sexta-feira, fevereiro 16, 2024

Tribunal Constitucional declara inconstitucionais limitações à operação de TVDE na Madeira

O Tribunal Constitucional (TC) declarou inconstitucionais as normas que limitam a atividade de TVDE na Região Autónoma da Madeira, com a imposição de um limite total de 40 veículos e de três viaturas por operador. O TC, num acórdão consultado pela agência Lusa, argumenta que a Constituição Portuguesa estabelece que “é da exclusiva competência da Assembleia da República” legislar sobre esta matéria. Os juízes conselheiros fundamentam igualmente a decisão no artigo da Constituição que indica que a “iniciativa económica privada exerce-se livremente nos quadros definidos pela Constituição e pela lei e tendo em conta o interesse geral”. O tribunal entendeu, assim, declarar inconstitucionais as normas contidas no Decreto Legislativo Regional n.º 14/2020/M, da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, que fixam contingentes para a prestação de serviço de transporte individual de passageiros em veículo descaracterizado (TVDE), impondo um limite global máximo de 40 veículos e um limite por operador de três veículos.

Foi ainda decidido “não restringir os efeitos da referida declaração de inconstitucionalidade e, nomeadamente, a sua eficácia retroativa, nos termos do artigo 282.º, n.º 4, da Constituição da República Portuguesa”. Segundo o acórdão, esta fiscalização por parte do TC foi requerida pela Procuradora-Geral da República, Lucília Gago. Em 29 de novembro do ano passado, também a Provedora de Justiça anunciou que pediu ao Tribunal Constitucional a fiscalização das normas que limitam a atividade de TVDE na Região Autónoma da Madeira, por considerar que violam a Constituição.

Portugueses são dos cidadãos menos eurocéticos da Europa, exceto numa região

Portugal é um dos países menos eurocéticos da União Europeia, com uma exceção: o Alentejo, onde nas eleições legislativas de 2022 registou 25% dos votos num partido anti-UE (CDU). No entanto, indicou o jornal ‘Público’, o euroceticismo é prevalente no mundo rural e pode mesmo vir a ganhar lastro a nível nacional. Esta é uma das conclusões do estudo ‘Áreas rurais e a geografia do descontentamento’, da Comissão dos Recursos Naturais do Comité das Regiões Europeu, que destacou a tendência crescente do voto eurocético em zonas rurais, após uma análise aos resultados das eleições nacionais em diversos países europeus. Os autores do estudo apontaram que “é mais provável” que o apoio eleitoral a partidos anti-Europa ocorra “em áreas rurais do que nas urbanas e intermédias” devido a razões como oportunidades económicas limitadas, desenvolvimento económico estagnado, desafios demográficos, baixa educação e desinformação ou imigração elevada. No entanto, também as políticas da UE sobre a PAC (Política Agrícola Comum), as alterações das regras do bem-estar animal ou os acordos de comércio com países fora da UE têm “impactos desproporcionados nas zonas rurais”, ao mesmo tempo que criam “desafios socioeconómicos e culturais que podem relacionar-se com padrões de voto eurocético”. Portugal é um dos cinco Estados-membros em que apenas uma região registou 25% dos votos num partido eurocético, sendo que a maioria dessas regiões seja rural (16 em 25). O Alentejo – em particular o Baixo Alentejo – registou 31% de votos anti-UE. A CDU foi o segundo partido mais votado no círculo eleitoral de Beja, a seguir ao PS, já no Alentejo Central e Litoral registou-se 24 e 22% dos votos, respetivamente. Este voto pode, no entanto, alastrar-se ao restante território nacional, apontaram os autores do estudo, que recomendaram que a UE use a visão a longo prazo para as zonas rurais como “roteiro” para responder aos desafios dessas regiões, “prevenindo o isolamento e aumentando o emprego, a conectividade, a demografia e o desenvolvimento”

quarta-feira, fevereiro 14, 2024

As notas de uma decisão corajosa de um juíz que abre caminho a um debate sobre questões relacionadas com o exercício dos poderes por parte de algumas instituições judiciais

- A decisão de hoje foi uma demonstração de classe, coragem, de competência e postura adequada perante os factos que lhe colocaram em cima da mesa, e uma vitória das defesas e dos seus argumentos, aliás ouvidos desde primeiro dia;

- O Ministério Público, depois do que se passou em Lisboa com o governo de Costa, uma vez mais corre o risco de sair mal e chamuscado de um novo processo com contornos políticos, embora disponha ainda da possibilidade de recorrer da decisão. Tem sempre a possibilidade de recorrer e tenho a certeza que vai recorrer da decisão do Juiz de Instrução. O problema deste caso é que só conhecemos os argumentos do Ministério Público, que estiveram na Base da detenção dos 3 cidadãos, não sabemos o que disseram os arguidos nem as suas defesas;

- Tudo isto faz-me lembrar o caso Sócrates, que se arrasta há 120 anos sem acusação formalizada, sem, julgamento e sem condenação, bem como o caso do antigo ministro Miguel Macedo. Lembro que em novembro de 2015, Miguel Macedo foi acusado pelo Ministério Público da prática de três crimes de prevaricação de titular de cargo político e um crime de tráfico de influências, no âmbito do processo dos vistos gold. Em janeiro de 2019, foi julgado e absolvido de todas as acusações. A verdade é que a carreira política de ambos terminou e ambos foram enforcados, julgados, esquartejados nesse monte de estrume que são as redes sociais desreguladas quando acham que podem substituir a justiça e julgar pessoas indiscriminadamente;

- O problema agora é que os contornos que rodearam a crise política regional deixaram de ter qualquer validade, perante a decisão do juiz de Instrução que não reconheceu a existência de indícios de qualquer crime;

- O Representante da República em meu entender deve convidar o PSD-Madeira a formar governo e PSD, CDS e PAN devem encetar contactos imediatos com vista à renegociação, caso queiram, um novo acordo parlamentar assente num acordo parlamentar e afastando fantasmas perante a decisão hoje anunciada pela Justiça séria que ainda existe;

- O Presidente da República caso o PSD-Madeira forme um novo governo e que este fique dotado de um novo programa e de um novo orçamento, dificilmente terá motivos consistentes para dissolver a Assembleia Legislativa da Madeira. Acresce que MRS não terá motivos para ajustar contas como os que estiveram na base da sua decisão precipitada e errada de aceitar a demissão de António Costa por causa de um não motivo e dissolver o parlamento.  Nunca o deveria ter feito naquele contexto e por causa daqueles motivos;

- Considero que MRS, antes de receber o Representante da República, 6ª feira em Belém,  tem o dever, a obrigação de chamar ao Palácio de Belém a Procuradora-Geral da República, que tutela o Ministério Público, e exigir clarificação de vários assuntos pendentes e que persistem sem explicação pública consistente, desde que a Operação Influencer derrubou o governo socialista de Costa. Não podemos ter a Justiça envolva em suspeições e alvo de especulação;

- A Procuradora-Geral da República, conhecida pela sua arrogância de repetidamente furtar-se aos jornalistas e a esclarecimentos públicos quando situações, como esta, o exigem, tem o dever ético de esclarecer a postura do MP que ela lidera, explicar os procedimentos adoptados bem como as clarificar os alegados contornos de pretensas agendas que desenvolve bem como e ainda, no caso da Madeira, explicar os motivos  motivos para o aparato da operação realizada no Funchal e que custou milhares de euros, pelos vistos, dadas a decisão de hoje do Juiz, se qualquer razoabilidade e factualidade;

- Uma coisa é certa: a crise política regional - que tem soluções de saída perfeitamente plausíveis, agora e depois da decisão judicial de hoje - e muitos eram aqueles que acreditavam numa decisão do Juiz de Instrução diferente da que acabou por ser tomada - assentou numa conjugação de precipitações, de chantagem judicial, de emotividade, pressões mediáticas constantes e conjugadas, etc. (LFM)

Sondagem coloca Aliança Democrática à frente dos socialistas

Aliança Democrática surge à frente do PS, com 24,3% contra 22,4%, liderando dessa forma as intenções e voto na última sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã e Jornal de Negócios. Coligação ganha 3,5 pontos percentuais (p.p.) face ao barómetro de janeiro e os socialistas perdem 4 p.p.. A mais recente sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã e Jornal de Negócios (acesso pago) coloca a Aliança Democrática (AD) na frente do PS, com 24,3% contra 22,4%, liderando dessa forma as intenções e voto. Neste barómetro, a coligação ganha 3,5 pontos percentuais (p.p.) face ao de janeiro e os socialistas perdem 4 p.p.. O inquérito da Intercampus faz a distribuição dos indecisos com vantagem para a AD (16,7%), com o PS a recolher 10,9% daqueles que ainda não sabem ou não decidiram em quem votar no dia 10 de março.

O Chega mantém-se como terceira força política, com 16,5% dos votos, registando uma descida de um p.p. em relação à última sondagem. A Iniciativa Liberal volta a ultrapassar o Bloco de Esquerda (5,4%, -2 p.p.) e surge em terceiro lugar, com 6,6%, uma subida de 1,2 p.p. PAN e Livre são os únicos partidos à esquerda que sobem nas intenções de voto. O partido de Inês Sousa Real surgem à frente da CDU, com 3,2% (+1 p.p.) e Rui Tavares quase duplicou o valor de janeiro, com os mesmos 2,7% (+1,4 p.p.) que a CDU (-1,2 p.p.). Com estes resultados, existe uma maioria de direita (47,4%), mas os partidos da esquerda, incluindo o PAN, continuam a recolher mais intenções de voto do que uma eventual coligação de governo entre Aliança Democrática e Iniciativa Liberal (30,9% contra 36,4%) (Jornal Sol, texto do jornalista João G. Oliveira)

Qual o país mais corrupto da Europa? E em que posição está Portugal?

Portugal está abaixo da média europeia nos esforços de luta contra a corrupção na Europa Ocidental e na União Europeia, denunciou recentemente um relatório da Transparência Internacional, que apontou uma conclusão: a corrupção no espaço europeu, pela primeira vez em mais de uma década, piorou. O último Índice de Perceção da Corrupção (IPC) da associação analisou 180 países e territórios de acordo com os seus níveis de corrupção no setor público, numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito limpo).

De acordo com o relatório, especialistas e empresários consideram que o país menos corrupto do mundo é a Dinamarca, seguida de perto pela Finlândia e pela Nova Zelândia, em segundo e terceiro lugares, respetivamente. “A queda da pontuação regional do IPC na Europa Ocidental e na UE demonstra que os Governos europeus precisam de levar mais a sério a luta contra a corrupção e a defesa do Estado de direito”, afirmou Flora Cresswell, coordenadora regional da Transparência Internacional para a Europa Ocidental.

“Os países têm de elevar os seus padrões e aplicar melhor as suas próprias regras para intensificar os esforços contra a corrupção, protegendo o sistema judicial de interferências e colocando um travão aos poderosos grupos de interesse na política.” Portugal (61) está abaixo da média do bloco (64). Os países com melhor desempenho foram a Dinamarca (90), a Finlândia (87) e a Noruega (84), enquanto os países com pior classificação foram a Hungria (42), a Roménia (46) e a Bulgária (45). No entanto, mesmo os países mais bem classificados, apontou o relatório, têm dificuldade em travar a corrupção no setor público, referindo que “têm um registo fraco de processos judiciais contra empresas que pagam subornos para conquistar mercados estrangeiros”.

O relatório destaca um caso nos Países Baixos (79), onde as autoridades foram criticadas por terem optado por não processar a Shell num caso de suborno de petróleo nigeriano, especialmente à luz de absolvições chocantes em Itália relativamente ao mesmo caso. A Transparência Internacional também se refere à diretiva anti-corrupção da UE recentemente proposta que, se adotada, exigiria que os Estados-Membros “criminalizassem o suborno estrangeiro do lado da procura”. Alguns países da UE já criminalizaram tanto o lado da oferta como o lado da procura do suborno estrangeiro. No entanto, raramente – ou nunca – atuam contra funcionários estrangeiros (Executive Digest, texto do jornalista Francisco Laranjeira)

Estes são os países com maior carga fiscal da Europa. Sabe quanto pagam de impostos os portugueses?

A carga fiscal é uma dor de cabeça para os portugueses, ainda mais numa época marcada pela alta inflação, crise económica e diminuição do poder de compra. Mas, como está o nosso país em comparação com os congéneres europeus? De acordo com a Tax Foundation, os trabalhadores com salário médio único na Europa pagavam cerca de um terço dos seus salários em impostos em 2022. De acordo com uma análise da ‘Euronews’, a Dinamarca (55,9%), a Áustria (55%), Portugal (53%), a Suécia (52,3%) e a Bélgica (50%) são alguns dos países com as taxas de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares mais elevadas. Por outro lado, a Roménia (10%), a Bulgária (10%), a Bósnia e Herzegovina (10%), o Kosovo (10%) e a Macedónia do Norte (10%) são os países europeus com os impostos mais baixos.

Em alguns destes casos, os salários médios em países com impostos mais elevados, como a Dinamarca e a Áustria, também são mais elevados, o que contribuiu muito para aliviar alguma da pressão financeira. Segundo o Eurostat, o salário médio na Dinamarca em 2022 era de cerca de 62.972,33 euros anuais, enquanto, na Áustria, era de 68.690,65 euros por ano. No entanto, Portugal apresenta o sexto salário médio bruto anual mais baixo entre os países da OCDE, o que corresponde a 24.557 euros anuais, o que, adicionado a uma carga fiscal de 53%, o resultado não pode ser o mesmo dos países mais a Leste (Executive Digest)

Receitas da ANA sobem 22% para recorde de 1.105 milhões

O Volume de negócios da concessionária portuguesa supera pela primeira vez os mil milhões, impulsionado por um número também recorde de passageiros, indicam as contas do grupo Vinci. A ANA registou receitas recorde de 1.105 milhões de euros em 2023, um crescimento de 22% face ao ano anterior, indicam os resultados do grupo Vinci, dono da concessionária dos aeroportos portugueses. O aumento das receitas traduz o crescimento do número de passageiros, que atingiu os 66,3 milhões.

O negócio de concessões de aeroportos do grupo francês fechou o ano com receitas de 3.947 milhões, um aumento de 47% face a 2022, segundo as contas divulgadas na quinta-feira. A ANA contribuiu com 28% daquele bolo, ficando perto do contributo de 31% do Reino Unido, onde a Vinci opera os aeroportos de Gatwick e Belfast. Em Portugal, a empresa continuou a recuperação das receitas após o tombo provocado pela Covid-19 em 2020 e 2021. Os 1.105 milhões registados em 2023 ficam já 23% acima dos perto de 900 milhões registados em 2019. O mesmo acontece no número de passageiros, que é já superior em 12,2% ao período pré-pandemia.

A Vinci comprou a ANA em 2012, no âmbito do processo de privatização, detendo a concessão de dez aeroportos nacionais até 2062. Desde a aquisição já conseguiu lucros de 1.454 milhões, a que se somarão os de 2023, ainda não discriminados. O grupo francês, que inclui negócios na concessão de autoestradas, construção ou energia, fechou o exercício de 2023 com lucros de 4,7 mil milhões de euros, mais 10,4% que em 2022 (ECO online, texto do jornalista André Veríssimo)

quinta-feira, fevereiro 08, 2024

PSD-Madeira: Os tempos não são fáceis mas recomendam mobilização, unidade e confiança no virar-de-página

Depois de tudo o que aconteceu não deve ser fácil para ninguém manter viva a chama da militância partidária. Por outras palavras, admito que para muitos militantes e simpatizantes do PSD-Madeira, estes sejam porventura os piores momentos com que se viram confrontados. Provavelmente o tempo mais dramático e stressante do partido desde a sua fundação.

Dirão alguns que, mesmo sem que se saiba o que realmente aconteceu, mesmo sem que ninguém tenha sido ainda formalmente acusado, julgado e condenado por algo que alegadamente tenha praticado ou protagonizado, mesmo que se aceite que a justiça e a política têm as suas agendas e os seus tempos próprios, os efeitos de tudo o que se passou ficam e deixaram certamente marcas, quer na política regional, atirada para uma inesperada e surpreendente instabilidade, quer para o partido e a coligação que liderava. Sente-se qualquer coisa no ar, porventura sinais de hesitação de frustração, de desilusão, de choque, de dúvida, de perguntas sem respostas, de baixar os braços.

Digam o que disserem, parece óbvio que alguma coisa foi feita e que não poderia ter sido feita e que alguns erros foram cometidos e nunca deveriam ter ocorrido.

Mas tal como não se pode confundir a árvore com a floresta, também na política, e particularmente nos chamados partidos do arco de governação - por isso mais sujeitos a casos como aqueles que abalaram os governos da República e Regional, porque quem não é partido de poder, aparentemente não tem esse problema... - não se pode confundir o todo com a parte. E por razões acrescidas, o princípio da presunção da inocência deve ser obrigatoriamente uma regra de ouro essencial numa sociedade democrática que se reja por valores éticos universais e com uma Justiça assente em padrões de verdade e de justiça.

E não é preciso um grande esforço para perceber que a "presunção de inocência significa que toda a pessoa é considerada inocente até ter sido condenada por sentença transitada em julgado — isto é, da qual já não se pode recorrer — num tribunal criminal". Ou seja, "é um princípio fundamental no direito penal português, como no de muitos outros Estados".

E por isso, os partidos não morrem por causa de erros ou de más acções praticadas ou protagonizadas, alegadamente, pelos seus membros, por muito destacadas que sejam as posições e as responsabilidades públicas que exerçam.

Nesta lógica, o PSD-Madeira tem que rearrumar a sua casa, tem que olhar com pragmatismo, coragem e verdade para tudo o que se passou, para a necessidade de mudanças internas, aliás sentidas desde 2011, para uma outra lógica da aplicação das oportunidades a jovens e novos quadros, de promoção da mulher na vida partidária e política, etc. Se o PSD-M continuar a insistir no erro de que nada aconteceu e que, portanto, nada tem de ser feito nem mudado, se se mantiver uma certa lógica autocrática, autista e insensível, distante da realidade, de perigosa negação da realidade, então o caminho vai ficar cada vez mais curto e o desfecho, para o PSD-M, não será nada abonatório.

Temo que esse perigo possa ocorrer porque receio a reacção das pessoas, perante tudo o que se passou, mesmo não abdicando da presunção da inocência e de recusar qualquer forma de julgamento populista, manipulador, ofensivo e criminoso em praça publica.

O PSD-Madeira não tem muitas escolhas.

Em primeiro lugar está obrigado a obter um bom resultado eleitoral a 10 de Março na Região, tem de sair de cabeça erguida deste confronto eleitoral, tem que defender a sua honra e a dignidade de um projecto político, social, económico que é substancialmente maior e muitíssimo mais importante que uma ou duas, ou três pessoas, por muito importantes e influentes que tenham sido.
Para isso o PSD-Madeira tem que mobilizar os abstencionistas identificados com a sua área política e mobilizar todos aqueles, como eu, que já tinham tomado uma decisão de penalização de escolhas absurdas na elaboração da lista de candidatos pela RAM, ou por não concordarmos com uma coligação oportunista e dispensável, no sentido de inverterem essa decisão e comparecer nas urnas.


É nos momentos mais difíceis que os partidos políticos precisam de reunir os seus em torno dos seus projectos e objectivos. Repito, o futuro do PSD-Madeira passa muito pelo desfecho de 10 de Março na Madeira. Falo da sua votação, mais do que os eleitos. Não há volta a dar nem espaço para conversas idiotas tentando negar a evidência dos factos, de tudo o que se passou, de tudo o que está neste momento em cima da mesa e do peso das opções que terão de ser tomadas agora para o futuro do próprio PSD-Madeira.

Costumo dar um exemplo ligado ao futebol regional, na expectativa de tornar mais fácil a percepção desta minha lógica de pensamento: apesar do choque, da desilusão, diria mesmo da fúria, que a despromoção do Marítimo à II Liga causou na sua massa associativa, é indiscutível que, para que esse desaire seja rapidamente ultrapassado, os adeptos precisam de ser mobilizados e incentivados para serem mais interventivos, mais exigentes, mais presentes e mais unidos em torno do seu clube. E duvido, mesmo não sendo do Marítimo mas reconhecendo a importância do clube para a Madeira, que os associados tivessem abandonado o seu clube de sempre, que tenham mudado de camisola ou renegado escolhas feitas com o coração.

Perante o acto eleitoral que se aproxima, ao PSD-Madeira resta a obrigação de o enfrentar sem medo – o povo é sempre soberano e justo nas urnas, mesmo quando incompreendido ou criticado pelas suas escolhas e decisões – tem de pegar o boi pelos cornos, com um discurso limpo, consistente, sem deambulações ou contradições valendo-se da seriedade dos candidatos, das suas prioridades, da continuidade de um caminho de combate e de luta pela Região e pelo seu Povo, o que nada tem a ver, nem se compadece, com desvios surpreendentes e intoleráveis e que não estavam no horizonte de ninguém.  Seja na política ou no futebol, apenas o peru morre de véspera!

Em segundo lugar o PSD-M precisa de definir o seu calendário político próprio, sem hesitações ou tentativas de condicionamento ou manipulação – decisões estas que nada têm a ver com o futuro do GRM e da legislatura regional em curso. Como? Tratando de proceder à marcação de um Congresso electivo, lá para Abril, que permita tempo para um debate interno em torno dos seus problemas, dos desafios que hoje se colocam a par de um outro debate entre os protagonistas de candidaturas à sua liderança.

Tenho como necessária uma reformulação dos estatutos, na superação de eventuais limitações que possam ser consideradas condicionadoras seja do que for, etc. Insisto na discussão, sim ou não, da pertinência de um código de conduta para todos os eleitos do PSD-M, que represente um compromisso de honra entre eles e os eleitores, uma garantia de lisura de comportamentos, de respeito por valores éticos e contendo penalizações imediatas, caso a linha vermelha da tolerância seja pisada ou ultrapassada. Isto de andarmos iludidos com a mentira de que o "diabo" está instalado só na casa alheia é um mito que temos de derrubar, de uma vez por todas.

Paralelamente o PSD-M, apesar de pressionado pela rapidez de tomar decisões e fazer escolhas, tem de definir, de uma vez por todas, o que quer quanto ao polémico Estatuto Político da RAM, com a revisão constitucional e com um eventual novo modelo eleitoral que impeça a perda de muitos votos sem que eles representem mandatos. O futuro da autonomia não se limita à Lei de Finanças Regionais ou ao CINM. Há outras frentes de combate igualmente decisivas. Não podemos estar continuamente a reclamar mais autonomia e a enganar os madeirenses fazendo crer que isso tem apenas a ver com a Constituição, quando carregamos às costas um estatuto político aprovado em Agosto de 1999 e que hoje é um manancial de desactualizações. Em vários domínios, incluindo óbvias inconstitucionalidades.

A Autonomia regional não se pode confundir com incompatibilidades de eleitos nem pode ser travada por causa de questões menores. A Autonomia exigiu sempre negociações, por vezes duras, avanços e recuos, sucessos e fracassos, mas nunca cedências ou abandonos. Muito menos acomodamento.

Finalmente, até porque não sei se esse levantamento está efectuado ou não, o PSD-Madeira precisa de conhecer-se internamente, de perceber a realidade da sua militância, abandonando megalomanias que apenas transmitem uma dimensão partidária que pode estar desajustada da realidade.

Aos quadros do PSD, que não se querem envolver ou não lhes deixam que o façam, aos jovens muitas vezes sem espaço e sem oportunidades, às mulheres, quase sempre pouco ou nada estimuladas a se envolverem mais activamente na vida partidária, julgo que é este o tempo deles, é este o tempo para mudanças, sem nos desviarmos do caminho ideológico e programático, mas porventura alterando procedimentos, métodos, funcionamento, etc. Em liberdade, com convicção, mobilização e liberdade, sem “mandatários”, “padrinhos” ou “procuradores”. Congressos à pressa que deixam tudo na mesma, apenas escondem o sol com a peneira e adiam uma agonia que tem de ser travada, custe o que custar e doa a quem doer. O PSD-Madeira é dos seus militantes e simpatizantes, não é um partido condicionado ou com donos! E, repito, sem julgarmos ninguém, acreditando na inocência reclamada por todos os protagonistas dos últimos acontecimentos, recusando ser parte da vergonha que conspurca as redes sociais, na imoralidade que comete todos os dias, na libertinagem desregulada que não respeita ninguém apenas podemos dar expressão à nossa surpresa, à nossa tremenda mágoa e à estupefação, caso os factos correspondam, à verdade. Só nessa altura poderemos nos interrogar: porque nos fizeram isto? Agora os tempos são de combate, de confiança, de mobilização, de crença, de coerência, de estar presente, de inteligência colectiva (LFM)

Ryanair anuncia 14 novas rotas, exige ao Governo abertura do aeroporto do Montijo e "ameaça" a Madeira

"As taxas altas do monopólio da ANA estão a forçar companhias aéreas como a Ryanair a reduzir voos regionais de/para Portugal”, disse Michael O’Leary. O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, anunciou esta quarta-feira 14 novas rotas para o verão e exigiu que o Governo “abra imediatamente” o aeroporto do Montijo “para acabar com o monopólio das taxas altas da ANA em Lisboa para sempre”. “Estamos encantados em anunciar a maior programação para o verão de 2024 em Portugal, onde continuamos a crescer e abrimos 14 novas rotas”, afirmou, mas “infelizmente […] as taxas altas do monopólio da ANA estão a forçar companhias aéreas como a Ryanair a reduzir voos regionais de/para Portugal”, afirmou o responsável, criticando a subida das taxas. “Exigimos que o Governo português abra imediatamente o aeroporto do Montijo para acabar com o monopólio de taxas altas da ANA em Lisboa para sempre”, lê-se no comunicado divulgado na conferência de imprensa, a decorrer em Lisboa. Durante a conferência de imprensa, Michael O’Leary repetiu por várias vezes: “Abram Montijo”.

“Não precisamos de mais estudos”, insistiu mais que uma vez o presidente executivo (CEO) da companhia aérea, considerando que o “Montijo tem capacidade” para responder às necessidades do setor. Além disso, disponibilizar o aeroporto do Montijo vai aumentar a concorrência sobre o de Lisboa, o que terá implicações nas taxas aplicadas pela ANA, defendeu. “Alcochete não é solução”, disse, esperando que o novo Governo que resultar das eleições de 10 março resolva a situação. Michael O’Leary considerou também ser “inaceitável” que a reguladora ANAC – Autoridade Nacional de Aviação Civil tenha concordado com o aumento das taxas da ANA de até 17%, acima da inflação.

Recordou que a Ryanair foi “forçada” a fechar a base em Ponta Delgada, Madeira e a reduzir uma das suas duas aeronaves na Madeira, uma perda de investimento de 100 milhões de dólares devido às taxas aplicadas. Questionado sobre se pretende reabrir a base de Ponta Delgada, o CEO da Ryanair respondeu com um contundente “não”, explicando que não pretende perder dinheiro.

Quanto a se vai manter apenas uma aeronave na Madeira, deixou o cenário em aberto que até “pode ser zero”. Sobre a programação da operadora aérea para o verão deste ano, esta inclui 14 novas rotas – Alicante, Estocolmo, Belfast, Budapeste, Cracóvia, Norwich, Marraquexe, Roma, Ibiza, Madrid, Pisa, Poznan e Tânger. Trata-se de um total de 170 rotas. As 28 aeronaves baseadas em Portugal resultam de um investimento de 3.000 milhões de dólares, suportando 11.00 empregos, incluindo 1.000 postos de pilotos, tripulação de cabine e engenheiros, segundo dados da operadora (ECO online)

Sondagem: Montenegro mais competente, Pedro Nuno à frente para primeiro-ministro

Estudo de opinião do Cesop coloca presidente do PSD e líder da AD à frente em características como competência e honestidade, mas secretário-geral do PS ganha por um triz para primeiro-ministro. A sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 é muito favorável a Luís Montenegro relativamente a Pedro Nuno Santos em quase todos os itens. O líder do PSD está à frente na percepção sobre a competência (41% versus 33%), honestidade (41% contra 28%), confiança (43% para Montenegro e 32% para Pedro Nuno).

Na verdade, a percepção dos inquiridos é sempre mais positiva em relação ao presidente do PSD do que ao secretário-geral do PS. Pedro Nuno Santos só está à frente de Luís Montenegro numa das perguntas: “Qual dos dois lhe parece mais bem preparado para exercer o cargo de primeiro-ministro?” A esta pergunta, 39% por cento dos inquiridos respondem que o mais bem preparado é Pedro Nuno Santos, enquanto 38% dizem ser Montenegro. A diferença é mínima e estará na classificação de “empate” usada em sondagens, atendendo à margem de erro.

Apesar da diferença ser residual, é interessante por contrastar com a vantagem do presidente do PSD obtida em quase todas as outras perguntas sobre a percepção dos inquiridos. É possível que a experiência governativa de Pedro Nuno Santos (secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares entre Novembro de 2015 e Fevereiro de 2019 e ministro das Infra-Estruturas de Fevereiro de 2019 até Dezembro de 2022) tenha feito a balança pender a favor do secretário-geral PS, uma vez que Luís Montenegro não tem experiência executiva. Durante o Governo Passos-Portas, Montenegro não fez parte do executivo e ocupou o cargo de líder parlamentar do PSD.

Economia pode estar a perder 20 mil milhões de euros por ano com a corrupção

O valor surge num estudo de 2018 mas pode estar desatualizado. A presidente da Transparência Internacional Portugal pede que se avalie o que falhou na estratégia de combate à corrupção em Portugal.

Marcelo espera pelo fim das audiências dos partidos na Madeira

O presidente da República diz que é de bom senso aguardar pelo fim das audiências entre os partidos politicos e o representante da República antes de decidir se dissolve ou não a Assembleia Regional, o que se pode fazer em março. Irineu Barreto começou entretanto a ouvir os partidos. O PAN defende a continuidade da atual maioria. IL e BE querem novas eleições.

Sondagem Católica. Luís Montenegro considerado mais competente e confiável

Na sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público, a maioria deposita mais confiança no líder do PSD e considera que Luís Montenegro é mais honesto do que Pedro Nuno Santos. No entanto, o secretário-geral do PS é visto como o mais bem preparado para exercer o cargo primeiro-ministro. Neste inquérito, grande parte dos inquiridos desconhece o líder da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, e o líder do Chega, André Ventura, é o nome reconhecido pelo maior número de pessoas. Em relação aos temas que devem ser centrais na campanha eleitoral, a Saúde ocupa de forma destacada o lugar dianteiro.

Na comparação entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, o presidente do PSD surge claramente em vantagem, sendo considerado o mais competente (41 por cento contra os 33 por cento de Pedro Nuno Santos), o mais honesto (41 por cento contra 28 por cento do líder do PS) e em quem os inquiridos depositam mais confiança (43 por cento contra 32 por cento do secretário-geral socialista).

Luís Montenegro também é considerado o mais apto a defender os interesses do Estado (42 por cento contra 36 por cento) e mais capaz de promover o crescimento económico do país (45 por cento contra 33 por cento), bem como o líder com mais capacidade de resolver os problemas na saúde e educação (42 por cento contra 31 por cento).

No combate à pobreza, os dois líderes apresentam resultados bastante próximos (37 por centro de Luís Montenegro contra 36 por cento de Pedro Nuno Santos). O único campo que o líder do PS surge à frente do líder dos social-democratas é como o mais preparado para exercer o cargo de primeiro-ministro, ainda que a diferença seja mínima (39 por cento contra 38 por cento).

CEO da Ryanair quer novo aeroporto no Montijo

O presidente executivo da Ryanair defende que a Base Aérea do Montijo é a opção ideal para o novo aeroporto de Lisboa e pede que a mesma seja aberta imediatamente.

Açores: Bolieiro apelou à responsabilidade dos partidos

O líder da Aliança Democrática nos Açores desmentiu o líder regional do Chega e negou que tenham havido contactos informais com o PSD para um eventual acordo de governação. Na Grande Entrevista da RTP3, José Manuel Bolieiro pediu responsabilidade aos partidos na viabilização do Governo minoritário. 

quarta-feira, fevereiro 07, 2024

Sondagem Católica. Portugueses preferem governo de coligação à direita

Quem ganha as eleições deve governar e os eleitores preferem um governo de coligação em vez de uma maioria absoluta. A sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público revela que 31% dos inquiridos acham que o melhor para o país seria um governo da AD com apoio de outros partidos à direita, e o Chega é o mais referido.

Sondagem: inquiridos recusam maioria absoluta e preferem governo AD com acordos à direita


Governo liderado pela AD, com base em acordos à direita, incluindo o Chega, é a opção preferida pelos entrevistados no estudo de opinião da Católica. Maioria defende governo do partido mais votado. Um governo apoiado pelo PSD, o CDS, o PPM e outros partidos à direita é considerado o melhor para o país por 31% dos inquiridos na sondagem feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1.
Em segundo lugar vem a preferência por um governo apoiado pelo PS e outros partidos à esquerda, com 23% das preferências – ou seja, para 54% dos inquiridos é melhor para o país um governo baseado em acordos entre vários partidos, dos quais 31% preferem um governo de direita e 23% um de esquerda.

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 fonte: LFM

Juros altos renderam 2,6 mil milhões de euros ao Santander e Novobanco


Diferença entre os juros cobrados aos clientes nos empréstimos e os juros pagos pelo banco nos depósitos permitiu que as instituições encaixassem, em conjunto, mais 1,22 mil milhões de euros do que no anterior. Cenário pode vir a alterar-se, já com o aproximar de 2025. A habitual ronda de apresentação de resultados anuais dos cinco maiores bancos a operar em Portugal iniciou-se ontem, com o Santander e o Novobanco a anunciarem lucros históricos respetivos de 894,6 milhões e 743,1 milhões de euros, na sequência de crescimentos que rondaram os 57% e os 33%, pela mesma ordem, os quais a quase duplicação da margem financeira ajuda a explicar.
Em 2023, ambas as instituições voltaram a beneficiar em larga escala da política monetária levada a cabo pelo Banco Central Europeu. A diferença entre os juros cobrados aos clientes nos empréstimos e os juros pagos aos mesmos nos depósitos permitiu encaixar, conjuntamente, 2,63 mil milhões de euros, mais 1,22 mil milhões de euros do que no ano anterior (+87%). 
Individualmente, a margem financeira do Santander ascendeu aos 1,49 mil milhões de euros, em resultado de uma subida homóloga de 708,1 milhões, e a do Novobanco cifrou-se em 1,14 mil milhões, refletindo um acréscimo de 517,1 milhões (ou de 83%, em termos percentuais). 

Laços familiares são principal justificação dos “deputados paraquedistas”

Estratégias dos partidos ao fazer as listas conduzem candidatos a círculos diferentes dos habituais. Mas entre os dez casos que se destacam nas eleições de 10 de março há quem desvalorize o assunto e defenda que o importante é representar bem os eleitores. Um sinal de que o fenómeno designado por paraquedismo eleitoral não é novo reside no facto de há três décadas ter havido um deputado a justificar o círculo pelo qual seria cabeça de lista por esse distrito coincidir com um dos seus apelidos. Não é o caso de nenhum dos que se candidatam nestas legislativas em terras às quais não têm ligação evidente, em circunstâncias muitas vezes ditadas por lógicas nacionais. 

Nas listas dos principais partidos e coligações há uma dezena destes casos com eleição garantida ou muito provável, sendo os mais notórios os dos cabeças de lista da Aliança Democrática (AD) em Faro e Setúbal. A escolha do vice-presidente do PSD e da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, gerou contestação no Algarve - e a passagem a não inscrito (e candidato do Chega) do social-democrata Rui Cristina -, havendo também estupefação com a escolha da ex-ministra Teresa Morais, três vezes candidata por Leiria, para primeira candidata da coligação em Setúbal. Perante acusações de paraquedismo, Pinto Luz apontou ligações familiares ao distrito de Faro, de onde era natural o avô paterno e vive o pai, mas preferiu realçar que se tem dedicado ao turismo e às infraestruturas, “temas quentes no desenvolvimento da região”.