Segundo a ERC, esta entidade realizou a 16 e 17 de Outubro, no Auditório 2, da Fundação Calouste Gulbenkian, "a sua II Conferência anual - Por Uma Cultura de Regulação, dedicada ao tema "A REGULAÇÃO COMO VALOR NUM MUNDO EM MUDANÇA". Este encontro contou com a presença do Professor Yves Poullet, Director do Centro de Pesquisa Informática e Direito da Université de Namur, que fez uma intervenção sobre o tema da "Sociedade de informação: a urgência de uma reflexão ética", e do britânico James Cridland, Head of Future Media and Technology da BBC Audio and Music, que abordou a questão do impacto regulatório das novas lógicas de produção radiofónica.No plano nacional, a Conferência reuniu directores de órgãos de comunicação social, proprietários e administradores de grupos de média, jornalistas e académicos da área da Sociologia e das Ciências da Comunicação. Este evento foi ainda o palco da apresentação geral do Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social, encomendado pela ERC, em 2007, ao ISCTE". Leia aqui a sintese da iniciativa. Aos mais interessados recomendo o acesso, através deste link, a todas as comunicação apresentadas.
Maioria dos quartos de criança tem televisão
Chamo contudo a atenção para um estudo, segundo o qual "Pais utilizam TV como substituta da falta de disponibilidade. As crianças até aos 15 anos revelam uma "dieta pesada" de consumo televisivo, salientou a professora Cristina Ponte, na Conferência da ERC.Os pais preocupam-se com os conteúdos mediáticos, sobretudo os de violência e sexo, mas 60% dos quartos de crianças e jovens até aos 15 anos estão equipados com este dispositivo. Esta é uma das contradições apontadas pelo Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação relativas à exposição aos media de crianças e jovens. A pesquisa, baseada numa sondagem nacional e num inquérito em 11 escolas da Grande Lisboa, aponta aliás que "não está em sintonia" o discurso de pais e filhos sobre as actividades mais frequentes das crianças e os equipamentos que existem no lar e no quarto.Destaca-se além disso que os pais tendem a utilizar a televisão como uma alternativa da sua falta de tempo. Segundo a investigadora, se os mais novos passam horas do seu quotidiano à frente de écrãs, "é preciso questionar" como é que vêem televisão e utilizam outros media. Pais são os melhores brinquedosNo comentário à apresentação de Cristina Ponte, o psicólogo clínico Eduardo Sá identifica como problema maior a forma como os pais lidam com a televisão e as novas tecnologias, mostrando-se inquieto "por saber que os pais sabem muito pouco sobre os filhos". "O quarto das crianças é como um enclave com autonomia administrativa", ironizou, defendendo que "os melhores brinquedos das crianças são os pais".Jorge Wemans, director da RTP2, realçou como positivo que 40% dos pais revelem estar satisfeitos com os programas infantis. Na sua perspectiva, o que "é dramático é o silêncio" - a televisão é usada para ocultar a presença da criança na casa, a televisão em 60% dos lares fecha a criança num "silêncio social". Este é um "estudo importantíssimo e relevante, chega com 10 anos de atraso", apreciou Pedro Tadeu. O director do 24 Horas considerou "imprudente desancar nos pais porque eles próprios foram educados assim". Segundo o seu testemunho pessoal, o uso da tecnologia não resulta necessariamente num impacto negativo para as crianças e jovens.Pedro Camacho, director da Visão, reconheceu que, na actualidade, a televisão "é de facto baby sitter". Um dos aspectos do estudo que mais o impressionou é a pouca utilização dos meios de comunicação pelos professores nas salas de aula". O acesso à intervenção de Cristina Ponte em MS PowerPoint, aqui.