Segundo o Económico, "o Governo concertou estratégia com países do grupo "amigos da coesão". Fonte diplomática admite "aumento modesto" na agricultura. A "principal preocupação" do Governo nas negociações do novo quadro financeiro europeu até 2020 é evitar os cortes no fundo para o desenvolvimento rural, que são considerados "inaceitáveis". Portugal já sabe que vai perder dinheiro face ao anterior quadro financeiro. E, de acordo com fonte diplomática, o Executivo aceita o corte de 10% previsto no fundo de coesão, até porque essa redução é atenuada pelo "cheque" suplementar de cerca de mil milhões de euros enviados para Lisboa e para a região autónoma da Madeira. Mas os cortes de 25% previstos na proposta incial para o desenvolvimento rural são considerados "inaceitáveis". Portugal espera não só evitá-los, como conseguir um "aumento modesto" do envelope para a agricultura. Recorde-se que no anterior quadro financeiro Portugal recebeu cerca de quatro mil milhões de euros do fundo para o desenvolvimento rural, metade do bolo total que recebeu no âmbito da Política Agrícola Comum. O governo português concertou a estratégia para evitar o corte com os restantes países da coesão, antes de entrar para a cimeira de chefes de Estado, que se atrasou e so vai ter início às 20h30 de Bruxelas (19h30 de Lisboa). A mesma fonte diplomática não especificou de onde poderá vir o "aumento modesto" para a agricultura. Mas o Público noticiou hoje que o Executivo irá pedir um envelope adicional de 900 milhões, sem obrigatoriedade de contrapartida nacional nos projectos. O novo quadro financeiro até 2020 está a gerar grandes divergências entre os países que mais beneficiam dos fundos comunitarios, como Portugal, e os que mais contribuem, como Reino Unido e Alemanha. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, ameaçou hoje em Bruxelas bloquear qualquer acordo em torno da proposta de orçamento, se não houver mais cortes. O atraso no início da cimeira prende-se, aliás, com o facto de Herman Van Rompuy, estar a ultimar uma nova proposta de compromisso para o novo quadro, que até ao momento não é conhecida. A proposta inicial apresentava cortes na ordem dos 100 mil milhões de euros face ao pretendido pela Comissão Europeia, colocando o bolo total na ordem dos 943 mil milhões"