Manda o bom senso que quaisquer juízos de valor sejam emitidos depois da entrevista de Sócrates amanhã na RTP, e que há muito deveriam ter sido feitas, dado que o silêncio revela uma fragilidade inesperada numa personalidade política com o perfil do primeiro-ministro. E foi isso, essencialmente essa fragilidade, esse receio de assumir erros, caso existam, essa necessidade de enfrentar de frente uma situação complexa e incómoda, que acabou por alimentar a especulação e a investigação jornalística.Podemos ter de tudo. Ou uma tentativa de branqueamento de factos, neste caso insistindo na mentira, ou podemos ter um outro desfecho, eventualmente associado a algum pretenso maquiavelismo de Sócrates. Deixou a “banda passar”, deixou os meios de comunicação social alimentar uma polémica em torno da sua figura e depois, responderá atacando em todas as direcções, perfeitamente documentado, com segurança, denunciando vinganças, cumplicidades, enfim, um ataque em larga escala, dirigido em todas as direcções, inclusivé a alguns sectores do seu próprio partido. Seria a estratégia da vitimização, procurando aparecer aos olhos da opinião pública como o alvo de uma cabala, capitalizando a seu favor una conjuntura pouco favorável, quem sabe se antecipando o impacto de novas medidas ainda em fase de estudo. Sócrates já mostrou nestes dois anos de liderança do governo que é capaz de se comportar assim, tal como tentou em contactos telefónicos para os jornalistas, pressioná-los no âmbito de um pretendido branqueamento da polémica. Mas de um homem que foi eleito porque prometeu baixar os impostos e que a primeira coisa que fez, depois de ter conquistado o poder, foi exactamente o contrário, aumentar os impostos, que mais haverá que esperar?
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