segunda-feira, abril 06, 2009

Açores: Há situações de verdadeira vergonha - Padres de São Miguel "põem dedo" na crise

Li no Correio dos Açores que "os padres da ilha de S. Miguel, reuniram-se no salão paroquial da Ribeira Seca, a fim de reflectirem sobre a situação actual em que vive o nosso povo. Fizeram-no, com base em alguns dados estatísticos conhecidos e, sobretudo, as situações concretas com que se defrontam nas suas paróquias. Para estes sacerdotes, há que extirpar do nosso meio as raízes dos males, com acções organizadas, motivadas pela fé, para que surja o mundo novo que Deus quer, onde todos tenham a vida e a tenham em abundância. De acordo com o comunicado emitido, dizem os padres que embora sem pretensão de saber tudo - esta não é a nossa especialidade - damo-nos conta do agudizar dos problemas sociais decorrentes da crise económica e financeira em que nos encontramos, resultantes de opções políticas erradas, algumas persistentes há décadas. Esta situação exige de nós uma leitura atenta, cuidadosa e profunda da realidade, pois, sem ela, não poderemos agir. Como nos é dado constatar, vão-se agravando as situações de pobreza e de precariedade do emprego, vão desaparecendo oportunidades de emprego, e o desemprego aumenta em números que nos devem envergonhar, sobretudo os provenientes do sector da construção civil. Nos Açores, o desemprego subiu 15,5% nos meses de Janeiro e Fevereiro relativamente ao período homólogo de 2008. E, se considerarmos apenas Fevereiro, o aumento foi de 52,4%. Se falarmos de ofertas de emprego, verifica-se um decréscimo de 78,8% em Fevereiro de 2009, relativamente ao mesmo mês de 2008. Do total de desempregados na Região, 75% vivem em S. Miguel. Não há dúvida de que as desigualdades sociais estão a aumentar e a exclusão torna-se bem visível. O referido comunicado reforça que o conhecimento desta realidade já de si bastante grave não se esgota numa leitura fria dos dados estatísticos. Mas ganha cor e forma através dos contactos personalizados e solidários que vão sendo vivenciados pelos sacerdotes e pelos cristãos. Os mais atingidos pela crise são os mesmos de sempre, os pobres: os que sempre o foram e os que agora começam a sê-lo. Esta a realidade, nua e crua, que os padres da ilha tiveram a oportunidade de constatar e analisar. Tratando-se de situações de pobreza, o que realmente nos deve interessar e preocupar é que os pobres independentemente do tipo de pobreza sejam servidos e se sintam amados, vivam com dignidade e se lhes dê oportunidade de participarem na construção da comunidade".

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