domingo, dezembro 27, 2015

Madeira lidera lista dos organismos que gastaram mais de 6,7 milhões nas festas de Natal e fim do ano

Este valor representa um acréscimo de 1,5% em relação  a 2014 e quase o dobro do que foi gasto em 2012.  Madeira volta a liderar a tabela. Cento e vinte oito organismos públicos já gastaram mais de 6,7 milhões de euros na aquisição de bens e serviços para as festas de Natal e do Fim do Ano, de acordo com a análise do i aos 220 contratos assinados e publicados até ao dia 23 de Dezembro no portal Base. Este montante – que abrange despesas de iluminação, cabazes, ofertas, jantares e festas de Natal, fogo-de-artifício e espetáculos, entre outros produtos e serviços – traduz um acréscimo de 108 mil euros em relação ao valor dos contratos assinados em 2014. Os gastos já assumidos este ano representam quase o dobro das despesas efetuadas em 2013.
Convém referir, no entanto, que o valor dos gastos até peca por defeito, pois muitos organismos pura e simplesmente não publicam qualquer contrato no portal, outros que só divulgaram alguns, e outros ainda que só deverão publicar as suas aquisições nos primeiros meses do próximo ano, à semelhança do que aconteceu nos anos anteriores.
Apesar de muitos serviços continuarem a desrespeitar o Código dos Contratos Públicos (CCP), o número de entidades que já divulgou contratos este ano (108) é inferior aos 138 que o fizeram em igual período do ano passado, abrangendo 220 contratos. Do total de procedimentos publicados este ano 105 contratos são de autarquias e oito de freguesias.
3,9 milhões em iluminações  A análise por rubrica dos contratos publicados permite concluir que os maiores gastos continuam a ser em iluminações e equipamento de som e materiais decorativos alusivos à época natalícia em edifícios, ruas e avenidas, com um total de 3,9 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 100 mil euros em relação a 2014. Em 2013 esta já tinha sido a rubrica que mais encargos consumira, com um total de 810,9 mil euros.
A segunda rubrica com mais despesas contratualizadas é a do fogo-de-artifício para as festas da passagem do ano, com quase 810 mil euros, o que traduz uma descida de cerca de 63 mil euros relativamente ao ano passado. Se a comparação for com 2013 verifica-se já um aumento face aos 774,7 mil euros gastos pela Secretaria Regional da Cultura e Turismo da Madeira.
Mais de 600 mil em festas A terceira rubrica que mais despesas envolveu foi a dos espetáculos, festas e atividades de animação de rua com um total de 622,5 mil euros. Um montante ainda inferior aos 824,8 mil euros registados em 2014. 
As refeições (almoços, lanches, jantares e ceias de Natal) dos trabalhadores dos serviços ou para os idosos e mais necessitados do concelho, aparecem a seguir, com um total de 330,6 mil euros, ou seja, um valor ainda abaixo dos 376,3 mil euros contabilizados o ano passado.
Os cabazes de Natal para os funcionários e ex-trabalhadores de organismos ou para as pessoas e famílias mais carenciadas de alguns concelhos, que há um ano ocupavam a terceira posição da tabela, com 489,5 mil euros, surgem agora em quinto lugar com 259,1 mil euros. Em 2012, chegaram a estar em segundo com gastos de meio milhão de euros.
 As despesas em prendas, brindes e ofertas também atingem já os 225 mil euros.
Madeira lidera gastos À semelhança do ano passado, a Secretaria Regional da Economia, Turismo  e Cultura da Madeira é o organismo que mais gastos contratualizou para esta época do ano, com um total de 2,8 milhões de euros (em quatro contratos). O mesmo valor do registado em 2014, ano em que os gastos nas festas desta quadra sofreram um corte de 100 mil euros em relação a 2013. 
Além do fogo de artifício, a secretaria regional publicou um contrato de dois milhões de euros tendo em visa a aquisição de “iluminações decorativas, nas Festas de Natal e do Fim do Ano de 2015/2016, e nas Festas de Carnaval de 2016” na Região Autónoma da Madeira. Esta época do ano é uma das que mais turistas atraem ao arquipélago.  
O segundo organismo com mais gastos contratualizados é a Câmara da Guarda, com um total de 193,7 mil euros em cinco contratos publicados. A despesa mais elevada (74,9 mil) diz respeito à aquisição de “estruturas para o evento Guarda A Cidade do Gelo”. A iluminação da cidade ficou por 19 mil euros. O terceiro lugar da  tabela é ocupado pela câmara de Bragança com 170,1 mil euros em cinco contratos. O contrato para a “animação e dinamização” da cidade custa 48,3 mil. A câmara de Almada surge a seguir com 143,5 mil euros também em cinco contratos. O mais elevado (64,7 mil) diz respeito às iluminações festivas e decorativas. A CMPL – Porto Lazer – Empresa de Desporto e Lazer do Município do Porto aparece a seguir na tabela com 115,9 mil euros em apenas três contratos. As iluminações decorativas e infraestruturas elétricas têm um custo de 74,8 mil euros. Há um ano tinha gasto 118,9 mil euros. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que em 2014 gastou  quase 588 mil euros, ainda não publicou um único contrato este ano (Sol)


Ajudas do Estado: Um jackpot para o sistema financeiro

Consegue imaginar o que são 12 mil milhões de euros? Para ter uma ideia multiplique o valor do próximo jackpot do euromilhões por quinhentos e obterá esse valor – idêntico ao que a banca recebeu em apoios do Estado entre 2008 e 2014. O Estado concedeu, entre 2008 e 2014, 11.822 milhões de euros em apoios ao setor financeiro, segundo o parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2014, divulgada pelo Tribunal de Contas, na qual faz, pela primeira vez, um levantamento das ajudas públicas à banca.
Globalmente, as despesas públicas com a banca atingiram, nesses seis anos, os 17.635 milhões de euros, o equivalente a 10,2% da riqueza gerada em Portugal durante o ano passado, tendo, por sua vez, como realça o Tribunal de Contas, gerado receitas de 5.813 milhões de euros.
Assim, o Estado gastou em apoios públicos ao sector financeiro 11 822 milhões de euros entre 2008 e 2014, tendo o BES/Novo Banco representado 40% dos gastos com a banca. Estas transferências foram efetuadas através de entidades públicas como a Direção Geral do Tesouro e Finanças, o Fundo de Garantia de Depósitos, o Sistema de Indemnização aos Investidores e o Fundo de Resolução.
Tendo em conta tratar-se de pessoas coletivas de direito público, geridas direta ou indiretamente pelo Estado, o Tribunal de Contas entende que isso «confere natureza pública a esses fluxos financeiros, independentemente da sua origem e de se encontrarem, ou não, refletidos no Orçamento do Estado, e nessa perspetiva constituem apoios públicos ao setor financeiro».
Para se ter uma ideia da dimensão de tal montante astronómico, fizemos umas contas para compreender melhor o que essa cifra de oito dígitos representa:
  • 92% do IRS cobrado em 2014 (€12.863 milhões)
  • 5 vezes o montante arrecadado pelo Estado com o combate à fraude e evasão fiscal (€2.550 milhões)
  • 1,7 milhões de portugueses a receber o salário mínimo durante um ano (€505, em 2015).
  • 20 vezes o investimento previsto (€600 milhões) no novo Hospital de Lisboa Oriental
  • 9,5 vezes as medidas de contenção orçamental contidas no Orçamento para 2015
  • 605 vezes mais do que o Estado gastou, em novembro, com 206 163 portugueses beneficiários do Rendimento Social de Inserção (Visão, pelo jornalista Francisco Galope)

Espanha: Espanha: La Rioja, Comunidad Valenciana y Murcia, las que más crecen en 2014

El análisis regional de cómo empezó a recuperarse la economía española de su peor crisis desde la posguerra deja algunas pistas: las comunidades más turísticas fueron las que crecieron con más fuerza en 2014, mientras que el noroeste y Castilla-La Mancha quedan rezagadas. Es una regla con excepciones: la más llamativa, la de La Rioja, cuyo PIB avanzó un 2% gracias a la industria. Comunidad Valenciana (1,9%) y Región de Murcia (1,8%) completan el pódium del crecimiento.
El Instituto Nacional de Estadística (INE) ha trasladado a escala regional las nuevas estimaciones que hizo sobre como evolucionó la economía española durante el periodo de crisis, unos cálculos que desvelaron una recesión más intensa y prolongada entre 2011 y 2013 —una etapa marcada por los ajustes presupuestarios, el rescate de la banca y la incertidumbre sobre el euro— que la Gran Recesión de 2008-2009, tras el colaposo financiero internacional. Los datos publicados este miércoles confirman que La Rioja fue la comunidad más pujante en 2015, aunque con un crecimiento más moderado (2% frente a 2,5%) que el que se le adjudicó en una primera valoración, en primavera.
Cataluña amplía su ventaja
La primera economía regional sigue siendo Cataluña, que en 2014 amplío su ventaja respecto a la Comunidad de Madrid. El PIB catalán alcanzó los 197.000 millones, frente a los poco más de 196.000 millones en que el INE valora el PIB madrileño.
La crisis fue más intensa en Cataluña hasta 2012, cuando el PIB madrileño llegó a ser superior. Pero el año siguiente la economía madrileña retrocedió en mayor medida.
La revisión al alza más significativa es la que hace referencia a la Comunidad de Madrid, cuyo crecimiento pasa a estar por encima (1,6%) del promedio nacional (1,4%), cuando hace unos meses el INE calculaba que el PIB madrileño había avanzado solo un 1% en 2014. En el otro extremo se sitúan Castilla-La Mancha (su estimación de crecimiento pasa del 1,2% al 0,3%) Extremadura (del 2,2% al 1,3%) o Baleares (del 1,9% al 1,2%), que encajan rebajas significativas.
El nuevo mapa autonómico del crecimiento en 2014 muestra a las dos potencias regionales (Cataluña y Madrid) con avances del PIB ligeramente superiores al promedio nacional, a tres comunidades con un importante peso del sector turístico (Comunidad Valencia, Región de Murcia y Canarias) entre las más dinámicas, y a buena parte del noroeste (Galicia, Asturias, Castilla y León o Cantabria) en el furgón de cola.
Renta por habitante
Los datos referidos a La Rioja y Castilla-La Mancha son singulares. La primera encabeza el crecimiento autonómico por el buen comportamiento de su industria (crece un 4,3%, un 7% en el caso de las manufacturas) que ha ganado peso en el PIB riojano durante la crisis (ha pasado del 25% al 28% del total). Por su parte, la economía de Castilla-La Mancha, que cierra la clasificación de 2014, sufre el estancamiento del valor añadido que genera la Administración, la educación y la sanidad, y el desplome de la actividad agraria (7% menos).
Los datos de contabilidad regional permiten también relacionar el valor añadido generado en un año con la población. Las novedades son aquí menores: la Comunidad de Madrid es la comunidad con mayor PIB per cápita (30.755 euros por habitante en 2014), seguido por País Vasco (29.277 euros per cápita), Navarra (27.709 euros per cápita) y Cataluña (26.624 euros per cápita). Desde 2005, cuando Navarra superó puntualmente a País Vasco, las cuatro primeras posiciones en PIB per cápita se han mantenido estables.
El promedio en España queda fijado en 22.412 euros por habitante, mientras que el PIB per cápita de Extremadura se queda a la mitad del que registra la Comunidad de Madrid. De hecho, ésta es la única comunidad que supera el promedio de la zona euro (29.900 euros por habitante) y solo País Vasco y Navarra superan también el PIB por habitante de la Unión Europea (27.400 euros).
Si se sigue la metodología europea, que estima la renta por habitante en paridad de poder de compra (para corregir las diferencias en niveles de precios en la comparación internacional), Cataluña, Aragón y La Rioja también rebasan el promedio de los Veintiocho (texto do El Pais, com a evida vénia)

Espanha: Madrid es la que resiste mejor la crisis y Asturias la que más pierde

En Asturias, la década perdida durará bastante más que en Madrid. La última revisión estadística corrobora que la peor crisis en medio siglo ha tenido un impacto dispar en el territorio. Dos comunidades del noroeste, Asturias y Cantabria, acumularon un retroceso del PIB cercano al 13% entre 2008 y 2013. Al desplome en la construcción y un peor comportamiento en los servicios, suman el declive de la industria, un sector de peso en ambas economías. Madrid fue la que capeó mejor el lustro de recesión, al dejarse solo un 4,3%. La brecha de renta entre comunidades autónomas ha vuelto a ampliarse, tras años de convergencia. Cada aproximación estadística a qué efectos ha tenido la crisis en la economía española empeora la anterior. La más reciente, publicada por el Instituto Nacional de Estadística (INE) en septiembre, revisó (a la baja) la estimación del PIB español durante los años de la segunda recesión, entre 2011 y 2013. Este balance, casi definitivo ya, refleja que el valor añadido que genera la economía española encogió un 8,6% en ese lustro negro (entre 2009 y 2013), periodo en el que además se perdieron 3,5 millones de empleos.
Si las proyecciones del Gobierno se cumplen, España recobrará el nivel de actividad económica previo a la crisis en el paso de 2016 a 2017, gracias a una recuperación que ha cogido velocidad este año, con un crecimiento del PIB del 3,2%. El mismo ejercicio evidencia la disparidad regional: es muy probable que la Comunidad de Madrid, la menos afectada por la doble recesión, supere ya el nivel de 2008 este mismo año, mientras que Asturias o Cantabria, las más rezagadas tendrían que esperar a 2019. Dicho de otra manera, la década perdida madrileña se limitará a ocho años, la asturiana puede estirarse hasta los 12.
La nueva contabilidad regional, publicada el miércoles por el INE, permite detallar, comunidad a comunidad, cuál ha sido el impacto de lo peor de la crisis. Uno de los factores que explica la evolución negativa de Asturias y Cantabria es el peor comportamiento del sector manufacturero: la industria, más importante que en el resto de España —aportaba entre un 22% y un 24% del valor añadido generado en 2008, frente al 18% de promedio nacional—, retrocedió en mayor medida en estas dos comunidades (cerca del 20%, frente al 16% que perdió en el conjunto de España). El comercio y la hostelería, otro sector determinante en todas las economías regionales, cayó más en Asturias y Cantabria (un retroceso del 7% frente al 3% en España), un comportamiento vinculado también a la debilidad del turismo interior. Y, además, el desplome de la construcción, generalizado, tuvo mayor incidencia aquí porque tenía más peso en estas dos economías (12% y 12,8% del valor añadido, respectivamente), que en el país (11%).
El pinchazo de la burbuja inmobiliaria tuvo más incidencia aún en la Comunidad Valenciana, donde la actividad que genera la construcción se quedó a la mitad (caída del 50%, frente al 46,7% nacional), en un sector que llegó a aportar el 13% del valor añadido. Pero la industria y el sector público se comportaron algo mejor, con lo que el retroceso del PIB se quedó en el 12,4%.
Disparidad en la devaluación salarial
El descenso de la remuneración por asalariado también va por barrios. Si en el conjunto de España retrocedió un 1% entre 2011 y 2014, en País Vasco o Cataluña prácticamente se estancó, mientras en Murcia (un descenso del 3%), Andalucía (2,3%) o Castilla-La Mancha (2,3%). La remuneración por asalariado refleja tanto la evolución de los sueldos como la incorporación de nuevos trabajadores, con un nivel de ingresos distinto.
Divergencia regional
En el otro extremo, el daño a la actividad económica en la Comunidad de Madrid fue menor porque la industria pesa bastante menos y retrocedió también menos. Además, el valor añadido generado por el comercio y la hostelería y la Administración, la sanidad y la educación, sus dos sectores más importantes, arrojó un saldo ligeramente favorable.
El comercio y la hostelería han sido también determinantes en que Canarias y Baleares registraron retrocesos también más moderados (7%) que la media española, reflejo del mejor comportamiento del turismo internacional. El sector, que explica casi un tercio de la actividad económica en las islas, se apuntó también un leve crecimiento en ambas comunidade. El impacto de la crisis ha vuelto a ampliar la brecha regional, que se había cerrado paulatinamente en la década anterior. La renta per cápita de Extremadura había pasado del 47% al 53% del PIB per cápita de Madrid, la comunidad más boyante. Pero en 2014, la renta extremeña (15.457 euros por habitante) volvió a quedarse en el 50% de la madrileña (30.755 euros) (texto do jornalista do El Pais, ALEJANDRO BOLAÑOS, com a devida vénia)

SIC-Notícias: Quadratura do Círculo (24 Dezembro de 2015)


quinta-feira, dezembro 24, 2015

Boas Festas, Bom Natal 2015

Boas Festas a todos os meus leitores e a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, acedem a esta minha página ou partilham os meus comentários. Votos de um Natal de Paz para todos vós e famílias e que o espírito desta Quadra muito especial e única a todos ilumine afastando os problemas, preocupações, dificuldades, ansiedades que fazem parte de um quotidiano sempre cheio de incertezas. Boas Festas e Feliz Natal 2015

Ultraperiferias: Barómetro regional semanal (IX)

CDS – O Congresso do CDS ficou marcado por uma sequência de acontecimentos estranhos que geraram decisões inesperadas e de dúvida quando à sua sustentabilidade por muito tempo. Não acredito que Lopes da Fonseca tenha o carisma de um líder apesar dos anos em que é um dos protagonistas activos do partido apenas em termos parlamentares. E isso decorre do facto de nunca ter sido necessário pensar na candidatura à liderança num CDS que foi liderado durante 20 anos por José Manuel Rodrigues. Penso que a eleição de Lopes da Fonseca foi estranha, pelas circunstâncias em que se operou. Depois temos um Congresso que tinha 350 ou 400 inscritos, mas que acabou por eleger um líder com pouco mais de uma centena de votos. Depois ainda aconteceu a divergência fatal, logo do primeiro dia e nas primeiras horas do congresso, que geraram o abandono de Ricardo Vieira, de várias dezenas de apoiantes e de uma moção de estratégia que prometia gerar debates e discussão. Tudo isto por causa da recusa da discussão neste congresso de 2015 de uma enorme proposta de alteração estatutária – prevista na convocatória – na qual Vieira apostou tudo, mas que foi remetida para uma discussão a ter lugar em 2016, num congresso extraordinário (proposta de Lopes da Fonseca), algo que Ricardo Vieira contestou. A proposta de Fonseca foi aprovada por uma reduzida diferença de votantes e Vieira abandonou a sala com uma acusação grave: não estavam reunidas condições para um Congresso democrático!
Para além da sensação de uma certa manipulação previamente preparada por um grupo organizado, retive a surpreendente decisão de Barreto de afastar-se da corrida para a liderança do CDS-M, dando a entender que nem essa opção tinha sido sequer assumida pelo próprio, que não se considerava preparado neste momento para ela, bastando que lhe fossem dados argumentos suficientemente válidos para que desistisse.
Estranhamente neste Congresso sem directas - o que é intolerável num partido que se diz democrático e basista e numa realidade política onde esse mecanismo estatutário de eleição está institucionalizado, bem ou mal, não vou discutir isso neste momento - vimos a candidatura de Fonseca afirmar que pretendia apenas ganhar tempo e preparar a eleição de Barreto num próximo congresso (!!!) o que implicaria a própria demissão de Fonseca de líder parlamentar para que tal cargo seja exercido agora pelo próprio Barreto (o que é que justificou esta alteração?), entretanto eleito num grupo parlamentar de 7 deputados, mas que contou apenas com 6 presenças dada a ausência de Vieira que ninguém sabe se vai continuar ou se optará, previsivelmente, pela suspensão ou renúncia do mandato.
Ou seja, sem mais pormenores, este congresso acabou por não dignificar em nada o maior partido da oposição regional e sobretudo deixou muitas dúvidas sobre a lógica de algumas decisões tomadas e sobre as verdadeiras causas de certos acontecimentos que ali tiveram lugar durante os trabalhos. Do congresso, para além da eleição de um líder inesperado e que em situações normais provavelmente não o seria, resultou mais do mesmo em termos de composição dos restantes órgãos partidários, sem grandes mudanças ou alterações, dando a entender claramente que se se tratou de um mero cumprir de calendário obrigatório, decorrente da demissão de JMR, a aguardar pelo próximo congresso, já no Verão de 2016.
Aliás quem tem que dizer muita coisa ainda é o próprio Ricardo Vieira, porque as pessoas em geral não sabem o que motivou a sua decisão de abandono. Afinal não existian condições ara a realização de um Congresso democrático e participado porquê? Porque razão, sendo deputado, RV não participou na eleição de Rui Barreto para as funções de novo líder parlamentar na Assembleia Regional?
JM – Tudo indica que o Governo da Madeira aposta numa solução de privatização do JM já em 2016, garantindo Sérgio Marques que existirão alguns interessados. Acho importante, até politicamente, que se resolva de uma vez por todas o dossier Jornal da Madeira, mas concretamente duvido que o processo de privatização tenha sucesso, ou menos viabilidade, o que me leva a não excluir que o periódico possa pura e simplesmente encerrar. Bem vistas as coisas, o que é que a privatização, no caso do JM, dará como mais-valia a qualquer interessado? Um título? O JM não tem sede própria, não tem parque gráfico próprio, etc, Por isso não vejo qual será a mais-valia de uma privatização que poderá ser parcialmente garantida pela continuidade de uma ligação à rádio, embora tenha lido que ela pode ser vendida separadamente.
O alegado interesse pelo JM – ao que julgo saber, até porque já houve encontros meramente informativos sem compromissos – prende-se com um grupo sem grande impacto no sector, que edita o Oje, publicação sem grande expressão no mercado e que veria com bons olhos uma entrada no mercado madeirense. A questão que se coloca é que o GRM quer deixar até final de 2016 de transferir recursos financeiros para o jornal, que ficará entregue a si próprio e que ou clarifica claramente o que é que tem para privatizar para além de um título – que nem será o Jornal da Madeira porque esse ficou na posse da Diocese, proprietárias do edifício onde hoje funcionam os serviços do JM – ou o destino dificilmente deixará de ser o mais radical e menos desejado. Consta nalguns sectores que existiria também algum interesse regional na publicação, mas apurei que tal cenário está completamente posto de lado e que não há fundamento nenhum nesse desfecho. Pelo menos no imediato. Desejo para o JM todos os sucessos do mundo, desejo a sua continuidade, livre de qualquer tutela e de condicionalismos políticos que o ponham em causa e aos seus profissionais. Mas atendendo à realidade - e é essa que conta - considerando a realidade do sector da comunicação social - e basta ver o que tem acontecido dos últimos meses no Continente - sinceramente não acredito em declarações dando como certa uma solução airosa para o JM num mercado restritivo como o nosso e claramente em crise. Lamentavelmente é o que eu penso.  Oxalá me engane. Desejo muito que esteja errado nesta minha análise.
ORÇAMENTO – A proposta de orçamento de 2016 da Madeira foi aprovada apenas pelos votos do PSD. Basicamente o que esteve em cima da cima foi o facto de que terminando no final deste mês o PAEF a minoria parlamentar na oposição entendia que os social-democratas poderia, ir mais longe e que estariam obrigados a mais medidas, particularmente em matéria fiscal, medidas capazes de aumentarem o poder de compra das pessoas, aliviando a carga fiscal em vigor. Rui Gonçalves manteve o discurso de que o OR para 2016 foi elaborado em circunstâncias especiais dado que na RAM ninguém pode garantir o que é que o novo governo de Lisboa vai incluir na sua proposta orçamental para o próximo ano em termos de medidas que possam ter impacto concreto na melhoria do poder de compra das pessoas. Há mesmo a possibilidade de um retificativo, tudo dependendo do orçamento de estado que nunca deverá estar aprovado antes de Março de 2016. Contudo é feito um esforço para garantir investimento e ao contrário do que foi dito há uma aposta nos problemas sociais, provavelmente não com a dimensão pretendida pelos autores do documento, mas que constitui um primeiro passo para que mais medidas possam vir a ser dinamizadas.
PASSOS COELHO - Pedro Passos Coelho anunciou no Conselho Nacional do PSD a decisão de se recandidatar à liderança do partido. Tal como já escrevi e continuo a pensar, trata-se de uma má decisão que pode revelar uma apetência pessoal pelo poder alicerçada num eventual desejo de vingança política e na expectativa errada de que Marcelo Rebelo Sousa, se for eleito presidente da República, vai dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas só para fazer o frete ao PSD e ao CDS. O caso Banif, as posições recentes do FMI sobre a redução da dívida, o impasse do Novo Banco, o aumento da pobreza, e outros indicadores pouco abonatórios, são a demonstração de que a herança deixada por Passos está longe, mesmo muito longe, de euforias. Passos viu a coligação receber mais votos, mas não recebeu o mandato para governar sozinha, nem pode ter a veleidade de pensar que os demais partidos estão obrigados a apoiar as propostas e o programa do PSD ou do CDS, muito menos deste. Tal como aconteceu agora em Espanha. Por isso não sei o que vai Passos dizer aos militantes, o que vai prometer aos delegados, que explicações vai dar para a perda de 25 deputados e de mais de 700 mil votos para além da lengalenga idiota que se transformou no discurso oficialista da extinta PAF. Mais. Como é que Passos, claramente o “rei da austeridade pela austeridade” vai explicar aos cidadãos que afinal até podem existir outros caminhos, menos gravosos, além de que chega ao Congresso de 2016 privado do poder que conquistou em 2011 em circunstâncias que todos nos recordamos. Basta irem ao youtube e reverem os videos com as promessas ou as entrevistas que concedeu então. Penso que estes acontecimentos justificam um debate profundo no PSD que não se vai realizar, justificam mudanças de protagonistas que depois de 4 anos de intervenção saturam hoje as pessoas sempre que abrem os queixos. Montenegro é um deles, tal como Marco António Costa que já irrita as pessoas pelo discurso vazio e repetitivo, pela lengalenga do costume que já não convence ninguém. A vergonha em torno do embuste mentiroso da devolução da sobretaxa de IRS é exemplo da falta de dignidade, de ética e de honorabilidade destes políticos da trampa. A verdade é que o PSD de Passos corre o risco de continuar refém de uma série de interesses obscuros que apostaram sempre na mudança de paradigmas, na imposição de uma visão liberalizadora da economia, do estado e das finanças, que ignora os mais desfavorecidos, os pobres, os excluídos, os mais fracos, os desempregados, etc, em contraste e com os milhões para os capitalistas e a banca, propósitos que estiveram na base da tomada de assalto do PSD. O problema é que este governo socialista, apesar de todas as suas insuficiências, demagogia, contradições políticas, falta de unidade no apoio parlamentar e na impreparação política de muitos dos seus membros, aprova medidas que as pessoas recebem com agrado o que obviamente criar obstáculos acrescidos ao anterior poder. Apesar de ser militante do PSD desde a primeira hora, estou-me absolutamente nas tintas para este PSD de Passos Coelho no qual não me revejo por uma questão de princípio e de ideologia que não abdico. O PSD terá diretas a 5 de Março e o Congresso a 1, 2 e 3 de Abril, não sendo de ignorar a curiosidade de começar no dia das mentiras.
CÂMARA DE LOBOS – O município liderado por Pedro Coelho voltou a ser este ano a autarquia madeirense com a melhor classificação no chamado Índice de Transparência Municipal (ITM), continuando desde 2014 a superar o Funchal na liderança da gestão municipal na Madeira. A CMCL obteve uma classificação de 54,1% nesta avaliação - uma iniciativa da Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC) – mas desceu no ranking nacional entre 2014 e 2015 do 49º para a 84ª posição. Por outro lado é a Câmara da Ponta do Sol considerada a menos transparente surgindo na 302ª posição do ranking e última no ranking regional. Apesar de tudo é de louvar o esforço da Câmara de Pedro Coelho no sentido de se abrir cada vez mais aos cidadãos e de tornar cada vez mais transparentes os procedimentos internos, dignificando deste modo o poder local, tantas vezes alvo de ataques e de contestação por causa desse motivo, a opacidade
PS – O PS apresentou grupo de trabalho para a revisão do Estatuto Político-Administrativo, decisão que surpreendeu na medida em que no quadro da Assembleia Legislativa há uma comissão que está a desenvolver o assunto.
Continuo a pensar, pessoalmente, que não há pressa na proposta de alteração do Estatuto porque neste momento não existem condições políticas para um trabalho sério, pragmático e tranquilo em Lisboa. Admito mesmo que a iniciativa da Assembleia Legislativa – apenas a ela cabe a iniciativa - possa ser aproveitada para tentarem a redução de competências próprias da região e não estou a fazer especulação em torno do assunto. Acho que as pessoas não podem ser fundamentalistas. O Estatuto precisa de ser melhorado, precisa de ser actualizado na sua versão de 1999, precisa de adaptar à realidade política regional e aos novos tempos, precisa de clarificar assuntos, de incluir outros, precisa de incluir e aprovar novas propostas, etc. Mas de que nos serve andarmos a trabalhar no assunto em grande velocidade para depois chegar a Lisboa e esbarrar contra uma parede de desconfiança ou de hostilidade? Não julguem que basta mudar nomes no PSD-M e de repetir mil vezes que há uma nova forma de estar e de fazer política e que tudo muda ou se resolve. Pura ilusão. Do outro lado estão-se nas tintas para esse discurso.
Já agora a mudança do sistema político ignora a mudança da lei eleitoral? Por que razão? Julgo que o PS reagiu irritado a uma iniciativa do PSD na Assembleia da República, sobre o Hospital e que em resposta resolveu autonomizar-se na discussão sobre a reforma do sistema político e sobretudo do Estatuto. Só nesta base se percebe a decisão de Carlos Pereira de apresentar um grupo de trabalho, curiosamente também apenas para a revisão do Estatuto Político-Administrativo. Muito sinceramente acho que o PSD-M tem que ter cuidado, que deve promover e fomenta a discussão, que deve fazer o seu trabalho mas que não deve ter nem pressas nem ilusões nem alimentar ingenuidade em torno de ideias pré-fabricadas que apontam para uma mudança radical no comportamento político de Lisboa sobre a autonomia regional que não tem correspondência com a realidade. Se forem por aí será catastrófico e corremos o risco de perdermos muito do que conquistamos e inclusivamente o risco de perdermos competências constitucionais consagradas.
ILUMINAÇÕES – No ano passado assumi-me como um crítico da solução encontrada pela as iluminações natalícias,. Não por causa das opções artísticas, mas por causa, e apenas isso, da cor branca excessivamente utilizada em detrimento da cor que tradicionalmente caracteriza o Natal madeirense. Não comento outras situações que, a reboque da polémica em torno deste tema, foram surgindo aqui e acolá. O essencial, e mantenho, era o facto de o GRM ter escolhido – ou aceite - as propostas com a predominância excessiva da cor branca que não dava colorido nenhum à cidade nem estimulava os madeirenses. Este ano tenho que reconhecer que voltamos às origens. A cor marcou presença, a distribuição, já criticada por alguns – poucos – parece-me bem, os temas escolhidos para determinados pontos mais estratégicos da cidade – cais, praça do mar, rotundas, etc – parecem-me adequados. Globalmente gostei das iluminações. Corresponderam, dão ao nosso Natal a cor que ele sempre teve, as reacções foram positivas, não se notam críticas e as sugestões apresentadas foram aceites e resolvidas. Muito bem.
CONDECORAÇÕES – O Presidente da República agraciou, com vários graus das Ordens Honoríficas Portuguesas, personalidades da Madeira que, segundo Cavaco, “se destacaram no desempenho de funções públicas a nível regional e nacional”. Foram condecorados Alberto João Jardim, ex-Presidente do Governo Regional (Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo), Miguel Mendonça, ex-Presidente da Assembleia Legislativa Regional (Grã-Cruz da Ordem do Infante D.Henrique), Bernardo Trindade, ex-Secretário de Estado do Turismo (Grande-Oficial da Ordem do Infante D.Henrique), Guilherme Silva, ex-Vice-Presidente da Assembleia da República (Grande-Oficial da Ordem do Infante D.Henrique), e Correia de Jesus, ex-Deputado à Assembleia da República e ex-Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (Grande-Oficial da Ordem do Infante D.Henrique). Nada a dizer sobre a decisão presidencial que subscrevo e constituiu um gesto, provavelmente o último gesto, de Cavaco Silva neste seu mandato de despedida, relativamente a políticos madeirenses que trabalharam com ele, de uma forma ou de outra, e com ele mantiveram, no caso de alguns deles, relacionamento próximo. Condecorações justas.
FERRY – Parece que tem cinco interessados mas é evidente que a reactivação desta linha depende de factores que a Região não controla. Além disso, penso que continua a manter-se a ideia de que o GRM não quer ter encargos financeiros com esta operação que deve ser olhada sobretudo como uma iniciativa de privados. Passados estes meses todos desde a posse do GRM a demora justifica-se pela burocracia da abertura do concurso público mas porque existem situações que precisam de ser encaradas com frontalidade e com coragem e pragmatismo. Qual o porto de operação no continente, dado que reconhecidamente Portimão, na primeira operação, foi considerado desajustado por grandes empresas exportadoras para o Funchal, devido aos custos acrescidos. Quais os encargos anuais com esta linha – 6 milhões de euros? O barco que vier a operar efectuará quantas ligações semanais? A ligação marítima vai envolver transporte de mercadorias? Até que ponto existe ou não potencial concorrência com o pretendido avião cargueiro? Confirma-se que a linha marítima poderá estar operacional apenas 6 meses por ano?
BANIF   O que se passou com o Banif é demasiado mau para merecer grandes palavras. A falência de um banco é sempre um mau prenúncio mesmo que tenha sido encontrada uma solução que vai custar milhões aos contribuintes e que pretende resolver o caso. Estranhamente – ou talvez não... – o anterior governo não só não resolveu o problema como o manteve escondido, provavelmente pelo incómodo do tema e pela proximidade de eleições. O Banif devido a essa irresponsabilidade esteve quase para fechar portas e lançar o caos no sistema financeiro nacional e particularmente na economia da Madeira e dos Açores, nomeadamente a madeirense. E quando vemos alguma hipocrisia, sobretudo da parte dos dois partidos que estiveram no poder até a entrada em funções do novo governo socialista, facilmente se conclui que há muita desonestidade, muita falta de rigor, muita mentira, muita hipocrisia de quem devia ter a coragem e a dignidade de assumir que falharam na resolução deste caso. O voto contra do CDS é patético e o discurso absolutamente asqueroso da falhada Cecília Meireles, afastada do cargo de secretária de estado do turismo por evidente incompetência e impreparação foram a demonstração de como as coisas funcionam na direita portuguesa mais extrema. Onde tudo parece valer para alcançarem – nunca alcançam se não forem a reboque - os seus fins.

Ultraperiferias: Barómetro regional semanal (VIII)

AVIÃO CARGUEIRO – Tudo indica que a vinda de um avião cargueiro para a linha da Madeira, destacada pelo Governo Regional, logo após a tomada de posse, ainda não se concretizou e provavelmente não se concretizará nos moldes pensados. Desconfio que a ideia da iniciativa privada era que ela se viabilizasse com apoios financeiros públicos. No recente debate do orçamento para 2016 o tema foi usado pela oposição, tentando colar o GRM ao avião, quando sempre foi afirmado, e a verdade na política é importante, que seria uma iniciativa privada vista com agrado pelo poder. Aliás viu-se nesse debate que vários secretários se demarcaram deste tema. Eduardo Jesus, secretário regional da Economia, Turismo e Cultura até garantiu que esse não era um dossier da sua tutela e Humberto Vasconcelos garantiu que essa era uma aposta de um privado reclamando contudo um apoio nacional para a carga aérea, no que diz respeito a produções regionais, ideia e proposta que também está a ser defendido pelos Açores.
CASAMENTO – uma das boas notícias neste final de ano, sobretudo em termos pessoais e das posições que sempre assumi quanto a este pacto idiota entre PSD e CDS, foi o facto de Passos ter esclarecido que o acordo de coligação com, o CDS extinguiu-se a partir do momento em que o governo caiu. Questionado pelos jornalistas acrescentou não ser preciso nenhum ato formal para acabar com a coligação, mas sublinhando que os dois partidos continuam a ser interlocutores privilegiados. O PSD e Passos Coelho parece que ainda não perceberam que foram prejudicados e penalizados durante 4 anos pelas diatribes do CDS e de Portas e que nas legislativas de 4 de Outubro a postura de Portas foi claramente penalizadora para a coligação. Vergonhosamente o PSD, influenciado pelo desespero de uma coligação que não serviu de nada, ainda deu ao CDS uma representação parlamentar que em termos reais – caso CDS concorresse sozinho às eleições – nas representaria sequer um terço dos deputados que agora tem. Mas se o PSD e Passos não querem entender isto, problema deles. Estou-me borrifando para isso
SUCESSO – Quando ouvimos os anteriores governantes da coligação PSD-CDS falarem orgulhosos no alegado “sucesso” da governação deles e somos confrontados com casos vergonhosos como a falência do BANIF e a realidade da pobreza, entre outros que o tempo se encarregará de desvendar, sentimos alguma raiva. Ficamos agora a saber que um em cada cinco portugueses é pobre, que mais de 2,2 milhões de pessoas vivem atualmente em risco de pobreza em Portugal. Mais. Diz o INE que em 2014 a taxa de privação material dos residentes em Portugal é de 21,6% e que a taxa de privação material severa se situa nos 9,6%. Constata o INE que em 2015, 51,3% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para pagar uma semana de férias por ano fora de casa, 40,7% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para assegurar o pagamento imediato, sem recorrer a empréstimo, de uma despesa inesperada próxima do valor mensal da linha de pobreza. 23,8% das pessoas que vivem em agregados sem capacidade para manter a casa adequadamente aquecida. Há ainda 10,1% que vivem em agregados sem capacidade para pagar atempadamente rendas, encargos ou despesas correntes. Diz o INE que a proporção da população em risco de pobreza ou exclusão social -- pessoas em risco de pobreza ou vivendo em agregados com intensidade laboral 'per capita' muito reduzida ou em situação de privação material severa -- foi de 26,7%. A proporção da população com menos de 60 anos que vivia em agregados familiares com intensidade laboral 'per capita' muito reduzida foi de 10,9% em 2014 - consideram-se em intensidade laboral muito reduzida todas as pessoas com menos de 60 anos que, no período de referência do rendimento, viviam em agregados familiares em que a população adulta entre 18 e 59 anos (excluindo estudantes) trabalhou em média menos de 20% do tempo de trabalho possível.
HOSPITAL – Uma boa notícia foi dada durante o recente debate do orçamento regional para 2016, quando Faria Nunes garantiu que Bruxelas manifestou abertura para apoiara construção do novo hospital com fundos comunitários. De facto Faria Nunes garanti que o novo hospital da Madeira entrará em fase de projecto no próximo ano, estando em curso "o cálculo do dimensionamento do futuro hospital" para iniciar a revisão do programa funcional. Ou seja a proposta inicial será alterada, provavelmente reduzida, dado que a RAM dificilmente garantirá os recursos financeiros previstos na versão inicial desta infraestrutura de saúde. Só depois de cumpridos estes procedimentos o governo avançará para a questão do financiamento. É um facto que a construção do novo hospital – iniciativa do anterior governo regional que foi depois posta de lado quando Lisboa não a considerou um projecto de interesse estratégico nacional, excluindo-o assim de qualquer financiamento com fundos europeus – mais do que uma bandeira eleitoral, com muito oportunismo e saloiada à mistura, deve passar rapidamente para a decisão concreta: ou há hospital ou não há hospital. E, havendo, quem tem que gerir esse processo é o Governo Regional e não o PS e muito menos os partidos da oposição sobretudo quando parece haver entre eles a teoria de que quem mais alto berrar mais méritos tem direito depois a reclamar. Não brinquem com coisas sérias, por favor. E tomem decisões.
FMI – Diz o FMI, depois de todos estes anos, que afinal cortar rápido no défice prejudica a dívida. Foi preciso esperar que Portugal e outros países tenham avançado para uma rápida consolidação orçamental no quadro do programa de ajustamento, para que o FMI reconheça agora que isso pode ter sido prejudicial para a dívida pública. De acordo com o FMI – que deu emprego ao maior responsável pelas patifarias e aldrabices promovidas em Portugal sob a capa da austeridade e do programa da troika, o execrável Vitor Gaspar - admite que no caso de Portugal o ajustamento foi demasiado rápido, reconhecendo que alguns países, como Portugal, “implementaram grandes consolidações orçamentais experimentaram declínios significativos na actividade” mas isso teve um impacto negativo na economia, muito superior ao que a ‘troika’ previa, daqui resultando que “apesar do ajustamento orçamental, os rácios da dívida face ao PIB tenham aumentado mais do que o previsto durante o período do programa”. O FMI vai mais longe. Apesar de Portugal figurar entre os países onde as reformas estruturais previstas no programa proporcionaram maiores ganhos no PIB potencial, o FMI admite que, apesar de toda a literatura económica apontar para que os ganhos das reformas surjam mais a médio/longo prazo e que no curto prazo o impacto é neutro ou mesmo negativo, “em vários programas estava implícito que os dividendos no crescimento começavam logo no segundo ano do programa”. O FMI continua a defender – sublinha a notícia - que os países que levam a cabo desvalorizações internas - no caso de Portugal, a ideia era concretizá-la através da famosa redução da Taxa Social Única (TSU) - obtêm melhores resultados em termos de crescimento. Mas o objectivo de perseguir uma desvalorização interna “sustentável” é melhor conseguido “em períodos mais longos do que o período típico de um programa”. O problema do FMI, pelos vistos, é que em vez de ter a honestidade institucional de apontar factos no momento adequado e de criticar quem andou a enganar os povos em nome da troika, o faça anos depois do mal feito e da patética “saída limpa” e sem que daí resulte nada de útil e concreto seja para quem for. O mal está feito. E com que amplitude e impacto social negativo. No nosso caso...
72 MIL MILHÕES - Portugal ainda deve 72 mil milhões de euros aos credores. Ou seja, Portugal terá de contar durante longos anos com as visitas da troika todos os semestres para analisar a capacidade de reembolso dos empréstimos feitos ao país. Segundo o IGCP, organismo que gere a dívida pública do Estado, estão ainda por pagar cerca de 72 mil milhões de euros dos 78 mil milhões que o país recebeu entre 2011 e 2014, ao abrigo do programa de assistência. Só quando a maior parte desta verba for paga deixará de haver missões regulares. No caso de Bruxelas, os empréstimos foram feitos através de dois fundos de resgate: o Fundo Europeu de Estabilização Financeira e o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira. Em conjunto, os dois instrumentos têm a haver perto de 52 mil milhões de euros. Mas os reembolsos ainda não começaram e as visitas só acabam quando 75% das verbas forem pagas - o que só deverá acontecer em 2035. No caso do FMI, Portugal deve ainda 20,75 milhões de euros pelo que ficaremos debaixo de olho até que a dívida por pagar seja inferior a 200% da quota de participação no FMI - Portugal tem uma quota de 1,15 mil milhões de euros no Fundo, pelo que será alvo de visitas até ter uma dívida de 2,3 mil milhões de euros - o que deverá acontecer em 2021. Digamos que esta realidade condiciona muita coisa, representa a pesada herança dos governos anteriores e questiona a eficácia de quatro anos de austeridade que apenas reduziram a dívida numa insignificante parcela. Para um país que fazia a uma festa do caraças por alegadamente ter cofres cheios e que repetiu vezes sem conta a treta da almofada, a realidade financeira é contudo bem mais negra do que parece.
CMF – A edilidade funchalense, conforme foi noticiado, recusou baixar ordenado dos seus funcionários, só o fazendo se os 791 funcionários municipais virem os tribunais recusarem as providências cautelares intentadas pelos sindicatos. Segundo a vereadora Madalena Nunes, a CMF no anterior mandato (de Miguel Albuquerque) decidiu subir os escalões remuneratórios dos funcionários, tal como a generalidade das Câmaras da Madeira, mas tal decisão esbarrou na decisão do Tribunal de Contas de considerar que tal decisão “não foi correcta” obrigando por isso à correção da situação, com reposicionamento em escalões remuneratórios mais baixos. A CMF ignorou esta decisão do Tribunal de Contas, pelo menos até que haja uma decisão e uma ordem judicial de sentido contrário.
AVELINO FARINHA – Uma vez mais tenho que colocar em destaque a coragem e audácia deste empresário madeirense, tantas vezes criticado, mas que continua a ser dos poucos investidores na RAM, em plena crise, e um dos poucos a gerar emprego, apesar da brutal redução do investimento público, regional ou autárquico, para valores que nada têm a ver com o passado e que explicam porque razão a Madeira nunca, repito, nunca conseguirá reduzir o desemprego para valores considerados admissíveis e normais numa região insular. Penso que muitas das críticas feitas a Avelino, por alguns sectores políticos mais radicais e ocos da oposição política regional, têm muito a ver com a constatação da importância deste empresário para a Madeira e com a necessidade de impedir que o empresário continue na senda do investimento e do sucesso, porque isso não se identifica com a teoria da terra queimada desses sectores oposicionistas. Acresce a isto algo que nesta terra se banalizou, as diatribes quem não é capaz de esconder invejas e ciúmes mal curados, etc, de quem nunca aceitou o sucesso de Avelino Faria e das suas empresas. O facto do empresário ter fechado o negócio de aquisição pelo Grupo AFA da totalidade das acções representativas da Siet Savoy, permite que passem para a sua tutela unidades hoteleiras emblemáticas, casos do Royal Savoy e do Savoy Gardens, a que se junta a conclusão do projecto de construção do Hotel Savoy, parado desde 2011 por falta de financiamento, resolvendo-se assim um dos principais problemas da cidade que dava à zona hoteleira uma imagem degradante.
Para além das dificuldades que José Avelino Farinha teve que ultrapassar nas negociações com os anteriores proprietários da empresa agora adquirida – e que não tinham condições financeiras nem interesse em concluir o Savoy que haviam demolido – fui informado que alguns dos mentecaptos do costume que continuam a ter inveja do sucesso de Avelino Farinha tentaram convencer a CMF a alterar o projecto devidamente aprovado em 2010, na expectativa de que o empresário desistisse e tudo continuasse na mesma, no fundo o desejo desses mentecaptos que conspurcam a sociedade e o quotidiano da RAM num tempo cada vez mais exigente e onde todos os desafios devem ser enfrentados e vencidos. Depois da inauguração este ano do sensacional Saccharum Hotel na Calheta, teria sido muito mais fácil a Avelino Farinha fazer despedimentos, por falta de obras ou investir noutras paragens com rentabilidade garantida. Não fez uma coisa nem outra. Investiu na Madeira e já publicou anúncio de contratação de 150 pessoas para trabalharem nas obras de construção do novo hotel, previstas para se desenvolverem por um prazo de 2,5 a 3 anos.
Recordo que a construção do novo Hotel Savoy, projectado por Horácio Roque e Joe Berardo, apontava para um investimento de 170 milhões de euros, devendo o hotel ficar concluído em finais de 2012. Nada disso aconteceu. O Savoy fechou a 11 de Maio de 2009 e começou a ser demolido a 4 de Janeiro de 2010, empreitada que demorou seis meses e custou perto de 30 milhões de euros. O empreendimento terá 16 pisos, na área de edificação com 65 mil metros quadrados. José Avelino Farinha tem por isso o direito e todo o mérito de figurar neste barómetro e em local de destaque.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

MADEIRA: PERSONALIDADES DO ANO (2015) PARA O ULTRAPERIFERIAS


Na escolha das personalidades do ano, resolvi eleger um político e um empresário, por razões que justificarei de forma fundamentada. Optei na política por Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional, pelo percurso mantido desde Novembro de 2014, quando começou a corrida para as "directas" no PSD-Madeira, culminando com a maioria absoluta nas regionais de Março deste ano e com a vitória nas legislativas de 2015, merecendo e justificando a escolha, independentemente do mérito que se possa reconhecer a outros. Acresce que Miguel  Albuquerque para além de ter conquistado a maioria absoluta nas eleições regionais de Março deste ano, realizadas num cenário político-eleitoral obviamente marcado por diversas pressões, juntou a vitória nas legislativas de Outubro, elegendo 3 deputados e resistindo bem ao impacto negativo da austeridade, da insensibilidade do poder central em Lisboa e de uma evidente aversão de Passos e Portas junto da opinião pública nacional em geral. O que explica que a coligação tenha perdido mais de 700 mil votos e 25 deputados. A opção do Blogue Ultraperiferias é esta.
No mundo empresarial a nossa escolha foi para o dinâmico empresário José Avelino Farinha que considero um exemplo de como uma região pequena permite que projectos empresariais arrojados e construídos desde a base - muitas vezes expondo os seus promotores ao insulto vergonhoso na praça pública de alguns crápulas sem escrúpulos ou a serem obrigados a passar por tremendas dificuldades, obstáculos e incompreensões - conseguem alcançar o sucesso, muito por causa do mérito, da inteligência e da forma como os problemas são encarados e transformados em oportunidades.
Conheço o José Avelino Farinha há muitos anos, sobre escrevi um dia destes, e mantenho, que se trata de um empresário que teve um papel preponderante - obviamente que ao lado de outros - na mudança que a Madeira protagonizou nestes anos. Avelino Farinha foi uma peça decisiva na mudança. Respondeu quando teve que responder, arriscou, investiu, apostou, diversificou. Conquistou o sucesso, obteve êxitos, passou por contrariedade, torneou dificuldades, etc. Mas é um ganhador. Por isso, depois do excelente hotel Saccharum na Calheta, inaugurado este ano, a formalização do negócio com o Savoy colocam José Avelino Farinha no pedestal das personalidades que o meu Blogue escolheu e destacou em 2015. Merecida e incontestavelmente.

Ronaldo: o agradecimento ao Expresso da figura nacional do ano


Foi um ano memorável para Cristiano Ronaldo: 55 golos em 56 jogos, a terceira Bola de Ouro, a quarta Bota de Ouro, e um lugar na história Real Madrid como o maior goleador de sempre do clube. Foi por isso, e por muito mais, que o Expresso o escolheu como figura nacional de 2015. Veja e ouça o que ele tem a dizer sobre esta distinção - e leia o que nosso jornal lhe traz na edição desta quinta-feira. E prepare-se - outras coisas virão (Expresso)

A triste pobreza em Portugal

fonte: Correio da Manhã

O esforço fiscal dos portugueses

 
fonte: Correio da Manhã

Sondagem: Marcelo dispara e vence à primeira

Uma subida de 4,5 pontos nas intenções de voto atira Marcelo Rebelo de Sousa - pela primeira vez nos estudos da Eurosondagem para o Expresso e SIC - para uma possível vitória logo na primeira volta. Com 52,5%, a possibilidade de vitória logo a 24 de janeiro parece ganhar força, em linha com o que outros estudos têm mostrado, até de forma mais exuberante. De qualquer forma, a possibilidade de uma segunda volta, neste caso apontadas para 14 de fevereiro, não parece provocar um efeito de conjugação de votos à esquerda, bem pelo contrário, cavando o fosso de tal forma que coloca Marcelo acima dos 60%.
Esse é, talvez, o principal dado desta sondagem. Ao contrário do que aconteceu na única vez em que foi preciso recorrer a uma segunda volta, em 1986, entre Freitas do Amaral e Mário Soares, agora não parece haver nenhum candidato à esquerda com capacidade para polarizar toda a sua área política. É claro que essa capacidade só é verdadeiramente verificável depois da primeira volta, tal como aconteceu com Soares, que pouca gente antecipava poder vir a ter o apoio declarado do PCP, como acabou por acontecer.
Ainda assim, e apesar da dificuldade em sondar-se um cenário tão distante, Marcelo fica sempre com uma votação muito expressiva, com 62%, seja contra Maria de Belém, seja contra Sampaio da Nóvoa, os dois candidatos melhor colocados para uma segunda volta. Nesta matéria, nenhum se destaca na capacidade de enfrentar Marcelo numa possível segunda volta. Maria de Belém consegue 37,5% nas intenções de voto numa segunda volta e Sampaio da Nóvoa menos 4 décimas, o que é estatisticamente irrelevante numa sondagem.
BELÉM VS NÓVOA
A luta à esquerda tem, aliás, poucas alterações significativas. Maria de Belém tem uma ligeira descida, mas a subida de Sampaio da Nóvoa é quase residual. Os dois candidatos estão, assim, muito próximos, sem se perceber ainda qual dos dois pode eventualmente descolar. A outra nota de destaque é a baixa votação dos dois candidatos oficiais do Bloco de Esquerda e CDU, partidos com fortes votações nas últimas legislativas. Nem Marisa Matias nem Edgar Silva parecem conseguir congregar os votos fiéis dos seus partidos. Marisa sofre, aliás, uma queda acentuada de 2,1%, um terço das suas intenções de voto da sondagem anterior. Edgar Silva também cai um pouco, ficando quase empatado com a candidata do Bloco.
Tanto Paulo Morais, que sobre um pouco, como Henrique Neto, que apresenta uma descida, estão abaixo dos 2% nesta sondagem.
Num momento em que não se coloca a possibilidade de desistência de qualquer candidato, a maior parte dos eleitores acha que devem ficar todos na corrida. Para os 33% que defendem desistências, as saídas mais indicadas são as de Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa e só depois Edgar Silva e Marisa Matias.
Um dos fatores que mais parece beneficiar Marcelo é a ideia que que é o candidato que oferece mais estabilidade política, com um valor impressionante de 62,6%.
FICHA TÉCNICA
ESTUDO DE OPINIÃO EFETUADO PELA EUROSONDAGEM S.A. PARA O EXPRESSO E SIC, de 16 a 21 de Dezembro de 2015. ENTREVISTAS TELEFÓNICAS, REALIZADAS POR ENTREVISTADORES SELECIONADOS E SUPERVISIONADOS. O UNIVERSO É A POPULAÇÃO COM 18 ANOS OU MAIS, RESIDENTE EM PORTUGAL CONTINENTAL E HABITANDO LARES COM TELEFONE DA REDE FIXA. A AMOSTRA FOI ESTRATIFICADA POR REGIÃO: NORTE (20,5%) — A.M. DO PORTO (13,9%;); CENTRO (28,6%) — A.M. DE LISBOA (27,1%) E SUL ( 9,9%), NUM TOTAL DE 1.515 ENTREVISTAS VALIDADAS. FORAM EFETUADAS 1.867 TENTATIVAS DE ENTREVISTAS E, DESTAS, 352 (18,9%) NÃO ACEITARAM COLABORAR NESTE ESTUDO. A ESCOLHA DO LAR FOI ALEATÓRIA NAS LISTAS TELEFÓNICAS E O ENTREVISTADO, EM CADA AGREGADO FAMILIAR, O ELEMENTO QUE FEZ ANOS HÁ MENOS TEMPO, E DESTA FORMA RESULTOU, EM TERMOS DE SEXO: FEMININO — 51,4%; MASCULINO — 48,6% E, NO QUE CONCERNE À FAIXA ETÁRIA DOS 18 AOS 30 ANOS — 18,7%; DOS 31 AOS 59 — 50,4% E COM 60 ANOS OU MAIS — 30,9%. O ERRO MÁXIMO DA AMOSTRA É DE 2,52%, PARA UM GRAU DE PROBABILIDADE DE 95%. UM EXEMPLAR DESTE ESTUDO DE OPINIÃO ESTÁ DEPOSITADO NA ENTIDADE REGULADORA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL (Expresso, texto do jornalista Ricardo Costa)

Excelente decisão: Tribunal de Contas quer o Fisco a explicar as penhoras que faz

Os auditores insistem que o Fisco tem de justificar porque é que escolhe penhorar determinados bens em detrimento de outros. É também preciso fixar um prazo obrigatório para o levantamento das penhoras, quando haja erro ou o contribuinte salde a dívida. O Fisco é rápido a penhorar mas pouco criterioso nas penhoras que faz e lento a devolver os bens aos cidadãos. O diagnóstico é do Tribunal de Contas, que insiste para que a Autoridade Tributária (AT) passe a fundamentar os bens que escolhe penhorar, e adopte prazos máximos para levantar essas mesmas penhoras, quando se conclui que houve erro ou o contribuinte já tenha saldado a dívida.
No relatório de auditoria à Conta Geral do Estado para 2014, entregue esta terça-feira na Assembleia da República, o Tribunal de Contas lembra que, das 3.271.999 penhoras feitas ao longo do ano passado, só foram concretizadas 431.234, ou seja, 13%. Esta enorme discrepância evidencia que as penhoras funcionam mais do que como um meio de intimidação dos contribuintes, do que propriamente um meio de pagamento directo das dívidas.
Contudo, na hora de as levantar, o Fisco não actua de forma previsível. Ao todo, no ano passado, foram feitos 468.694 pedidos de redução ou de levantamento de penhora, seja por erro seja porque a dívida foi entretanto regularizada. Entre o pedido e a data de resposta, decorreram em média 10,6 dias. Contudo, cerca de 5,6% dos contribuintes chegam a esperar 30 dias ou mais para reaverem os seus bens.
Ora para o Tribunal de Contas não há dúvidas de que faz falta o estabelecimento de prazos máximos para responder aos contribuintes já que, sublinham, o rigor no cumprimento dos prazos tem de ser recíproco.
Do mesmo modo, o Fisco precisa também de passar a fundamentar a razão pela qual decide penhorar um crédito em vez de um imóvel, ou uma conta bancária em vez de uma mercadoria. Nada disto é feito actualmente, o que lhe confere um poder discricionário.
Combate à fraude fiscal é o que cada um quiser
O problema arrasta-se há vários anos, e, na ausência de resolução, vem sendo objecto de sucessivos alertas pelo Tribunal de Contas. Tal como não é nova a observação que é feita relativamente à quantificação do combate à fraude e evasão fiscal – que todos os governos tendem a usar como bandeira promocional a seu favor.
O Governo anterior foi especialmente visado a este respeito pelo Tribunal de Contas, UTAO e Conselho de Finanças Públicas, e, no último relatório sobre o combate à fraude e evasão fiscal, fez um esforço de quantificação maior do que o habitual.
As Finanças dizem que o recurso a metodologias internacionalmente usadas permitiu apurar a recuperação de 2,55 mil milhões de euros, mas, para o Tribunal de Contas, este exercício é insuficiente e pouco fiável.
Continuam a não ser discriminados os valores das liquidações adicionais e das colectas recuperadas por imposto, a eficácia da legislação não é avaliada, não se indicam as fontes de informação nem os cálculos que permitem chegar aos 2,55 mil milhões de euros. Mais ainda, as Finanças não disponibilizaram informação necessária para que estas contas pudessem ser validadas pelos auditores, sendo que os próprios números das Finanças não são consistentes com os valores que estão disponíveis.
Grandes Contribuintes têm cada vez menos inspecções
Outra mensagem repetida face ao ano passado prende-se com o baixo nível de correcções fiscais que são feitas aos grandes contribuintes.
A Conta Geral do Estado indicava uma ligeira recuperação das inspecções feitas pela Unidade dos Grandes Contribuintes, mas os auditores alertam que isto só aconteceu porque houve liquidações adicionais por causa da contribuição sobre o sector energético (que algumas empresas recusaram apurar e pagar). Caso contrário, os resultados da inspecção tributária, e da Unidade dos Grandes Contribuintes teriam registado quebras de 4,8% e 4,5% face a 2013, respectivamente (Jornal de Negócios)

Segurança Social pagou pensões a mortos durante 10 anos

O Tirbunal de Contas (TdC) detectou centenas de casos em que foram pagas reformas a beneficiários já falecidos. As irregularidades constam do parecer sobre a Conta geral do Estado de 2014, entregue ontem pelo Tribunal de Contas no parlamento. Com as falhas de cruzamento de dados, há até casos em que o óbito só foi comunicado ao Ministério da Justiça e à Segurança Social dez anos depois da morte, revela o i.
O Tribunal de Contas aponta o dedo à integração demorada da informação recebida pela base de dados da Segurança Social e ao grande desfasamento temporal entre óbito dos beneficiários e a comunicação do IGFEJ (instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça) à Segurança Social, havendo mesmo três casos em que o desfasamento se situa entre os 10 e os 13,5 anos.
O TdC que já tinha criticado as insuficiências do sistema informático da Segurança Social fez agora um estudo mais abrangente. Segundo o documento entregue no parlamento a “grande maioria das diligências com vista à recuperação de valores das pensões cessadas em 2014, por falecimento, foi iniciada apenas após o pedido de informação do TdC ao Instituto de Segurança Social”.
 Com base nas informações retiradas da base de dados do Instituto da Segurança Social (ISS) a 31 de Dezembro de 2014 foram encontrados milhares de erros.  Os auditores descobriram 35 situações em que a data de nascimento era posteriori á data do óbito, 3176 casos em que a data de nascimento dos beneficiários estava incompleta ou era inválida.
Foram ainda detectadas 45 mil pensões da Segurança Social e 48 mil da Caixa Geral de Aposentações  em que não havia dados sobre a identificação fiscal dos beneficiários.
O TdC diz que encontrou “constrangimentos” no cruzamento de dados com “consequências ao nível da fidedignidade e actualidade da informação”.
Numa consulta a 16 mil beneficiários com pensões activas em 2014 e com idade igual ou superior a 95 anos, havia 492 beneficiários que já estavam registados como falecidos. E no caso da suspensão de pensões, em 115 mil casos analisados, mais de mil dos falecidos só viram as pensões suspensas seis meses ou mais após a ocorrência do óbito (Económico)

Bem-vindos à casa de Cristiano Ronaldo


Cristiano Ronaldo recebe-nos à entrada da sua casa, em Madrid. Mostra-nos as amplas salas, o quarto onde descansa "para estar ao melhor nível", e termina com o jardim, munido de piscina e campo de futebol. Foi com este pequeno tour de dois minutos que o avançado português presenteou os fãs, esta terça-feira, nas redes sociais. E despediu-se, como não podia deixar de ser, com desejos de um "feliz Natal e bom ano novo". Em 2016, para além de continuar a lutar pela equipa madrilena e por mais uma Bola de Ouro, CR7 vai abrir, em parceria com o grupo Pestana, quatro hotéis de luxo: no Funchal, em Lisboa, Madrid e Nova Iorque, um investimento que se ronda os 75 milhões de euros (DN-Lisboa)

Tribunal de Contas: Parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2014

Nota para a imprensa
A apreciação da sustentabilidade das finanças públicas e o controlo do endividamento das administrações públicas conferem especial importância ao exame da execução do Orçamento do Estado quanto à sua legalidade (com ênfase na aplicação dos princípios orçamentais), correção financeira e adequada contabilização. O exame à CGE de 2014 suscita um conjunto de considerações e evidencia deficiências, nalguns casos recorrentes.
A receita consolidada da administração central aumenta 2,2% impulsionada pelo acréscimo de 2,3% nas receitas fiscais e 10,8% nas contribuições sociais. Nos impostos, 57% do aumento decorre de correções contabilísticas (IRS afeto aos municípios e contribuição sobre o sector bancário) visto o acréscimo do IVA e a redução do IRC se compensarem. Considerando a receita decorrente de certos ativos financeiros a receita consolidada cresce 6,3% devido, sobretudo, à amortização pelos bancos de instrumentos de capital contingente (CoCos) emitidos para recapitalização da banca.
A CGE voltou a evidenciar casos relevantes de desrespeito dos princípios e regras orçamentais, de incumprimento das disposições legais que regulam a execução e a contabilização das receitas, de insuficiências dos sistemas de contabilização e de ineficácia dos sistemas de controlo. As contribuições de serviço rodoviário (entregue à Estradas de Portugal) e para o audiovisual (entregue à Rádio e Televisão de Portugal) subsistem como exemplos de omissão de receitas do Estado (€ 1.472 M em 2014).
A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) passou a reportar ao Tribunal o valor das liquidações e dos acréscimos de receita fiscal provenientes dessa ação. Por sua vez, o Governo divulgou (também pela primeira vez) uma estimativa da receita fiscal resultante do combate à fraude e à evasão. Todavia o Governo não indicou as fontes de informação e os cálculos efetuados nem disponibilizou os dados necessários para a verificação dessa estimativa cujas principais parcelas são, aliás, inconsistentes com os valores reportados pela AT ao Tribunal e na CGE.
Dezassete anos após a sua aprovação, o POCP ainda não era aplicado em todos os serviços da Administração Central. A não conclusão da implementação do POCP constitui um revés para a elaboração do balanço e da demonstração de resultados da Administração Central do Estado, porém, não é impeditiva de que a CGE apresente essas demonstrações financeiras consolidadas relativamente às entidades com POCP. O Tribunal formula uma recomendação no sentido de a transição e implementação do SNCAP (aprovado este ano e com aplicação plena prevista para 2017) não demore o tempo que tem levado o POCP, com as consequências que daí adviriam para o rigor e transparência da CGE.
As sucessivas alterações dos valores fixados no Quadro Plurianual de Programação Orçamental (QPPO), que a Lei de Enquadramento Orçamental (LEO) impõe como vinculativos, desvirtuam, por completo, a sua natureza e propósito disciplinador do rigor das finanças públicas. Anota-se, também, que a nova LEO consagra, em substituição do QPPO, o Quadro Plurianual das Despesas Públicas (QPDP) com um regime menos rígido, uma vez que os limites nele fixados apenas são vinculativos para o primeiro ano de vigência.
A CGE no procedimento de consolidação e apuramento do saldo exclui todas as receitas e despesas classificadas como activos financeiros. O Tribunal entende que não é correto considerar que todas as receitas e todas as despesas classificadas como ativos financeiros são insuscetíveis de alterar definitivamente o património financeiro líquido do Estado, como é o caso de receitas e despesas relativas a operações financeiras de médio e longo prazos (neste ano assumem particular relevância o empréstimo de € 3.900 M concedido ao Fundo de Resolução, um outro concedido à CP de € 2.283 M e os casos de empréstimos convertidos em capital social das empresas públicas). Considerar tais receitas e despesas confere maior rigor e transparência aos documentos de prestação de contas referentes à execução orçamental. O impacto no saldo das operações com os activos financeiros considerados foi de € -5.774 M.
A CGE continua a não incluir a dívida dos serviços e fundos autónomos, onde se integram as entidades públicas reclassificadas (€ 13.526 M, dívida consolidada), nem a dívida representada por derivados e locações financeiras (cerca de € 1.300 M, avaliados ao justo valor).
Em 31 de Dezembro de 2014 o saldo acumulado das receitas e despesas orçamentais com BPN e sociedades veículo era de € -2.647 M e as garantias prestadas pelo Estado de € 3.537 M. No Parecer analisa-se, ainda, a venda do BPN Crédito, vendido por € 36 M, venda que levava associada um crédito potencialmente recuperável de € 94 M.
Pela primeira vez faz-se um levantamento dos apoios concedidos ao sector financeiro (sem incluir benefícios fiscais) no período 2008-2014, desagregado por entidades beneficiárias e por instrumentos utilizados, tendo-se apurado um saldo negativo de fluxos de € 11.822 M e garantias em vigor no montante de € 7.037 M.
A despesa fiscal relevada na CGE continua subavaliada, quer pela omissão de € 34 M em IRC, quer por não ter sido quantificada despesa relevante, incluindo a relativa a operações e atos isentos de imposto do selo declarados por sujeitos passivos. Só o resultado da mera aplicação das taxas mínimas previstas na tabela geral desse imposto aos montantes declarados ascende a € 143 M. 
Subsiste a falta de inventário e de valorização adequada dos imóveis da administração central; a informação sobre o património constante da CGE continua inconsistente e permanece afetada por várias deficiências. O relatório da Conta é manifestamente insuficiente para confirmar a contabilização das receitas obtidas e das despesas pagas com operações imobiliárias realizadas por organismos da administração central, as quais estão afetadas por erros e, sobretudo, por falta de validação.
A conta dos fluxos financeiros não desempenha o papel que lhe cabe no controlo das contas do Estado ao não comportar a totalidade dos movimentos dos organismos da administração central. Com efeito, uma parte relevante das disponibilidades financeiras dos organismos da administração central e das empresas públicas continua a ser movimentada fora do Tesouro, não sendo registada na contabilidade da tesouraria. A generalidade dos juros auferidos pelo incumprimento da unidade de tesouraria não foi entregue ao Estado.
O Tribunal formula reservas, em especial: pela não aplicação integral do POCP; pela não apresentação do balanço e demonstração de resultados consolidados da administração central na CGE, relativamente às entidades com POCP; pela omissão de impostos nas receitas do Estado; pela subavaliação da despesa fiscal; pela falta de informação sobre o stock da dívida dos serviços e fundos autónomos; pela falta de inventário do património imobiliário. Formula ainda ênfases, entre outras: por insuficiências da conta dos fluxos financeiros; pelo não cumprimento de princípios orçamentais e do princípio da unidade de tesouraria; pela não contabilização em operações extraorçamentais dos fluxos sem natureza orçamental. Assinala uma limitação de âmbito por a CGE não incluir a receita e a despesa de nove entidades, incluindo o Fundo de Resolução.
Segurança Social:
Os totais da receita e da despesa do sistema de segurança social reduziram-se, respetivamente, em 17,6% e 17,8%, em relação ao ano anterior, primordialmente em resultado da menor rotação dos Ativos Financeiros. Já as receitas e despesas efetivas baixaram apenas 2,8% e 2,6%, respetivamente. Da receita destacam-se como as mais significativas as contribuições e quotizações e as transferências correntes, incorporando estas o valor de € 1.329,1 M, correspondente a uma transferência extraordinária para financiamento do sistema previdencial repartição, e do lado da despesa as relativas a pensões, a desemprego e apoio ao emprego. O saldo de execução orçamental foi de € 436,2 M e o saldo de execução efetiva de € 429,4 M.
A despesa com pensões e complementos paga pelo sistema de segurança social totalizou € 15.954,0 M, mais 0,8% do que em 2013, tendo o respetivo financiamento sido objeto de um reforço de € 952,2 M, por via da transferência extraordinária para financiamento do sistema previdencial repartição. Detetou-se a existência de deficiências de controlo interno relativas à ausência de informação integral e atualizada sobre os dados identificadores dos pensionistas, tendo por consequência o pagamento de pensões, por períodos por vezes alargados, após o falecimento, bem como a ausência de diferenciação entre a função de atribuição e processamento mensal de pensões e a de apuramento de valores indevidamente pagos na sequência de falecimento dos pensionistas, o que é suscetível de permitir a ocorrência de situações de fraude e corrupção.
A despesa com prestações de desemprego paga pelo sistema de segurança social foi de € 2.238,7 M, menos 18,2% do que em 2013. O financiamento destas prestações registou, em 2014, um excedente de € 158,3 M. Detetou-se a existência de limitações na aplicação informática processadora daquelas prestações, com impacto favorável ou desfavorável para os beneficiários, bem como deficiências ao nível do controlo interno, referentes à ausência de procedimentos de rotina com vista a ultrapassar as incorreções ocorridas por força das referidas limitações e, bem assim, à ausência de segregação das funções instrutória e decisória na atribuição das prestações, não prevenindo a ocorrência de situações de fraude e corrupção que podem revelar-se de difícil deteção.
O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social contava, no final de 2014, na composição da respetiva carteira, com 75% de dívida pública nacional, a qual poderá, nos termos da lei, vir a atingir 90% do total. O valor do fundo era então suficiente para cobrir encargos com pensões do sistema previdencial durante um período de 13,9 meses. A rendibilidade média anual do Fundo desde a sua constituição situava-se em 5,17%.
O juízo sobre a Conta da Segurança Social expressa reservas sobre o controlo interno, designadamente no âmbito das pensões e das prestações de desemprego, reservas e ênfases referentes a questões de legalidade e reservas sobre a correção financeira da conta de execução orçamental, o balanço e a demonstração de resultados, o que não permite assegurar que a referida Conta reflete, em todos os aspetos materialmente relevantes, uma imagem verdadeira e apropriada da situação económica, financeira e patrimonial da segurança social.
No Parecer formulam-se 95 recomendações (várias delas recorrentes) à Assembleia da Republica e ao Governo, com vista à correção das deficiências encontradas e à melhoria da fiabilidade e do rigor da CGE.
Foram acolhidas, total ou parcialmente, 65% das recomendações formuladas no Parecer sobre a Conta de 2012, o que se regista positivamente (TC)