"O truque não é novo. Desde há alguns anos que se instalou na cena política portuguesa uma manipulação deliberada de conceitos que ajuda a criar na opinião pública uma suspeição generalizada sobre as instituições democráticas e os seus titulares legítimos.Essa manipulação descarada, estimulada e propagandeada até à exaustão pelos partidos radicais da pseudo-esquerda e os seus agentes, serve as estratégias de poder desses partidos, que nunca conseguiram obter por via eleitoral qualquer representação expressiva.Essa “justicialização” do sistema político não acontece assim por acaso. Como se verificou em Itália e outros países europeus, ela não está ao serviço da “transparência”, nem da “virtude” nem da “equidade”, mas prevalentemente ao serviço de estratégias nebulosas de cariz partidário radical, tendo em vista desgastar o poder democrático instituído e, mais grave do que isso, influenciá-lo e condicioná-lo nas suas decisões.Essa pseudo-degenerescência do “político” e a confusão deliberada entre o “judicial” e o “político” não serve pois a Democracia nem a tão reclamada “transparência”; serve apenas estratégias de poder muito pouco transparentes". (fonte: artigo publicado por Miguel Albuquerque no Jornal da Madeira)
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