A atribuição de prémios de desempenho a 180 trabalhadores da TAP, no valor de €1,171 milhões, gerou grande polémica na companhia aérea, mas acabou também por pôr a nu o mau relacionamento entre o acionista Estado, que tem 50%, e os acionistas privados, os empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, agrupados na empresa Atlantic Gateway (que tem 45%). E há também tensões entre os acionistas privados, e embora elas não sejam oficialmente confirmadas por ninguém, têm-se tornado difíceis de esconder. É que apesar de terem a mesma participação na empresa, o desequilíbrio de poder é evidente: a TAP tem sido construída à imagem e semelhança de David Neeleman, e são gestores ligados a si que dominam as posições chave na empresa. A comissão executiva tem três membros, dois são gestores ligados a Neeleman enquanto Humberto Pedrosa tem apenas um representante, o filho David Pedrosa.
Esta relação turbulenta, já referida por alguns comentadores, tem vindo a agravar-se, segundo várias fontes ouvidas pelo Expresso, que pediram o anonimato. Na base do mal-estar é apontado o facto de David Neeleman se comportar alegadamente como se fosse o dono da TAP, quando na realidade apenas tem 22,5% do capital. Domínio que se materializa na tomada de decisões que, por vezes, ignora os outros acionistas, a quem não é prestada toda a informação. Uma situação que já viria de trás e que não se terá alterado com o reforço da posição do Estado na sequência da renegociação do acordo parassocial com o Governo do PS, pouco depois da tomada do posse do Executivo liderado por António Costa. O Governo socialista não aceitou que os privados tivessem a maioria do capital







