Escreve o Publico num texto do jornalista Nuno Sousa que "durante a cerimónia de entrega de medalhas relativas à prova de esqui alpino feminino, em Sochi, registou-se, nesta quarta-feira, algo de particularmente invulgar no pódio: o segundo degrau estava vazio. A vice-campeã olímpica ter-se-ia atrasado? Haveria alguma falha no protocolo? Não necessariamente. Ao quinto dia dos Jogos de Inverno 2014, houve um empate técnico na luta pelo primeiro lugar, resolvido com duas medalhas de ouro. Algo que não acontecia desde 1998. A eslovena Tina Maze e a suíça Dominique Gisin partilharam o degrau mais alto do pódio no downhill feminino, depois de terem partilhado exactamente o mesmo tempo no circuito Rosa Khutor. Gisin, com o dorsal número 8, foi a primeira a entrar em cena, cumprindo os 2,71km da pista em 1m41.57s. Cerca de 30 minutos mais tarde, Maze, número 21, respondeu com a mesma marca, depois de ter feito grande parte da prova a um ritmo mais alto que o da adversária. “Isto torna-se ainda mais interessante porque não é nada habitual. É algo de especial”, reagiu a eslovena, que conseguiu na Rússia o melhor resultado de uma temporada difícil, na qual procura repetir a bem sucedida campanha de 2013. Para Maze, trata-se da terceira medalha olímpica, depois da dupla prata em Vancouver, em 2010, no slalom gigante e super-gigante. No caso de Gisin, a subida ao pódio foi uma experiência nova ao nível olímpico. A suíça de 28 anos, que no final da prova se apressou a abraçar a adversária, não deve recordar com saudade a competição de há quatro anos, quando não conseguiu evitar uma queda no último salto e deslizou pela neve até à meta. Desta feita, porém, o seu esforço foi premiado. Por improvável que possa parecer, esta não é a primeira vez que Gisin termina na liderança e em igualdade de circunstâncias. Dos três triunfos que soma agora no downhill, este é o segundo empate em que se vê envolvida, depois de, em Janeiro de 2009, na Áustria, ter registado no Campeonato do Mundo a mesma marca que a sueca Anja Paerson. Foi essa a última ocasião em que o downhill feminino produziu duas vencedoras. Para encontrarmos o último empate no esqui alpino, no decorrer de uns Jogos Olímpicos de Inverno, é preciso recuar até 1998. A proeza foi alcançada em Nagano, no Japão, pelo suíço Didier Cuche e pelo austríaco Hans Knauss, e valeu-lhes uma medalha de prata no slalom super-gigante, ganho por Hermann Maier. O slalom gigante feminino, de resto, também já gerou por duas vezes casos semelhantes. Em 1992, em Albertville, a norte-americana Diann Roffe e a austríaca Anita Wachter empataram na luta pelo segundo lugar, atrás da sueca Pernilla Wiberg. E muito antes, nos já longínquos Jogos de Innsbruck, em 1964, a francesa Christine Goitschel e a norte-americana Jean Saubert também partilharam a prata, enquanto o ouro ficou nas mãos da gaulesa Marielle Goitschel. Esta duplicação de medalhas poderá levantar problemas à organização? Só se não tiver acautelado devidamente esta possibilidade, algo que definitivamente não aconteceu em Sochi. Na verdade, nunca tantas medalhas foram produzidas para uns Jogos Olímpicos de Inverno. Na Rússia, há 1300 disponíveis, um número que também é justificado pela estreia de 12 eventos no calendário. “Este número inclui lotes extra de medalhas para os casos raros em que os atletas partilham o mesmo resultado e lugar no pódio”, explicou um responsável pelo Comité Olímpico Internacional à agência Reuters. Tina Maze e Dominique Gisin já começaram a justificar a decisão da organização, arrebatando dois exemplares de cerca de 500 gramas de peso e 6 gramas de ouro"
