terça-feira, fevereiro 23, 2021

Portugueses estão mais cumpridores: 92% usa máscara sempre que sai de casa e apenas 1,7% convive em grupos


Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, apresentou esta segunda-feira na habitual reunião do Infarmed, o estudo sobre as perceções sociais acerca da pandemia da Covid-19 em Portugal, concluindo que os portugueses estão mais cumpridores das regras estabelecidas. Em janeiro deste ano, cerca de 92% dos participantes disseram usar máscara sempre que saem de casa e apenas 1,7% dos inquiridos disseram ter estado com um grupo de 10 ou mais pessoas, um valor que compara com dezembro, quando essa percentagem foi de 20%.

Foi ainda possível observar uma “recuperação” no que diz respeito à confiança da população no sistema de saúde, bem como na adequação das medidas de resposta do Governo. Adicionalmente, verificou-se um “decréscimo muito grande” da perceção de risco de contrair a Covid-19. De acordo com a pesquisa, a 22 janeiro, 73% dos portugueses disse sentir um risco moderado ou elevado; a 19 de fevereiro, esse valor era de 56,5%. Ainda assim, segundo Carla Nunes, a redução tem que ver com o confinamento. Por último, a especialista adiantou que a perceção dos portugueses acerca do seu estado de saúde «tem estabilizado desde meados de dezembro, depois de um aumento constante desde o início da pandemia». Sobre o nível de confiança nas vacinas não foram avançados números, mas a responsável sublinhou que se mantém “muito elevado” (Executive Digest, texto da jornalista  Simone Silva)

Pandemia deixou os europeus mais propensos a acreditar em teorias da conspiração, indica estudo


Um ano de pandemia de covid-19 deixou muitos europeus mais cansados, pessimistas e críticos em relação à forma como os governos estão a lidar com a crise. Segundo um estudo, os europeus estão também mais propensos a acreditar em teorias da conspiração. Um inquérito realizado a quase 8000 pessoas em França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, desenvolvido pelo centro francês de investigação política Cevipof, mostrou níveis generalizados de crença em teorias de conspiração relacionadas com a covid-19 e vacinas nos quatro países.

Mais de 36% dos inquiridos em França, 32% em Itália e Alemanha, e 31% na Grã-Bretanha concordaram que os Ministérios da Saúde estavam a trabalhar com empresas farmacêuticas para encobrir os riscos das vacinas. Já 42% em França, 41% na Grã-Bretanha, 40% em Itália e 39% na Alemanha sentiam que os governos estavam a explorar a crise para “controlar e monitorizar” os cidadãos.

UE corre risco de sair do «Grande Confinamento» para entrar na «Grande Divergência»


A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou hoje para a possibilidade de se desenvolver uma ‘Grande Divergência’ em 2021, depois do ‘Grande Confinamento’ de 2020, inclusive na União Europeia (UE). Num discurso no âmbito da Semana Parlamentar Europeia, coorganizada pelo Parlamento Europeu e pela Assembleia da República, no quadro da dimensão parlamentar da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), Kristalina Georgieva admitiu que a sua “maior preocupação” para 2021 é que “o ‘Grande Confinamento’ de 2020 se tranforme numa ‘Grande Divergência’ em 2021”.

“A divergência é mais profunda no mundo em desenvolvimento, onde metade dos países que normalmente costumavam acelerar os níveis de rendimentos para os níveis dos seus pares mais ricos estão agora a ficar para trás. Mas é um risco também para a UE”, disse a responsável búlgara no discurso realizado a partir de Washington, por videoconferência.

Covid19: O que disseram os especialistas na reunião do Infarmed (22.2.2021)

  • A incidência de contágios a 14 dias teve regista uma "descida muito significativa". André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, foi o primeiro a tomar a palavra para abordar a atual situação epidemiológica no país. O especialista revelou ainda que a incidência do vírus no país é, agora, de 322 casos por 100 mil habitantes.
  • "Todas as regiões portuguesas estão numa fase de descida", incluindo a Madeira.  No entanto, "há zonas do território com incidências ainda particularmente altas, como Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Centro, entre 480 e 960 casos por 100 mil habitantes, mas já há vastas áreas do território com uma incidência inferior a 240 casos por 100 mil habitantes”, frisou.
  • Em termos etários, André Peralta Santos notou que se mantém “a tendência de descida de todos os grupos etários”, sendo que a faixa da população com 80 ou mais anos é ainda “o grupo com maior incidência neste momento”, apesar de ser “mais reduzida e com níveis de incidência ao nível de novembro”.
  • Valor do R(t) encontra-se abaixo de 1 em todo o país e é o mais baixo da Europa , revela Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge. "Nos últimos cinco dias tem estabilizado em torno de 0,66 e 0,68", acrescentou. A redução do número de novas infeções aumentou com o segundo pacote de medidas, que incluiu o fecho das escolas, defendeu o especialista. De acordo com o investigador, a redução de incidência foi mais acentuada na população com idades entre os 10 e os 50 anos e 80 e mais anos.
  • Em termos de contactos sociais, verificou-se uma redução do número contactos sociais na população portuguesa em linha com a redução da mobilidade, sendo que foi no grupo etário dos 60 ou mais anos onde se observou a maior redução de contacto, cerca de 41%, e no grupo etário dos 18 aos 49 anos cerca de 35%.
  • Segundo as projeções, a taxa de incidência acumulada a 14 dias estará abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes no início de março e abaixo dos 60 casos na segunda quinzena de março. O número de doentes Covid-19 internado em UCI estará abaixo de 320 na segunda quinzena de março e abaixo dos 200 no final do mês de março.
  • Sobre a variante do Reino Unido. Em Portugal, desde 1 de dezembro, terão ocorrido cerca de 150 mil casos de infeção por esta variante. “Em janeiro fizemos uma projeção a três semanas que indicava que na semana seis – a semana passada – cerca de 65% dos novos casos fossem provocados por esta variante. Tal não aconteceu graças ao confinamento. Os dados indicam que temos cerca de 48% dos novos casos provocados por esta variante e sem uma tendência crescente”, afirmou o especialista do INSA, notando que no Reino Unido já se estima uma prevalência desta variante superior a 90%.
  • No entanto, o investigador do INSA alertou que com o futuro desconfinamento será expectável uma recuperação do ritmo de crescimento de infeções por esta variante, por ser mais transmissível. João Paulo Gomes observou que o 'planalto' de valores encontrado nas últimas semanas se deve à limitação dos contactos sociais por força do confinamento.
  • Outras variantes. Até 22 de fevereiro, foram detetados quatro casos da variante da África do Sul e sete casos da variante P.1 (a chamada variante de Manaus). Sobre esta última, João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, diz que "estamos a falar de apenas uma cadeia de transmissão".
  • A estratégia para identificar novas variantes da Covid-19 vai mudar no mês de março: o rastreio passa a ser semanal, e não mensal.
  • Como será o novo normal nos hospitais? João Gouveia, da Coordenação da Reposta em Medicina Intensiva, responde: com menos de 242 doentes em UCI, 245 camas de Medicina Intensiva dedicadas à Covid-19 e 629 camas para a atividade normal. O especialista refere também a necessidade olhar para a testagem e analisar a mobilidade das populações.
  • “A situação da medicina intensiva em Portugal é ainda muito frágil, temos uma situação atual que não é real, é enganadora. É necessário completar obras em curso e assegurar recursos humanos”, reiterou João Gouveia, que, após vincar que a taxa de ocupação não deve exceder os 85% - ou seja, sensivelmente 242 doentes covid em cuidados intensivos -, assegurou que Portugal só vai conseguir chegar “no final da terceira semana de março” aos 245 doentes.
  • Como atuar para controlar a pandemia? Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, elencou uma série de "princípios para a atuar":  incidência, internamentos por dias e a velocidade a que os fenómenos ocorrem, através do R(t), o índice de transmissibilidade.
  • Plano de vacinação: ponto de situação. Já chegaram cerca de um milhão de vacinas a Portugal, das quais mais de 700 mil já foram inoculadas. 248 mil pessoas já levaram as duas doses, revela Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force. Há há “7  pessoas em cada 100 habitantes com uma inoculação pelo menos; 4,5% da população com a primeira dose e 2,4% com a segunda dose”.
  • O Vice-almirante disse ainda que "haverá uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia". Previsão para se atingir a imunidade de grupo em Portugal "pode passar do fim do verão para meados de agosto ou o início de agosto" — e não em setembro.
  • “Há uma expectativa mais positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo, o período em que se pode atingir a imunidade de grupo - 70% - pode eventualmente reduzir-se relativamente ao fim do verão para passar para meados do verão, em volta de meados ou início de agosto”, disse Gouveia e Melo (Sapo)

Portugal tem a maior contração do PIB este trimestre


A Comissão Europeia projeta que a economia portuguesa caia 2,1% no primeiro trimestre deste ano, face ao trimestre anterior. Esta é a pior quebra entre os países da zona euro na variação em cadeia, cuja diminuição em média deverá ser de 0,9%. Porém, Portugal deverá recuperar no segundo trimestre, crescendo 1,8%, seguido de uma expansão da economia de 4,1% no terceiro trimestre e de 0,8% no último trimestre (Jornal Económico, infografia de Mário Malhão)

Companhia aérea nacional foi das que perdeu mais terreno em 2020 no meio da crise do sector


O efeito da pandemia foi devastador no tráfego aéreo em Portugal no ano passado, com uma quebra de passageiros nos aeroportos nacionais de 69%. ‘Desapareceram’ cerca de 38,4 milhões de passageiros em comparação com 2019, o equivalente a cerca de 105 mil passageiros por dia. Nesta aterragem abrupta e generalizada do sector, a TAP foi das que mais sofreu, com uma quebra de 70,3%, menos 18,6 milhões de passageiros, tendo perdido quota de mercado para quase toda a concorrência (Jornal Económico, infografia de Mário Malhão)

NASA divulga vídeo da Perseverance a pousar em Marte

 

Turismo: Algarve à espera de verão amargo e vazio

 

Europa: Von der Leyen faz apelo aos Estados-membros

 

Testes à Covid-19 em Portugal baixaram 60%


Mais de 424 mil desempregados em Portugal


 

segunda-feira, fevereiro 22, 2021

Nota: Quinta Vigia e autárquicas....

 

Afinal o que se tem passado nesses encontros da Quinta Vigia?

Cheira-me que o propósito é resolver politicamente os casos mais polémicos, Ribeira Brava (depois do saneamento de Ricardo Nascimento em 2017, injusto e despropositado, acabou dando uma banhada nas autárquicas de 2017 com uma lista de cidadãos apoiada pelo CDS-M mas cuja base eleitoral foi essencial e claramente do PSD-M) um deles, São Vicente logo depois. E outros se seguem, casos da Ponta do Sol e Porto Santo (deixando de fora os maiores municípios), onde as pespectivas parecem ser negras, dadas as previsões de repetidas asneiradas políticas. E de fora deixo Porto Moniz, porque cheira-me também que o PSD-M já decidiu que não vai querer disputar agora a Câmara Municipal, ficando sentado de sofá à espera que o socialista Emanuel Câmara seja obrigado a sair daqui a 4 anos por limitação de mandatos. E nessa altura, depois do desastre eleitoral autárquico de 2017, provavelmente o PSD-M já deixou de existir no Porto Moniz….

Aliás esta ideia da desnecessidade de um PSD-M que "desaparece" do mapa político de freguesias ou concelhos, por opção própria, é outro risco grave que está a ser implementado pela nomenclatura laranja. Mais 4 anos de oposição nas autárquicas do costume inevitavelmente pode atirar o PSD-M para uma penosa travessia do deserto onde a luta pela sua sobrevivência passará a estar em cima da mesa. Não duvido que os próprios militantes e simpatizantes social-democratas, perante estes puzzles todos, acabem por concluir que a estratégia de abandono adoptada pelo partido - que deliberadamente falha naquelas que são as eleições que mais directamente mobilizam e interessam às bases partidárias e aos eleitores em geral - transformará o PSD-M numa inutilidade, ainda por cima num tempo que é o mais grave, como verificaremos com o tempo, da história da Madeira, mais grave política, social, económica e financeiramente, etc

É óbvio que não tem havido reuniões preparatórias das autárquicas dando a palavras às bases do PSD-M em cada freguesia ou concelho, quando são elas que estão no terreno, que garante a constituição de candidaturas e lutam pelos votos necessários às vitórias.

Acham que esses militantes vão andar no terreno, em campanha (se é que ela vai existir nos moldes tradicionais) a pedir votos a favor de listas ou de projectos autárquicos que estão contra o PSD-M, que concorreram em 2013 e 2017 (e não vou recordar os motivos que levaram a isso, alguns válidos, outros não) contra o PSD-M?

E que dizer do que se vai passar em São Vicente que será mais uma machadada na ética política e uma sem-vergonhice que eventualmente estará em preparação (falo do regresso de quem partiu, tudo porque o PSD-M vive de "retribuições" por favores políticos passados e aceita de forma lamentável ser pulverizado do mundo autárquico que foi sempre o seu), quiçá mesmo atropelando a própria lei?!

O que tem havido e tem sido noticiado são encontros para trocas e para resolver "berbicachos" que foram criados, ou pelo facto do PSD-M continuar refém de pressões e chantagens, tudo em nome da salvaguarda do poder, ou porque nem PSD-M nem CDS-M querem "apoquentar" as candidaturas independentes.

No caso da Ribeira Brava, surgida depois do comportamento vergonhoso mantido em 2017 com Ricardo Nascimento, claramente saneado por ter sido escolhido em 2013 por João Jardim.

No caso de São Vicente, um caso bem diferente, porque como é sabido, a candidatura dos denominados "independentes", em 2013 - que ganharam (repetindo a façanha em 2017) com os votos do eleitorado social-democrata - aconteceu em resposta a uma escolha, que na altura me pareceu discutível e pouco discutida, que o PSD-M tomou neste concelho, apesar de existirem sinais de problemas e de algumas movimentações de bastidores que foram erradamente desvalorizadas. Movimentações que pretendiam impor uma determinada candidatura que, ao ser preterida, acabou por ser incentivada (este processo teve sempre como pano-de-fundo a disputa pela liderança do PSD-M e pela sucessão de AJJ), processo que acabou por obrigar à desvinculação de várias pessoas que corporizaram depois uma candidatura de cidadãos contra um PSD-M que acabou enxovalhado e derrotado nas urnas.

Eu continuo a afirmar que o que se passou no processo autárquico de 2013, associado às regionais de 2011, teve a sua génese em disputas políticas e pessoais, na área do PSD-M, e não apenas no Funchal, a que se juntou uma organizada campanha de boicote - claramente perceptível no terreno (e muitos dos que a prepararam estão vivos e podem confirmá-lo) - antes das regionais de 2011 que realmente marcaram o princípio do fim da liderança de João Jardim no PSD-M e quanto a mim, aceleraram o processo de substituição e as directas no final de 2014.

O desgaste eleitoral do PSD-M era mais do que evidente e basta analisar os números. A uma queda eleitoral nas regionais de 2011 que colocaram o PSD-M com apenas 25 dos 47 deputados regionais num parlamento regional com 8 partidos políticos (algo inédito na política nacional), juntou-se em 2013 a perda de 7 das 11 Câmaras Municipais incluindo a do Funchal, explicada por acontecimentos políticos vários, que influenciaram negativamente o processo eleitoral, e o voto dos cidadãos, mas por que o próprio PSD-M se dividiu profundamente neste processo eleitoral. A própria presença do PSD-M como uma máquina operacional, oleada, organizada, mobilizada e omnipresente sofreu um rude revés e perdeu fulgor, sendo esse o momento em que se percebeu que as regionais e 2011 seriam as piores de todas para João Jardim. Antes dos pouco mais de 34% do PSD-M na autárquicas de 2013, tivemos um PSD-M abaixo dos 50% nas regionais de 2011 e com apenas 2 deputados acima da maioria absoluta.

Recordo os votos do PSD-M:

Regionais de 2007 – 90.339 votos, 64,2%

Autárquicas de 2009 – 72.188 votos, 51,9%

Regionais de 2011 – 71.556 votos, 48,6%

Autárquicas de 2013 – 47.207 votos, 34,8%

Regionais de 2015 – 56.569 votos, 44,4%

Autárquicas de 2017 – 46.536 votos, 33,6%

Regionais de 2019 – 56.448 votos, 39.4%

Mas podemos lembrar os eleitos pelo PSD-M:

Assembleia Legislativa (2007) – 33 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2009) – 47 eleitos (345 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2011) – 25 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2013) – 33 eleitos (247 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2015) – 24 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2017) – 26 eleitos (251 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2019) – 21 deputados (perda maioria absoluta)

Portanto, estes encontros na Quinta Vigia, limitados às elites concelhias, pouco ou nada resolvem em termos eleitorais nem garantem que as bases do PSD-M, os seus militantes e simpatizantes, aceitem as "negociatas" feitas no Funchal para agradar gregos-e-troianos. Sobre este tema publicarei um dia destes, muito brevemente, o “Bloco de algumas das minhas notas tontas sobre o processo autárquico-2021 na RAM” (LFM)

domingo, fevereiro 21, 2021

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