Durão Barroso falou pela primeira vez sobre a polémica que o envolve, desde que aceitou ser presidente não executivo do banco Goldman Sachs. Em entrevista a uma televisão francesa, Barroso diz que ele e o banco estão a ser descriminados, e lembrou que outros líderes europeus já tiveram o mesmo cargo, incluindo o presidente do Banco Central Europeu.
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domingo, setembro 25, 2016
segunda-feira, outubro 27, 2014
quinta-feira, janeiro 30, 2014
terça-feira, novembro 05, 2013
Durão Barroso enxovalhado por cidadão belga em «português»
Segundo a TVI, um "grupo interrompeu o discurso do presidente da Comissão Europeia sobre austeridade e privatização das administrações públicas. Um grupo de cidadãos belgas indignados interrompeu o presidente da Comissão Europeia quando proferia um discurso sobre a privatização das Administrações Públicas. Aconteceu no dia 29 de outubro, em Bruxelas, e as imagens foram agora divulgadas no Youtube. Um dos intervenientes dirigiu-se mesmo em «português» a José Manuel Durão Barroso para o acusar de «estar cego» perante a situação de «injustiça social» que se vive em Portugal. Durão Barroso discursava num evento patrocinado pela Comissão Europeia, quando foi interpelado por um indivíduo, que o acusou de estar ao serviço de uma política de austeridade que destrói as finanças públicas, compromete o poder de compra dos cidadãos e contribuiu para o enriquecimento dos bancos, das grandes empresas e destrói o Estado social. Falando primeiro em francês, o homem começou por dizer que tinha «uma mensagem dos cidadãos e dos trabalhadores» para o presidente da Comissão Europeia, «uma mensagem em defesa do serviço público europeu».
«Sr. Barroso, Sr. Presidente, para quando uma administração pública ao serviço dos desempregados, dos trabalhadores, dos cidadãos, dos nossos filhos?», perguntou. Com críticas à atuação dos governos europeus que «fecham os olhos» perante a fraude fiscal, e exigindo uma administração pública (Saúde, Educação, etc.) ao serviço dos cidadãos, o indivíduo acusou a Comissão Europeia de utilizar fundos públicos para promover uma agenda pró-negócios em detrimento de uma agenda pró-cidadãos. «Façam o favor de sair dos vossos gabinetes, vocês, gente da Comissão Europeia, e vão falar com os cidadãos, com os trabalhadores, os desempregados, os agricultores, os pensionistas e todos os outros», apelou. Depois, pondo a língua francesa de lado e voltando a dirigir-se de forma direta ao presidente da Comissão Europeia, o cidadão belga começou a enxovalhar Durão Barroso em português, com algum vocabulário e sotaque espanhóis à mistura:
«Senhor, (...) como pode fazer hoje como se fazia há 70 ou 40 anos? É um escândalo como o que se está passando no seu país ... as pessoas que não têm um teto para viver ... são gente que todos os dias estão lutando (...) Como pode estar aqui? Está cego ... à situação da saúde e à situação social no seu país. É um escândalo», afirmou, para depois retomar a intervenção em francês e reiterar: «Exigimos justiça social». Esta não foi a primeira vez que o presidente da Comissão Europeia enfrentou manifestações de desagrado em relação às políticas do executivo comunitário. No dia 9 de outubro, Durão Barroso foi recebido com protestos e insultos na ilha italiana de Lampedusa. A 17 de outubro dois jovens lançaram ovos contra Durão Barroso durante um debate com cidadãos de Liège, no leste da Bélgica"
«Sr. Barroso, Sr. Presidente, para quando uma administração pública ao serviço dos desempregados, dos trabalhadores, dos cidadãos, dos nossos filhos?», perguntou. Com críticas à atuação dos governos europeus que «fecham os olhos» perante a fraude fiscal, e exigindo uma administração pública (Saúde, Educação, etc.) ao serviço dos cidadãos, o indivíduo acusou a Comissão Europeia de utilizar fundos públicos para promover uma agenda pró-negócios em detrimento de uma agenda pró-cidadãos. «Façam o favor de sair dos vossos gabinetes, vocês, gente da Comissão Europeia, e vão falar com os cidadãos, com os trabalhadores, os desempregados, os agricultores, os pensionistas e todos os outros», apelou. Depois, pondo a língua francesa de lado e voltando a dirigir-se de forma direta ao presidente da Comissão Europeia, o cidadão belga começou a enxovalhar Durão Barroso em português, com algum vocabulário e sotaque espanhóis à mistura:
«Senhor, (...) como pode fazer hoje como se fazia há 70 ou 40 anos? É um escândalo como o que se está passando no seu país ... as pessoas que não têm um teto para viver ... são gente que todos os dias estão lutando (...) Como pode estar aqui? Está cego ... à situação da saúde e à situação social no seu país. É um escândalo», afirmou, para depois retomar a intervenção em francês e reiterar: «Exigimos justiça social». Esta não foi a primeira vez que o presidente da Comissão Europeia enfrentou manifestações de desagrado em relação às políticas do executivo comunitário. No dia 9 de outubro, Durão Barroso foi recebido com protestos e insultos na ilha italiana de Lampedusa. A 17 de outubro dois jovens lançaram ovos contra Durão Barroso durante um debate com cidadãos de Liège, no leste da Bélgica"
segunda-feira, abril 29, 2013
Barroso esclareceu (e desmentiu) notícia do CM sobre a licenciatura
Segundo
a jornalista do Correio da Manhã, Diana Ramos, "o presidente da Comissão Europeia fez um
terço das cadeiras da licenciatura em Direito com passagem administrativa.
Durão Barroso tirou o curso no período da revolução de 1974, e do total das 23
cadeiras, 8 foram feitas com a atribuição de notas de forma automática, uma
prática comum naquele tempo. Não obstante, pediu melhoria de notas e acabou o curso
com média de 17 valores. De acordo com o seu ficheiro académico, que o CM
consultou, o ex-primeiro-ministro teve 10 valores a dez disciplinas. As
cadeiras eram referentes aos anos 73/74 e 74/75, período em que a Faculdade de
Direito de Lisboa foi tomada pelos estudantes. Em algumas delas, o certificado
universitário tem, na classificação, a indicação de ‘admitido' ou ‘apto' (ver
apoio). No final deste período conturbado, as notas de Barroso mudaram
substancialmente: 13 foi a avaliação mais baixa que obteve, a Direito Criminal;
seguiram-se cinco 18 e quatro 17. Aliás, para melhorar a média e subir notas
relativas às passagens administrativas ditadas pelas interrupções letivas
apresentou dois requerimentos para repetir seis exames. Segundo a documentação
existente na reitoria da universidade, o ex-líder do PSD faltou a quatro
exames. A assessoria de Barroso explicou ao CM que estes exames não foram
repetidos porque "coincidiram com o ano [1977] em que o seu pai
faleceu". Quanto às disciplinas de Ciência Política e Direito Económico,
as notas dispararam para 18 e 16, respetivamente.
UNIVERSIDADE
ESCLARECE CURSO DE DURÃO BARROSO
1.De
acordo com os documentos arquivados na Faculdade de Direito e na Reitoria da
Universidade de Lisboa, José Manuel Durão Barroso cumpriu todas as exigências
legais e académicas necessárias à conclusão da Licenciatura em Direito
(1973-1978).
2.José
Manuel Durão Barroso foi um dos melhores alunos do seu curso, que concluiu com
a nota final de dezassete valores, tendo a Faculdade de Direito decidido
contratá-lo como Monitor e como Assistente, o que revela a qualidade do seu
percurso académico.
3.A
notícia do Correio da Manhã tem como ponto central uma afirmação repetida três
vezes: no título da primeira página, no título da página 6 e na abertura da
notícia – "Oito cadeiras com passagem administrativa".
4.Os
documentos arquivados confirmam que esta afirmação não é verdadeira. José
Manuel Durão Barroso frequentou todas as disciplinas do curso e cumpriu as
regras de avaliação em vigor. As duas únicas disciplinas em que surge a menção
de "admitido" foram concluídas no dia 6 de junho de 1974, pouco mais
de um mês após a revolução de 25 de abril.
5.Ninguém
desconhece a situação política que se viveu em Portugal durante o ano de 1974 e
que afetou, também, o funcionamento das instituições universitárias. Mas, a
partir do ano de 1975, desde logo com a Resolução do Conselho de Ministros de
10 de julho de 1975 e com sucessivas deliberações tomadas pelos órgãos de
governo da Faculdade de Direito e da Universidade de Lisboa, estas situações
foram devidamente enquadradas por diplomas legais permitindo que os estudantes
concluíssem os seus cursos num quadro de normalidade.
6.José
Manuel Durão Barroso frequentou as disciplinas previstas no plano de estudos do
curso e submeteu-se às avaliações definidas pelas entidades competentes, nos
mesmos termos que todos os outros estudantes da época. Comparar o que é
incomparável, procurando pôr no mesmo plano situações do passado e do presente,
é uma forma de confundir as pessoas e de deturpar a verdade.
7.Pelo
exposto, foi decidido apresentar queixa à Entidade Reguladora para a
Comunicação Social.
Lisboa,
27 de abril de 2013,
O chefe de Gabinete do Reitor, Luís Guimarães de Carvalho
DIREITO
DE RESPOSTA
Na
qualidade de porta-voz do Dr. Durão Barroso e ao abrigo da legislação em vigor
venho desmentir e repudiar a notícia "Curso de Durão com cadeiras à
Relvas", publicada pelo Correio da Manhã (CM) no dia 27 de Abril.
1.
A manchete do Correio da Manhã sugere com evidente má-fé e em distorção da
verdade, pretensas irregularidades na obtenção do grau de licenciatura e
constitui um dano grave para o bom nome académico e público do Dr. Durão
Barroso. A manchete nem sequer corresponde ao artigo, o qual integra também
diversas falsidades, isto apesar de ter sido atempadamente fornecida ao CM
diversa informação que foi ou omitida ou apenas parcialmente referida.
2.
É desde logo absolutamente falsa a primeira frase do artigo quando pretende que
o Dr. Durão Barroso fez "um terço das cadeiras da licenciatura em Direito
com passagens administrativas". O Dr. Durão Barroso frequentou a Faculdade
durante cinco anos, duração legal do curso, entre 1973 e 1978, e teve apenas
duas passagens administrativas em Junho de 1974. Na realidade, centenas de
alunos daquela faculdade que se inscreveram a exame em Junho de 1974, receberam
automaticamente passagens administrativas devido à suspensão de exames naquele
período revolucionário, sem que tal tenha sido requerido pelos interessados. O
carácter malévolo da notícia reside no facto de se procurar separar o percurso
académico do Dr. Durão Barroso daquela que foi a prática naquela altura. Tal foi
também o caso de muitas outras atuais personalidades públicas que frequentaram
a Faculdade naquele período. Aliás, o Dr. Durão Barroso frequentou as aulas
dessas duas cadeiras desde Outubro de 1973 e obteve elevadas classificações nas
frequências, antes do 25 Abril, embora fosse já conhecido pelas suas posições
antirregime.
3.
Com efeito, as passagens administrativas decorreram da situação política e
institucional da Faculdade de Direito à época, dois meses depois do 25 de
Abril, tendo afetado milhares de estudantes que a frequentavam (e não um
estudante em particular). Em Junho de 1974, devido à suspensão dos exames,
aprovada numa Reunião Geral de Alunos realizada na Aula Magna, a Faculdade
decidiu atribuir automaticamente a todos os alunos passagens administrativas
nas cadeiras em que estavam inscritos para exame. Tal foi traduzido no
certificado de habilitações pela menção "admitido". São apenas as
cadeiras "Economia Política I e II" e "Ciência Política e
Direito Constitucional I e II", que no certificado de habilitações do Dr.
Durão Barroso aparecem com a menção "admitido". A notícia do CM faz
uma ilegítima confusão com as menções "apto" ou "10", que
corresponderam a exames. No início de 1975, com a Faculdade em pleno período
revolucionário como o resto do País, foram restabelecidos os exames, mas com um
sistema de classificação em que não havia notas numéricas, mas apenas
"apto" ou "não apto". Deste modo os dois exames feitos pelo
Dr. Durão Barroso nesse período tiveram a classificação de "apto".
Foi decidido mais tarde que, independentemente do nível da prestação do aluno,
os "aptos" passariam a partir de finais de 1975 a ser traduzidos
sempre por "10" valores. Isto prejudicava obviamente as médias de
notas a que um aluno poderia aspirar. No início de 1977 a Faculdade voltou a
aplicar a classificação de 0 a 20 valores. Foi também permitido aos alunos que
o desejassem repetir os exames em que lhes tinha sido atribuída a nota de
"10" para poderem melhorar a classificação média (Portaria do Ministro
da Educação Sottomayor Cardia de Janeiro de 1977). Foi assim que o Dr. Durão
Barroso repetiu os exames de "Direito Económico" e "Ciência
Política" tendo obtido respectivamente 16 e 18 valores. Em todos os exames
que fez em 1977 e 1978 teve elevadas classificações (a mais baixa foi um 13,
que pelos padrões daquela faculdade é uma boa nota), que lhe permitiram
terminar a licenciatura em 31/7/1978, com média de 17 valores, a mais alta
desse ano.
4.
O Dr. Durão Barroso foi o melhor aluno do seu curso, que completou em cinco
anos como mandam as regras, tendo feito exame a todas as cadeiras, com as duas
exceções de Junho de 1974. Ou seja fez 23 exames (repetiu 2 para melhoria de
nota) e teve 2 passagens administrativas, em cadeiras que aliás tinha
frequentado.
5.
O percurso académico do Dr. Durão Barroso, como aluno e como docente, sempre
foi rigoroso, e esse percurso não se esgotou na Faculdade de Direito. Aliás,
também em 1978, e em concurso público aberto pelo Conselho Científico, o Dr.
Durão Barroso foi admitido como assistente eventual na mesma Faculdade, tendo
ficado classificado em 1º lugar ex-aequo. Depois de um ano lecionando como
assistente, obteve uma bolsa da Confederação Suíça, também por concurso, para
Genebra, onde concluiu o Mestrado – Diploma em Ciência Política –, na Faculdade
de Ciências Económicas e Sociais da Universidade de Genebra. Obteve também o
Diploma em Estudos Europeus do Instituto Universitário de Estudos Europeu da
mesma Universidade. Com este diploma foi-lhe reconhecido o grau de Mestre pela
Faculdade de Direito de Lisboa – Mestrado pré--Bolonha, isto é, com estudos de
sete anos e apresentação e defesa de dissertação. A média obtida pelo Dr. Durão
Barroso no Mestrado foi na altura a mais alta classificação até então atribuída
pelo Departamento de Ciências Económicas e Sociais da Universidade de Genebra.
O Dr. Durão Barroso defende o papel da liberdade de informação e de expressão
numa sociedade democrática. Mas com a mesma firmeza condena ataques
despropositados, infundados e mesmo desonestos. O Dr. Durão Barroso solicita a
correção imediata da notícia, com o mesmo destaque com que foi publicada. A
notícia põe em causa o seu bom nome académico e público e, se não corrigida, é
suscetível de causar ainda mais dano ao visado.
Leonor
Ribeiro da Silva,
Porta-voz do Dr. José Manuel Durão Barroso"
sábado, abril 27, 2013
quinta-feira, abril 04, 2013
Barroso: "Países em dificuldade devem assumir erros"!
Li no DN de Lisboa que o "presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje, em Viena, que os Estados-membros que enfrentam crises financeiras não devem culpar os outros pelos seus problemas e apelou à solidariedade das economias mais fortes. "Os países que enfrentam dificuldades pelos erros do setor financeiro devem mostrar mais responsabilidade, devem mostram que levam a sério a análise e correção dos erros, sem culpar os outros", disse José Manuel Durão Barroso, numa conferência de imprensa conjunta com o chanceler austríaco, Werner Faymann.Durão Barroso sublinhou que é uma preocupação o fosso cada vez maior entre os países do norte e do sul da União Europeia e apelou a que se abandonem os estereótipos e a uma maior solidariedade entre Estados-membros. "Em tempos de crise, há o risco de sobrevalorizar os preconceitos e os estereótipos, o que é um risco", acrescentou o líder do executivo comunitário, sublinhando que a história está cheia de lições sobre este problema.Durão Barroso deixou ainda um apelo aos países com economias mais sólidas, para que mostrem solidariedade para com os outros, para que "estendam a mão, no melhor espírito da solidariedade europeia"."É do seu interesse próprio, os países com mais êxito precisam do mercado interno. Estamos todos ligados", lembrou.Apelando a que se evitem "nacionalismos, no mau sentido da palavra", Durão Barroso salientou ser "injusto tentar estigmatizar parte da Europa".Todos os países tiveram grandes momentos e enfrentaram dificuldades na sua história, reiterou".
sábado, março 02, 2013
Constança Cunha e Sá (TVI): “Durão Barroso não tem vergonha na cara”
Constança Cunha e Sá diz que Durão Barroso não tem «vergonha na cara» por dizer que a crise portuguesa tem também origem em escolhas mal feitas. Na TVI24, a comentadora criticou duramente o presidente da Comissão Europeia, ao dizer que ele é responsável pelo que se passa na Europa e em Portugal. No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá lembrou, esta quinta-feira, que «foi com Durão Barroso que a dívida passou o limite dos 60% imposto pelo PEC». A comentadora defendeu que, como presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso tem «sérias responsabilidades no que se está a passar». «A Europa é parte do problema e isso também é culpa dele», afirmou. «Todas as políticas que tem defendido para a Europa têm-se mostrado erradas e incompetentes», acrescentou. Para Constança Cunha e Sá, Durão Barroso «não tem vergonha na cara em vir dizer uma coisa destas», ou seja que Portugal é o culpado pela sua crise. Por isso, defende a comentadora, «este senhor [Durão Barroso] devia estar calado» (veja aqui o vídeo da TVI)
TVI: “Palavras de Durão são uma afronta aos portugueses”
Pedro Santana Lopes considera que as palavras de Durão Barroso são «uma afronta aos portugueses». O antigo primeiro-ministro defende que a Europa tem «uma grande responsabilidade» no que se está a passar. «Apetece perguntar-lhe: então não é culpa da Europa? O presidente da Comissão Europeia não pode vir dizer uma coisa destas. Tem de dizer o contrário: que há uma grande responsabilidade da Europa no que se está a passar. Isto é uma afronta aos portugueses e é fazer dos portugueses tontos», afirmou, no programa Prova dos 9 da TVI24. Já Fernando Rosas considerou as palavras de Durão como «uma coisa quase provocatória». «Se há alguém tem de ser averiguado, avaliado nesta situação, é a troika e a União Europeia pelas políticas que estão a praticar na Europa», explicou. Para Francisco Assis, esta foi «uma péssima resposta que ofende a verdade histórica» e «não contribui em nada para a resolução deste problema real que existe na Europa» (veja aqui o vídeo da TVI)
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
A verdade que não pode ser escondida: Governo de Barroso foi o que mais subiu dívida antes do subprime
Escreve o Dinheiro Vivo que "o ex-primeiro ministro português, José Durão Barroso, veio hoje dizer na qualidade de Presidente da Comissão Europeia que a crise atual do país deve-se, acima de tudo, a "escolhas económicas que foram prosseguidas que não conseguiram resolver os problemas estruturais da competitividade portuguesa" e que "levaram a uma acumulação de dívida pública que pura e simplesmente não era sustentável". As declarações do responsável, proferidas através de uma mensagem gravada na conferência da TSF/OTOC, contrastam com a dinâmica passada da dívida, que começou a ser mais desfavorável nos anos em que Durão esteve à frente do poder, em Portugal. Uma revisitação da série histórica do rácio da dívida pública permite constatar que, até rebentar a crise financeira (em 2007/2008), o agravamento do fardo do endividamento em percentagem do produto coincidiu com a liderança das coligações PSD/CDS de Durão Barroso (2002 a 2004) mais os oito meses de Pedro Santana Lopes à frente do Governo, uma vez que Durão deixou Portugal para ir para Bruxelas.
Mais: de acordo com as bases de dados da Comissão Europeia, o rácio da dívida pública violou pela primeira vez a fasquia dos 60% do PIB, imposta pelo Pacto de Estabilidade, em 2004. Depois de ter oscilado na casa dos 50% entre 1990 e 2003, o rácio da dívida acabou por furar o teto dos Tratados em 2004.
Assim, o período dos governos de Durão Barroso/Santana Lopes foi responsável por um agravamento do rácio da dívida de 8,1% do PIB, um valor que compara com os 4% mais do último Governo de Cavaco Silva (PSD, de 1991 a 1994), com a redução em menos 5,5% do PIB durante o primeiro Governo de António Guterres (PS, de 1995 a 1998) ou mesmo o aumento em mais 6,5% do PIB entre 2005 a 2007, ano em que rebentou a crise do subprime, que depois se tornou de crédito, bancária e das dívidas soberanas. Até meados de 2007, os mercados de crédito sempre funcionaram de forma normal já que os problemas dos bancos estavam disfarçados. O dos Estados também. Só em 2008, com a falência do Lehman Brothers, é que começaria a revelar a verdadeira situação do sistema financeiro. Os Estados tiveram de intervir nos anos seguintes. Nestes três anos (2005 a 2007), o Governo em Portugal já era o de José Sócrates (PS). Em todo o caso, ele surge como o campeão da dívida num contexto de grande agravamento da crise financeira internacional, em que os contribuintes portugueses foram chamados a pagar as ajudas à estabilidade do sistema financeiro, sejam diretas (nacionalizações de bancos e programas de recapitalização), sejam indiretas. Assim, o primeiro Governo de Sócrates (2005 a 2008) somou 9,8% do PIB ao rácio da dívida, o segundo (2009 a 2010) somou 21,8% do PIB. As previsões da Comissão Europeia apontam para que o Governo de Passos (PSD/CDS, de 2011 a 2014, em princípio) seja o que mais engordará a dívida. Mais 31,2% do PIB, de 108% em 2011 para 124,7% em 2014"
A "novidade" de um indivíduo que também tem culpas pela situação que vivemos mas não teve a coragem de o reconhecer: Barroso diz que Portugal é o culpado da sua crise
Li no Económico que o "Presidente da Comissão Europeia justifica crise portuguesa com opções económicas falhadas e comportamentos "erráticos" da banca. Durão Barroso, que foi primeiro-ministro entre 2002 e 2004, considera que foram as opções erradas que Portugal tomou nos últimos anos que conduziram à crise actual, mas acredita que é possível restaurar a confiança dos investidores no país e "ganhar uma credibilidade" que permita "financiar-se por si mesmo". Uma crise que "resulta de escolhas económicas que não conseguiram resolver os problemas estruturais da competitividade portuguesa", sustentou o presidente da Comissão Europeia numa intervenção gravada para a conferência TSF/OTOC que se realiza hoje. Opções que "levaram a uma acumulação de dívida pública que pura e simplesmente não era sustentável". Durão Barroso fez questão de esclarecer que "não foi a União Europeia a causa da crise", e sim os "comportamentos erráticos do sector financeiro - nalguns casos inaceitáveis e ilegais - e a "acumulação de erros em termos de acumulação de dívida pública a nível nacional" que conduziram à situação que a Europa em geral, e Portugal em particular, hoje vive. "A Europa não é causa do problema, é parte da solução" garantiu o presidente da Comissão Europeia, defendendo uma construção assente no federalismo e dizendo que é fundamental a união económica para além da união monetária. "Juntos seremos mais do que a simples soma das unidades", disse Barroso, defendendo que se a Europa quer "contar no mundo", então a soberania "tem que ser partilhada".
segunda-feira, dezembro 10, 2012
...mas Durão Barroso recusa responsabilidade do seu governo na situação do país!
Segundo o Expresso, "Durão Barroso rejeitou responsabilidade do seu governo na grave situação financeira a que Portugal chegou e deixou em aberto um regresso à vida política portuguesa depois de terminar o mandato como presidente da Comissão Europeia. "No ano em que eu concluí o meu mandato [de primeiro-ministro português, em 2004], conseguimos por o défice nos valores desejados, a menos de 57 % do PIB, (...) E agora, quando Portugal pediu o programa, estava em 107% do PIB. Alguma coisa se passou", disse José Manuel Durão Barroso em entrevista à SIC. "Portanto, há responsabilidades, e temos de as assumir como país, mas atenção: não foi o meu governo que criou esta situação muitíssimo grave", acrescentou. Questionado sobre se pretende regressar à política ativa em Portugal depois de terminar o segundo mandato como presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso assegurou que não tomou "nenhuma decisão" e recusou "fazer especulações". "O futuro a Deus pertence. Há muitas coisas que não dependem de nós e, sobretudo, não podemos ter a pretensão de controlar o futuro", afirmou.
Durão Barroso espera que Portugal não peça condições iguais às da Grécia
O presidente da Comissão Europeia afirmou esperar que Portugal não reclame a aplicação do princípio de igualdade para obter as mesmas condições da Grécia, porque isso faria baixar a confiança dos investidores em Portugal. "O princípio está lá e pode ser eventualmente aplicado. Espero que Portugal não chegue a uma situação como a da Grécia, em que tenha que aplicar essas mesmas condições, que já são vistas como de um país que não foi capaz de cumprir o programa. É isso que Portugal quer?", questionou. Durão Barroso frisou que o objetivo de Portugal "é voltar aos mercados" no final de 2013 e que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional consideram que "isso é possível", dado o "comportamento notável" de Portugal no cumprimento do programa. "É notável como, em tão pouco tempo, Portugal conseguiu distinguir-se de uma situação como é a da Grécia, porque, no inicio, a tendência dos investidores era pôr Portugal exatamente na mesma categoria da Grécia", disse. "Portugal vai cumprir este programa, a Grécia está a negociar um segundo programa (...) porque o primeiro não funcionou", frisou. Durão Barroso salientou que "lutou pelo princípio da igualdade", mas sublinhou que a situação dos dois países "é de facto muito diferente" e embora haja "a possibilidade de conseguir uma equiparação das condições", isso não é desejável. "Estamos a lidar com um problema que também é de confiança. Portugal está a conseguir, apesar das dificuldades, nomeadamente o desemprego, que é, a meu ver, o primeiro problema. Portugal está a conseguir reganhar, a pouco e pouco, a confiança dos investidores", disse"
quinta-feira, outubro 11, 2012
Hipocrisia: decisões são dos governos, diz Durão Barroso
Li no site da RTP que "Durão Barroso pede aos governo nacionais para não se desculparem com as imposições da Europa e dos credores, e para assumirem as medidas de austeridade que impõem aos cidadãos.
Numa conferência em Bruxelas, sobre o estado da Europa, o presidente da Comissão Europeia diz que não são as instituições internacionais que tomam decisões, apenas fazem sugestões que os governos aceitam, ou não. A crítica de Durão Barroso aos países que atiram as culpas da austeridade para as instituições internacionais, quando são os próprios governos a decidir as medidas que aplicam. Na mesma conferência, o comissário europeu para os assuntos económicos veio dizer que as medidas tomadas estão a dar resultado".
quarta-feira, setembro 19, 2012
Discurso integral de Durão Barroso sobre o estado da União de 2012
"Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
1. Análise da situação:
É uma honra encontrar-me hoje aqui perante vós para proferir este terceiro discurso sobre o estado da União.
Num momento em que a União Europeia continua a estar em crise.
Uma crise financeira e económica. Uma crise social, mas igualmente uma crise política, uma crise de confiança.
As raízes da crise decorrem de:
· práticas irresponsáveis no setor financeiro;
· dívidas públicas insustentáveis, e;
· falta de competitividade em alguns Estados-Membros.
Além disso, o euro enfrenta os seus próprios problemas estruturais. A sua arquitetura não esteve à altura da situação. Criaram-se desequilíbrios.
Esta situação está agora a ser corrigida. No entanto, é um esforço doloroso e difícil. Os cidadãos estão frustrados. Estão ansiosos. Sentem que o seu estilo de vida está em risco.
O sentimento de justeza e equidade entre Estados-Membros está a desgastar-se. E sem equidade entre Estados-Membros, como poderá existir equidade entre cidadãos europeus?
Durante os últimos quatro anos, tomámos muitas decisões audaciosas para resolver esta crise sistémica. Mas apesar de todos estes esforços, as nossas respostas não convenceram ainda os cidadãos, os mercados nem os nossos parceiros internacionais.
Porquê? Porque uma vez mais permitimos que as dúvidas se instalassem. Dúvidas sobre saber se alguns países estão realmente prontos para proceder a reformas e retomar a competitividade. Dúvidas sobre saber se outros países estão realmente dispostos a demonstrar solidariedade para que o euro e o projeto europeu sejam irreversíveis.
Assistimos em demasiadas ocasiões a uma espiral viciosa. Em primeiro lugar, decisões muito importantes para o nosso futuro são tomadas em cimeiras europeias. No entanto depois, no dia seguinte, vemos algumas dessas mesmas pessoas que tomaram essas decisões a pô-las em causa. Dizendo que vão longe demais ou que não vão suficientemente longe. Estamos então perante um problema de credibilidade. Um problema de confiança.
Não é aceitável apresentar estas reuniões europeias como se fossem combates de boxe, reclamando uma vitória por KO sobre um rival. Não podemos fazer parte da mesma União e comportarmo-nos como se não o fizéssemos Não podemos pôr em risco nove boas decisões com uma ação ou declaração que suscite dúvidas sobre o que realizámos.
Esta situação, Senhoras e Senhores Deputados, revela a essência da crise política de confiança da Europa. Se os intervenientes políticos da Europa não seguem as regras e as decisões que eles próprios tomaram, como podem convencer outros de que estão determinados a resolver esta crise em conjunto?
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
2. O desafio – uma nova forma de pensar para a Europa:
Uma crise de confiança é uma crise política. E, a boa notícia é que, numa democracia, não existe nenhum problema político para o qual não se possa encontrar uma solução política.
É por essa razão que, hoje aqui, pretendo debater convosco as questões políticas fundamentais - a situação em que nos encontramos e como podemos avançar. Quero dar ênfase ao rumo político e à visão que irá inspirar as nossas decisões políticas.
É evidente que não irei enunciar todas estas decisões individuais. Acabam de receber a carta que eu enderecei ao Presidente do Parlamento Europeu, e que estabelece as prioridades imediatas da Comissão. Iremos discuti-las em conjunto antes da adoção do programa de trabalho da Comissão no outono.
Eis a mensagem que vos dirijo hoje: a Europa necessita de um novo rumo. E esse rumo não pode basear-se em velhas ideias. A Europa necessita de uma nova forma de pensar.
Quando falamos de crise, e todos falamos sobre a crise, retirámos realmente todas as consequências das nossas ações? Quando falamos de globalização, e todos falamos muito sobre globalização, tomámos realmente em consideração o seu impacto sobre o papel de cada um dos nossos Estados-Membros?
O ponto de partida para uma nova forma de pensar para a Europa é verdadeiramente extrair todas as consequências dos desafios com que nos confrontamos e que estão a mudar drasticamente o nosso mundo.
O ponto de partida consiste em deixar de tentar responder às questões do futuro com os instrumentos do passado.
Desde o início da crise que vimos continuamente que mercados globais interligados são mais rápidos e, por conseguinte, mais poderosos do que sistemas políticos nacionais fragmentados. Tal compromete a confiança dos cidadãos na tomada de decisões políticas. E está a alimentar o populismo e o extremismo na Europa e fora dela.
A realidade é que num mundo interligado, os Estados-Membros da Europa por si só deixaram de poder orientar efetivamente o rumo dos acontecimentos. Mas simultaneamente, ainda não dotaram a sua União - a nossa União — dos instrumentos necessários para fazer face à nova realidade. Vivemos agora um período de transição num momento decisivo. Este momento exige decisões e liderança.
Sim, a globalização exige mais unidade europeia.
Mais unidade exige mais integração.
Mais integração exige mais democracia, democracia europeia.
Na Europa, tal significa em primeiro lugar e principalmente aceitar que estamos todos no mesmo barco.
Significa reconhecer o caráter comum dos nossos interesses europeus.
Significa adotar a interdependência dos nossos destinos.
E significa exigir um verdadeiro sentimento de responsabilidade e solidariedade comuns.
Porque quando se está num barco no meio da tempestade, a lealdade absoluta é o mínimo que se exige dos outros membros da tripulação.
Esta é única maneira de acompanharmos o ritmo da mudança. É a única forma de obter a dimensão e a eficiência de que necessitamos para sermos um interveniente na cena mundial. É a única forma de salvaguardarmos os nossos valores, porque é igualmente uma questão de valores, num mundo em mudança.
No século XX, um país com apenas 10 ou 15 milhões de habitantes poderia ser uma potência mundial. No século XXI, mesmo os maiores países europeus correm o risco de serem irrelevantes entre gigantes mundiais como os EUA ou a China.
A história está a acelerar. A Grã-Bretanha levou 155 anos a duplicar o seu PIB per capita, os EUA 50 anos, e a China apenas 15. Mas se olharmos para alguns dos nossos novos Estados-Membros, a transformação económica em curso não é menos impressionante.
A Europa tem em mãos todos os trunfos de que necessita. Na realidade muito mais do que as anteriores gerações que se confrontaram com desafios semelhantes ou mesmo muito maiores.
Mas precisamos de agir em conformidade e mobilizar todos estes recursos em conjunto.
Chegou o momento de combinar ambições, decisões e ações.
Chegou o momento de pôr termo às respostas fragmentadas e desordenadas.
Chegou o momento de retirar os ensinamentos da história e de escrever um melhor futuro para a nossa Europa.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
3. Resposta à situação – o «Pacto decisivo para a Europa»
O que vos peço e vos apresento hoje é um Pacto decisivo para a Europa.
Um Pacto decisivo para projetar os nossos valores, a nossa liberdade e a nossa prosperidade no futuro de um mundo globalizado. Um Pacto que combine a necessidade de manter as nossas economias de mercado social, por um lado, e a necessidade de as reformar, por outro. Um Pacto que irá estabilizar a UEM, impulsionar o crescimento sustentável e restabelecer a competitividade. Um Pacto que estabelecerá um contrato de confiança entre os nossos países, entre Estados-Membros e as instituições europeias, entre parceiros sociais e entre os cidadãos e a União Europeia.
O Pacto decisivo para a Europa significa que:
Não devemos deixar subsistir qualquer dúvida sobre a integridade da União ou a irreversibilidade do euro. Os países mais vulneráveis não devem deixar subsistir quaisquer dúvidas sobre a sua vontade de proceder a reformas. Sobre o seu sentido de responsabilidade. Mas os países mais fortes não devem deixar subsistir quaisquer dúvidas sobre a sua vontade de se manterem juntos. Sobre o seu sentido de solidariedade. Devemos todos deixar bem claro que estamos determinados a proceder a reformas. Que estamos determinados a PROCEDER A REFORMAS JUNTOS.
A ideia de que podemos crescer sem reformas ou que podemos prosperar sozinhos é simplesmente falsa. Temos de reconhecer que estamos no mesmo barco e que temos de encontrar uma solução juntos.
Este Pacto decisivo exige a realização de uma união económica profunda e genuína, baseada numa união política.
a) União económica:
Permitam-me que comece pela economia da Europa.
Em primeiro lugar, precisamos de crescimento. Crescimento sustentável.
O crescimento é a seiva vital do nosso modelo europeu de mercado social: gera emprego e é nele que assenta o nosso nível de vida. Mas só podemos manter o crescimento se formos mais competitivos.
A nível nacional, significa a realização de reformas estruturais que foram adiadas durante décadas. Modernizar a administração pública. Reduzir despesas supérfluas. Combater interesses instalados e privilégios. Proceder à reforma do mercado laboral para criar equilíbrio entre segurança e flexibilidade. E garantir a sustentabilidade dos sistemas sociais.
A nível europeu, precisamos de ser mais determinados quanto à eliminação de obstáculos, sejam físicos, económicos ou digitais.
Precisamos de realizar o mercado único.
Precisamos de reduzir a nossa dependência energética e explorar o potencial das energias renováveis.
Promover a competitividade em setores como a energia, os transportes ou as telecomunicações poderia dar origem a uma nova concorrência, promover a inovação e reduzir os preços para os consumidores e as empresas.
A Comissão apresentará em breve um Ato para o Mercado Único II. Para permitir que o mercado único prospere, a Comissão continuará a ser firme e intransigente na defesa das suas regras em matéria de concorrência e de comércio. Deixem-me dizer-lhes francamente, se tal incumbisse aos Estados-Membros, posso afirmar que não resistiriam à pressão das grandes empresas ou de grandes potências externas.
Precisamos de criar um mercado de trabalho europeu, e fazer com que seja tão fácil para as pessoas trabalharem num outro país como no seu próprio país.
Precisamos de explorar o crescimento verde e ser mais eficazes na nossa utilização dos recursos.
Temos de ser muito mais ambiciosos em termos de educação, investigação, inovação e ciência.
A Europa é líder mundial em setores essenciais como os setores da aeronáutica, automóvel, farmacêutico e da engenharia, com quotas do mercado global superiores a um terço. A produtividade industrial aumentou 35 % na última década, apesar do abrandamento económico. E hoje em dia, cerca de 74 milhões de postos de trabalho dependem da indústria transformadora. Todos os anos na UE empresas em fase de arranque criam mais de 4 milhões de postos de trabalho. Precisamos de aproveitar esta situação, investindo na nossa nova política industrial e criando um ambiente empresarial que incentive o empreendedorismo e apoie as pequenas empresas.
Tal significa simplificar o enquadramento fiscal das empresas, tornando-o mais atrativo para os investidores. Uma melhor coordenação fiscal traria benefícios para todos os Estados-Membros.
Precisamos igualmente de uma política comercial proativa, abrindo novos mercados.
Este é o potencial da economia da Europa. Trata-se da mina de ouro que deve ainda ser plenamente explorada. Aplicar na íntegra o Pacto para o Crescimento acordado no Conselho Europeu de junho pode levar-nos muito longe.
E poderemos ir ainda mais longe, com um orçamento da União Europeia realista mas ambicioso dedicado ao investimento, ao crescimento e às reformas. Sejamos claros. O orçamento europeu é o instrumento para o investimento na Europa e crescimento na Europa. A Comissão e este Parlamento, na realidade todas as forças pró-europeias, porque a maioria dos Estados-Membros apoiam a nossa proposta, devem agora juntar-se no apoio ao quadro financeiro plurianual adequado, que nos levará até 2020. Os Estados-Membros suportarão poucos encargos, especialmente com a nossa proposta de novo sistema de recursos próprios. Daria no entanto um grande impulso às suas economias, às suas regiões, aos seus investigadores, aos seus estudantes, aos seus jovens que procuram emprego, ou às suas PME.
É um orçamento para o crescimento, para a coesão económica, social e territorial entre Estados Membros e no âmbito dos Estados-Membros.
É um orçamento que contribuirá para a realização do mercado único, colmatando lacunas nas nossas infraestruturas de energia, transportes e telecomunicações através do Mecanismo «Interligar a Europa».
É um orçamento para uma agricultura moderna e orientada para o crescimento capaz de combinar segurança alimentar com desenvolvimento rural sustentável.
É um orçamento que promoverá uma Europa de investigação intensiva e inovadora através do Horizonte 2020. Porque precisamos desta dimensão europeia para a investigação.
Será um verdadeiro teste de credibilidade para muitos dos nossos Estados-Membros. Quero ver se os mesmos Estados-Membros que estão sempre a falar sobre investimento e crescimento, apoiam agora um orçamento para o crescimento a nível europeu.
O orçamento é igualmente o instrumento de apoio ao investimento na nossa agenda para o crescimento, a Europa 2020, de que necessitamos agora mais do que nunca.
A estratégia Europa 2020 é a forma de modernizar e preservar a economia europeia de mercado social.
Senhoras e Senhores Deputados,
O nosso programa de reformas estruturais exige um importante esforço de ajustamento. Só funcionará se for justo e equitativo. Porque a desigualdade não é sustentável.
Em algumas partes da Europa assistimos a uma verdadeira situação de emergência social.
Aumento da pobreza e níveis maciços de desemprego, especialmente entre os nossos jovens.
É por essa razão que temos de reforçar a coesão social. Trata-se de uma característica que distingue a sociedade europeia de modelos alternativos.
Há quem diga que devido à crise o modelo social europeu está morto. Não concordo.
Sim, necessitamos de proceder a reformas nas nossas economias e modernizar os nossos sistemas de proteção social. Mas um sistema de proteção social eficaz que ajude os que dele necessitam não é um obstáculo à prosperidade. É, na verdade, um elemento indispensável dela. Na realidade, são precisamente os países europeus com sistemas de proteção social mais eficazes e com parcerias sociais mais desenvolvidas que estão entre as economias com mais sucesso e mais competitivas do mundo.
Justeza e a equidade significam dar uma oportunidade aos nossos jovens. Já estamos a fazer muito. E antes do final do ano, a Comissão lançará um pacote «Juventude» que estabelecerá um regime de garantia para os jovens e um quadro de qualidade para facilitar a formação profissional.
Justeza e equidade significam criar sistemas de tributação melhores e mais justos.
Pôr termo à evasão e fraude fiscais pode fazer reverter milhares de milhões suplementares para o erário público em toda a Europa.
É por essa razão que a Comissão lutará por um acordo sobre a diretiva relativa à tributação dos rendimentos da poupança revista, e sobre os mandatos para negociar acordos mais rigorosos em matéria de tributação dos rendimentos da poupança com países terceiros. A sua realização constituiria uma importante fonte de receitas fiscais legítimas.
A Comissão continuará a lutar por um imposto sobre as transações financeiras justo e ambicioso que garanta que os contribuintes beneficiarão do setor financeiro e não apenas que o setor financeiro beneficia dos contribuintes. Agora que está claro que um acordo sobre esta matéria só poderá ser concluído através de uma cooperação reforçada, a Comissão fará tudo o que está ao seu alcance para avançar rápida e efetivamente com os Estados-Membros que estiverem de acordo. Porque se trata de justeza. E justeza é uma condição essencial para realizar as reformas económicas necessárias e aceitáveis do ponto de vista social e politico. E acima de tudo, a justeza é uma questão de justiça, justiça social.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Face à crise, foram tomadas importantes decisões. Estão a ser aplicadas em toda a União Europeia medidas de reforma e consolidação. Estão a ser criados mecanismos financeiros comuns, e as instituições europeias têm demonstrado continuamente o seu apoio ao euro.
A Comissão tem pleno conhecimento de que nos Estados-Membros em que estão a ser aplicadas as reformas mais duras, se verificam situações difíceis e ajustamentos rigorosos, por vezes muito dolorosos. Mas é apenas através destas reformas que podemos chegar a um futuro melhor. Deviam ter sido realizadas há muito tempo. Voltar à situação anterior é simplesmente impossível.
A Comissão continuará a fazer todo o possível para apoiar estes Estados-Membros e ajudá-los a dinamizar o crescimento e o emprego, por exemplo através da reprogramação dos fundos estruturais.
Permitam-me que faça referência à Grécia. Acredito verdadeiramente que temos uma oportunidade no outono para chegar a um ponto de viragem. Se a Grécia eliminar todas as dúvidas sobre o seu empenhamento em proceder a reformas. Mas igualmente, se todos os outros países eliminarem todas as dúvidas quanto à sua determinação em manter a Grécia na área do euro, conseguiremos fazê-lo.
Acredito que se a Grécia honrar os seus compromissos, deve ficar na área do euro enquanto membro da família europeia.
Garantir a estabilidade da área do euro é o nosso desafio mais urgente. É da responsabilidade conjunta dos Estados-Membros e das instituições comunitárias. O BCE não pode financiar e não financiará governos. Mas quando as políticas monetárias não funcionam de forma adequada, a Comissão considera que se enquadra no mandato do BCE tomar as medidas necessárias, por exemplo nos mercados secundários da dívida soberana. Na realidade, o BCE tem não só o direito mas igualmente o dever de restabelecer a integridade da política monetária. Cabe evidentemente ao BCE, enquanto instituição independente, determinar as medidas que devem ser tomadas e em que condições. Mas todos os intervenientes, e quero realmente dizer todos os intervenientes, devem respeitar a independência do BCE.
Senhoras e Senhores Deputados,
Referi-me às medidas económicas que temos de aplicar urgentemente. É indispensável. Mas não é suficiente. Devemos ir mais além.
Devemos completar a União Económica e Monetária. Devemos criar uma união bancária e uma união orçamental, bem como os mecanismos políticos e institucionais correspondentes.
A Comissão apresenta hoje propostas legislativas para um Mecanismo Único de Supervisão Europeu. Trata-se de um trampolim para uma união bancária.
A crise revelou que enquanto os bancos se tornaram transnacionais, as regras e os mecanismos de supervisão permaneceram nacionais. E quando as coisas correram mal, foram os contribuintes que tiveram de pagar.
Nos últimos quatro anos a UE tem vindo a reformular o quadro regulamentar aplicável aos bancos, liderando, a nível mundial, a concretização dos compromissos do G20. Mas a mera coordenação deixou de ser adequada – necessitamos de avançar para decisões de supervisão comuns, nomeadamente dentro da área do euro.
O mecanismo único de supervisão hoje proposto criará uma arquitetura reforçada, garantindo um papel fundamental ao Banco Central Europeu e uma articulação adequada com a Autoridade Bancária Europeia, o que restabelecerá a confiança na supervisão bancária na área do euro.
Tratar-se-á de um mecanismo de supervisão para todos os bancos da área do euro. A supervisão deverá poder controlar todo o setor porque os riscos sistémicos podem surgir em todo o lado e não só nos denominados bancos importantes em termos sistémicos. Este mecanismo contará, obviamente, com a plena participação das entidades de supervisão nacionais.
O pacote inclui dois diplomas legais, um sobre o BCE e o outro sobre a ABE, que devem ser vistos em conjunto. É evidente que o Parlamento Europeu desempenhará um papel fundamental na adoção do novo mecanismo e, subsequentemente, em termos de controlo democrático.
Trata-se de um primeiro passo fundamental no sentido da união bancária que propus perante esta assembleia em junho. Para já, a nossa principal prioridade reside no estabelecimento da Autoridade Europeia de Supervisão, condição prévia para uma gestão otimizada das crises bancárias, desde a resolução bancária até à garantia dos depósitos.
Paralelamente, a Comissão prosseguirá os seus trabalhos de reforma do setor bancário, a fim de garantir que desempenha o papel que lhe cabe no financiamento responsável da economia real. Tal significa melhorar o financiamento a longo prazo das PME e outras empresas. Tal implica regras em matéria de índices de referência, para que não assistamos de novo à manipulação das taxas de juros bancárias que afetam tanto as empresas como os detentores de créditos hipotecários. Tal significa ainda legislação destinada a garantir que os bancos oferecem condições justas aos consumidores e uma nova análise da estrutura das atividades bancárias a fim de eliminar os riscos inerentes.
Em todos estes aspetos, o Parlamento assume um papel primordial. A Comissão tudo fará para trabalhar em estreita colaboração com o Parlamento.
Mas existe um segundo elemento de uma união económica mais profunda, ou seja, a transição para uma união orçamental.
A argumentação a favor desta posição é clara: as decisões económicas de um Estado‑Membro têm repercussões nos restantes. Assim, necessitamos de uma coordenação reforçada em matéria de política económica.
Necessitamos de um quadro mais forte e mais vinculativo para a prática decisória nacional no âmbito das políticas económicas fundamentais, que será a única forma de evitarmos os desequilíbrios. Embora muito tenha já sido feito neste domínio, por exemplo através do «six pack» e das recomendações específicas por país, são indispensáveis novas medidas para combinar as condições específicas com incentivos específicos e para, efetivamente, tornar sustentável a União Económica e Monetária.
Para obter resultados duradouros, é necessário desenvolver uma governação económica comunitária plenamente equipada, juntamente com recursos orçamentais comunitários genuínos e credíveis.
Não necessitamos de separar instituições ou de criar novas instituições. Muito pelo contrário, para que esta abordagem seja eficaz e rápida, a melhor forma será trabalharmos com as instituições existentes e através delas: a Comissão Europeia, enquanto autoridade europeia independente, controlada pelo Parlamento Europeu enquanto representação parlamentar a nível europeu.
E será neste quadro que, a prazo, poderão ser tomadas medidas no sentido de uma verdadeira mutualização do resgate e da emissão da dívida.
Assim, uma reforma económica acompanhada de uma União Económica e Monetária genuína: será este o motor que fará o nosso barco avançar.
A Comissão irá publicar, ainda neste outono, um plano de aprofundamento da União Económica e Monetária.
Este plano será apresentado ao Parlamento. Porque estas questões devem ser discutidas com e pelos representantes dos cidadãos.
Simultaneamente, este plano servirá de base ao debate do Conselho Europeu de dezembro que será preparado através do relatório que foi solicitado ao Presidente do Conselho Europeu, a mim próprio e aos Presidentes do Banco Central Europeu e do Eurogrupo.
O nosso plano identificará os meios e os instrumentos e apresentará opções para o quadro jurídico que os porá em vigor, desde a coordenação das políticas até à capacidade orçamental para o resgate da dívida. E, quando necessário – como no caso da dívida pública garantida solidariamente – identificará as alterações ao Tratado necessárias, porque algumas destas mudanças implicarão alterações no Tratado. Apresentará um plano do que precisamos de alcançar não só nas próximas semanas e meses, mas também nos próximos anos.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
b) União política:
Em última instância, a credibilidade e a sustentabilidade da União Económica e Monetária dependem das instituições e da construção política que lhes estão subjacentes.
É por este motivo que a União Económica e Monetária suscita a questão de uma união política e da democracia europeia que a devem alicerçar.
Se queremos que a União Económica e Monetária seja coroada de êxito, temos de combinar ambição e uma sequência adequada das ações. Temos de tomar medidas concretas agora, tendo como horizonte uma união política.
Gostaria de ver desenvolver-se um espaço público europeu, onde as questões europeias sejam discutidas e debatidas de um ponto de vista europeu. Não podemos continuar a tentar resolver problemas europeus apenas com soluções nacionais.
Este debate terá de realizar-se nas nossas sociedades e entre os nossos cidadãos. Mas gostaria hoje de apelar também aos pensadores europeus. Aos homens e mulheres de cultura, para se juntarem a este debate sobre o futuro da Europa. E faço este apelo também a vós. Esta é a casa da democracia europeia. Devemos reforçar o papel do Parlamento europeu a nível europeu.
E precisamos de promover uma verdadeira complementaridade e cooperação entre o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais.
Também não o conseguiremos fazer sem o reforço dos partidos políticos europeus. Com efeito, verifica-se frequentemente uma verdadeira desconexão entre os partidos políticos nas capitais e os partidos políticos europeus aqui em Estrasburgo. É por isso que temos de reconhecer que o debate político é, com demasiada frequência, realizado como se existissem apenas partidos nacionais. Mesmo nas eleições europeias não vemos nos boletins de voto os nomes dos partidos políticos europeus, assistimos a um debate nacional entre partidos políticos nacionais. É por isso que precisamos de um estatuto reforçado para os partidos políticos europeus. É com orgulho que vos anuncio que a Comissão adotou hoje mesmo uma proposta neste sentido.
Um meio importante para aprofundar o debate político pan-europeu seria a apresentação, pelos partidos políticos europeus, do seu candidato para o lugar de presidente da Comissão nas eleições para o Parlamento Europeu já em 2014. Tal poderia ser feito sem qualquer alteração ao Tratado. Tratar‑se-ia de um passo decisivo para tornar ainda mais clara a possibilidade de uma escolha europeia proporcionada por estas eleições. Apelo aos partidos políticos para que se empenhem neste sentido, tornando estas eleições europeias ainda mais europeias.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Uma verdadeira União Europeia política significa que devemos concentrar a ação europeia nas questões que são verdadeiramente importantes e que têm de ser abordadas a nível europeu. Vamos ser honestos: nem tudo pode ser simultaneamente uma prioridade. E aqui poderei talvez fazer um pouco de autocrítica.
Uma verdadeira integração implica reconsiderar onde se situa o nível de ação mais adequado. A subsidiariedade constitui um conceito democrático essencial e deverá ser posta em prática.
Uma união política significa também que temos de reforçar as fundações em que assenta a nossa União: o respeito dos nossos valores fundamentais, do Estado de direito e da democracia.
Nos últimos meses assistimos a ameaças ao tecido jurídico e democrático nalguns dos nossos Estados europeus. O Parlamento Europeu e a Comissão foram os primeiros a soar o alarme e desempenharam um papel determinante no controlo destas situações preocupantes.
Mas estas situações revelaram também os limites das nossas disposições institucionais. Necessitamos de um conjunto de instrumentos mais desenvolvidos – não só uma alternativa entre o «poder brando» da persuasão política e a «opção nuclear» do artigo 7.º do Tratado.
O compromisso que assumimos em defesa do Estado de direito está na base da nossa intenção de criar uma Procuradoria Europeia, tal como previsto nos Tratados. Iremos apresentar uma proposta brevemente.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Uma união política implica igualmente fazer mais para cumprirmos o nosso papel a nível global. A partilha da soberania na Europa significa ser mais soberano num mundo global.
No mundo de hoje, o tamanho é importante.
E os valores marcam a diferença.
É por isso que a mensagem da Europa deverá ser uma mensagem de liberdade, democracia, Estado de direito e solidariedade. Em suma, os nossos valores, os valores europeus.
Mais do que nunca os nossos cidadãos e a nova ordem mundial necessitam de uma Europa ativa e influente. Não se trata apenas de nós – para o resto do mundo é também importante que tenhamos êxito. Uma Europa que honre os seus valores. Uma Europa que lute pela sua convicção de que os direitos humanos não são um luxo do mundo desenvolvido e que devem ser encarados como valores universais.
A terrível situação que se vive na Síria recorda-nos que não nos podemos permitir ser simples observadores. Deve ser criada uma Síria nova e democrática. Temos a responsabilidade conjunta de fazer com que tal aconteça. E temos de trabalhar com aqueles que, na ordem mundial, devem também cooperar para atingir este objetivo.
O mundo necessita de uma UE que mantenha a sua liderança na vanguarda do desenvolvimento e da assistência humanitária. Que defenda economias abertas e que lute contra o protecionismo. Que lidere o combate contra as alterações climáticas.
O mundo necessita de uma Europa capaz de mobilizar forças militares para ajudar a estabilizar a situação em áreas de crise. Devemos lançar uma análise exaustiva das capacidades europeias e iniciar um planeamento de defesa verdadeiramente coletivo. Sim, necessitamos de reforçar a nossa Política Externa e de Segurança Comum e uma abordagem comum para as questões de defesa porque juntos dispomos da força e da dimensão para tornar o mundo um lugar mais justo, cumpridor da lei e respeitador dos direitos humanos.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados
4. Alteração do Tratado, dimensão 17/27 e alargamento do debate público
a) Federação de Estados-Nação – alteração do Tratado
Uma União Económica e Monetária profunda e genuína, uma união política, com uma política externa e de defesa coerente significam, em última instância, que a atual União Europeia deve evoluir.
Não tenhamos medo das palavras: precisamos de avançar no sentido de uma Federação de Estados-Nação. É disto que precisamos. É este o nosso horizonte político.
É esta perspetiva que deverá orientar o nosso trabalho nos próximos anos.
Apelo hoje à criação de uma Federação de Estados-Nação. Não à criação de um super‑Estado. Uma federação democrática de Estados-Nação que possa dar resposta aos nossos problemas comuns, através da partilha de soberania de forma a que cada país e cada cidadão estejam melhor dotados para controlar o seu próprio destino. O que está em causa é a União com os Estados‑Membros, não contra os Estados‑Membros. Na era da globalização, a agregação de soberanias significa mais poder, não menos.
E utilizei propositadamente a expressão Federação de Estados-Nação porque nestes tempos conturbados, nestes tempos de ansiedade não devemos deixar a defesa da nação apenas nas mãos dos nacionalistas e dos populistas. Acredito numa Europa em que os cidadãos tenham orgulho na sua nação mas também tenham orgulho em serem europeus e tenham orgulho nos nossos valores europeus.
A criação desta Federação de Estados-Nação exigirá, em última análise, um novo Tratado.
Não faço esta afirmação de ânimo leve. Estamos todos conscientes de quão difíceis se tornaram as alterações ao Tratado.
Teremos de nos preparar bem.
As discussões sobre a alteração do Tratado não nos devem distrair nem atrasar em relação ao que pode e deve ser feito já hoje.
Uma União Económica e Monetária profunda e genuína pode ser iniciada ao abrigo dos atuais Tratados mas só poderá ser concluída se forem introduzidas alterações aos Tratados. Comecemos, pois, agora, mas tenhamos presente nas nossas decisões de hoje o horizonte para o futuro.
Não devemos começar pela alteração do Tratado. Temos de identificar as políticas de que necessitamos e os instrumentos para a sua aplicação. Só então poderemos decidir sobre os instrumentos que nos faltam e as soluções a encontrar.
E deverá ser lançado um amplo debate em toda a Europa. Um debate que deverá realizar-se antes da convocação de uma convenção e de uma Conferência Intergovernamental. Um debate que tenha verdadeira dimensão europeia.
Já não estamos no tempo em que a integração europeia era feita por consentimento implícito dos seus cidadãos. A Europa não pode ser tecnocrática, nem burocrática nem mesmo diplomática. A Europa tem de ser cada vez mais democrática. O papel do Parlamento Europeu é essencial. É por esta razão que as eleições europeias de 2014 podem ser tão decisivas.
Antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, em 2014, a Comissão apresentará a sua visão da futura União Europeia. Apresentaremos ideias explícitas para uma alteração do Tratado, a tempo para realizar o debate.
Estabeleceremos os objetivos a prosseguir, a forma como as instituições podem tornar a União Europeia mais aberta e mais democrática, os poderes e instrumentos para a tornar mais eficaz e o modelo para a tornar uma união dos povos da Europa. Estou convicto de que necessitamos de um verdadeiro debate e, numa democracia, a melhor forma de debater é precisamente através de eleições a nível europeu sobre o nosso futuro e os nossos objetivos.
b) Dimensão 17/27
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Este não é um debate apenas para a área do euro e para os países que dela são atualmente membros.
Embora uma integração mais profunda seja indispensável para a área do euro e para os seus membros, este projeto deverá permanecer aberto a todos os Estados‑Membros.
Permitam-me que seja extremamente claro: não precisamos, na Europa, de mais muros que nos dividam! Porque a União Europeia é mais forte como um todo, mantendo a integridade do seu mercado único, dos seus membros e das suas instituições.
Ninguém será forçado a acompanhar-nos. Ninguém será forçado a ficar de fora. A velocidade não será ditada pelos mais lentos nem pelos mais relutantes.
Por este motivo, as nossas propostas basear-se-ão na atual União e nas suas instituições. Basear-se-ão no método comunitário. Sejamos claros – só existe uma União Europeia. Uma Comissão. Um Parlamento Europeu. Não é possível criar mais democracia, mais transparência e mais responsabilização através de uma proliferação de instituições que tornariam a UE mais complicada, mais difícil de compreender, menos coerente e menos capaz de agir.
c) Alargar o debate público:
É esta, Senhoras e Senhores Deputados, a magnitude das decisões que teremos, a prazo, que tomar.
É por isso que considero que precisamos de uma discussão séria entre os cidadãos da Europa sobre a via para avançarmos.
Sobre as possíveis consequências da fragmentação. Porque pode por vezes acontecer que, através de consequências não pretendidas, surja uma fragmentação onde não a queremos.
Sobre o que conseguiremos atingir se os nossos líderes abandonarem o provincianismo nacional, sobre o que poderemos conseguir juntos.
Devemos aproveitar as eleições de 2014 para mobilizar todas as forças pró‑europeias. Não devemos permitir que os populistas e os nacionalistas estabeleçam uma agenda negativa. Espero que todos os que se consideram europeus estejam presentes e tomem a iniciativa neste debate. Porque, ainda mais perigoso do que o ceticismo dos antieuropeus é a indiferença ou o pessimismo dos pró-europeus.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
5. Conclusão: estaremos a ser realistas?
Resumindo, precisamos de um Pacto decisivo para completar a UEM, com base num compromisso político no sentido de uma União Europeia mais forte.
A sequência que vos apresento hoje é clara.
Deveríamos começar por fazer tudo ao nosso alcance para estabilizar a área do euro e acelerar o crescimento em toda a UE. A Comissão apresentará todas as propostas necessárias, e começámos hoje com o Mecanismo de Supervisão Único, para criar uma união bancária, em conformidade com as atuais disposições do Tratado.
Em segundo lugar, apresentaremos o nosso plano sobre uma União Económica e Monetária profunda e genuína, incluindo os instrumentos políticos, e tal será feito ainda este outono.
Apresentaremos novamente perante esta assembleia todas as propostas necessárias em conformidade com as atuais disposições do Tratado.
E, em terceiro lugar, nas situações em que não pudermos avançar ao abrigo dos atuais Tratados, apresentaremos propostas explícitas para as necessárias alterações do Tratado antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu em 2014, incluindo elementos para o reforço da democracia e da responsabilização.
É este o nosso projeto. Um projeto gradual mas ambicioso em termos de futuro, com uma Federação como nosso horizonte para a Europa.
Muitos dirão que é demasiado ambicioso, que não é realista.
Mas permitam que vos pergunte – é realista continuarmos como até aqui? É realista assistirmos ao que se verifica hoje em muitos países da Europa? É realista vermos os contribuintes pagar aos bancos e depois devolver-lhes as casas que já pagaram porque não podem assegurar o pagamento das suas hipotecas? É realista vermos mais de 50 % dos nossos jovens sem emprego nalguns dos nossos Estados‑Membros? É realista continuarmos a tentar improvisar e a acumular erros com respostas pouco convincentes? É realista pensar que podemos conquistar a confiança dos mercados quando demonstramos ter tão pouca confiança uns nos outros?
Para mim é esta realidade que não é realista. Esta realidade não pode continuar.
A via realista para avançarmos é a via que nos torna mais fortes e mais unidos. Ser realista significa colocarmos a nossa ambição ao mesmo nível que os desafios que enfrentamos. Podemos fazê-lo! Lancemos aos nossos jovens uma mensagem de esperança. A sermos parciais, que o sejamos a favor da esperança. Devemos ter orgulho em sermos europeus, orgulho na nossa cultura rica e diversificada. Apesar dos problemas com que atualmente nos deparamos, as nossas sociedades encontram-se entre as mais humanas e livres do mundo.
Não temos que pedir desculpa pela nossa democracia, pela nossa economia social de mercado nem pelos nossos valores. Com elevados níveis de coesão social. Respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana. Igualdade entre homens e mulheres e respeito pelo nosso ambiente. Estas sociedades europeias, com todos os seus problemas, contam-se entre as mais dignas da história da humanidade e considero que devemos ter orgulho nisso. Nos nossos países duas ou três jovens não são presas por cantarem e criticarem o dirigente do seu país. Nos nossos países as pessoas são livres, têm orgulho nessa liberdade e compreendem o que significa ser livre. Em muitos dos nossos países, nomeadamente nos Estados‑Membros mais recentes, está ainda viva a memória do que significa a ditadura e o totalitarismo.
Gerações anteriores à nossa ultrapassaram desafios ainda maiores. Cabe agora a esta geração demonstrar que está à altura.
Chegou o momento de todos os pró-europeus abandonarem o status quo e abraçarem o futuro. A União Europeia foi criada para garantir a paz. Hoje, tal significa tornar a nossa União capaz de enfrentar os desafios da globalização.
É por isso que precisamos de uma nova forma de pensar para a Europa, de um Pacto decisivo para a Europa. É por isso que nos devemos orientar pelos valores que estão no cerne da União Europeia. Acredito que a Europa tem uma alma. É esta alma que nos dará a força e a determinação para fazermos o que temos a fazer.
Podem contar com a Comissão Europeia. Eu conto com todos vós, com o Parlamento Europeu. Em conjunto, enquanto instituições comunitárias, construiremos uma Europa melhor, mais forte e mais unida, uma União dos cidadãos para o futuro da Europa e também para o futuro do mundo.
Muito obrigado pela vossa atenção (Parlamento Europeu, 17 de Setembrio de 2012)
Senhoras e Senhores Deputados,
1. Análise da situação:
É uma honra encontrar-me hoje aqui perante vós para proferir este terceiro discurso sobre o estado da União.
Num momento em que a União Europeia continua a estar em crise.
Uma crise financeira e económica. Uma crise social, mas igualmente uma crise política, uma crise de confiança.
As raízes da crise decorrem de:
· práticas irresponsáveis no setor financeiro;
· dívidas públicas insustentáveis, e;
· falta de competitividade em alguns Estados-Membros.
Além disso, o euro enfrenta os seus próprios problemas estruturais. A sua arquitetura não esteve à altura da situação. Criaram-se desequilíbrios.
Esta situação está agora a ser corrigida. No entanto, é um esforço doloroso e difícil. Os cidadãos estão frustrados. Estão ansiosos. Sentem que o seu estilo de vida está em risco.
O sentimento de justeza e equidade entre Estados-Membros está a desgastar-se. E sem equidade entre Estados-Membros, como poderá existir equidade entre cidadãos europeus?
Durante os últimos quatro anos, tomámos muitas decisões audaciosas para resolver esta crise sistémica. Mas apesar de todos estes esforços, as nossas respostas não convenceram ainda os cidadãos, os mercados nem os nossos parceiros internacionais.
Porquê? Porque uma vez mais permitimos que as dúvidas se instalassem. Dúvidas sobre saber se alguns países estão realmente prontos para proceder a reformas e retomar a competitividade. Dúvidas sobre saber se outros países estão realmente dispostos a demonstrar solidariedade para que o euro e o projeto europeu sejam irreversíveis.
Assistimos em demasiadas ocasiões a uma espiral viciosa. Em primeiro lugar, decisões muito importantes para o nosso futuro são tomadas em cimeiras europeias. No entanto depois, no dia seguinte, vemos algumas dessas mesmas pessoas que tomaram essas decisões a pô-las em causa. Dizendo que vão longe demais ou que não vão suficientemente longe. Estamos então perante um problema de credibilidade. Um problema de confiança.
Não é aceitável apresentar estas reuniões europeias como se fossem combates de boxe, reclamando uma vitória por KO sobre um rival. Não podemos fazer parte da mesma União e comportarmo-nos como se não o fizéssemos Não podemos pôr em risco nove boas decisões com uma ação ou declaração que suscite dúvidas sobre o que realizámos.
Esta situação, Senhoras e Senhores Deputados, revela a essência da crise política de confiança da Europa. Se os intervenientes políticos da Europa não seguem as regras e as decisões que eles próprios tomaram, como podem convencer outros de que estão determinados a resolver esta crise em conjunto?
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
2. O desafio – uma nova forma de pensar para a Europa:
Uma crise de confiança é uma crise política. E, a boa notícia é que, numa democracia, não existe nenhum problema político para o qual não se possa encontrar uma solução política.
É por essa razão que, hoje aqui, pretendo debater convosco as questões políticas fundamentais - a situação em que nos encontramos e como podemos avançar. Quero dar ênfase ao rumo político e à visão que irá inspirar as nossas decisões políticas.
É evidente que não irei enunciar todas estas decisões individuais. Acabam de receber a carta que eu enderecei ao Presidente do Parlamento Europeu, e que estabelece as prioridades imediatas da Comissão. Iremos discuti-las em conjunto antes da adoção do programa de trabalho da Comissão no outono.
Eis a mensagem que vos dirijo hoje: a Europa necessita de um novo rumo. E esse rumo não pode basear-se em velhas ideias. A Europa necessita de uma nova forma de pensar.
Quando falamos de crise, e todos falamos sobre a crise, retirámos realmente todas as consequências das nossas ações? Quando falamos de globalização, e todos falamos muito sobre globalização, tomámos realmente em consideração o seu impacto sobre o papel de cada um dos nossos Estados-Membros?
O ponto de partida para uma nova forma de pensar para a Europa é verdadeiramente extrair todas as consequências dos desafios com que nos confrontamos e que estão a mudar drasticamente o nosso mundo.
O ponto de partida consiste em deixar de tentar responder às questões do futuro com os instrumentos do passado.
Desde o início da crise que vimos continuamente que mercados globais interligados são mais rápidos e, por conseguinte, mais poderosos do que sistemas políticos nacionais fragmentados. Tal compromete a confiança dos cidadãos na tomada de decisões políticas. E está a alimentar o populismo e o extremismo na Europa e fora dela.
A realidade é que num mundo interligado, os Estados-Membros da Europa por si só deixaram de poder orientar efetivamente o rumo dos acontecimentos. Mas simultaneamente, ainda não dotaram a sua União - a nossa União — dos instrumentos necessários para fazer face à nova realidade. Vivemos agora um período de transição num momento decisivo. Este momento exige decisões e liderança.
Sim, a globalização exige mais unidade europeia.
Mais unidade exige mais integração.
Mais integração exige mais democracia, democracia europeia.
Na Europa, tal significa em primeiro lugar e principalmente aceitar que estamos todos no mesmo barco.
Significa reconhecer o caráter comum dos nossos interesses europeus.
Significa adotar a interdependência dos nossos destinos.
E significa exigir um verdadeiro sentimento de responsabilidade e solidariedade comuns.
Porque quando se está num barco no meio da tempestade, a lealdade absoluta é o mínimo que se exige dos outros membros da tripulação.
Esta é única maneira de acompanharmos o ritmo da mudança. É a única forma de obter a dimensão e a eficiência de que necessitamos para sermos um interveniente na cena mundial. É a única forma de salvaguardarmos os nossos valores, porque é igualmente uma questão de valores, num mundo em mudança.
No século XX, um país com apenas 10 ou 15 milhões de habitantes poderia ser uma potência mundial. No século XXI, mesmo os maiores países europeus correm o risco de serem irrelevantes entre gigantes mundiais como os EUA ou a China.
A história está a acelerar. A Grã-Bretanha levou 155 anos a duplicar o seu PIB per capita, os EUA 50 anos, e a China apenas 15. Mas se olharmos para alguns dos nossos novos Estados-Membros, a transformação económica em curso não é menos impressionante.
A Europa tem em mãos todos os trunfos de que necessita. Na realidade muito mais do que as anteriores gerações que se confrontaram com desafios semelhantes ou mesmo muito maiores.
Mas precisamos de agir em conformidade e mobilizar todos estes recursos em conjunto.
Chegou o momento de combinar ambições, decisões e ações.
Chegou o momento de pôr termo às respostas fragmentadas e desordenadas.
Chegou o momento de retirar os ensinamentos da história e de escrever um melhor futuro para a nossa Europa.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
3. Resposta à situação – o «Pacto decisivo para a Europa»
O que vos peço e vos apresento hoje é um Pacto decisivo para a Europa.
Um Pacto decisivo para projetar os nossos valores, a nossa liberdade e a nossa prosperidade no futuro de um mundo globalizado. Um Pacto que combine a necessidade de manter as nossas economias de mercado social, por um lado, e a necessidade de as reformar, por outro. Um Pacto que irá estabilizar a UEM, impulsionar o crescimento sustentável e restabelecer a competitividade. Um Pacto que estabelecerá um contrato de confiança entre os nossos países, entre Estados-Membros e as instituições europeias, entre parceiros sociais e entre os cidadãos e a União Europeia.
O Pacto decisivo para a Europa significa que:
Não devemos deixar subsistir qualquer dúvida sobre a integridade da União ou a irreversibilidade do euro. Os países mais vulneráveis não devem deixar subsistir quaisquer dúvidas sobre a sua vontade de proceder a reformas. Sobre o seu sentido de responsabilidade. Mas os países mais fortes não devem deixar subsistir quaisquer dúvidas sobre a sua vontade de se manterem juntos. Sobre o seu sentido de solidariedade. Devemos todos deixar bem claro que estamos determinados a proceder a reformas. Que estamos determinados a PROCEDER A REFORMAS JUNTOS.
A ideia de que podemos crescer sem reformas ou que podemos prosperar sozinhos é simplesmente falsa. Temos de reconhecer que estamos no mesmo barco e que temos de encontrar uma solução juntos.
Este Pacto decisivo exige a realização de uma união económica profunda e genuína, baseada numa união política.
a) União económica:
Permitam-me que comece pela economia da Europa.
Em primeiro lugar, precisamos de crescimento. Crescimento sustentável.
O crescimento é a seiva vital do nosso modelo europeu de mercado social: gera emprego e é nele que assenta o nosso nível de vida. Mas só podemos manter o crescimento se formos mais competitivos.
A nível nacional, significa a realização de reformas estruturais que foram adiadas durante décadas. Modernizar a administração pública. Reduzir despesas supérfluas. Combater interesses instalados e privilégios. Proceder à reforma do mercado laboral para criar equilíbrio entre segurança e flexibilidade. E garantir a sustentabilidade dos sistemas sociais.
A nível europeu, precisamos de ser mais determinados quanto à eliminação de obstáculos, sejam físicos, económicos ou digitais.
Precisamos de realizar o mercado único.
Precisamos de reduzir a nossa dependência energética e explorar o potencial das energias renováveis.
Promover a competitividade em setores como a energia, os transportes ou as telecomunicações poderia dar origem a uma nova concorrência, promover a inovação e reduzir os preços para os consumidores e as empresas.
A Comissão apresentará em breve um Ato para o Mercado Único II. Para permitir que o mercado único prospere, a Comissão continuará a ser firme e intransigente na defesa das suas regras em matéria de concorrência e de comércio. Deixem-me dizer-lhes francamente, se tal incumbisse aos Estados-Membros, posso afirmar que não resistiriam à pressão das grandes empresas ou de grandes potências externas.
Precisamos de criar um mercado de trabalho europeu, e fazer com que seja tão fácil para as pessoas trabalharem num outro país como no seu próprio país.
Precisamos de explorar o crescimento verde e ser mais eficazes na nossa utilização dos recursos.
Temos de ser muito mais ambiciosos em termos de educação, investigação, inovação e ciência.
A Europa é líder mundial em setores essenciais como os setores da aeronáutica, automóvel, farmacêutico e da engenharia, com quotas do mercado global superiores a um terço. A produtividade industrial aumentou 35 % na última década, apesar do abrandamento económico. E hoje em dia, cerca de 74 milhões de postos de trabalho dependem da indústria transformadora. Todos os anos na UE empresas em fase de arranque criam mais de 4 milhões de postos de trabalho. Precisamos de aproveitar esta situação, investindo na nossa nova política industrial e criando um ambiente empresarial que incentive o empreendedorismo e apoie as pequenas empresas.
Tal significa simplificar o enquadramento fiscal das empresas, tornando-o mais atrativo para os investidores. Uma melhor coordenação fiscal traria benefícios para todos os Estados-Membros.
Precisamos igualmente de uma política comercial proativa, abrindo novos mercados.
Este é o potencial da economia da Europa. Trata-se da mina de ouro que deve ainda ser plenamente explorada. Aplicar na íntegra o Pacto para o Crescimento acordado no Conselho Europeu de junho pode levar-nos muito longe.
E poderemos ir ainda mais longe, com um orçamento da União Europeia realista mas ambicioso dedicado ao investimento, ao crescimento e às reformas. Sejamos claros. O orçamento europeu é o instrumento para o investimento na Europa e crescimento na Europa. A Comissão e este Parlamento, na realidade todas as forças pró-europeias, porque a maioria dos Estados-Membros apoiam a nossa proposta, devem agora juntar-se no apoio ao quadro financeiro plurianual adequado, que nos levará até 2020. Os Estados-Membros suportarão poucos encargos, especialmente com a nossa proposta de novo sistema de recursos próprios. Daria no entanto um grande impulso às suas economias, às suas regiões, aos seus investigadores, aos seus estudantes, aos seus jovens que procuram emprego, ou às suas PME.
É um orçamento para o crescimento, para a coesão económica, social e territorial entre Estados Membros e no âmbito dos Estados-Membros.
É um orçamento que contribuirá para a realização do mercado único, colmatando lacunas nas nossas infraestruturas de energia, transportes e telecomunicações através do Mecanismo «Interligar a Europa».
É um orçamento para uma agricultura moderna e orientada para o crescimento capaz de combinar segurança alimentar com desenvolvimento rural sustentável.
É um orçamento que promoverá uma Europa de investigação intensiva e inovadora através do Horizonte 2020. Porque precisamos desta dimensão europeia para a investigação.
Será um verdadeiro teste de credibilidade para muitos dos nossos Estados-Membros. Quero ver se os mesmos Estados-Membros que estão sempre a falar sobre investimento e crescimento, apoiam agora um orçamento para o crescimento a nível europeu.
O orçamento é igualmente o instrumento de apoio ao investimento na nossa agenda para o crescimento, a Europa 2020, de que necessitamos agora mais do que nunca.
A estratégia Europa 2020 é a forma de modernizar e preservar a economia europeia de mercado social.
Senhoras e Senhores Deputados,
O nosso programa de reformas estruturais exige um importante esforço de ajustamento. Só funcionará se for justo e equitativo. Porque a desigualdade não é sustentável.
Em algumas partes da Europa assistimos a uma verdadeira situação de emergência social.
Aumento da pobreza e níveis maciços de desemprego, especialmente entre os nossos jovens.
É por essa razão que temos de reforçar a coesão social. Trata-se de uma característica que distingue a sociedade europeia de modelos alternativos.
Há quem diga que devido à crise o modelo social europeu está morto. Não concordo.
Sim, necessitamos de proceder a reformas nas nossas economias e modernizar os nossos sistemas de proteção social. Mas um sistema de proteção social eficaz que ajude os que dele necessitam não é um obstáculo à prosperidade. É, na verdade, um elemento indispensável dela. Na realidade, são precisamente os países europeus com sistemas de proteção social mais eficazes e com parcerias sociais mais desenvolvidas que estão entre as economias com mais sucesso e mais competitivas do mundo.
Justeza e a equidade significam dar uma oportunidade aos nossos jovens. Já estamos a fazer muito. E antes do final do ano, a Comissão lançará um pacote «Juventude» que estabelecerá um regime de garantia para os jovens e um quadro de qualidade para facilitar a formação profissional.
Justeza e equidade significam criar sistemas de tributação melhores e mais justos.
Pôr termo à evasão e fraude fiscais pode fazer reverter milhares de milhões suplementares para o erário público em toda a Europa.
É por essa razão que a Comissão lutará por um acordo sobre a diretiva relativa à tributação dos rendimentos da poupança revista, e sobre os mandatos para negociar acordos mais rigorosos em matéria de tributação dos rendimentos da poupança com países terceiros. A sua realização constituiria uma importante fonte de receitas fiscais legítimas.
A Comissão continuará a lutar por um imposto sobre as transações financeiras justo e ambicioso que garanta que os contribuintes beneficiarão do setor financeiro e não apenas que o setor financeiro beneficia dos contribuintes. Agora que está claro que um acordo sobre esta matéria só poderá ser concluído através de uma cooperação reforçada, a Comissão fará tudo o que está ao seu alcance para avançar rápida e efetivamente com os Estados-Membros que estiverem de acordo. Porque se trata de justeza. E justeza é uma condição essencial para realizar as reformas económicas necessárias e aceitáveis do ponto de vista social e politico. E acima de tudo, a justeza é uma questão de justiça, justiça social.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Face à crise, foram tomadas importantes decisões. Estão a ser aplicadas em toda a União Europeia medidas de reforma e consolidação. Estão a ser criados mecanismos financeiros comuns, e as instituições europeias têm demonstrado continuamente o seu apoio ao euro.
A Comissão tem pleno conhecimento de que nos Estados-Membros em que estão a ser aplicadas as reformas mais duras, se verificam situações difíceis e ajustamentos rigorosos, por vezes muito dolorosos. Mas é apenas através destas reformas que podemos chegar a um futuro melhor. Deviam ter sido realizadas há muito tempo. Voltar à situação anterior é simplesmente impossível.
A Comissão continuará a fazer todo o possível para apoiar estes Estados-Membros e ajudá-los a dinamizar o crescimento e o emprego, por exemplo através da reprogramação dos fundos estruturais.
Permitam-me que faça referência à Grécia. Acredito verdadeiramente que temos uma oportunidade no outono para chegar a um ponto de viragem. Se a Grécia eliminar todas as dúvidas sobre o seu empenhamento em proceder a reformas. Mas igualmente, se todos os outros países eliminarem todas as dúvidas quanto à sua determinação em manter a Grécia na área do euro, conseguiremos fazê-lo.
Acredito que se a Grécia honrar os seus compromissos, deve ficar na área do euro enquanto membro da família europeia.
Garantir a estabilidade da área do euro é o nosso desafio mais urgente. É da responsabilidade conjunta dos Estados-Membros e das instituições comunitárias. O BCE não pode financiar e não financiará governos. Mas quando as políticas monetárias não funcionam de forma adequada, a Comissão considera que se enquadra no mandato do BCE tomar as medidas necessárias, por exemplo nos mercados secundários da dívida soberana. Na realidade, o BCE tem não só o direito mas igualmente o dever de restabelecer a integridade da política monetária. Cabe evidentemente ao BCE, enquanto instituição independente, determinar as medidas que devem ser tomadas e em que condições. Mas todos os intervenientes, e quero realmente dizer todos os intervenientes, devem respeitar a independência do BCE.
Senhoras e Senhores Deputados,
Referi-me às medidas económicas que temos de aplicar urgentemente. É indispensável. Mas não é suficiente. Devemos ir mais além.
Devemos completar a União Económica e Monetária. Devemos criar uma união bancária e uma união orçamental, bem como os mecanismos políticos e institucionais correspondentes.
A Comissão apresenta hoje propostas legislativas para um Mecanismo Único de Supervisão Europeu. Trata-se de um trampolim para uma união bancária.
A crise revelou que enquanto os bancos se tornaram transnacionais, as regras e os mecanismos de supervisão permaneceram nacionais. E quando as coisas correram mal, foram os contribuintes que tiveram de pagar.
Nos últimos quatro anos a UE tem vindo a reformular o quadro regulamentar aplicável aos bancos, liderando, a nível mundial, a concretização dos compromissos do G20. Mas a mera coordenação deixou de ser adequada – necessitamos de avançar para decisões de supervisão comuns, nomeadamente dentro da área do euro.
O mecanismo único de supervisão hoje proposto criará uma arquitetura reforçada, garantindo um papel fundamental ao Banco Central Europeu e uma articulação adequada com a Autoridade Bancária Europeia, o que restabelecerá a confiança na supervisão bancária na área do euro.
Tratar-se-á de um mecanismo de supervisão para todos os bancos da área do euro. A supervisão deverá poder controlar todo o setor porque os riscos sistémicos podem surgir em todo o lado e não só nos denominados bancos importantes em termos sistémicos. Este mecanismo contará, obviamente, com a plena participação das entidades de supervisão nacionais.
O pacote inclui dois diplomas legais, um sobre o BCE e o outro sobre a ABE, que devem ser vistos em conjunto. É evidente que o Parlamento Europeu desempenhará um papel fundamental na adoção do novo mecanismo e, subsequentemente, em termos de controlo democrático.
Trata-se de um primeiro passo fundamental no sentido da união bancária que propus perante esta assembleia em junho. Para já, a nossa principal prioridade reside no estabelecimento da Autoridade Europeia de Supervisão, condição prévia para uma gestão otimizada das crises bancárias, desde a resolução bancária até à garantia dos depósitos.
Paralelamente, a Comissão prosseguirá os seus trabalhos de reforma do setor bancário, a fim de garantir que desempenha o papel que lhe cabe no financiamento responsável da economia real. Tal significa melhorar o financiamento a longo prazo das PME e outras empresas. Tal implica regras em matéria de índices de referência, para que não assistamos de novo à manipulação das taxas de juros bancárias que afetam tanto as empresas como os detentores de créditos hipotecários. Tal significa ainda legislação destinada a garantir que os bancos oferecem condições justas aos consumidores e uma nova análise da estrutura das atividades bancárias a fim de eliminar os riscos inerentes.
Em todos estes aspetos, o Parlamento assume um papel primordial. A Comissão tudo fará para trabalhar em estreita colaboração com o Parlamento.
Mas existe um segundo elemento de uma união económica mais profunda, ou seja, a transição para uma união orçamental.
A argumentação a favor desta posição é clara: as decisões económicas de um Estado‑Membro têm repercussões nos restantes. Assim, necessitamos de uma coordenação reforçada em matéria de política económica.
Necessitamos de um quadro mais forte e mais vinculativo para a prática decisória nacional no âmbito das políticas económicas fundamentais, que será a única forma de evitarmos os desequilíbrios. Embora muito tenha já sido feito neste domínio, por exemplo através do «six pack» e das recomendações específicas por país, são indispensáveis novas medidas para combinar as condições específicas com incentivos específicos e para, efetivamente, tornar sustentável a União Económica e Monetária.
Para obter resultados duradouros, é necessário desenvolver uma governação económica comunitária plenamente equipada, juntamente com recursos orçamentais comunitários genuínos e credíveis.
Não necessitamos de separar instituições ou de criar novas instituições. Muito pelo contrário, para que esta abordagem seja eficaz e rápida, a melhor forma será trabalharmos com as instituições existentes e através delas: a Comissão Europeia, enquanto autoridade europeia independente, controlada pelo Parlamento Europeu enquanto representação parlamentar a nível europeu.
E será neste quadro que, a prazo, poderão ser tomadas medidas no sentido de uma verdadeira mutualização do resgate e da emissão da dívida.
Assim, uma reforma económica acompanhada de uma União Económica e Monetária genuína: será este o motor que fará o nosso barco avançar.
A Comissão irá publicar, ainda neste outono, um plano de aprofundamento da União Económica e Monetária.
Este plano será apresentado ao Parlamento. Porque estas questões devem ser discutidas com e pelos representantes dos cidadãos.
Simultaneamente, este plano servirá de base ao debate do Conselho Europeu de dezembro que será preparado através do relatório que foi solicitado ao Presidente do Conselho Europeu, a mim próprio e aos Presidentes do Banco Central Europeu e do Eurogrupo.
O nosso plano identificará os meios e os instrumentos e apresentará opções para o quadro jurídico que os porá em vigor, desde a coordenação das políticas até à capacidade orçamental para o resgate da dívida. E, quando necessário – como no caso da dívida pública garantida solidariamente – identificará as alterações ao Tratado necessárias, porque algumas destas mudanças implicarão alterações no Tratado. Apresentará um plano do que precisamos de alcançar não só nas próximas semanas e meses, mas também nos próximos anos.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
b) União política:
Em última instância, a credibilidade e a sustentabilidade da União Económica e Monetária dependem das instituições e da construção política que lhes estão subjacentes.
É por este motivo que a União Económica e Monetária suscita a questão de uma união política e da democracia europeia que a devem alicerçar.
Se queremos que a União Económica e Monetária seja coroada de êxito, temos de combinar ambição e uma sequência adequada das ações. Temos de tomar medidas concretas agora, tendo como horizonte uma união política.
Gostaria de ver desenvolver-se um espaço público europeu, onde as questões europeias sejam discutidas e debatidas de um ponto de vista europeu. Não podemos continuar a tentar resolver problemas europeus apenas com soluções nacionais.
Este debate terá de realizar-se nas nossas sociedades e entre os nossos cidadãos. Mas gostaria hoje de apelar também aos pensadores europeus. Aos homens e mulheres de cultura, para se juntarem a este debate sobre o futuro da Europa. E faço este apelo também a vós. Esta é a casa da democracia europeia. Devemos reforçar o papel do Parlamento europeu a nível europeu.
E precisamos de promover uma verdadeira complementaridade e cooperação entre o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais.
Também não o conseguiremos fazer sem o reforço dos partidos políticos europeus. Com efeito, verifica-se frequentemente uma verdadeira desconexão entre os partidos políticos nas capitais e os partidos políticos europeus aqui em Estrasburgo. É por isso que temos de reconhecer que o debate político é, com demasiada frequência, realizado como se existissem apenas partidos nacionais. Mesmo nas eleições europeias não vemos nos boletins de voto os nomes dos partidos políticos europeus, assistimos a um debate nacional entre partidos políticos nacionais. É por isso que precisamos de um estatuto reforçado para os partidos políticos europeus. É com orgulho que vos anuncio que a Comissão adotou hoje mesmo uma proposta neste sentido.
Um meio importante para aprofundar o debate político pan-europeu seria a apresentação, pelos partidos políticos europeus, do seu candidato para o lugar de presidente da Comissão nas eleições para o Parlamento Europeu já em 2014. Tal poderia ser feito sem qualquer alteração ao Tratado. Tratar‑se-ia de um passo decisivo para tornar ainda mais clara a possibilidade de uma escolha europeia proporcionada por estas eleições. Apelo aos partidos políticos para que se empenhem neste sentido, tornando estas eleições europeias ainda mais europeias.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Uma verdadeira União Europeia política significa que devemos concentrar a ação europeia nas questões que são verdadeiramente importantes e que têm de ser abordadas a nível europeu. Vamos ser honestos: nem tudo pode ser simultaneamente uma prioridade. E aqui poderei talvez fazer um pouco de autocrítica.
Uma verdadeira integração implica reconsiderar onde se situa o nível de ação mais adequado. A subsidiariedade constitui um conceito democrático essencial e deverá ser posta em prática.
Uma união política significa também que temos de reforçar as fundações em que assenta a nossa União: o respeito dos nossos valores fundamentais, do Estado de direito e da democracia.
Nos últimos meses assistimos a ameaças ao tecido jurídico e democrático nalguns dos nossos Estados europeus. O Parlamento Europeu e a Comissão foram os primeiros a soar o alarme e desempenharam um papel determinante no controlo destas situações preocupantes.
Mas estas situações revelaram também os limites das nossas disposições institucionais. Necessitamos de um conjunto de instrumentos mais desenvolvidos – não só uma alternativa entre o «poder brando» da persuasão política e a «opção nuclear» do artigo 7.º do Tratado.
O compromisso que assumimos em defesa do Estado de direito está na base da nossa intenção de criar uma Procuradoria Europeia, tal como previsto nos Tratados. Iremos apresentar uma proposta brevemente.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Uma união política implica igualmente fazer mais para cumprirmos o nosso papel a nível global. A partilha da soberania na Europa significa ser mais soberano num mundo global.
No mundo de hoje, o tamanho é importante.
E os valores marcam a diferença.
É por isso que a mensagem da Europa deverá ser uma mensagem de liberdade, democracia, Estado de direito e solidariedade. Em suma, os nossos valores, os valores europeus.
Mais do que nunca os nossos cidadãos e a nova ordem mundial necessitam de uma Europa ativa e influente. Não se trata apenas de nós – para o resto do mundo é também importante que tenhamos êxito. Uma Europa que honre os seus valores. Uma Europa que lute pela sua convicção de que os direitos humanos não são um luxo do mundo desenvolvido e que devem ser encarados como valores universais.
A terrível situação que se vive na Síria recorda-nos que não nos podemos permitir ser simples observadores. Deve ser criada uma Síria nova e democrática. Temos a responsabilidade conjunta de fazer com que tal aconteça. E temos de trabalhar com aqueles que, na ordem mundial, devem também cooperar para atingir este objetivo.
O mundo necessita de uma UE que mantenha a sua liderança na vanguarda do desenvolvimento e da assistência humanitária. Que defenda economias abertas e que lute contra o protecionismo. Que lidere o combate contra as alterações climáticas.
O mundo necessita de uma Europa capaz de mobilizar forças militares para ajudar a estabilizar a situação em áreas de crise. Devemos lançar uma análise exaustiva das capacidades europeias e iniciar um planeamento de defesa verdadeiramente coletivo. Sim, necessitamos de reforçar a nossa Política Externa e de Segurança Comum e uma abordagem comum para as questões de defesa porque juntos dispomos da força e da dimensão para tornar o mundo um lugar mais justo, cumpridor da lei e respeitador dos direitos humanos.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados
4. Alteração do Tratado, dimensão 17/27 e alargamento do debate público
a) Federação de Estados-Nação – alteração do Tratado
Uma União Económica e Monetária profunda e genuína, uma união política, com uma política externa e de defesa coerente significam, em última instância, que a atual União Europeia deve evoluir.
Não tenhamos medo das palavras: precisamos de avançar no sentido de uma Federação de Estados-Nação. É disto que precisamos. É este o nosso horizonte político.
É esta perspetiva que deverá orientar o nosso trabalho nos próximos anos.
Apelo hoje à criação de uma Federação de Estados-Nação. Não à criação de um super‑Estado. Uma federação democrática de Estados-Nação que possa dar resposta aos nossos problemas comuns, através da partilha de soberania de forma a que cada país e cada cidadão estejam melhor dotados para controlar o seu próprio destino. O que está em causa é a União com os Estados‑Membros, não contra os Estados‑Membros. Na era da globalização, a agregação de soberanias significa mais poder, não menos.
E utilizei propositadamente a expressão Federação de Estados-Nação porque nestes tempos conturbados, nestes tempos de ansiedade não devemos deixar a defesa da nação apenas nas mãos dos nacionalistas e dos populistas. Acredito numa Europa em que os cidadãos tenham orgulho na sua nação mas também tenham orgulho em serem europeus e tenham orgulho nos nossos valores europeus.
A criação desta Federação de Estados-Nação exigirá, em última análise, um novo Tratado.
Não faço esta afirmação de ânimo leve. Estamos todos conscientes de quão difíceis se tornaram as alterações ao Tratado.
Teremos de nos preparar bem.
As discussões sobre a alteração do Tratado não nos devem distrair nem atrasar em relação ao que pode e deve ser feito já hoje.
Uma União Económica e Monetária profunda e genuína pode ser iniciada ao abrigo dos atuais Tratados mas só poderá ser concluída se forem introduzidas alterações aos Tratados. Comecemos, pois, agora, mas tenhamos presente nas nossas decisões de hoje o horizonte para o futuro.
Não devemos começar pela alteração do Tratado. Temos de identificar as políticas de que necessitamos e os instrumentos para a sua aplicação. Só então poderemos decidir sobre os instrumentos que nos faltam e as soluções a encontrar.
E deverá ser lançado um amplo debate em toda a Europa. Um debate que deverá realizar-se antes da convocação de uma convenção e de uma Conferência Intergovernamental. Um debate que tenha verdadeira dimensão europeia.
Já não estamos no tempo em que a integração europeia era feita por consentimento implícito dos seus cidadãos. A Europa não pode ser tecnocrática, nem burocrática nem mesmo diplomática. A Europa tem de ser cada vez mais democrática. O papel do Parlamento Europeu é essencial. É por esta razão que as eleições europeias de 2014 podem ser tão decisivas.
Antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, em 2014, a Comissão apresentará a sua visão da futura União Europeia. Apresentaremos ideias explícitas para uma alteração do Tratado, a tempo para realizar o debate.
Estabeleceremos os objetivos a prosseguir, a forma como as instituições podem tornar a União Europeia mais aberta e mais democrática, os poderes e instrumentos para a tornar mais eficaz e o modelo para a tornar uma união dos povos da Europa. Estou convicto de que necessitamos de um verdadeiro debate e, numa democracia, a melhor forma de debater é precisamente através de eleições a nível europeu sobre o nosso futuro e os nossos objetivos.
b) Dimensão 17/27
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Este não é um debate apenas para a área do euro e para os países que dela são atualmente membros.
Embora uma integração mais profunda seja indispensável para a área do euro e para os seus membros, este projeto deverá permanecer aberto a todos os Estados‑Membros.
Permitam-me que seja extremamente claro: não precisamos, na Europa, de mais muros que nos dividam! Porque a União Europeia é mais forte como um todo, mantendo a integridade do seu mercado único, dos seus membros e das suas instituições.
Ninguém será forçado a acompanhar-nos. Ninguém será forçado a ficar de fora. A velocidade não será ditada pelos mais lentos nem pelos mais relutantes.
Por este motivo, as nossas propostas basear-se-ão na atual União e nas suas instituições. Basear-se-ão no método comunitário. Sejamos claros – só existe uma União Europeia. Uma Comissão. Um Parlamento Europeu. Não é possível criar mais democracia, mais transparência e mais responsabilização através de uma proliferação de instituições que tornariam a UE mais complicada, mais difícil de compreender, menos coerente e menos capaz de agir.
c) Alargar o debate público:
É esta, Senhoras e Senhores Deputados, a magnitude das decisões que teremos, a prazo, que tomar.
É por isso que considero que precisamos de uma discussão séria entre os cidadãos da Europa sobre a via para avançarmos.
Sobre as possíveis consequências da fragmentação. Porque pode por vezes acontecer que, através de consequências não pretendidas, surja uma fragmentação onde não a queremos.
Sobre o que conseguiremos atingir se os nossos líderes abandonarem o provincianismo nacional, sobre o que poderemos conseguir juntos.
Devemos aproveitar as eleições de 2014 para mobilizar todas as forças pró‑europeias. Não devemos permitir que os populistas e os nacionalistas estabeleçam uma agenda negativa. Espero que todos os que se consideram europeus estejam presentes e tomem a iniciativa neste debate. Porque, ainda mais perigoso do que o ceticismo dos antieuropeus é a indiferença ou o pessimismo dos pró-europeus.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
5. Conclusão: estaremos a ser realistas?
Resumindo, precisamos de um Pacto decisivo para completar a UEM, com base num compromisso político no sentido de uma União Europeia mais forte.
A sequência que vos apresento hoje é clara.
Deveríamos começar por fazer tudo ao nosso alcance para estabilizar a área do euro e acelerar o crescimento em toda a UE. A Comissão apresentará todas as propostas necessárias, e começámos hoje com o Mecanismo de Supervisão Único, para criar uma união bancária, em conformidade com as atuais disposições do Tratado.
Em segundo lugar, apresentaremos o nosso plano sobre uma União Económica e Monetária profunda e genuína, incluindo os instrumentos políticos, e tal será feito ainda este outono.
Apresentaremos novamente perante esta assembleia todas as propostas necessárias em conformidade com as atuais disposições do Tratado.
E, em terceiro lugar, nas situações em que não pudermos avançar ao abrigo dos atuais Tratados, apresentaremos propostas explícitas para as necessárias alterações do Tratado antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu em 2014, incluindo elementos para o reforço da democracia e da responsabilização.
É este o nosso projeto. Um projeto gradual mas ambicioso em termos de futuro, com uma Federação como nosso horizonte para a Europa.
Muitos dirão que é demasiado ambicioso, que não é realista.
Mas permitam que vos pergunte – é realista continuarmos como até aqui? É realista assistirmos ao que se verifica hoje em muitos países da Europa? É realista vermos os contribuintes pagar aos bancos e depois devolver-lhes as casas que já pagaram porque não podem assegurar o pagamento das suas hipotecas? É realista vermos mais de 50 % dos nossos jovens sem emprego nalguns dos nossos Estados‑Membros? É realista continuarmos a tentar improvisar e a acumular erros com respostas pouco convincentes? É realista pensar que podemos conquistar a confiança dos mercados quando demonstramos ter tão pouca confiança uns nos outros?
Para mim é esta realidade que não é realista. Esta realidade não pode continuar.
A via realista para avançarmos é a via que nos torna mais fortes e mais unidos. Ser realista significa colocarmos a nossa ambição ao mesmo nível que os desafios que enfrentamos. Podemos fazê-lo! Lancemos aos nossos jovens uma mensagem de esperança. A sermos parciais, que o sejamos a favor da esperança. Devemos ter orgulho em sermos europeus, orgulho na nossa cultura rica e diversificada. Apesar dos problemas com que atualmente nos deparamos, as nossas sociedades encontram-se entre as mais humanas e livres do mundo.
Não temos que pedir desculpa pela nossa democracia, pela nossa economia social de mercado nem pelos nossos valores. Com elevados níveis de coesão social. Respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana. Igualdade entre homens e mulheres e respeito pelo nosso ambiente. Estas sociedades europeias, com todos os seus problemas, contam-se entre as mais dignas da história da humanidade e considero que devemos ter orgulho nisso. Nos nossos países duas ou três jovens não são presas por cantarem e criticarem o dirigente do seu país. Nos nossos países as pessoas são livres, têm orgulho nessa liberdade e compreendem o que significa ser livre. Em muitos dos nossos países, nomeadamente nos Estados‑Membros mais recentes, está ainda viva a memória do que significa a ditadura e o totalitarismo.
Gerações anteriores à nossa ultrapassaram desafios ainda maiores. Cabe agora a esta geração demonstrar que está à altura.
Chegou o momento de todos os pró-europeus abandonarem o status quo e abraçarem o futuro. A União Europeia foi criada para garantir a paz. Hoje, tal significa tornar a nossa União capaz de enfrentar os desafios da globalização.
É por isso que precisamos de uma nova forma de pensar para a Europa, de um Pacto decisivo para a Europa. É por isso que nos devemos orientar pelos valores que estão no cerne da União Europeia. Acredito que a Europa tem uma alma. É esta alma que nos dará a força e a determinação para fazermos o que temos a fazer.
Podem contar com a Comissão Europeia. Eu conto com todos vós, com o Parlamento Europeu. Em conjunto, enquanto instituições comunitárias, construiremos uma Europa melhor, mais forte e mais unida, uma União dos cidadãos para o futuro da Europa e também para o futuro do mundo.
Muito obrigado pela vossa atenção (Parlamento Europeu, 17 de Setembrio de 2012)
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