terça-feira, fevereiro 19, 2013

Opinião: "A prisão de Portas e a utilidade de Relvas"

“Dizia Clausewitz, um general prussiano e teórico da arte da guerra que viveu no final do séc. XVIII e princípios do séc. XIX, que numa coligação "o parceiro mais forte é sempre prisioneiro do mais fraco". Trocado por miúdos, isto significa que Passos é prisioneiro de Portas. Algo que temos visto ao longo deste ainda curto (mas sentido como tão longo) governo de coligação. Sem Portas, não há Governo, razão pela qual Passos tem de ceder a Portas. Foi o que fez, cedendo-lhe a condução política do corte dos quatro mil milhões. Só que, ao estabelecer tão transparentemente esta nova condição do seu parceiro do CDS, Passos, por sua vez, capturou Portas - cenas como as da TSU ou do aumento colossal de impostos não podem repetir-se. Desta vez, o líder do CDS (em conjunto com Vítor Gaspar) está no centro da decisão. Infelizmente para ele, de uma decisão que não tem como ser agradável. E esta prisão de Portas faz ressaltar, ainda, outra evidência: a da utilidade de Miguel Relvas como ministro da Presidência, aquele que deveria coordenar politicamente o Governo e, provavelmente, aquele que deveria estar no lugar em que Passos colocou Portas. Essa utilidade é, como já suspeitávamos - nenhuma! Doravante, manter Relvas no Governo é algo que perdeu o sentido. Pode ser que saia” (texto de Henrique Monteiro, Expresso, com a devida vénia)