quinta-feira, dezembro 13, 2007

ORAM-2008: Jardim e o ensino

"(...) Entretanto, Portugal, entre os 30 países da OCDE, é o vigésimo nono país menos instruído, atrás da própria Turquia. A escola pública está em declínio.
Como diz o Professor Marques Bessa: “Português e História de Portugal são matérias mal ensinadas e mal assimiladas.
Nada como apanhar as gerações em turmas de História e Língua para verificar a ignorância fundamental em temas essenciais, logo no primeiro ano da Universidade. Está a passar-se com estas matérias o que se passou com a Matemática, a Geometria, a Álgebra Analítica, a Física, a Química. De tanto ensinar, criam analfabetos funcionais que não sabem de nada, nem mesmo o trivial. Se alguns autores vetustos estão de fora, isso não tem importância alguma se compararmos essa oclusão com a ignorância do Português contemporâneo. Mesmo os autores contemporâneos e modernos são escolhidos a dedo, não vão eles descobrir o português de Júlio Dantas, a oratória de Vieira, a ironia de Queirós, o vernáculo de Torga. Na Escola aprende-se cada vez menos e o objectivo é criar analfabetos funcionais. As élites vão para colégios especiais para futuros dirigentes. Isto é desagradável, mas é assim. Aliás a escola pública está em declínio. Para que serve a riqueza afinal? Será para dar iguais oportunidades?
Pergunta-se como marcha o ensino do inglês. Não tem sentido hoje perguntar pelo estado do português, na verdade doente como sempre, e agora atingido de morte fatal nas escolas primárias e secundárias. Os miúdos falam uma linguagem de calão básico, não elaborada, provavelmente com origem nas periferias urbanas, entendem-se por sinais e um dia destes vão fazer sinais de fogo porque deixaram de falar”.

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