Li no Expresso que “num artigo publicado quarta-feira, o "Le
Monde" expõe os negócios que o Estado português tem feito e os
investimentos que tem aceite de países africanos como a Guiné-Equatorial e
Angola. Com o título "Os fundos vindos de Angola semeiam confusão em
Portugal", a edição em papel de quarta-feira do diário francês "Le
Monde" publica um artigo dedicado às trocas comerciais entre Portugal e
Angola, no momento em que, em Bruxelas, se reúnem os dirigentes de nove dezenas
de países dos dois continentes, na IV cimeira União Europeia-África. O artigo
identifica o esforço da União Europeia em aproveitar a ocasião para se impor à
rivalidade comercial da China e centra-se nos negócios que Portugal se esforça
por realizar nas suas ex-colónias, de modo a contribuir para a revitalização
"da sua economia fatigada pela crise e pela austeridade". Usa para tal a visita de Estado do primeiro-ministro Passos Coelho a
Moçambique (26 e 27 de março), país que o "Le Monde" classifica como
tendo "grande dotação de gás" e com o qual Portugal acaba de assinar
16 acordos comerciais. A Guiné-Equatorial é dada como exemplo das concessões
que o Governo português está disposto a fazer. O jornal francês cita a
disponibilidade manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui
Machete, para que aquele país adira à Comunidade de Países de Língua Portuguesa
(CPLP), apesar de essa hipótese ter sido excluída em 2012, em nome do respeito
pelos direitos humanos. "É sobretudo a Angola que Portugal abre os seus
braços", lê-se a seguir ao subtítulo com a citação do jornalista Rafael
Marques: "Portugal transforma-se numa máquina de lavar dinheiro roubado ao
povo angolano". O jornal descreve ainda em breves linhas o esquema de
influência do Presidente angolano e da família Dos Santos, chamando a Portugal
"cúmplice" de "um regime que despreza o seu povo". E aflora
ainda o caso de "tratamento especial" a Manuel Vicente, número dois
do Estado angolano, que foi objeto de pedidos de desculpa por parte de Rui
Machete”.
