segunda-feira, março 21, 2011

Alberto João Jardim: "O homem que se transformou em ilha"

"Os mais jovens chamam-lhe "tio Alberto"; os mais velhos, "Alberto João". Há gerações a fio que nunca conheceram outra voz. Há 33 anos ninguém imaginava que o seu reinado se perpetuasse por décadas. Mas algo mudou na sociedade madeirense. Não se sabe, ainda, bem o quê. As próximas eleições legislativas regionais de Outubro serão um teste à longevidade e a esta figura política que se fundiu com a imagem da própria ilha. Foram poucos os desaires pessoais. Simplesmente, não conseguiu dar o salto para cargos nacionais. Ficam aqui 33 factos a assinalar estes 33 anos de vida política
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2 de Fevereiro de 1974 - "Democracia significa governo com o povo sem que forçosamente queira identificar-se com pluripartidarismo", artigo de opinião publicado no jornal Voz da Madeira.
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Outubro de 1974 - Alberto João Jardim era, na altura, professor na Escola Industrial do Funchal. Os comunicados anti- -Jardim com vista ao seu saneamento levam-no a apresentar atestado médico passado pelo tio médico, Agostinho Cardoso, antigo deputado da ANP.
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20 de Agosto de 1974 - Sá Carneiro, Magalhães Mota e Pinta Balsemão, membros da Comissão Organizadora do PPD, informam, através do Jornal da Madeira, que o partido iria iniciar as suas actividades no distrito do Funchal. Alberto João Jardim não integra o grupo de fundadores do PPD no arquipélago. Sendo um dos promotores da Frente Centrista da Madeira (FCM), adere logo depois ao PPD quando o movimento se funde com o partido de Sá Carneiro.
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29 de Outubro de 1974 - D. Francisco Santana nomeia Alberto João Jardim para director do Jornal da Madeira, órgão de comunicação social da diocese. Jardim passa a assinar diariamente uma coluna intitulada "Tribuna Livre" de combate à esquerda e, sobretudo, ao comunismo. A FLAMA, Frente de Libertação da Madeira, organiza-se e inicia uma onda de atentados à bomba que durou até 1978. Jardim sempre negou ter pertencido a esta organização clandestina.
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25 de Abril de 1975 - Eleições para a Assembleia Constituinte. Vitória esmagadora do PPD.
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11 de Março de 1975 a 28 de Fevereiro de 1976 - Grande agitação social. Jardim usa o Jornal da Madeira no combate ao Governo de Vasco Gonçalves, à Junta de Planeamento, e, posteriormente, à nova Junta Governativa, criada após o 25 de Novembro, ambas lideradas pelo então brigadeiro Carlos Azeredo. Preparam-se os dois actos eleitorais que se avizinham.
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25 de Abril de 1976 - Entrada em vigor da Constituição e eleições para a Assembleia da República. Na Madeira, ganha o PPD.
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21 de Junho de 1976 - Eleições legislativas regionais. Alberto João Jardim encabeça a lista e conquista a primeira maioria absoluta, 59,63% dos votos, e elege 29 deputados. Jardim assume a liderança da bancada social- -democrata. Ornelas Camacho forma governo, ficando para a história como o primeiro presidente do regime autonómico. Contudo, só cumpre metade do mandato.
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21 de Agosto de 1976 - Eleição de Alberto João Jardim para presidente da Comissão Política Regional do PPD, cargo que ocupa há 35 anos, tendo sido reeleito este ano para mais um mandato.
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17 de Março de 1978 - Anunciada a remodelação do Governo, Jardim abandona o Parlamento e toma posse como presidente do Executivo. Ornelas Camacho sai.
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23 de Julho de 1978 - As Forças Armadas "efeminizaram-se e não têm a coragem para reconhecer que os homens do Conselho da Revolução não foram eleitos. Perderam a masculinidade. Portugal não tem exército. Portugal tem indivíduos com medo", comício do PPD no Paul da Serra.
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10 de Outubro de 1981 - "Seria vergonhosa a manutenção em lugares bastante responsáveis da comunicação social estatizada de indivíduos cuja instabilidade psíquica e incoerência política desprestigiam a imagem da social democracia", moção ao Congresso Regional.
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Novembro de 1983 - "Conseguimos uma socialização da Madeira, não apenas em termos económicos, mas através da adopção de medidas constantes do programa do Governo, nomeadamente por uma política expansionista, como também em termos mentais", intervenção no IV Congresso regional do PSD.
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15 de Julho de 1990 - "É verdade que preferimos ter um governo PSD, mas, atenção, senhor Cavaco Silva! Isto não vai ser de mão beijada. Vamos ajudá-lo mas o senhor tem também de ajudar como a gente quer", Festa da Fonte do Bispo.
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14 de Dezembro de 1991 - "Ao anunciar que abandonaria o Governo em 1996, tive o cuidado de explicar que se isso servir para guerras internas e criar instabilidade evitarei a qualquer preço cisões dentro do PSD", aviso deixado no VII Congresso Regional.
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Agosto de 1992 - "Fui eu que fiz a democracia na Madeira", Festa do PSD, Paul da Serra.
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Agosto de 1992 - "Os sucessos conquistados [na Madeira] conseguiram-se porque em 1974 e 1975 pegámos nuns cavalheiros, metemo-los num avião e mandámo-los para Lisboa. E foi aí que eles perceberam que nós tínhamos força e nos deram a autonomia", Festa do PSD, Paul da Serra.
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7 de Janeiro de 1993 - "Se não fosse o serviço da dívida, neste momento a Madeira já não precisava de um tostão do Estado português. Tal deve-se ao desenvolvimento da Madeira com o crescimento das receitas próprias mais as verbas da Comunidade", entrevista à RTP/Madeira, programa "Vamos pôr na rua o grande mafioso [António Guterres]. Vamos dar-lhe um pontapé no traseiro, vamos limpar o pêlo aos socialistas", Festa do Chão da Lagoa.
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4 de Dezembro de 1998 - "Para escândalo de muita gente, gostaria de ver a vitória do comandante Chávez [...]. O comandante Chávez não me parece um perigoso comunista", Jornal da Madeira.
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Julho de 2000 - "Lisboa é dominada por um triângulo do mal: a comunicação social, o lobby gay e a droga", Festa do Chão da Lagoa
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12 de Setembro de 2004 - "Manda a própria segurança e consciência da população [da freguesia] do Jardim do Mar que se identifique quem é a sua formiga branca, para a tratar e a eliminar...", declarações no Jardim do Mar, concelho da Calheta.
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Julho de 2009 - "Na Madeira é que estão os verdadeiros portugueses que lutaram contra a ditadura e não aqueles maricas de Lisboa que agora se dizem antifascistas", Festa do Chão da Lagoa.
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Fevereiro de 2007 - O presidente da Região Autónoma da Madeira, Alberto João Jardim, demite-se em protesto contra a nova Lei das Finanças Regionais, provocando eleições antecipadas na região (6 de Maio) e recandidatando-se ao cargo.
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23 de Abril de 2008 - Manuela Ferreira Leite "não tem capacidade para ganhar eleições porque é uma candidata de facções", Conselho Regional do PSD/M.
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Julho de 2008 - "O Estado português deixa ou não deixa, dentro da mesma pátria portuguesa, os madeirenses encontrarem as formas mais adequadas de seguir o seu caminho? Esta é a grande questão que se põe no futuro. Se o Estado não deixar, então o que é que vamos fazer? Vão pensando nisso e dêem-me a resposta... um dia", 53.ª Feira Agropecuária do Porto Moniz.
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17 de Agosto de 2008 - Defende a criação de um novo partido, o partido social federalista que "resulta de uma grande junção de todos aqueles que têm ideias regionalistas em todo o País e estão contra o jacobinismo", declarações em Porto Santo, em férias.
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9 de Março de 2009 - "O esforço mais inteligente [dos empresários] é reduzir nos lucros sem dispensar pessoal", inauguração das novas instalações da Lubrimade.
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20 de Fevereiro de 2010 - Enxurradas na Madeira. Um dos piores desastres faz 43 mortos e centenas de desalojados.
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15 de Abril de 2010 - "Os crânios do PSD que há em vários distritos [...], responsáveis pela ascensão de Passos Coelho a presidente do PSD", têm "a obrigação agora é de o fazer chegar a primeiro-ministro", declarações à margem da reunião do Comité das Regiões.
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15 de Março de 2011 - "Portugal está a caminhar para o regime comunista chinês", inauguração de um pavilhão no parque empresarial de Machico
" (texto da jornalista Lilia Bernardes, no DN de Lisboa, com a devida venia)

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