terça-feira, setembro 22, 2026

Opinião pessoal: (A guerra dos) profetas da desgraça

Infelizmente - para alguns felizmente... - temos que aturar um desfilar diário nas nossas principais televisões, e várias vezes ao dia, de militares transformados em comentadores, alguns deles assumindo desavergonhada e claramente o papel de profetas da desgraça, de apologistas da guerra e de defensores mais ou menos envergonhados, de uma guerra na Europa contra a Rússia, reactivando as doutrinas caducas da guerra fria.

Eles pavoneiam-se todos os dias, alguns transformados em "professores de guerra" e de cenários pretensamente demasiado complicados, para que as opiniões públicas, preocupadas com tantas coisas nas suas vidas, não valorizem excessivamente e não reajam, contestando convictamente esses entes.

Até já tivemos comentadores militares - na generalidade adeptos da Ucrânia, já que acredito que apenas dois deles eram claramente pró-russos, mas aos poucos foram afastados ou passam pelos écrans com acentuada irregularidade, pelo inconveniente dos seus argumentos... - que chegaram a estar na mesma semana em duas televisões diferentes e concorrentes, outros brigam em público e em directo, inclusivamente com jornalistas incómodos que os entrevistam e pressionam, outros mudam de palco opinativo como nós respiramos, etc. E percebe-se: o mundo vive num estado de pré-guerra, fabricado por esssa corja de manipuladores, num mundo sedento de sangue, de morte, do nuclear, da corrida ao armamento, de provocações entre líderes, no qual alguns generais de aviário, sem generalizar como é óbvio, mas que foram galgando nas carreiras sem nunca terem ido a uma guerra a sério, se sentem como peixe em água.

O que nenhum deles explica, sobretudo aos europeus - para além de não ser conveniente falar na sucessão de casos de corrupção vergonhosa na Ucrânia, envolvendo dinheiros enviados pelos europeus para alimentar uma guerra destruidora, sem fim à vista, apoio esse feito à custa de programas europeus destinados aos europeus que enfrentam crescente falta de recursos, ajudando à degradação desta Europa sem liderança, sem valores, sem princípios, sem força e sem ser credora do apoio dos europeus. O que questiono é tentar perceber, porque motivo, nesses espaços de opinião militarista, os jornalistas não fazem essa pergunta mais do que óbvia: e se um dia a situação na Ucrânia se estabilizar - o que nada tem a ver com a garantia de uma paz duradoura entre Ucrânia e Rússia - o que vai acontecer aos  europeus, incluindo esses papagaios, se um líder e/ou partido pró-russo forem os vencedores de eventuais futuras eleições na Ucrânia? Terão os europeus de enfrentar, nesse cenário ainda hipotético, mas perfeitamente tão plausível como qualquer outro - vejam o que acontece com as eleições na Alemanha que há décadas foi o berço do nazismo e da segunda guerra mundial... - um país armado pelos europeus e dotado de forças armadas porventura tão ou mais poderosas do que as forças armadas dos demais países europeus que, pelo medo, se mostram aliados da Ucrânia no quadro, repito, de um conflito sem fim à vista?

Mas pronto, se é isto que os europeus querem, se é isto que os europeus acham que é chique, se é esta propaganda que as televisões acham que devem parir todos os dias na esperança de influenciar as opiniões públicas, se é com a guerra que estes ridículos papagaios manipuladores militaristas sonham, então apenas um desafio resta aos cidadãos livres e preocupados: reagir nas ruas e em todas as frentes onde se possam fazer ouvir, a esta imposição de uma doutrina de propaganda militarista que intoxica a Europa, que fragiliza a Europa, que penaliza e ameaça os europeus, e que atira a Europa para as margens da pobreza agravada. Com algum humor provocador à mistura, não sei se para esses profetas da desgraça, o facto de a guerra poder eventualmente terminar um dia, isso não será uma enorme chatice...(LFM)

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