Garante o Jornal I num texto dos jornalistas Gonçalo Venâncio e Sónia Cerdeira, que "Lech Kaczynski, o presidente, prometeu assinar o tratado depois da Irlanda. E é já no sábado. Jaroslaw, o irmão, nem quer acreditar na hipótese. Em 1962, com apenas 12 anos, eles deixaram a Polónia com uma lágrima no canto do olho com a sua performance em "Os dois que roubaram a lua" - um ternurento filme para crianças. Eles eram Lech e Jaroslaw Kaczynski, os indistinguíveis gémeos que mais tarde dominariam a política polaca. Outros tempos: agora tentam deixar a elite europeia à beira de um ataque de nervos. Tal como Praga - cada vez mais entre a espada e a parede -, Varsóvia é a única capital dos 27 onde o Tratado de Lisboa ainda aguarda ratificação. E os sinais são tão contraditórios que já nem os gémeos se entendem. Em 2007, Lech, o presidente polaco conservador e eurocéptico, já tinha deixado a promessa: assim que os irlandeses se pronunciarem favoravelmente, a Polónia não colocará entraves a Lisboa. Dublin deu luz verde ao tratado e Ka-czynski, mantendo a sua palavra, marcou a ratificação para o próximo sábado. Lech já tratou dos preparativos da cerimónia e convidou Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Frederick Rheinfeldt, presidente do Conselho em exercício. Horas antes, já corria o rumor. Jaroslaw Kaczynski, o antigo primeiro-ministro, conservador e eurocéptico, nem queria acreditar: "É tudo coscuvilhice", disse. "Tanto quanto sei, e eu conheço essas coisas, isso não acontecerá no domingo." Jaroslaw, que nasceu 45 minutos antes de Lech, é líder do PiS (Partido Lei e Justiça) e o maior aliado político do irmão. As reservas de Jaroslaw mostram que Lisboa continua a ser arma de arremesso político em Varsóvia. "A Polónia conseguiu tudo o que queria", dizia Lech à saída da FIL, em Lisboa, onde o tratado foi negociado à linha entre as comitivas jurídicas europeias. Isto foi em 2007, meses antes de Jaroslaw ter perdido as legislativas para a plataforma de centro direita liderada por Donald Tusk. Isolado no poder, Lech radicalizou o discurso. Dando seguimento à batalha eleitoral do irmão, exigiu ao arquirival Donald Tusk uma proposta legislativa que definisse "quem é quem" na política externa polaca: ambos querem ser a cara do país na UE, mas só há lugar para um. Como ainda não há "lei de competências", Lech só tem duas opções em cima da mesa: não assinar e comprar uma guerra com Bruxelas; ou decide tirar a caneta do bolso saindo fragilizado internamente. Optou pela segunda. Agora vai ter muitos problemas para resolver em família. "Problema" é uma palavra que Vaclav Klaus, o presidente checo, vai conhecer cada vez melhor nos próximos dias. A pressão das capitais europeias, e também doméstica, vai subir de nível. Klaus, sereno, continua a ostentar desdém pela União Europeia".sexta-feira, outubro 09, 2009
Tratado de Lisboa provoca guerra na Polónia...
Garante o Jornal I num texto dos jornalistas Gonçalo Venâncio e Sónia Cerdeira, que "Lech Kaczynski, o presidente, prometeu assinar o tratado depois da Irlanda. E é já no sábado. Jaroslaw, o irmão, nem quer acreditar na hipótese. Em 1962, com apenas 12 anos, eles deixaram a Polónia com uma lágrima no canto do olho com a sua performance em "Os dois que roubaram a lua" - um ternurento filme para crianças. Eles eram Lech e Jaroslaw Kaczynski, os indistinguíveis gémeos que mais tarde dominariam a política polaca. Outros tempos: agora tentam deixar a elite europeia à beira de um ataque de nervos. Tal como Praga - cada vez mais entre a espada e a parede -, Varsóvia é a única capital dos 27 onde o Tratado de Lisboa ainda aguarda ratificação. E os sinais são tão contraditórios que já nem os gémeos se entendem. Em 2007, Lech, o presidente polaco conservador e eurocéptico, já tinha deixado a promessa: assim que os irlandeses se pronunciarem favoravelmente, a Polónia não colocará entraves a Lisboa. Dublin deu luz verde ao tratado e Ka-czynski, mantendo a sua palavra, marcou a ratificação para o próximo sábado. Lech já tratou dos preparativos da cerimónia e convidou Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Frederick Rheinfeldt, presidente do Conselho em exercício. Horas antes, já corria o rumor. Jaroslaw Kaczynski, o antigo primeiro-ministro, conservador e eurocéptico, nem queria acreditar: "É tudo coscuvilhice", disse. "Tanto quanto sei, e eu conheço essas coisas, isso não acontecerá no domingo." Jaroslaw, que nasceu 45 minutos antes de Lech, é líder do PiS (Partido Lei e Justiça) e o maior aliado político do irmão. As reservas de Jaroslaw mostram que Lisboa continua a ser arma de arremesso político em Varsóvia. "A Polónia conseguiu tudo o que queria", dizia Lech à saída da FIL, em Lisboa, onde o tratado foi negociado à linha entre as comitivas jurídicas europeias. Isto foi em 2007, meses antes de Jaroslaw ter perdido as legislativas para a plataforma de centro direita liderada por Donald Tusk. Isolado no poder, Lech radicalizou o discurso. Dando seguimento à batalha eleitoral do irmão, exigiu ao arquirival Donald Tusk uma proposta legislativa que definisse "quem é quem" na política externa polaca: ambos querem ser a cara do país na UE, mas só há lugar para um. Como ainda não há "lei de competências", Lech só tem duas opções em cima da mesa: não assinar e comprar uma guerra com Bruxelas; ou decide tirar a caneta do bolso saindo fragilizado internamente. Optou pela segunda. Agora vai ter muitos problemas para resolver em família. "Problema" é uma palavra que Vaclav Klaus, o presidente checo, vai conhecer cada vez melhor nos próximos dias. A pressão das capitais europeias, e também doméstica, vai subir de nível. Klaus, sereno, continua a ostentar desdém pela União Europeia".
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