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quinta-feira, outubro 26, 2023

Europa desunida: Orban compara adesão da Hungria à UE a quatro décadas de domínio soviético

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, comparou a adesão do seu país à União Europeia a mais de quatro décadas de domínio soviético, durante um discurso hoje para assinalar o aniversário do levantamento húngaro contra Moscovo em 1956. Falando para um restrito grupo de convidados na cidade de Veszprem, Orbán acusou a União Europeia (UE) de tentar despojar a Hungria da sua identidade, impondo um modelo de democracia liberal que, segundo o governante, os húngaros rejeitam e que se assemelha aos dias da dominação soviética. “Hoje surgem coisas que nos lembram os tempos soviéticos. Sim, acontece que a história se repete”, disse Orbán no evento, do qual todos os meios de comunicação foram excluídos, exceto os estatais.

“Felizmente, o que antes era uma tragédia agora é, na melhor das hipóteses, uma comédia. Felizmente, Bruxelas não é Moscovo. Moscovo foi uma tragédia. Bruxelas é apenas uma má paródia contemporânea”, acrescentou. O feriado nacional de 23 de outubro comemora o início de uma revolta popular em 1956 contra a repressão soviética que começou na capital, Budapeste, e se espalhou por todo o país. Depois de o líder estalinista da Hungria ter sido deposto com sucesso e das tropas soviéticas terem sido forçadas a sair da capital, uma diretiva de Moscovo enviou o Exército Vermelho de volta a Budapeste e reprimiu brutalmente a revolução, matando cerca de 3.000 civis e destruindo grande parte da cidade.

sábado, novembro 19, 2022

"A Europa está a jogar um jogo muito perigoso". Primeiro-ministro húngaro diz que sanções à Rússia vão levar à guerra

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, classificou as sanções da União Europeia contra a Rússia como um "passo em direção à guerra", reforçando que a estratégia adotada por Bruxelas "é perigosa". “Quem intervem economicamente num conflito militar toma uma posição”, afirmou o líder nacionalista, na sua tradicional entrevista semanal a uma rádio próxima do Governo. “Pouco a pouco, estamos a deslizar para a guerra”, insistiu, mostrando-se preocupado com a quantidade de medidas adotadas para sancionar a ofensiva russa na Ucrânia. Viktor Orban critica regularmente as sanções europeias, apesar de ter votado a favor da sua adoção, ao lado dos seus parceiros, culpando-as pelos reveses económicos no país da Europa Central. A economia húngara contraiu no terceiro trimestre (em relação ao segundo) e a inflação ultrapassou os 20 por cento, chegando a 45% na alimentação. O Governo lançou uma “consulta nacional” sobre a questão e colou cartazes no país onde se vê a imagem de um míssil acompanhada da mensagem “As sanções de Bruxelas estão a arruinar-nos”. O primeiro-ministro disse estar pronto para lutar contra um possível novo pacote de sanções e garantir que a Hungria, muito dependente dos hidrocarbonetos russos, fique “isenta”, como aconteceu com o embargo ao petróleo. “Agora estamos a fornecer armas destrutivas, estamos a treinar soldados ucranianos no nosso próprio território, estamos a impor sanções energéticas. (…) Estamos a tornar-nos parte integrante” do conflito, defendeu Orban. “Ainda não somos alvos militares, mas estamos prestes a tornar-nos beligerantes. A Europa está a jogar um jogo muito perigoso”, concluiu (Sapo)


sábado, abril 23, 2016

Aldeia húngara de Komlóska floresceu depois de ter suprimido impostos locais

Até aos anos 90, a aldeia de Komlóska na Hungria estava praticamente abandonada. Foi nessa altura que as autoridades locais decidiram acabar com os impostos a nível local sobre as empresas, o património imobiliário e o turismo, de modo a atrair investimento. "Como já não havia empresas a nível local, decidimos acabar com esse tipo de impostos, de modo a incentivar as pessoas a lançarem os seus próprios negócios", contou à Euronews László Köteles, presidente da junta de freguesia da aldeia (Euronews)

domingo, dezembro 23, 2012

Um país com dez milhões de habitantes que faz tudo ao contrário de Portugal

Escreve o Dinheiro Vivo que “em Budapeste, os governantes têm dedicado o seu tempo, desde 2010, a projetar e implementar nacionalizações de companhias, aumentar o salário mínimo, aliviar a carga fiscal sobre as famílias, incentivar o consumo interno, taxar mais os bancos, reduzir de forma acentuada os encargos do Estado com as parcerias público-privadas (PPP), baixar os impostos para as empresas, entre outras medidas. Se as políticas pensadas e executadas pelo governo português olhassem para o espelho, a imagem daí resultante seria naturalmente invertida e veríamos então o executivo húngaro em ação.
Portugal e Hungria têm áreas e população de dimensões em tudo semelhantes. São dois países da União Europeia (UE) que distam entre si 2390 quilómetros. O primeiro está no euro e o segundo ainda possui moeda própria, o chamado florim húngaro. Portugal quer terminar o ano de 2012 com um défice de 5% e uma dívida de 120% relativamente a um PIB que deverá cair 3%. A Hungria, pelo contrário, deverá ter um défice de 2,5% e uma dívida de 78,4%, tendo como base uma economia que deverá recuar 1,2%. Bem-vindo ao mundo dos contrastes no seio da Europa dos 27. Alguns poderão perguntar-se se estar ou não sob resgate externo poderá condicionar as políticas. Ora, embora seja um caso pouco falado em Portugal, a Hungria acaba por estar a beneficiar de ajuda do FMI e da UE. O programa da Hungria data de 2008 e tinha o valor de 20 mil milhões, tendo sido entregues até ao momento 14 mil milhões, que acabarão de ser pagos em 2016. O problema surgiu em 2010, na sequência da transição de um Governo socialista para um conservador de Direita, liderado pelo polémico Viktor Órban. Em setembro último, o primeiro-ministro pôs um travão nas políticas de austeridade do FMI, depois de meses de conflito. Pelo meio, Budapeste foi inundada por cartazes anti-FMI colocados pelo governo e que procuravam assumidamente angariar o apoio da população.
"Segundo o acordo feito pelo governo anterior, os salários e pensões teriam de sofrer reduções progressivas e, por esse motivo, o atual Executivo cancelou essas medidas e parou com o processo de cortes", explicou, ao Dinheiro Vivo, o secretário de Estado das Finanças, Gyula Pleschinger. Se pudesse dar um conselho a Portugal, diria que é possível renegociar acordos com o FMI? "Nós negociámos com o FMI com base nos nossos progressos. Estamos preparados para soluções de compromisso, mas estas não devem ir contra os valores básicos deste governo", sublinha o secretário de Estado. "A crise mostrou que implementar uma união monetária sem uma união fiscal foi muito perigoso e o euro era demasiado forte para Portugal e Grécia e muito barato para a Alemanha", acrescenta. O governo húngaro quis deixar mais dinheiro para as famílias e introduziu a taxa única de 16% no IRS, aumentando antes os impostos sobre o consumo, nomeadamente o IVA, cuja taxa máxima está nos 27%. Consultando a página de Internet do executivo, a sensação de estarmos perante a imagem de Portugal, invertida por um espelho, ganha mais força. O salário mínimo (485 euros) português está congelado desde 1 de janeiro de 2011 e não se perspetiva aumento. Na Hungria, o salário mínimo vai subir 5,4% em 2013, para 341 euros. A eletricidade e o gás , nas mãos de privados, deverão descer cerca de 10% no início de janeiro por imposição do governo húngaro. Em Portugal, o gás vai subir 2,5% e a eletricidade 2,8%, após várias outras subidas, nomeadamente a que resultou da aplicação do IVA máximo a estes serviços.
A austeridade no seio do Estado está a ser implementada, mas com moderação. "Na administração pública não aumentámos os salários nos últimos dois anos. O valor nominal e a duração do subsídio de desemprego sofreu cortes [tal como em Portugal]. Queremos recolocar as pessoas no mercado de trabalho e incentivamos as famílias a terem filhos através da atribuição de vários subsídios", afirma Pleschinger. À luz do perfil dos três maiores partidos políticos portugueses (PSD, PS e CDS), pode parecer estranho que na Hungria tenham sido socialistas a privatizar quase todo o sector empresarial e sejam agora conservadores a tentar recuperar ativos importantes para a esfera do Estado. A oposição de Bruxelas tem sido manifesta, mas Budapeste não desiste.
No superministério do Desenvolvimento Nacional, a ministra Zsuzsa Németh confessou ao Dinheiro Vivo que a Comissão Europeia não gosta das políticas de nacionalização. "Quando comprámos um banco privado comercial, através do nosso banco de fomento, a Comissão Europeia torceu o nariz. Mas tivemos de lhes lembrar que existe um caso semelhante na Alemanha. Por outro lado, a banca privada tem tido grandes lucros, mas não está a emprestar às empresas", afirmou”.

sábado, março 17, 2012

Bruselas pone en duda lo que entiende Budapest por democracia


Segundo o El Pais, "num texto do jornalista Ricardo Martínez de Rituerto, “el choque entre la Hungría del conservador Viktor Orbán y las instituciones comunitarias lleva camino de degenerar dramáticamente después de que el primer conservador arremetiera contra “los burócratas europeos que nos miran con desconfianza” y equiparara la UE y sus instituciones con la URSS y el imperio austriaco y Bruselas haya replicado que “quienes comparan la Unión Europea con la URSS muestra una total falta de entendimiento de lo que es la democracia”. Así pues, eurócratas dictatoriales y falsos demócratas, según la visión que de cada uno ofrece el otro, a la greña en la Europa de la crisis y la discordia. Tras las elecciones que hace dos años le llevaron en volandas a un poder avasallador —dos tercios de mayoría parlamentaria ofrecida por el favor de una población hastiada del caos y desgobierno de socialistas y liberales— Orbán se embarcó en una reforma constitucional y del Estado muy cuestionada en Bruselas (Banco Central, jueces, privacidad, prensa), que ha obligado al primer ministro a rectificar parcialmente. Pero no lo suficiente: sobre Hungría pesa todavía la amenaza de ir ante el Tribunal de la UE por violar el acervo comunitario. Orbán aparenta calma y mantiene la compostura en sus relaciones oficiales con Bruselas y el Parlamento Europeo, que le marca estrechamente, pero la decisión del martes de los ministros de Finanzas europeos de no entregar 495 millones de euros a Hungría el próximo 1 de enero como sanción por sus desvíos presupuestarios, salvo que rectifique antes del 22 de junio, le ha caído como un rejón de castigo. En Budapest, ante 250.000 húngaros, según cifras de su Gobierno, y con motivo del día nacional, aniversario del alzamiento de 1848 contra el imperio de los Habsburgo, Orbán decidió el jueves ir a la guerra verbal contra Bruselas, como cuando sus ancestros se levantaron contra Viena. “El programa político e intelectual de 1848 era este: ¡No seremos una colonia! El programa y el deseo de los húngaros en 2012 es este: ¡No seremos un colonia!”, clamó ante la enfervorizada asistencia. “Los húngaros no dejarán que los extranjeros les digan cómo han de vivir, no renunciarán a sus independencia o a su libertad y, en consecuencia, no renunciarán a su Constitución”. “Los burócratas europeos nos miran hoy con desconfianza porque hemos dicho: necesitamos otro modo de hacer las cosas” prosiguió. “En el 48 dijimos que había que derribar los muros del feudalismo y teníamos razón. En el 56 [1956, el levantamiento contra la URSS] dijimos que teníamos que romper las ruedas del comunismo y teníamos razón. También hoy nos miran con desconfianza”. Habrá que ver a dónde lleva la furia retórica de Orbán y cómo reacciona la Eurocámara. La Comisión llegó ayer todo lo lejos que pudo con una inusual dura réplica de la portavoz del presidente José Manuel Durão Barroso: "Quienes comparan la UE con la URSS no son capaces de entender la contribución de quienes lucharon por la libertad y la democracia”.

Primeiro-ministro húngaro acusa União Europeia de “colonialismo”

Li no site da RTP que "o primeiro-ministro da Hungria respondeu ontem às críticas e pressões europeias com uma forte salva de artilharia verbal apontada a Bruxelas. Dirigindo-se em Budapeste a milhares dos seus partidários, Viktor Orban, acusou a União Europeia de colonialismo e disse que os húngaros ser recusam a ser tratados como cidadãos de segunda classe. O discurso do primeiro-ministro conservador teve lugar um dia depois de a UE ter suspendido os fundos de coesão destinados à Hungria, por causa do elevado défice orçamental do país. O comício, que reuniu quase 250.000 pessoas, destinava-se a assinalar o aniversário da revolução de 1848 contra o domínio dos Habsburgos, mas acabou por se tornar num grito de revolta contra a União Europeia. Orban: "Não seremos uma colónia" Viktor Orban disse que a Hungria merece ser tratada de forma igual aos outros países da UE: “O programa e o desejo dos Húngaros em 2012 é o seguinte: Não seremos uma colónia” disse Orban, traçando um paralelo com os acontecimentos do século XIX. “Como nação europeia, exigimos tratamento igual. Não seremos cidadãos europeus de segunda classe. A nossa exigência legítima é que se apliquem a nós as mesmas regras e padrões que se aplicam aos outros”, disse.
UE suspendeu fundos estruturais da Hungria
Por causa do elevado défice de Budapeste, Bruxelas suspendeu, na quarta-feira, 495 milhões em fundos estruturais que a Hungria devia receber no ano que vem. Esta foi a primeira vez que a União castigou financeiramente um país por causa do défice. Apesar disso, a penalização não é definitiva pois foi concedido ao governo Hungaro um prazo de três meses para colocar em ordem as suas finanças e evitar assim que a suspensão dos fundos estruturais vá por diante. O défice projetado para a Hungria é de 3 por cento este ano e de 3,6 por cento no ano que vem e a sua dívida total representa 82 por cento do PIB. As regras europeias do Procedimento por Défice Excessivo dizem que os países membros da UE têm de manter os seus défices abaixo dos 3 por cento do PIB e a dívida nacional abaixo ou próximo dos 60 por cento.
Dois pesos e duas medidas?
No entanto, a ação punitiva contra a Hungria foi anunciada na mesma altura em que a União Europeia permitiu à Espanha um défice mais elevado do que o previsto o que levou a Áustia a acusar Bruxelas de agir com “dois pesos e duas medidas”. Madrid terá de reduzir o seu défice para 5,3 por cento este ano, quando originalmente a meta estava nos 4,4 por cento. Alguns analistas dizem que Bruxelas se mostrou mais dura com a Hungria para fazer dos magiares um exemplo, depois de o primeiro ministro Orban ter ignorado as críticas e os avisos europeus quanto às novas leis do seu governo.
Olli Rehn recusa comparações entre Madrid e Budapeste
Mas o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários , Olli Rehn, desdramatizou o caso, afirmando que “diferentes prazos” significam que as comparações entre a Espanha e a Hungria não são válidas, uma vez que Budapeste já tinha anteriormente beneficiado de uma extensão de prazo. O governo de Orban está envolvido numa disputa com a União Europeia, por ter emitido leis que, segundo Bruxelas, põem em causa a independência do poder judicial e do Banco Central do país e limitam a liberdade de imprensa.
Orban: Viktor ou "Viktator"?
Desde que chegou ao poder em 2010, com larga maioria, o executivo liderado pelo partido de direita Fidesz já rescreveu cerca de 300 leis e a própria Constituição do País, de uma forma que, segundo os críticos, enfraqueceu os processos e os equilibrios democráticos no seio da antiga nação comunista. Vários líderes europeus acusaram o governo de Viktor Orban de recorrer a práticas ditatoriais. A oposição húngara apelida-o mesmo de “Viktator” e acusa o primeiro-ministro e o seu partido de estarem a utilizar o seu forte mandato que receberam nas urnas para cimentar o poder muito para além do final da atual legislatura que termina em 2014.
Empréstimo do FMI ilude Budapeste
A Hungria é atualmente a nação mais endividada da Europa Central e necessita de um novo empréstimo do FMI para reduzir os seus custos de financiamento. No entanto o braço de ferro entre Bruxelas e Budapeste levou a que, até agora, as negociações com os financiadores internacionais estejam a marcar passo”.