Escreve o Jornal I que “a Câmara do Comércio e
Indústria dos Açores (CCIA) defendeu que o Governo Regional deve
“reavaliar a eficácia” das medidas adotadas para fazer face ao impacto da crise
nas famílias e nas empresas. A Assembleia-geral Geral da CCIPD, reunida na
quinta-feira, "manifestou a sua preocupação com a grave situação económica
e social da região, que está a ter um profundo impacto nas famílias e nas
empresas, apesar das medidas que o Governo Regional tem vindo a tomar e cuja
eficácia deve ser reavaliada”, lê-se num comunicado da associação. Para os
empresários açorianos, está em causa a “sustentabilidade da própria economia
regional, a sobrevivência do tecido empresarial, a estabilidade social” e “o
próprio modelo de autonomia político-administrativa”.
“Foi considerado, nesse contexto,
imprescindível que haja uma política mais efetiva da defesa do tecido
empresarial regional, para que os recursos públicos sejam efetivamente
direcionados para as empresas regionais”, diz a CCIA. A câmara de comércio
defende que as administrações regional e local e o setor público empresarial
“potenciem a despesa pública na atividade económica regional, com o consequente
impacto no emprego”. A CCIA considera que o desemprego nos Açores deixou de ser
conjuntural para ser estrutural e defende que só pode diminuir pela via do
setor privado, que se encontra numa situação de “grande fragilidade”. No quadro
do novo quadro comunitário 2014-2020, diz ser “imprescindível” e da “maior
urgência realizar um debate aprofundado sobre as opções estratégicas e, muito
em especial, sobre a afetação de recursos".
“A atual situação demonstra que os resultados
da aplicação dos recursos dos sucessivos quadros comunitários de apoio não
conduziram à criação de uma economia mais autossustentada. Não se pode
persistir na continuação da mesma estratégia”, afirma. A CCIA manifesta, por
outro lado, “forte apreensão com a situação financeira da generalidade do setor
público empresarial, que tem vindo a apresentar, de forma recorrente,
resultados negativos, endividamento crescente, muitas vezes para dar
continuidade a atividades que se revelam insustentáveis”. Os empresários
consideram, por outro lado, “preocupante que se crie um PIT-Programa Integrado
dos Transportes dos Açores, sem ter havido a procura de diálogo com as
associações representativas dos setores económicos”. A CCIA anuncia ainda que
vai promover, em maio, em Santa Maria, um fórum que vai contar com empresas de
todos os setores de atividade e empresários de várias ilhas dos Açores”