Nestes anos tive muita solidariedade de pessoas do centro-direita. E aquilo que hoje me pergunto é: mas será que os eleitores do centro-direita querem realmente tudo isto? Será que se sentem efectivamente tranquilos quando os ataques contra os seus adversários assumem a forma de invasão da sua esfera privada? Conheço uma tradição de conservadores que nunca teria aceite um tal desvio às regras. E é aqui que faz sentido a manifestação pela liberdade de informação, que faz sentido fazê-la, acima de tudo em nome daqueles que em Itália e no mundo pagaram com a vida por terem servido uma informação livre. Em nome de Christian Poveda, morto recentemente em El Salvador por ter realizado uma reportagem sobre o maras, o feroz gangue da América Central que é charneira do grande narcotráfico entre o sul e o norte do continente. Em nome de Anna Politkovskaya e de Natalya Estemirova, assassinadas na Rússia pela sua batalha sobre a Tchetchénia. Em nome de Peppino Impastato, Giuseppe Fava e Giancarlo Siani, suprimidos pela Mafia e pela Camorra, e difamados antes e depois da sua morte. Porque num qualquer país democrático não sucede que a expressão de uma opinião sobre o que acontece signifique ter de pagar com a própria alma, o próprio corpo, o próprio sangue. Isto é liberdade de imprensa" (artigo de Roberto Saviano, publicado no Expresso, com a devida vénia)
sexta-feira, outubro 09, 2009
Opinião: em defesa da liberdade de imprensa
Nestes anos tive muita solidariedade de pessoas do centro-direita. E aquilo que hoje me pergunto é: mas será que os eleitores do centro-direita querem realmente tudo isto? Será que se sentem efectivamente tranquilos quando os ataques contra os seus adversários assumem a forma de invasão da sua esfera privada? Conheço uma tradição de conservadores que nunca teria aceite um tal desvio às regras. E é aqui que faz sentido a manifestação pela liberdade de informação, que faz sentido fazê-la, acima de tudo em nome daqueles que em Itália e no mundo pagaram com a vida por terem servido uma informação livre. Em nome de Christian Poveda, morto recentemente em El Salvador por ter realizado uma reportagem sobre o maras, o feroz gangue da América Central que é charneira do grande narcotráfico entre o sul e o norte do continente. Em nome de Anna Politkovskaya e de Natalya Estemirova, assassinadas na Rússia pela sua batalha sobre a Tchetchénia. Em nome de Peppino Impastato, Giuseppe Fava e Giancarlo Siani, suprimidos pela Mafia e pela Camorra, e difamados antes e depois da sua morte. Porque num qualquer país democrático não sucede que a expressão de uma opinião sobre o que acontece signifique ter de pagar com a própria alma, o próprio corpo, o próprio sangue. Isto é liberdade de imprensa" (artigo de Roberto Saviano, publicado no Expresso, com a devida vénia)
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