quinta-feira, dezembro 13, 2007

Curiosidade: a Madeira, Khadafy e a OUA (IV)

Assembleia da República, Lisboa, sessão plenária de 23 de Fevereiro de 1978:
(...)
O Orador: - E não convenceram por duas razões elementares, a primeira das quais foi a de que, quando o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, em nome do seu Governo, elaborou a primeira e tímida resposta, não se reservou para melhor oportunidade para se pronunciar em profundidade sobre a mesma quando das palavras do Sr. Coronel Kadhaffi tivesse inteiro conhecimento. O que o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros fez foi esboçar uma defesa, assente numa ignorância daquele coronel sobre a continuidade ou descontinuidade do território português, que efectivamente não me parece a mais consentânea com os sentimentos do povo português e, sobretudo, a mais consentânea com aquilo de que esta Assembleia tem sido eco, em inúmeras oportunidades, a propósito de movimentos independentistas das ilhas dos Açores e da Madeira.
Por outro lado, queria ainda dizer-lhe o seguinte, Sr. Deputado: é que não ouvi na segunda intervenção do Governo dizer-se que a sua reacção era assente sobre o conhecimento directo de um texto, o que parece estar implícito, reacção que mesmo assim ficou muito aquém da reacção humana e viril que o Governo Espanhol tomou, porque me parece que não há aqui que invocar razões de semelhança de comportamentos, baseadas em dados que serão de natureza política, mas que atentam contra o mais íntimo da alma nacional. Essas razões efectivamente podem ser consideradas como utilizadas por pessoas que gostam em diplomacia de usar punhos de renda e não de actuar propriamente de acordo com a reacção instintiva e natural de um povo que se sente ferido no mais íntimo da sua alma.
São estas as razões pelas quais nós mantemos o nosso protesto, pese embora a circunstância de o PS não poder ou não querer votar a favor dele só porque não retiramos duas expressões que se encontram inseridas neste contexto e que reproduzo novamente: "A Assembleia da República protesta contra as referidas afirmações do presidente da Líbia, que assim denuncia pela falsidade ... " - como se elas não fossem falsas - " ... e pelo oportunismo" - como se elas não fossem de facto tocadas pelo cariz do oportunismo que eu ainda há pouco denunciei. Que espécie de brio ou de dignidade nacional pode existir para, numa circunstância como esta, adoptar tíbios procedimentos, só próprios de pessoas excessivamente bem educadas?
Aplausos do PSD. (continua)

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