“Por descargo de
consciência fui ver quantos cupões tenho para o sorteio do célebre carro. Não
tenho esperança de ganhar, mas queria ver como funciona o sistema. Não tenho um
único cupão, nada! Zero! E tenho a certeza que pedi faturas em janeiro.
Parece que estão
pendentes... E descobri que pendente é algo de que as faturas gostam
particularmente. Confirmei esta ideia quando, uma vez que já estava no Portal
das Finanças, fui ver que desconto conseguiria no IRS deste ano pelas faturas
pedidas em 2013. Aí parece que tenho mais sorte, posso deduzir cento e poucos
euros. Mas o que mais me espantou foi ter quase uma centena de faturas com
informação... pendente. Que informação é essa? É a "Atividade da
Realização da Aquisição" e saber se foi ou não feita "Fora do Âmbito da Atividade
Profissional". Felizmente, tinha a possibilidade de esclarecer uma a uma.
Foi então que me
dei ao trabalho de - uma a uma - especificar que "Cerger - Sociedade de
Atividades Hoteleiras, SA" - se trata - ó surpresa! - de "Hotelaria,
Restauração e Similares", o mesmo se passando com "Paberesbares,
Atividades de Hotelaria Lda". E por aí fora, numa série de nomes de
empresas que indicam a atividade ("Iberusa Hotelaria e Restauração,
SA" ou "Setor Mais Serviços Globais em Alimentação, Lda").
Outros, como "Quimenauto Reparação e Comércio Automóvel" diz respeito
à categoria - imaginem! - de manutenção e reparação de veículos automóveis.
Enfim... Pacientemente especifiquei que tudo isto era "Fora do Âmbito
Profissional", pois quando é do âmbito profissional costumo (até porque
não me aceitam a despesa de outra maneira) indicar o NIF (Número de
Identificação Fiscal) da empresa.
Findo todo este
trabalho, fiquei a saber que não me valia de nada. O prazo tinha expirado em 10
de março. Mas eu compreendo. Sou eu que sou mal informado, isto deve ter sido
amplamente divulgado.
As faturinhas
ficam, pois, "pendentes". Mas todos sabemos o que acontece a um
cidadão que fique "pendente" em relação às finanças. Nem que seja
anos depois apanham-nos! E com juros de mora e ameaça de penhora...
Eles gozam
connosco! Digo eu, para não perder o sentido de humor” (texto de Henrique
Monteiro, Expresso, com a devida vénia)