domingo, fevereiro 19, 2023

Bispo do Funchal reconhece falhas da diocese no passado, Só no passado?

O bispo do Funchal reconhece que a diocese pode não ter agido, no passado, como devia nas situações de abusos sexuais por parte de sacerdotes. D. Nuno Brás ouvido pela rádio pública garante que a diocese está solidária com as vítimas no relatório da comissão independente divulgado, onde foram reportados 14 casos na Região.

Perigoso: Os mais novos acham que o holocausto foi um mito: Auschwitz-Birkenau Memorial com visitas online pelo não esquecimento



22% dos Millenials e da Geração Z dos Países baixos acham normais pontos de vista Neonazis, a Fundação Auschwitz-Birkenau vai passar a ter visitas virtuais, acompanhadas por guias em direto, contra a ignorância. Esta é uma iniciativa que faz frente ao desconhecimento que existe, principalmente entre as gerações mais novas, sobre o Holocausto. A Fundação Auschwitz-Birkenau passará a oferecer visitas virtuais ao Auschwitz-Birkenau Memorial. A plataforma serve para pessoas de todas as idades e de todas as partes do mundo. Agenda-se a visita, que será acompanhada por um guia em direto, que vai gravando e fazendo explicações por onde passa. "É possível transmitir a experiência da tragédia pela internet", explicou Wojciech Soczewica, diretor geral da Fundação Auschwitz-Birkenau. "À medida que o guia explica o que estamos a ver no site, nós temos camadas de conteúdo adicional que dão explicações complementares", explicou Aya Feldman, a diretora criativa. No entanto, Aya acredita que Auschwitz é autoexplicativo, é "solo sagrado", pelo que tudo o que adicionam é feito da forma menos intrusiva possível.

Expresso: Como Neeleman, Passos e a Airbus gizaram privatização da TAP em segredo

 

O empresário americano negociou a troca da frota da TAP com a Airbus antes de se tornar acionista e usou a poupança conseguida para entrar na transportadora. Uma operação que só agora se tornou conhecida e que, na reversão da privatização, feita com o Governo de Costa, permitiu a David Neeleman sair com €55 milhões. A TAP está a ponderar contestar o negócio na Justiça. O negócio de troca da frota da TAP que o empresário David Neeleman fez com a fabricante de aviões Airbus na altura da privatização da companhia portuguesa — 12 aviões A 350 por 53 novos contratos para aeronaves A 330neo e A320neo —, em 2015, está sob os holofotes sete anos depois. Tudo porque só agora se ficou a saber que foi o dinheiro ganho com essa operação que a Atlantic Gateway (empresa de Neeleman e Humberto Pedrosa) entregou para capitalizar a companhia. Um segredo bem guardado, mas do qual estavam a par todos os principais intervenientes na privatização do Governo de coligação PSD/CDS e na reversão da privatização já no Governo de António Costa, em 2017. Operação que permitiu ao Estado ficar com a maioria do capital da TAP, perdendo a Atlantic Gateway os 61%.

Madeira: quase 21 mil postos de trabalho na Administração Regional

 

De acordo com a informação divulgada pela Direção Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) - entidade responsável pela compilação da informação relativa aos recursos humanos dos órgãos e serviços da administração Pública em Portugal - que publicou a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP) para o 4.º trimestre de 2022 no passado dia 14 de fevereiro, existiam 20.901 postos de trabalho na Administração Regional da Madeira (ARM) a 31 de dezembro de 2022. Face ao trimestre anterior, a variação foi de mais 95 (+0,5%) postos de trabalho, observando-se em termos homólogos um aumento de 220 postos (+1,1%). Comparativamente ao final de 2011 houve uma diminuição de 452 postos (-2,1%). Por sua vez, o Instituto de Segurança Social da Madeira, que segundo a classificação de unidades institucionais deve ser apresentado separadamente da ARM, contabilizou 1 398 postos de trabalho em 31/12/2022. Face ao 3.º trimestre de 2022 registou-se um aumento de 121 trabalhadores (+9,5%), e em relação a 31/12/2021, um crescimento de 89 trabalhadores (+6,8%). Comparativamente a 31/12/2011, contabilizaram-se menos 13 trabalhadores (-0,9%).

sexta-feira, fevereiro 17, 2023

Primeira-ministra da Escócia demite-se. “Só muito recentemente comecei a compreender o impacto físico e mental que isto tem em mim”

Nicola Sturgeon anuncia a partida de forma inesperada. Chefia o governo regional e o partido independentista SNP desde 2014 e pretendia fazer das próximas eleições regionais um plebiscito de autodeterminação, depois de o Supremo Tribunal britânico a ter proibido de convocar novo referendo. Nicola Sturgeon vai abandonar a chefia do Governo regional da Escócia e do Partido Nacional Escocês (SNP). A decisão inesperada foi anunciada numa conferência de imprensa, esta quarta-feira, em Edimburgo. Declarando-se orgulhosa do trabalho feito, a dirigente considera que parte da boa governação é “saber quase instintivamente quando sair”. E afirma que sabe agora, “na cabeça e no coração”, que é o melhor para o SNP e a Escócia. Ficará em funções até à eleição de um sucessor, afirmou.

Aos que fiquem “chocados, desapontados ou até zangados” consigo pela demissão, pede compreensão. “Esta decisão não é uma reação a pressões de curto prazo”, afirma, referindo-se a polémicas recentes. Essas, garante, todos os governos enfrentam. E diz que há semanas que se debatia com esta questão.

“Tenho tido de me esforçar mais nos últimos tempos”, reconhece, para se convencer de que é capaz de continuar no cargo por mais anos. “Cheguei à conclusão de que não.” Alegando que os mais de oito anos no poder propiciaram que se criassem ideias “fixas e difíceis de mudar” sobre si, admite: “Acho que só muito recentemente comecei a compreender, já nem digo a processar, o impacto físico e mental que isto tem em mim.”

Venezuela: "O Governo interino de Guaidó foi uma grande ilusão"

 

Mesmo exilado em Madrid há cerca de seis anos, o advogado e político venezuelano acorda todos os dias a pensar no seu país. Sem esperança numas eleições livres, defende que é necessária ‘uma nova orientação e condução política’ na Venezuela.

De forma breve, para quem não o conhece em Portugal, o que marcou o seu percurso na política venezuelana?

Comecei a dedicar-me à política desde que era praticamente um adolescente. Vivia numa povoação provinciana da Venezuela. Fui estimulado pela minha incursão em atividades complementares à escola. Ali, despertou-se em mim uma preocupação pelos temas sociais e humanos, quando ainda era praticamente uma criança, tinha 12 ou 13 anos de idade. E, desde então, tenho abraçado a atividade política com uma grande paixão. Tanto é assim  que se tornou uma maneira de ser, de desenvolver o meu pensamento crítico, a minha imaginação, desde os 13 anos até agora, aos 67 anos de idade, ou seja, de maneira ininterrupta.

Como é ser um exilado político a viver em Espanha, tão longe da Venezuela?

Muito doloroso, porque não deixa de sentir-se a falta da terra em que nascemos. Então, é uma luta, é uma luta diária entre a nostalgia, a melancolia, as lembranças que vou evocando e a realidade com a qual nos confrontamos, como exilados. É por isso que temos de tentar conciliar esses dois sentimentos. O desejo de voltar e a realidade que nos diz que temos que procurar sobreviver longe da pátria que nos pariu.

Galp quase duplica lucros em 2022 para 881 milhões e aumenta dividendo....

Lucros da petrolífera dispararam 93% em 2022 para 881 milhões de euros. Empresa decidiu aumentar o dividendo para 52 cêntimos por ação e recomprar ações. Também vai vender ativos em Angola. A Galp Energia praticamente duplicou os lucros em 2022, ano que ficou marcado pela crise energética e pelo início da guerra na Ucrânia. O resultado líquido da petrolífera foi positivo em 881 milhões de euros, um crescimento de 93% face ao ano anterior. Face a este resultado, a administração da companhia propõe distribuir um dividendo bruto de 52 cêntimos por ação, que compara com os 50 cêntimos pagos sobre o exercício do ano prévio, e executar um programa de recompra de ações de 500 milhões de euros ao longo do ano de 2023. Em setembro, já tinha distribuído um dividendo intercalar de 26 cêntimos. A Galp anunciou também que vai desinvestir nos ativos upstream (produção/exploração) em Angola. A empresa informa ter assinado um acordo com a SOMOIL – Sociedade Petrolífera Angolana para a venda dos mesmos e espera receber cerca de 830 milhões de euros pela venda, líquidos de impostos. A transação deverá ficar fechada no segundo semestre de 2023.

Portugueses com dificuldades para renovar vistos de residência e aceder a medicamentos na Venezuela

 

Os portugueses estão com dificuldades para renovar os vistos de residência na Venezuela, o que os impede de trabalhar normalmente e levou a APA-Associação de Produtores Agrícolas de Los Altos Mirandinos a apelar à intervenção de Portugal. Situada a sul de Caracas, a APA disse ainda que há dificuldades no acesso a medicamentos para diversos tratamentos e emigrantes a precisar de ajuda económica de Lisboa. “Que o Governo português nos ajude, a nível do Governo daqui, a solucionar este grave problema, porque não podemos nem trabalhar porque os documentos estão caducados”, afirmou a presidente da APA, Maria Neves Correia Pereira. A dirigente associativa falava à Lusa no âmbito de uma jornada de recolha de dados de luso-venezuelanos do estado de Miranda, em São Pedro de Los Altos (35 quilómetros a sul de Caracas) onde vivem agricultores e floricultores portugueses.

Os milhões do FMI para Portugal, de Vasco Gonçalves a Passos Coelho

Em 1977 Soares pediu 2 milhões de contos para combater o buraco nas contas externas. Mas desde 1975 que Portugal bate à porta do FMI tendo pedido 12 operações de financiamento, desde 1975 até ao resgate de 2011. Quando se fala de resgates a Portugal pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) inicia-se a história recordando o financiamento obtido em 1977 pelo primeiro governo de Mário Soares para combater o buraco nas contas externas.

Em abril daquele ano, Medina Carreira, ministro das Finanças, e Silva Lopes, governador do Banco de Portugal (BdP), enviaram uma Carta de Intenções ao FMI em Washington pedindo um financiamento ao abrigo de uma linha de crédito que, no dicionário do Fundo, se chama stand-by agreement (SBA, no acrónimo em inglês). É um programa dirigido a economias de rendimento médio que exige condições, metas a cumprir, para receber o dinheiro. Foi o primeiro SBA a que Lisboa recorreu.

Portugal sacou, então, do Fundo 2 milhões de contos, na estimativa do Expresso, usando os câmbios da unidade monetária do FMI, o direito especial de saque (SDR, no acrónimo em inglês), para escudos referidos por José João Barreiros Pãozinho no seu trabalho de investigação sobre os SDR e o ÉCU no Sistema Monetário Internacional ("O Direito de Saque Especial e o ÉCU no Sistema Monetário Internacional", 1988). O conto valia mil escudos, que era a moeda portuguesa de então.

ONU pede que sejam levantadas as sanções internacionais contra a Venezuela

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu o levantamento das sanções internacionais contra a Venezuela porque agravam a crise económica e social que já levou mais de sete milhões de pessoas a abandonar o país. Embora as raízes da crise económica na Venezuela sejam anteriores à imposição de sanções económicas (…), é evidente que as sanções impostas em 2017 agravaram a crise económica e prejudicaram os direitos humanos”, disse Volker Turk. O responsável falava numa conferência de imprensa em La Guaira (norte de Caracas), no fim de uma visita de três dias ao país. Na altura, disse ter recomendado “que os Estados-membros suspendessem as medidas (sanções), que têm um efeito prejudicial sobre os direitos humanos e agravam a situação” no país. Durante a visita à Venezuela, Volker Turk teve reuniões com o Governo do Presidente Nicolás Maduro, representantes da sociedade civil, da oposição, da Igreja Católica e ativistas dos Direitos Humanos. Dessa ronda de conversações, disse ter percebido “o estado fragmentado e dividido da sociedade venezuelana e a confiança mútua fraturada entre grupos”, bem como “a necessidade premente e a ânsia expressa por muitas das pessoas para que sejam construídas pontes para tentar colmatar essas brechas”. “É importante promover o diálogo e fomentar a cura, após décadas de rutura”, disse o Alto-Comissário, referindo-se a desafios políticos, económicos, sociais e de Direitos Humanos, e à necessidade de que “os atores nacionais e internacionais, e a ONU, ajudem a Venezuela a superar a crise”. Volker Turk disse que teve “conversações francas” com as autoridades e encorajou-as a dar passos significativos para reformar os “setores da justiça e da segurança, a ter a iniciativa de fomentar a confiança com as vítimas e organizações da sociedade civil, a promover o diálogo, a responder muito particularmente às vítimas e a tratá-las” (Lusa)

Estado obrigado a pagar indemnizações a lesados do BPN. Valor é superior a 2,7 milhões de euros

O Estado vai reembolsar o EuroBic por todas as indemnizações que o banco tem sido condenado a pagar a ex-clientes do Banco Português de Negócios (BPN) que investiram ao engano em obrigações emitidas pela Sociedade Lusa de Negócios, então proprietária do banco.  A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias, que adianta que este reembolso consta do acordo da reprivatização do BPN, nacionalizado em 2008 e alienado três anos mais tarde ao BIC, atual EuroBic. "O Estado está obrigado a reembolsar o atual banco EuroBic, pelas despesas por si liquidadas, na execução de decisões judiciais referentes a litígios, conforme disposto no acordo quadro e no contrato de compra e venda das ações representativas da totalidade do capital social e direitos de voto do banco BPN", confirma o Ministério das Finanças ao Jornal de Notícias. A tutela diz ainda que estão a ser instituídos "os procedimentos necessários para proceder ao reembolso junto do banco EuroBic das decisões que já se tornaram definitivas, escusando-se a adiantar o valor em causa, justificando com "a necessidade de permitir que a justiça aprecie cada uma das situações para aferir a ilicitude da atuação do então banco BPN". Ainda assim, o jornal noticia que, no último trimestre de 2022, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou o ressarcimento em pelo menos 2,7 milhões de euros aos lesados do BPN (CNN-Portugal)

Reportagem: Por obra e desgraça dos Espírito Santo

A queda do Banco Espírito Santo (BES), em 2014, já custou aos portugueses mais de 8 mil milhões de euros. Oito anos e meio depois da resolução do BES está previsto que finalmente recomece esta semana a instrução do caso, agora com um novo juiz. É um dos maiores processos da história da justiça portuguesa que conta com 27 arguidos, 23 pessoas e quatro empresas. A figura central é Ricardo Salgado, ex-presidente do banco e representante máximo de um clã que do nada e em quatro gerações se tornou num dos mais poderosos do país

A família Espírito Santo cultivou as relações certas e moveu interesses nos meandros económicos e políticos como ninguém. Mas de onde vem afinal a fortuna e o poder dos Espírito Santo? Que segredos esconde esta família? Uma família que veio do nada, mas rapidamente subiu à mais alta roda da sociedade portuguesa, e foi lá do alto, que caiu com estrondo.

Tudo começou em 1850 com José Maria do Espírito Santo Silva. Filho de pais incógnitos, quem o levou ao batizado foi a parteira. O primeiro elemento do clã terá recebido o nome de Maria, por ter nossa senhora como madrinha de batismo, os nomes Espírito Santo foram acrescentados no crisma, e Silva, alegadamente do pai, que por razões sociais não assumiu a paternidade e que se especula que tenha sido o conde de Rendufe.

Atrasos e cancelamentos: Companhias aéreas devem 260 milhões a passageiros

 

Com mais voos afetados, TAP e easyJet lideram queixas dos passageiros. No total, 650 mil clientes têm direito a compensação. Aeroporto Humberto Delgado é um dos piores do mundo, de acordo com o ranking da AirHelp. As fronteiras abriram depois de dois anos de pandemia e os aviões receberam autorização para voltar a descolar. Os céus de todo o mundo pintaram-se de aeronaves carregadas de passageiros sedentos de viajar e o caos somou-se nos aeroportos. O ano passado ficou marcado pela retoma das viagens que valeu ao turismo nacional uma recuperação brutal com um recorde em receitas, de 22 mil milhões de euros. No mesmo sentido, também aumentaram os constrangimentos nos aeroportos nacionais; somaram-se atrasos e cancelamentos à boleia da falta de recursos humanos e de um crescimento inesperado.

Nos vários aeroportos do país, 63 mil voos sofreram alguma irregularidade, afetando nove milhões de passageiros, ou seja, quase um terço dos mais de 26 milhões de passageiros que voaram a partir de Portugal, de acordo com os dados recolhidos pela AirHelp para o Dinheiro Vivo. "Portugal é um dos países que mais sofreram com irregularidades em voos ao longo de 2022", aponta o advogado especialista em direitos dos passageiros aéreos da empresa em Portugal, Pedro Miguel Madaleno. No total, registaram-se 3700 voos cancelados no país - cerca de 2% do total de voos -, afetando mais de 400 mil passageiros. Segundo a AirHelp, são 650 mil os passageiros elegíveis para receber uma compensação ao abrigo do regulamento CE 261/2004, que regula os direitos dos passageiros aéreos de voos operados na União Europeia, ou seja, uma subida de 14% em comparação com 2019, e de 375% face a 2021. Com um valor médio de compensação a rondar os 400 euros, as companhias aéreas devem aos clientes 260 milhões de euros.

Caso do aeroporto da Madeira dá força a argumentos para IMI sobre barragens

Sentença do Tribunal do Funchal obriga a região a cobrar imposto municipal. Fundamentos são idênticos aos que a Câmara de Miranda do Douro usa para reclamar ao fisco o IMI das centrais hídricas. Ao fim de oito anos, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal decidiu na semana passada que os edifícios do Aeroporto Internacional da Madeira, sob concessão da ANA, estão sujeitos ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o que obrigará os serviços tributários da região a inscreverem os imóveis na matriz predial e a cobrarem o tributo à empresa detida pelo grupo francês Vinci.

Embora a sentença ainda seja uma decisão de primeira instância que ainda é passível de recurso, o sentido da decisão foi recebido com ânimo na Câmara de Miranda do Douro. A autarquia transmontana está a preparar uma acção contra a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) justamente por causa da ausência de cobrança de IMI sobre as duas barragens instaladas no concelho — e os fundamentos que usa para reclamar a aplicação do imposto são exactamente os mesmos que o tribunal utilizou, na sentença de 20 de Janeiro, para concluir que, no caso do aeroporto, o IMI deve ser cobrado. A questão central prende-se com a exploração de bens do domínio público e o seu enquadramento tributário.

Banif: Teia de negócios e corrupção entre Portugal, Angola e Brasil

O jornalista António José Vilela conta como o antigo Banco Internacional do Funchal foi usado pela elite angolana para lavar dinheiro e as redes que foram geradas a partir daí. A Teia do Banif. O título do livro do jornalista António José Vilela condensa a forma como o antigo Banco Internacional do Funchal foi usado pela elite angolana para branqueamento de capitais e corrupção em Portugal e para criar uma rede a partir dessa instituição financeira.

No prefácio deste livro, editado pela Casa das Letras, João Paulo Batalha escreve: "A partir da investigação a uma tentativa obscura de figuras do Estado angolano comprarem discretamente um banco menor do sistema financeiro português (Banif) chegamos a um procurador comprado pelos angolanos (Operação Fizz), aos esquemas de lavagem de dinheiro e fuga ao fisco montados ao serviço dos poderosos em Portugal (Operação Monte Branco e Furacão); à cultura de tráfico de influências que apanhou Armando Vara , um dos grandes políticos de negócios do país (Face Oculta), (...) à máquina de lavar dinheiro que Isabel dos Santos e outros figurões angolanos montaram no sistema financeiro português e à cúpula desta economia da corrupção que dominou o país durante anos, no plano económico (BES) e no plano político (Operação Marquês)."

Opinião: Sondagem e a Turquia

A  publicação de uma sondagem, sobretudo quando isso ocorre em ano eleitoral, é sempre motivo para especulações, interpretações desalinhadas, reações pindéricas, tontices partidárias, algumas invenções, nomeadamente na transformação especulativa de percentagens em mandatos de eleitos, entre outros itens que permitem uma abordagem puramente especulativa neste tipo de trabalho. Ainda por cima com um universo não muito alargado e com uma elevada percentagem de indecisos.

Durante anos lidei com este tema, procurando desconstruir conclusões especulativas ou não, percebendo habilidades subjacentes, enfim, colocando as sondagens, em termos de validade, no lugar que realmente lhes pertence. As sondagens são, sempre foram, uma referência, valorizada ou ridicularizada pelos políticos conforme os resultados para as suas hostes forem ou não favoráveis. No caso vertente, apesar de uma sondagem ser apenas uma referência, passível de deixar alguns indicadores aos interessados, a verdade é que existe uma significativa distância temporal que pode impedir que os indicadores agora divulgados tenham depois correspondência com a realidade. 

Opinião: Patifarias

A sociedade portuguesa foi esta semana confrontada - pessoalmente acho que todos estavam à espera de um relatório dramático e denunciador de situações graves - com as conclusões do trabalho de uma comissão constituída para  estudar a gravidade e a amplitude do escândalo dos abusos sexuais no âmbito da Igreja católica portuguesa e das várias estruturas de actividade a ela ligadas. Foi um soco no estômago, não pelos casos relatados - acho que o silêncio foi muito maior do que as denúncias, pelo que o levantamento realizado será apenas a ponta de um enorme icebergue - mas pela forma como a pouca-vergonha e a patifaria de centenas de bandalhos, alguns ainda no activo, se processava e pelo descaramento criminoso de padres patifes e de outros membros da Igreja que enxovalharam a instituição e pisaram a religiosidade católica.

São escândalos que podem colocar em causa a crença das pessoas nas virtudes e na mensagem da Igreja, são relações de confiança e de fé que podem ruir, são dúvidas e questionamentos sobre a religiosidade que vão colocar muita coisa em causa e que porventura aumentarão o crescente distanciamento dos cidadãos face à Igreja Católica que cometeu o pecado do silêncio e da negação. Mesmo sabendo que a verdade era uma triste e criminosa realidade protagonizada por patifes que actuaram durante anos com total impunidade. 

domingo, janeiro 22, 2023

DN-Lisboa (2ª parte): Os "erros" e "medos", os "drogados pagos" para votar e o líder que não quis ser "candidato a presidente"

Regionais 2023 - Dez líderes e todos falharam. Jardim vê, agora, no PS dos "snobs" e dos "gajos ricos" uma novidade: um líder diferente e que "não precisa da política para viver". Mota Torres lembra os "erros" iniciais; líderes recentes reivindicam vitórias e lamentam as últimas derrotas. O PSD responde às acusações de que condiciona o voto: eles já pagaram a delinquentes e alugaram charters. E depois a velha questão: "Espelho meu, espelho meu, quem é mais autonomista do que eu?"

Domingo, 1 de setembro de 1974. O grupo "dinamizador" liderado por Gil Martins, fundador do PS e que tinha regressado, em junho, do exílio em Itália, faz a "inscrição oficial dos aderentes" que cria o "núcleo regional do PS".

Sexta-feira, 8 de novembro de 1974. É publicado, pelo PS, um documento em defesa da "descentralização" do "poder político e da autonomia financeira e administrativa". Porém, comenta um antigo dirigente, Gregório Gouveia, no livro Madeira: tradições autonomistas e revolução dos cravos, em "algumas expressões nota-se uma certa secundarização regional na medida em que o interesse regional pode ser limitado quando contrariar o interesse nacional".

Sábado, 1 de março de 1975. Rua Câmara Pestana. O velho e desocupado edifício do banco X, no número 13, é ocupado "por um grupo de socialistas" e torna-se a sua sede até 1980. Uma "infelicidade", escreveu Gregório Gouveia ; "um erro", confessa Mota Torres [terceiro líder do partido]; "já viu na Madeira um partido cuja sede é um prédio ocupado? A sepultura deles começou a cavar-se desde o início", diz Alberto João Jardim. "Consta", escreve o antigo dirigente e deputado na Assembleia Legislativa Regional, que Mário Soares, "quando soube da ocupação", terá dito: "Vocês já perderam as eleições." Foi, diz Gregório Gouveia, o "primeiro revés".

Sondagem: Maioria absoluta do PS esfumou-se, PSD também perde, Chega ganha força


Um ano depois das últimas legislativas, o PS de António Costa voltaria a vencer umas eleições, mas longe da maioria absoluta (27,1%). Não conseguiria sequer liderar uma maioria parlamentar à Esquerda, porque ela desaparece. De acordo com a sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, o PSD de Luís Montenegro não consegue afirmar-se como alternativa (25,1%). A Direita teria primazia, mas à custa do crescimento de Chega (12,9%) e Iniciativa Liberal (9,5%). O BE também recupera, mas pouco (6,6%), enquanto a CDU parece estagnada (4,8%). Livre (3,4%) e PAN (3,1%) deixariam de ser partidos de deputado único. E o CDS continuaria fora do Parlamento.

O exercício é virtual. Uma sondagem é um retrato do momento, sempre com imperfeiçoes, não é uma eleição. Ainda assim, mesmo os mais desconfiados serão obrigados a reconhecer que a que foi realizada pela Aximage, entre 10 e 14 de janeiro, parece confirmar muitas das leituras que se têm ouvido a comentadores e politólogos, e até ao presidente da República, nos últimos meses: primeiro, o desgaste do PS, minado por sucessivos escândalos; segundo, a incapacidade do PSD de se apresentar como uma alternativa forte; terceiro, a polarização que desfaz o centro, premiando os radicais de Direita. Vamos por partes.

O desgaste do PS

Quando se compara o que aconteceu há um ano com o que se projeta para este, a primeira conclusão é que os socialistas desbarataram a sua maioria absoluta. Seja pela conjuntura externa (o aumento do custo de vida), seja pela sua autofagia (a sucessão de escândalos e demissões no Governo), a avaliação positiva de António Costa é coisa do passado. E o PS pagaria a fatura, se os portugueses fossem de novo chamados às urnas (o presidente da República já deixou claro que não serão): perde 14 pontos relativamente às últimas legislativas e sete quando se compara com a sondagem de outubro passado.

INE: Em 2021, o risco de pobreza diminuiu para 16,4%

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2022 sobre rendimentos do ano anterior, indica que 16,4% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2021, menos 2,0 pontos percentuais (p.p.) do que em 2020. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2021, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 6 608 euros (551 euros por mês).

A diminuição da pobreza abrangeu todos os grupos etários, embora tenha sido mais significativa para a população idosa (menos 3,1 p.p.); o risco de pobreza dos menores de 18 anos diminuiu 1,9 p.p. e o dos adultos em idade ativa diminuiu 1,6 p.p. O risco de pobreza diminuiu quer para a população empregada, de 11,2% em 2020 para 10,3% em 2021, quer para a população desempregada, de 46,5% em 2020 para 43,4% em 2021. As transferências sociais, relacionadas com a doença e incapacidade, família, desemprego e inclusão social contribuíram para a redução do risco de pobreza em 5,1 p.p. (de 21,5% para 16,4%), um contributo superior ao do ano anterior (4,6 p.p.).