Escreve o Correio da Manhã: “Perdi o meu posto por inconformismo
editorial". Foi assim que Mário Crespo justificou ontem a sua saída da
SIC, após 13 anos, por a estação ter decidido não renovar o seu contrato, após
este ter dado entrada com o seu pedido de reforma aos 66 anos. "Não
prolongaram o meu contrato apesar de eu poder continuar", afirmou o antigo
apresentador do ‘Jornal das 9', da SIC Notícias, durante um debate na
Biblioteca Municipal de Loures, sobre os 40 anos do 25 de Abril. Crespo, que já
afirmou que gostaria de ter ficado na SIC Notícias até ao dia 25 de abril,
confidenciou que levou "algum tempo a compreender" o seu
"despedimento". O jornalista denunciou ainda as ligações entre o
grupo de Francisco Pinto Balsemão e o regime angolano. "Tive uma carta do
diretor de informação da SIC [Alcides Vieira] a proibir-me de levar o Rafael
Marques [jornalista e ativista dos direitos humanos angolano, crítico do
governo de José Eduardo dos Santos] ao meu jornal". Crespo revelou ainda
que várias vezes rejeitou emitir "reportagens muito bondosas sobre
Angola" no seu noticiário. O CM contactou o diretor de informação da SIC
que disse apenas ser "falsa" a acusação. No mesmo debate, Mário
Crespo disse ainda estranhar as reportagens positivas sobre Angola publicadas
no ‘Expresso' e lembrou a venda de 23,13% da Impresa, por parte da Ongoing, a
"fundos privados que ninguém sabe quem são". O jornalista tem
contrato com a Impresa, dona da SIC e do ‘Expresso', até ao fim de maio”