Escreve a jornalista Ana Rita Faria do Público que “o aumento de impostos, congelamentos e cortes salariais igual a retracção do consumo privado. A equação é simples e, para Keith Wade, economista-chefe da casa de investimento britânica Schroders, é a consequência mais previsível das medidas de austeridade anunciadas na semana passada pelo Governo português. Apesar de o plano ser "credível", o economista considera que os seus impactos na economia poderão fazer o país voltar a entrar em recessão. E nem a possibilidade de ter de pedir ajuda internacional, como a Grécia, está de todo excluída. Em entrevista ao PÚBLICO, Keith Wade advertiu que Portugal corre o risco de voltar a entrar em recessão ou, pelo menos, ver abrandar significativamente a economia. Isto devido ao plano de austeridade apresentado pelo Governo, que envolve, entre outras medidas, o aumento do IVA, uma sobretaxa no IRS, uma taxa extraordinária sobre as empresas com lucros superiores a dois milhões de euros e um corte salarial de cinco por cento para os políticos e gestores públicos (além do já esperado congelamento dos salários na função pública). Para o economista-chefe da Schroders, há uma condição essencial para que o plano de austeridade funcione: crescimento. "É preciso que haja crescimento e isso será o mais difícil", alerta. O economista acredita que os sinais fortes de recuperação da economia mundial (sobretudo nos EUA e nos mercados emergentes) deverão alimentar o crescimento das economias europeias, que têm ficado para trás. Contudo, enquanto alguns países europeus estão a beneficiar da retoma do comércio mundial e da desvalorização do euro, que lhes permite ver aumentar o valor das suas exportações para fora da Europa, outros, como Portugal e Espanha, "não têm grandes indústrias exportadoras e, portanto, não vão retirar os mesmos benefícios". Por outro lado, se Portugal irá mergulhar ou não de novo na recessão, vai depender muito da forma como o sector privado vai reagir ao plano de austeridade. A consequência natural dos aumentos de impostos é a redução do rendimento disponível, que poderia ser compensada pelas baixas taxas de juro, que permitem, à partida, crédito mais barato. Contudo, para Keith Wade, o sistema bancário está a tardar em emprestar de forma significativa, mantendo-se "demasiado adverso ao risco".
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