maioria dos portugueses acredita que Portugal voltará às urnas de voto depois de 10 de março devido à falta de um resultado que garanta um quadro de estabilidade governativa, apontou a sondagem da Intercampus realizada para o ‘Correio da Manhã/Jornal de Negócios’, embora a maioria deseje estabilidade pós-eleitoral. O cenário pós-eleitoral de um Governo da AD com o apoio do Chega é o escolhido dos portugueses, sendo que uma maioria absoluta do PS passou do cenário favorito para um dos menos desejados. Questionados sobre o período pós-eleitoral, quase metade dos participantes da sondagem (47,5%) apontou que, em pouco tempo, será necessário novo ‘round’ eleitoral, uma subida face aos 41,4% de janeiro último. Um cenário de estabilidade governativa colhe cada vez menos entusiastas – apenas 29,6% acredita nessa possibilidade.
A vontade dos portugueses, segundo a sondagem, é que 10 de março represente uma solução de estabilidade governativa. No entanto, no caso de uma vitória sem maioria absoluta, a preferência dos inquiridos é que a oposição deve viabilizar uma solução de Governo do partido vencedor.
No caso de uma vitória minoritária da AD e maioria à esquerda, 49% dos inquiridos quer um Governo liderado por Luís Montenegro (em janeiro cifrou-se em 41,8%). Já uma vitória do PS e maioria à direita, 44,2% dos inquiridos revelou ser a solução (38,1% em janeiro): de acordo com a Intercampus, “o eleitorado quer estabilidade”, mas está convicto de que “não vai acontecer”.
A possibilidade AD/Chega passou, de janeiro, de segunda para a solução preferida de Governo (16,6%), ainda que a larga maioria (61%) dos inquiridos rejeite uma aliança entre os dois partidos.
De destacar, a queda abrupta da maioria absoluta do PS na preferência dos portugueses: em janeiro, era a solução preferida para 15% dos inquiridos, caindo agora para 8,4%. A segunda solução mais do agrado dos portugueses é mesmo uma maioria absoluta da coligação de direita. Por último, um acordo entre PS e Bloco de Esquerda, registou 11% das preferências dos inquiridos.