Segundo o Dinheiro Vivo, “o banco central holandês e o
fundo de garantia de depósitos britânico decidiram processar o fundo de
garantia de depósitos islandês para tentar reaver o dinheiro com que
compensaram os seus cidadãos após a falência do banco Landsbanki, em 2008. As
duas instituições querem ser compensadas com 5 mil milhões de euros, valor
equivalente a metade do PIB islandês. O primeiro-ministro islandês afastou,
entretanto, a hipótese deste valor vir a ser pago, uma vez que o banco em causa
era privado, mas mostrou-se disposto a encontrar outra solução. "Não
estamos muito preocupados com isto. É improvável que eles consigam muito com
isto porque não existe nenhuma garantia do Estado ou do Governo", disse
Sigmundur Gunnlaugsson, citado pela Reuters. "Eu estou muito optimista
porque na minha opinião é do interesse de todos encontrar uma solução",
acrescentou.
“Pode levar um ou dois anos para resolver este
assunto”, disse Gudrun Thorleifsdottir, presidente do fundo de garantia de
depósitos islandês, à agência Bloomberg. “É absolutamente claro que este caso vai
ao Supremo Tribunal, o que significa que, na melhor das hipóteses, terá um
desfecho no próximo ano”. Quando os três principais bancos islandeses faliram
em 2008 – Glitnir, Kaupthing e Landsbanki –, o fundo de garantia de depósitos
islandês ficou sem dinheiro para cobrir as perdas totais dos depositantes
estrangeiros das contas Icesave, ficando por pagar a 350 mil depositantes. Os
islandeses decidiram em referendo, duas vezes, não reembolsar os depositantes
estrangeiros daquela instituição, que depositavam dinheiro através do banco
online Icesave, que oferecia aos seus clientes taxas de juro superiores a 6%. Lançado
no mercado britânico em 2006, o banco dava garantias plenas de segurança aos
seus clientes: "Quando deposita no Icesave pode ficar descansado que as
suas poupanças estão num lugar seguro", rezava a campanha. Ou "Pode
ficar descansado, que, com o Icesave, você goza do mesmo nível de proteção
financeira que todos os bancos no Reino Unido", assegurava a instituição. No
total, estes bancos deixaram para trás uma montanha de dívidas no valor de 62
mil milhões de euros, depois de o governo ter rejeitado resgatar as
instituições. Sem acesso aos mercados financeiros, a Islândia ficou sem
dinheiro para pagar, e por duas vezes - em referendos em 2010 e 2011 - os islandeses rejeitaram pagar estes
depósitos, ou contrair empréstimos para os pagar, como proposto pelo Reino
Unido e Holanda, que foram assim obrigados a reembolsar os seus cidadãos pelas perdas
de um banco estrangeiro. A tensão diplomática aumentou e Londres e Amesterdão
decidiram recorrer ao tribunal da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA)
que acabou, no entanto, por dar razão à Islândia. O ministro das finanças
holandês considera que é “justificada” a decisão do país procurar ser compensado.
“Existe um conflito sobre o valor das taxas de juro e dos custos. Este
procedimento legal é sobre isso”, afirmou Jeroen Dijsselbloem. O Landsbanki já
pagou cerca de 4,5 mil milhões de euros a credores prioritários, o equivalente
a 54% do total dos depósitos estrangeiros. A falência do Landsbanki deu,
entretanto, origem a um novo banco, o Nýi Landsbanki, criado em 2008 e detido
maioritariamente pelo Estado islandês”