quarta-feira, janeiro 06, 2016

Alberto João Jardim: A burguesia funchalense odeia-me

A NOSSA BANDEIRA - E O QUE LHE SIGNIFICAM LUZES, BANIF E SAVOY

“Um povo que não mantém vivas as suas preocupações, um povo que vive na inércia de uma aceitação passiva, é um povo morto.” (Papa Francisco, no Paraguai)

“Festas são festas”, diz o Povo. Razão porque estive silencioso nesta Quadra, até hoje, Dia de Reis.
Comecemos por traduzir as “iluminações”. Obviamente que como expressão estética que são, cada um é livre de achá-las “bonitas”, “feias” ou lhes ser indiferente.
Apesar das idiotices de certas filosofias, felizmente não há dois seres humanos iguais a papel químico, logo felizmente não há quaisquer sensibilidades rigorosamente idênticas.
Portanto, falar de algo estético - e as “iluminações” também são Arte - é sempre e apenas subjectivo. Mera opinião fruto de sensibilidade individual e sem pretensões ridículas de objectividade sentenciante.
Mas não sejamos ingénuos. Não é por acaso que as “iluminações” neste fim de ano tanto podiam ser para o Carnaval, como para o Ramadão, como para o aniversário do glorioso Clube Sport Marítimo, ou até para celebrar qualquer propaganda do “senhor governo”, coisa que o actual faz melhor do que os meus.
Só que se roubou temática às “iluminações”. Pareceram propósito de, no melhor estilo maçónico, apagar qualquer referência religiosa da Tradição cultural natalícia do Povo Madeirense.
Foram autêntica contra-cultura, “politicamente correctas” como o exigem as modas laicas e queques.
Uma das mágoas que me ficaram da longa governação - felizmente muito poucas - foi a tristeza das “iluminações” no último fim de ano dos meus mandatos, após decénios sempre bem sucedidos.
Levou o Governo Regional a um repudio público feroz, mas que , por estar de saída, não foi suficiente para impedir o que não se devia ter repetido.
Mesmo assim, este ano estava melhor do que o ano passado. Linda a Praça do Município, bem conseguidas as encostas que envolvem a baixa do Funchal, bonita a parte norte da Avenida do Mar.
Mas medonhos aqueles aranhiços nas ribeiras.
Medonho aquele vermelhão sobre o caís, talvez ensaio para um congresso do PCP, ou para o aniversário do Benfica, ou apenas para expressar o “consenso” agora em moda, que faz o adversário se rir de nós e os “velhos interesses”, de novo, dominarem a Madeira.
Como medonha era aquela uniformidade empastada de uma só côr nalguns locais, ainda por cima recorrendo a tons cromáticos que pareciam as “montras” das “meninas” de Amesterdão!
A mesma atracção pela falta de luz viva, na parte sul da Avenida do Mar, a leste do cais, possivelmente sugestão para os criadores de roupa íntima “sexy”.
Não sei se esta liberdade de expressão também é proibida pela “esquerdoide” Assembleia da República que, numa aproximação ao fundamentalismo islâmico, interditou legalmente os pirôpos civilizados - os ofensivos já estavam criminalizados, não era preciso nova lei.
Também errada a redução das áreas iluminadas, deprimentes o Aljube e a Fernão de Ornelas, tal qual o País triste e massificado que até acha piada no Ricardo Araújo Pereira!…
Neste tempos em que a burguesia, inculta e enganada, se sente “poder”, a snobeira acha “ourrríííível” a mistura de cores vivas em cada árvore, TRADIÇÃO POPULAR.
Mas são gostos. E, para enganar o Zé Pagode, lá se pagará mais uma vez a uma entidade estrangeira qualquer para dar um “prémio”.
Agora, três outras questões são já objectivas. Permitem a Liberdade de formar um posição política que nada tem a ver com a subjectividade da apreciação estética das “iluminações”, pese embora a censura em vigor.
Primeira questão, o SANEAMENTO luminoso da Bandeira da Região Autónoma, A NOSSA BANDEIRA.
Segunda, a estocada na Autonomia que é o desaparecimento do BANIF.
Terceira, o ruído “curioso” à volta do SAVOY, com ar pouco inocente.
Ora sabe-se que o “jardinismo” é considerado o “inimigo comum” de toda a mediocridade partidária cá da “paróquia”. Partidos que servem de camuflado aos verdadeiros novos-velhos poderes domésticos. Partidos alinhados “bem comportadinhos” na actual e iletrada “união nacional” deste sítio, tontamente julgando-se protegidos pelo “pensamento único” que caracteriza a comunicação social madeirense de feitura tradicional, já com menos audiência do que a da NET.
“Jardinismo”, inimigo comum. Da minha parte agradeço e divirto-me. E inimigo comum porque ao contrário dos partidos tradicionais, incolores, inodoros e insípidos, o “jardinismo” tem Ideologia e Objectivos Concretos no tempo, não assenta em conluios de “interesses” cobertos pelo secretismo.
Mas, se o “jardinismo” fazia assim, há que fazer assado.
Se o “jardinismo” comia de garfo e faca, há que comer com as mãos.
Se o “jardinismo” andava depressa, há que ir devagar.
Se o “jardinismo” era lutador e afirmativo, a propaganda oficiosa agora diz que de “falta de educação” se tratava.
No “jardinismo” havia contraditório duro na comunicação social madeirense, liberdade até ao extremo. E agora?…
And so on…
Vejam este novo paradigma da Madeira! (É fino dizer “paradigma”)…
O “jardinismo” exigia a NOSSA BANDEIRA nas “iluminações” de fim do ano. Porque, após tantos séculos de colonialismo e de extorsão, é sempre pouco o que se faça para nos afirmarmos e à nossa Identidade madeirense.
Mas era “jardinismo”!…
Logo, os novos e afectados serviçais, bem pagos seja nas “decorações” ou nos “estudos” inócuos, tinham de “apagar” a NOSSA BANDEIRA. De “apagar” um Símbolo da nossas liberdades conquistadas há poucas décadas e, com aquelas fezes de lâmpadas mortiças, beijar o traseiro da “tripla aliança” que domina o território - o poder colonial, a retornada “Madeira Velha” e a “esquerda caviar” doméstica.
“Tiveram a oportunidade de escolher a desonra e a guerra. Escolheram a desonra. Terão a guerra”, como disse Churchill ante cedências inglesas a Hitler, nos acordos de Munique.
Escuridão.
Tal como no BANIF, utilizado agora para continuar o desarme autonomista da Madeira, igual à Europa varrida pelo centralismo capitalista.
Vejam se eu tinha razão, ou não. Não sofram da habitual desconfiança mortal que, na História, nos impede de ousar ver a realidade das coisas e de assumir a RESISTÊNCIA!
A imensidão de créditos mal-parados, coincide, ou não, com enriquecimentos inexplicáveis?
Porque é que se gastou tanto dinheiro em campanhas hostis na comunicação social, pagando mercenários da escrita e da palavra, pagando livros e políticos, contra os Autonomistas?
Porquê a impunidade dos que em Lisboa tentaram destruir o Centro Internacional de Negócios da Madeira, quando a República sabe que as potências mais fortes procuram atrair fluxos de capitais através de vários instrumentos, entre estes o controlo de pelo menos um “paraíso fiscal”, que a Madeira nem o é?…
Porquê um combate drástico, mesmo anterior às eleições regionais de 2011, aos que, na Madeira, nos opomos ao neoliberalismo que, através da “dívida”, mantém sob controlo quem trabalha e quem pensa?
Desde a extrema-direita à extrema-esquerda, porquê, na Assembleia da República, todos unânimes contra a proposta autonomista e regeneradora do regime político português, vinda do Parlamento da Madeira, porquê a CENSURA que não permitiu os Portugueses conhecê-la?
Porquê o investimento na neutralização da FAMA e do PSD/Madeira por dentro, e a passada gestão da instrumental Fundação Social Democrata?
Por acaso, sabem quem é quem, politicamente, no Banco que tem posição privilegiada na Empresa por sua vez com posição privilegiada na TV que precipitou o acontecido?
Não sabem que, com a “extinção” do BANIF, a Madeira perde o maior contribuinte líquido do seu Orçamento?
Será que as Empresas e outras Instituições no arquipélago, já perceberam que podem deixar de contar com as facilidades de disposição imediata e a curto prazo de liquidez, quando estiverem com problemas?
O Leitor percebe que, a vigorarem novos critérios de execução de dividas, já a partir de meados do ano o património dos Madeirenses poderá valer muito menos dado o excesso de oferta no mercado, a par de eventual descida na remuneração dos depósitos?
Já viram o efeito devastador na CONFIANÇA dos que ainda investiam ou depositavam na Madeira, após os antecedentes com outros Bancos e “promoções” erradamente confundidas com o poder político?
Vêem o efeito catastrófico na CONFIANÇA, que decorre das declarações da última Administração do Banco “extinto”, a pedir investigação judicial à decisão tomada pelo Governo da República, apesar da opção positiva Deste, de salvar os depósitos?
Politicamente, como consentir nisto tudo?!…
Afinal…
Tenho, ou não, razão, quando defendo uma Autonomia muito mais ampla que, por exemplo como nas Ilhas do Canal, inclua uma soberania financeira?
Tenho, ou não, razão de criticar a debilidade estratégica do Estado português ante os poderosos, quando é obrigatório perceber que o mundo vive uma GUERRA ECONÓMICA à escala global, de que esta machadada espanhola é um episódio?
E da articulação com tudo isto, não se pode separar as intencionais consequências do que, num tempo difícil com este, seria impedir Emprego e Economia no Savoy.
Detesto estes exibicionismos corporativos, hábitos snobes da burguesia funchalense. Que estiveram ensurdecedoramente calados enquanto decorreu a trama do buracão na Avenida do Infante.
E a nos tomar por tontos, como se existisse qualquer grande destino turístico do mundo que o tivesse deixado de ser por causa da volumetria legal de um determinado edifício!…
Ou estarão a contar com uma debilidade política que se renda à opinião publicada?…
A burguesia funchalense odeia-me - graças a Deus! - porque nunca lhe cedi. O “jardinismo” foi estrategicamente definido como “inimigo principal”, porque AUTONOMISTA, contra empecilhos da nossa terra.
Para os que, nos tempos actuais, estão empenhados em destruir ou congelar a Autonomia Política conquistada pelo Povo Madeirense, retorno a Churchill: “Escolheram a desonra, terão a guerra”.
Apesar de CENSURA vigente.
Funchal, Dia de Reis de 2016
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim (página pessoal do Facebook)

Expresso: Madeira põe à venda inaugurações de Jardim

Governo Regional quer desfazer-se de 11 imóveis, entre os quais estão o Centro Hípico do Porto Santo e o Pavilhão de Vulcanologia em São Vicente. As obras dos últimos 10 anos de Alberto João Jardim estão para vender ou arrendar. O relatório do plano de rentabilização do património das sociedades de desenvolvimento entregue esta semana na Assembleia Legislativa refere que há 11 imóveis em condições de ser vendidos. Dessa lista constam zonas de estacionamento, um palacete recuperado, o centro Centro Hípico do Porto Santo e o Pavilhão de Vulcanologia em São Vicente.
Também o campo de golfe do Porto Santo será colocado à venda. No entanto, esta é uma situação especial e que, segundo o plano entregue no Parlamento regional, requer um estudo para saber qual o melhor uso a dar ao espaço de lazer e desporto. O primeiro procedimento para contratar os serviços de consultoria imobiliária já foi feito. A ideia é, além de colocar o campo no mercado internacional, ter associada “a possibilidade de reformulação do projecto e a vocação inicial dos terrenos”.
A proposta para rentabilizar o património das sociedades de desenvolvimento – as entidades que promoveram grande parte das obras na Madeira depois do ano 2000 – não se fica pela venda e inclui a concessão de restaurantes, bares e espaços em piscinas, centros cívicos e passeios marítimos construídos por toda a região. A decisão de concessionar prende-se mais com questões de ordem jurídica. Uma parte destes espaços tem problemas de propriedade. Uma parte está construída em domínio público marítimo ou hídrico (junto a ribeiras); outra parte tem ainda pendentes as expropriações. O que inviabiliza, para já, qualquer processo de alienação.
O mesmo plano inclui ainda a cedência de espaços a câmaras municipais numa tentativa de dar algum uso e rentabilidade às obras que Alberto João Jardim classificou como da “Madeira Contemporânea”, no que seria uma nova etapa da “Madeira Nova”. A maioria destas obras foi inaugurada em 2004, ano de eleições regionais, e depois de Lisboa ter imposto à região o endividamento zero. As quatro sociedades de desenvolvimento – Metropolitana, Porto Santo, Ponta Oeste e Ponta Norte – nasceram desse contexto.
Criadas em conjunto com as autarquias – que ao tempo eram todas geridas por executivos do PSD – foram estas sociedades que encontraram o financiamento para o plano de empreitadas do Governo regional. Um primeiro empréstimo em 2002 garantiu 190 milhões de euros – foram depois contraídos mais empréstimos - e foi com esse dinheiro que foram lançados os centros cívicos, os arranjos urbanísticos, as zonas balneares, os passeios marítimos na região. A marina do Lugar de Baixo – que o mar destruiu poucos meses após a inauguração – é uma obra deste plano, assim como o Museu Casa das Mudas, edifício premiado.
A crise, o plano de resgate – parte da dívida da Madeira está nas sociedades de desenvolvimento - e o tempo vieram mostrar as fragilidades das obras da “Madeira Contemporânea”. O último Governo de Jardim tentou juntar as quatro sociedades numa só, o que não foi possível já que tinham ativos e compromissos bancários. Miguel Albuquerque, sucessor de Alberto João na liderança política da ilha, fez da rentabilização deste património uma bandeira eleitoral e prometeu uma solução assim que tomou posse. É o que acontece com o plano entregue na Assembleia Legislativa: vender, concessionar, partilhar ou ceder a gestão.
A questão, agora, é saber se haverá interesse de privados nos imóveis que, em breve, estarão à venda. Em abril de 2015, na primeira reunião do novo Governo regional, foi decidido vender as casas do Porto Santo onde Alberto João Jardim passava férias. Depressa se descobriu que não podiam vender-se por estarem em domínio público marítimo. Foi então aberto um concurso de concessão por dois mil euros ao mês, mas sem sucesso: não apareceram interessados no negócio (texto da jornalista do Expresso, MARTA CAIRES)

Salário mínimo na Madeira sobe para 540 euros

A tradição repete-se com Miguel Albuquerque: tal como no tempo de Alberto João Jardim, o ordenado mínimo na ilha manterá um acréscimo de 2%. A proposta que fixa o ordenado mínimo regional em 540 euros ainda não chegou à Assembleia Legislativa da Madeira, mas o gabinete de Miguel Albuquerque garante que está para breve e terá efeitos a partir de 1 de janeiro. O acréscimo de 2% ao salário mínimo nacional na região autónoma existe desde 1988 e é justificado como uma medida para compensar os custos de insularidade.
O aumento regional é fixado por decreto legislativo depois de aprovadas as alterações nacionais. A proposta é do Executivo local, mas é aprovada no Parlamento regional e há anos que é criticada pela oposição. Os partidos da esquerda entendem que os 2% de aumento não compensam os custos de insularidade. Justo seria um acréscimo de 5% e esse é o valor defendido pelo Bloco de Esquerda, mas é também tradição o chumbo do PSD a esta proposta.
Tanto o Governo Regional como o Bloco de Esquerda entendem, no entanto, que este diferencial de 2% é muito importante para os trabalhadores e para a economia regional. “Todos os salários são determinados a partir desta base na Madeira. A medida não tem apenas efeitos para quem recebe o salário mínimo, mas em todos os outros ordenados”, lembra Roberto Almada, líder regional do Bloco de Esquerda. “O único senão é ser pouco. O Governo aumenta 10 euros face ao ordenado mínimo nacional, nós queríamos que fosse 25”.
O Executivo madeirense tem consciência de que o aumento não é grande, mas o mais importante é que seja feito e que se mantenha o acréscimo regional nos restantes salários. Miguel Albuquerque repete com frequência que é um “social-democrata” e que defende melhores salários e melhores condições de vida para os trabalhadores. Foi por isso que houve intervenção do Governo na questão do contrato coletivo de trabalho da hotelaria, contra a vontade dos empresários.
O salário mínimo regional sobe agora dos 515 euros atuais para os 540 euros, ou seja, 10 euros mais do que no continente. Ainda assim, abaixo do acréscimo em vigor nos Açores, onde desde outubro de 2014 se paga 530,35 euros aos trabalhadores que ganham a retribuição mínima. Os custos de insularidade neste arquipélago são compensados com um aumento de 5% relativamente ao salário mínimo nacional continental. O que significa que, com o último aumento nacional, o ordenado mínimo nos Açores deverá subir para 556 euros em 2016 (texto da jornalista do Expresso, MARTA CAIRES)

Sociedade-veículo que ficou com trabalhadores do ex-Banif abre programa de rescisões

A sociedade-veículo que ficou ativos do Banif, a Naviget, tem aberto um programa de rescisões a que podem concorrer os 500 trabalhadores do Banif que foram transferidos para esta nova empresa. Segundo disse à Lusa Paulo Alexandre, do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, uma vez que o Banif tinha aberto um processo de rescisões aquando da sua resolução, a Naviget vai dar cumprimento à saída dos trabalhadores que já tinham chegado a acordo com o banco.
Além disso, a sociedade-veículo pública tem um processo de rescisões em curso, sendo que neste caso irá aceitar todas as propostas de rescisões que lhe cheguem. No Banif, o banco poderia não aceitar a saída do trabalhador, consoante a importância daquele para a atividade bancária. Até ao momento, disse à Lusa o dirigente sindical, a sociedade-veículo que pertence ao Fundo de Resolução Bancário, que por sua vez está na alçada do Banco de Portugal, não tem quantificação de trabalhadores a sair nem prazo para fechar o processo de rescisões. As condições oferecidas pela sociedade-veículo para os trabalhadores que quiserem sair são as mesmas que o Banif oferecia no final do ano passado. Os sindicatos da Febase -- Federação Sindical do Setor Financeiro reuniram-se na segunda-feira com representantes da nova sociedade-veículo responsável pela gestão dos ativos com que o banco Santander Totta não ficou.
Segundo a informação publicada no portal da Febase na Internet, são 500 os trabalhadores que ficam na nova empresa e os "postos de trabalho estão salvaguardados por força das disposições resultantes do Fundo de Resolução que levou à venda ao Banco Santander Totta de toda a área comercial do ex-Banif".
Os sindicatos dizem que, de acordo com a informação que lhes foi prestada, "estes trabalhadores ficarão a gerir os ativos e a prestar apoio ao banco nas áreas não transitadas". Sobre os Fundos de Pensões, referem que "nada será alterado, até porque a nova empresa pretende manter o Acordo de Empresa em vigor" e dizem que está a ser analisada a "possibilidade de a empresa subscrever o acordo coletivo do trabalho do setor bancário".
O Governo e o Banco de Portugal optaram pela venda do Banif ao Banco Santander Totta, por 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação, tendo anunciado a operação a 20 de dezembro.

Nacional: Miguel Sousa vai bater com a porta?

Miguel Sousa, deputado regional e presidente da Assembleia Geral do Nacional poderá estar a preparar a sua saída dos órgãos dirigentes do seu clube, depois do violento artigo de opinião publicado ontem no DN do  Funchal e das críticas que dele constam, claramente direccionadas, também, aos dirigentes do Nacional que negociaram os contratos de venda dos direitos televisivos.
Miguel Sousa, que recentemente proferiu declarações violentas relacionadas com a falta de apoio ao golfe, modalidade que disse promover a Madeira e que a colocou em calendários europeus de prestígio, deverá assumir essa decisão, já que é mais do que evidente que depois das críticas feitas no texto de opinião - que a seguir transcreverei com a devida vénia - tal continuidade seria extraordinariamente complexa e contraditória. Foi o seguinte o texto de Miguel  Sousa que causou ontem celeuma nos meios desportivos regionais e que, segundo apurei, deverá levar o Governo Regional da Madeira a tomar algumas decisões, nomeadamente quanto a um eventual esclarecimento sobre os contratos agora assinados:
Assassinaram o futebol
Miguel de Sousa
A total irresponsabilidade e impunidade ditou o louco suicídio da Liga portuguesa de futebol.
Como é possível, 18 Presidentes da 1ª Liga e 19 da 2ª ( 5 equipas são B de equipas da 1ª ), deliberarem a centralização dos direitos televisivos dos jogos, elegerem um presidente da Liga que põe isso mesmo no topo do seu programa e, logo depois, celebrarem contratos individuais de longo prazo?
O presidente da Liga, qual nado morto, ainda não se demitiu?
E, digam-nos, o que motiva tantos presidentes de clubes, numa correria desenfreada durante o Natal de 2015, assinarem contratos que só começam no Verão de 2019?
E com que direito e legitimidade comprometem os seus (?) clubes até 2025 ou mais?
Não foi no interesse dos clubes! NÃO FOI ! Porque foi ........ lá eles saberão!
E não se pode dizer que tivessem sido um ou dois. Isso seria caso de polícia. Foram dez para já. E os restantes oito devem estar em pulgas. Fervendo!
Não sei quanto irá receber cada clube. Nem o meu! Apenas sei o que li nos jornais.
O que mais me surpreende é tudo isto ser a demonstração inequívoca de que os presidentes dos clubes “não grandes” abdicam de esperar um melhor futuro para cada um dos seus clubes.
Apenas assina em 2015 contrato para começar a valer somente a meados de 2019 os que aceitam que até lá nada de melhor terão para os seus clubes. Porque se esperassem melhorar ao longo dos próximos anos, o que proporcionaria uma negociação por valores mais elevados, não se comprometiam durante essa eternidade.
Porque não pediram apoio interno para acto tão grave, aceitando a exclusividade da responsabilidade, obrigam-se a ter de comandar os clubes até esse tempo.
Resultado: enquanto os três “grandes” se tornaram clubes apetecíveis, os restantes viverão um tempo penoso e duradouro. Ou seja, no caso da Madeira por exemplo, cada vez mais os adeptos que apoiam dois clubes serão mais do “grande” que do “clubinho” regional.
Alguns devem pensar que é obrigatório que tudo isto assim seja, mas não contem comigo como cúmplice desse “crime” organizado.
Recuso aceitar! Porque só tenho um clube e, esse, vai ser ainda mais esmagado tanto pelos “grandes” como pelos “médios”, categoria esta onde deveria estar.
Os clubes “médios” valiam mais sem qualquer contrato assinado do que com ele selado. Daqui por diante o “negócio” já não é de cada clube. É de cada canal de televisão.
Deixou de ser futebol. Passou a ser só dinheiro.
O escândalo maior é que aceitaram, já e em definitivo, que o Braga se torne o quarto clube de Portugal. Pelo menos por dez anos assim será ! Os restantes, só poderão ser quintos. Quintos se o Guimarães não fizer um contrato como o do Braga, que penso venha a ser idêntico. Ou seja, afinal já temos quinto. Só resta o sexto, que muito provavelmente deixará de ter acesso à Europa face aos maus resultados dos clubes portugueses. E ainda temos de contar com a vantagem que terão os clubes continentais que receberão pagamentos entre trinta a cinquenta por cento mais.
Tudo isto é um pesadelo!
Teremos de saber qual a justificação para acto tão irreflectido. Os responsáveis por essa decisão deverão dar explicações muito rapidamente. E enunciar os novos objectivos a médio prazo. Porque interfere com decisões a serem tomadas no âmbito dos subsídios públicos, patrocínios, bancos, etc.
A nossa última esperança é o governo, como o de Espanha, fazer uma lei e meter todos na ordem.  Acabar com esta pouca vergonha.
A Federação precisa liquidar a “sua” Liga e começar de novo. Em termos idênticos aos das outras Ligas europeias. Deixando de ser a excepção. A vergonha sem igual. Como muito do que se passa em Portugal. Todos donos das “suas quintas” ainda que lá não tenham seja o que for. Apenas as usam para a “importância” que não têm e para o “estatuto social” que não merecem nem, verdadeiramente, alguém lhes deu" 

BANIF: quanto é que perde a RAM em impostos? Nada está decidido quanto aos trabalhadores do BANIF na RAM

A venda do BANIF ao Santander Totta, faz com que a estrutura empresarial antes existente e que tinha sede no Funchal, seja dissolvida no final do processo de integração, já que o Santander Totta - caso venha a tomar uma outra decisão que neste momento não parece fazer sentido nem ter lógica - tem a sua sede operacional em Portugal em Lisboa. Significa isto que os impostos que o BANIF antes pagou sempre na RAM e que revertiam a favor do orçamento regional e das receitas da RAM - pelo facto de ter a sede no Funchal - deixam de poder ser consideradas pelos madeirenses. Desconheço o total de impostos pagos pelo BANIF ao longo dos anos, mas garantem-se que nos tempos em que apresentava resultados operacionais positivos, esses pagamentos anuais chegaram a ultrapassar os 100 milhões de euros!
Pessoal será afectado na RAM
É praticamente certo que cerca de 50% dos actuais 2000 trabalhadores do BANIF transitarão para o tal "veículo" criado no quadro da acelerada operação de venda do banco ao Santander, e que o seu futuro é bastante complexo. Do mesmo modo sei que o Santander ainda não decidiu o que vai acontecer na Madeira. A ideia da direcção do BTA no Funchal, em relação directa com a direcção nacional, é a de proceder ao levantamento da realidade face à situação entretanto criada, identificar pontos de colisão entre agências dos dois bancos, eventualmente redimensionar as agências do BTA onde elas existem e só depois disso tomar decisões quanto a um eventual programa de rescisões amigáveis ou mesmo de reformas antecipadas ou mesmo situações de eventual pré-reforma por acordo, que neste caso poderiam ser apoiadas pelo governo de Lisboa, dados os contornos da operação de venda conduzida pelo Banco de Portugal com a cumplicidade do anterior governo de Passos e do CDS de Portas. É contudo praticamente certo que os funcionários do Banif na Madeira não vão continuar todos até porque o BTA iniciou há uns anos uma redução de recursos humanos à escala nacional, incluindo a RAM, opção que recusa alterar, apesar da operação envolvendo o Banif. Apurei também que o BTA informou o BdP e o governo de Costa que o processo de compra do Banif não pode agravar os encargos do Santander com os recursos humanos.

BANIF: uma vergonha que tem que ser esmiuçada para que se conheça a verdade

O que se passou no BANIF, com a falência deste banco, é demasiado grave para que os cidadãos sejam mantidos à margem da verdade dos factos, do apuramento de responsabilidades e da identificação, sem contemplações, de situações de eventuais ilegalidades, de compadrio, conforme insinuações que têm sido postas a circular de concessão de crédito selectivo, de decisões administrativas erradas, etc.
O que se passou no BANIF - e penso que a Assembleia da República tem o dever, político, moral e ético para desvendar os factos - tem que ser conhecido rapidamente em toda a sua extensão. Queremos saber a dimensão dos estragos que esta situação causará na economia madeirense e açoriana, dos prejuízos causados aos accionistas - e quem são - e aos clientes sobretudo os grandes depositantes. Queremos saber, por exemplo, se clientes que pretendam levantar as suas economias investidas em produtos de alto risco, foram aconselhados a contraírem, em alternativa, empréstimos bancários com hipoteca, acabando por ficar sem as economias investidas e com as compras imobiliárias realizadas com esse crédito hipotecário ameaçadas porque não conseguem agora pagar.
O que queremos saber? Eis alguns exemplos:
  • - o que andaram a fazer os 2 administradores nomeados pelo Governo de Passos e do CDS depois de passar a deter cerca de 61% do BANIF?
  • - para onde foram os 1,1 milhões de euros entregues pelo governo no quadro da capitalização da banca, dos quais o BANIF ficou a dever cerca de 750 milhões de euros?
  • - o que fez o Banco de Portugal quando o BANIF falhou o pagamento no prazo estabelecido? Que tipo de acompanhamento teve a troika neste processo?
  • - quando é que foi conhecida a realidade no BANIF?
  • - que tipo de intervenção teve, e não teve o governo de Passos e do CDS neste processo? Até que ponto este governo escondeu a realidade e empurrou os problemas com a barriga para não agravar as contas públicas?
  • - qual o contributo dado ao agravamento da situação do BANIF da crise económica, financeira e social na Madeira?
  • - qual o contributo dado ao agravamento da situação do BANIF das divergências familiares surgidas entre os herdeiros de Horácio Roque?
  • - qual o total da dívida reportada a crédito concedido a privados e empresas da RAM e dos Açores que figurava nas cobranças improváveis ou difíceis?
  • - qual o total do crédito concedido pelo BANIF a privados e empresas na RAM e nos  Açores?
  • - qual o total dos depósitos a prazo feitos no BANIF por privados e empresas da RAM e dos  Açores?
  • - quantos clientes, privados e empresas, tinha o BANIF, no momento da venda, na RAM e na RAA?
  • - quais os organismos públicos que utilizavam, na RAM e na RAA, os serviços do Banif?
  • - qual o total do crédito concedido pelo BANIF a entidades públicas, na RAM, e nos Açores, que ainda não estavam, na data de venda, devidamente normalizados, sem que essa situação apresente qualquer ilegalidade dado que se trata de uma relação comercial normal?
  • - que tipo de relação comercial tinha o BANIF, na data de venda, com partidos políticos na RAM?
  • - qual o total dos depósitos a prazo feitos no BANIF por privados e empresas da diáspora madeirense e açoriana  - e de que países?
  • - quantos clientes, privados e empresas, da diáspora madeirense e açoriana  - e de que países - tinha o BANIF, no momento da venda, na RAM e na RAA?
  • - quais as previsões de perdas dos administradores do BANIF devido à sua venda?
  • - quais as previsões de perdas dos maiores accionistas do BANIF devido à sua venda?
  • - qual o total dos depósitos a prazo e depósitos à ordem, na data de venda do banco, existentes no BANIF, da responsabilidade de clientes-emigrantes, de clientes-residentes, de instituições e empresas públicas, de empresas e instituições privadas, na RAA e nos Açores?
  • - qual o peso da actividade do BANIF junto da diáspora madeirense na actividade e resultados totais do banco?
  • - qual o peso da actividade do BANIF junto da diáspora açoriana na actividade e resultados totais do banco?
  • - qual o peso da actividade do BANIF na RAM no âmbito da actividade e resultados totais do banco?
  • - qual o peso da actividade do BANIF na RAA no âmbito da actividade e resultados totais do banco?
  • - quais os empreendimentos privados financiados pelo BANIF, realizados na RAM e nos Açores, e que figuram entre as situações de crédito mal-parado ou de cobrança duvidosa ou já não considerada?
  • - quanto é que deve a RAM ao banco, na data de venda do BANIF?
  • - quanto é que devem empresas pública se demais organismos públicos da RAM ao banco, na data de venda do BANIF?
  • - quanto é que deve a RAA ao banco, na data de venda do BANIF?
  • - quanto é que devem empresas pública se demais organismos públicos da RAA ao banco, na data de venda do BANIF?
  • - existiam ou não outras propostas mais recomendáveis na corrida pela compra do BANIF?
  • - que  documentos reservados e/confidenciais sobre a situação do BANIF estão na posse do governo central de Lisboa?
  • - que explicações dá o Banco de Portugal para justificar um apoio público estimado de 2.255 milhões de euros que visam cobrir contingências futuras, dos quais 489 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e 1.766 milhões de euros directamente pelo Estado?
E fico-me por aqui... (LFM)

terça-feira, janeiro 05, 2016

BANIF: Assembleia Legislativa não tem competência para promover inquérito

Desconfio que a Assembleia Legislativa da Madeira pretende criar - presumo que por iniciativa do PS - uma comissão de inquérito ao que se passou com o processo de falência do BANIF, sem que tenha competência para tal.
Desconfio também que qualquer proposta nesse sentido estará ferida de ilegalidade, porque a RAM não tem competências estatutárias e constitucionais sobre o sector financeiro e particularmente o bancário.  Mais. A RAM, repito, que não tem competência legislativa naqueles domínios, como é que pode ter iniciativa para exigir do BANIF, sujeito a regulação do Banco de Portugal e a regras impostas pelo Ministério das Finanças e pela própria União Europeia, o fornecimento de informação ou chamar os seus responsáveis para prestarem declarações?
Ainda hoje ouvi na RTP um  deputado regional tentar pateticamente dar a volta ao "bilhar" para justificar a criação da referida comissão de inquérito politizando uma questão que não pode nem tem que ser politizada. O assunto é demasiado grave para a RAM - e ainda não sabemos o que se passou em toda a sua dimensão - para andarmos a deambular à volta de idiotices ou rafeiradas e a atirar para cima da mesa "fait-divers" que não passam de lixo.
Sendo certo que a Assembleia da República tomará essa iniciativa - porque razão a ALRAM não fez o mesmo com a falência do ex-BES? Os deputados que vagueiam por aí a reboque dos factos mediáticos por acaso têm a noção da dimensão do impacto dos estragos causados na RAM com tudo o se passou com o ex-BES na RAM? -o que me parece importante é que o PSD e o PS nacional atribuam aos deputados eleitos pela RAM e pelos Açores uma representação condigna, dado que o BANIF era uma instituição de crédito importante nas duas Regiões Autónomas. E caberá a esses deputados influenciarem a Comissão no sentido de exigir todos os documentos que desvendem a realidade de tudo o que se passou na Madeira e nos Açores e identifique responsáveis, situações de ilegalidade, porventura casos de compadrio ou corrupção, etc. Ou será que a ideia dos alegados autores da proposta (?), só porque alguns gostam de mediatismo na comunicação social e porque há partidos que querem encontrar rapidamente espaço para fazer esquecer os problemas internos resultantes de mudanças de liderança por causa de derrotas eleitorais - é colocar a Assembleia Legislativa da Madeira numa situação incomoda, a de atropelar o parlamento nacional na realização do inquérito parlamentar ao BANIF, esse sim, com competência constitucional no sector financeiro e bancário?
Por isso tenho muitas dúvidas, para não ir mais além nessa declaração, que uma comissão de inquérito na Madeira, pelo menos até que em São Bento conclua os trabalhos, possa sequer ser aceite. Mas não me cabe a mim decidir 

Banca: BES com prejuízo de 9,2 mil milhões de euros

O Banco Espírito Santo, bad bank, acaba de divulgar o relatório e contas de 2014. O balanço já era conhecido, mas foi agora atualizado. De acordo com o documento enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BES registou um prejuízo de quase 9,2 mil milhões de euros. Mas a auditora KPMG alerta para o impacto nos prejuízos da transferência de 2000 milhões de euros de obrigações seniores para o passivo do banco “mau”. “No exercício foi apurado um resultado negativo de 9,2 mil milhões de euros, do qual cerca de 9 mil milhões dizem respeito ao período entre 1 de janeiro de 2014 a 3 de agosto de 2014, refletindo já os efeitos da transmissão de ativos decorrente da aplicação da medida de resolução e os ajustamentos decorrentes da avaliação independente aos elementos do ativo e elementos extrapatrimoniais transferidos para o Novo Banco”, lê-se no relatório. Já o prejuízo do período de 4 de agosto de 2014 a 31 de dezembro foi e 250 milhões de euros. A instituição que ficou com os ativos tóxicos do universo Espírito Santo, revela que uma larga fatia de ativos que permaneceu na sua esfera corresponde a créditos sobre empresas do Grupo Espírito Santo. “No total, foram reclamados créditos num total de cerca de 550 milhões de euros e de 13 milhões de dólares nestas jurisdições – Luxemburgo, Panamá e Suíça -, com origem em financiamentos, descobertos, garantias bancárias e operações de mercado monetário, em processos de liquidação, de insolvência e processos especiais de revitalização”. Os proveitos operacionais foram negativos em 118,4 milhões de euros e os custos operacionais fixaram-se em 131,5 milhões de euros. Buraco de 2,6 mil milhões de euros O BES apresentada um buraco nas contas superior a 2,6 mil milhões de euros. Este montante corresponde à diferença entre os ativos e os passivos na esfera da instituição liderada por Luís Máximo dos Santos. Na esfera do BES está um conjunto residual de ativos, identificado nas deliberações do Banco de Portugal sobre a resolução, como créditos sobre entidades do GES, “em geral de muito difícil recuperação, e três filiais, todas, por razões diferente, com situações muito complexas” (o Banco Espírito Santo Angola, com sede em Luanda, o Espírito Santo Bank, com sede nos Estados Unidos, e uma participação de 40% no capital do Aman Bank for Commerce and Investment, sedeado em Tripoli, na Líbia). Já nos passivos avultam responsabilidade perante os titulares de obrigações subordinadas e os passivos contingentes, bem como as responsabilidades perante a Oak Finance Luxembourg e, ainda, depósitos de entidades e pessoas relacionadas com o BES, como ex-gestores. Recorde-se que nestes resultados ainda não está contabilizada a transferência de 1985 milhões de euros em obrigações não subordinadas (seniores) do Novo Banco para o BES. “O reflexo contabilístico desta deliberação do Banco de Portugal implica um aumento de resultado negativo do BES, por contrapartida do seu passivo, no valor de 1985 milhões de euros”, explica a auditora KPMG na certificação legal das contas e relatório de auditoria. O bad bank tem a sua situação perante a Segurança Social regularizada (Dinheiro Vivo)

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Opinião: Qual o futuro do sector dos media?

O digital e as publicações de nicho são algumas das soluções apontadas pelos protagonistas do sector para os media superarem a actual crise. Carlos Magno espera que a ERC “seja mais útil ao sector” em 2016.
Nos últimos anos o sector dos media tem estado sob pressão. A queda das receitas publicitárias, das vendas de jornais e a migração dos leitores para o mundo digital alterou o cenário da indústria. O que pode esperar o sector em 2016?
As perspectivas de alguns protagonistas e especialistas do sector ouvidos pelo Negócios não são muito animadoras. Mas há um ponto em que todos concordam: a inversão do actual panorama passará pela aposta no digital.
"O sector tem vindo a atravessar uma fase difícil, face às mutações tecnológicas e de hábitos dos consumidores, a par do ambiente económico geral", disse ao Negócios Luís Nazaré, director da Plataforma de Media Privados (PMP).
Para Joaquim Vieira, ex-provedor do Público e presidente do Observatório de Imprensa, o cenário em 2016 confirmará o agravamento da crise. "Isto porque a crise, no caso português, não tem que ver apenas com a contracção da economia (devido à crise económica e financeira dos últimos anos), mas também com a crise geral dos media tradicionais, que estão a ser abandonados pelo público em favor dos media digitais. É nesse quadro de alteração de um paradigma civilizacional quanto aos modos de comunicação que a crise dos media deve ser contextualizada", sublinhou.
A migração dos leitores para o mundo online tem obrigado os meios de comunicação social a reinventarem-se, para não perderem o comboio da digitalização mas também para captarem receitas publicitárias. Com a queda da venda de jornais, as audiências passaram a ser o principal chamariz dos anunciantes. Estará então a morte do papel anunciada? As opiniões dividem-se.
Luís Nazaré acredita que o papel não morrerá. E relembra o caso da rádio, "a quem muitos anteviam um final triste". Porém, "o seu peso tende a diminuir ainda".
Francisco Rui Cádima, professor na Universidade Nova de Lisboa, antevê que "a morte do jornal em papel é certa, mas difícil de datar". "Para muitos jornais isso já aconteceu... Para os que vão ficando, o seu desaparecimento poderá ser rápido, ou a médio, ou longo prazo, sendo que daqui a 20-30 anos o jornal em papel - a existir - será um nicho de mercado ou de ‘culto’ muito específico", detalhou o coordenador do mestrado de Novos Media e Práticas Web.
Por sua vez, António Granado, jornalista e professor na Universidade Nova de Lisboa, defende que as perspectivas para o papel "são negras". Tendo em conta que os números em cima da mesa já são "tão baixos", António Granado tem dúvidas que alguns títulos impressos se aguentem. "Depende da boa vontade dos patrões dos media a sua continuação", comenta.
António Granado acredita, contudo, que haverá espaço para projectos jornalísticos impressos especializados, como de economia e política.
Já Carlos Magno, presidente da ERC, comenta que "2016 vai ser o ano da reciclagem digital e da inevitável realidade reencontrada. Haverá títulos a prolongar a sua metamorfose do analógico para o futuro em que os diversos grupos terão de assumir a credibilidade das suas marcas. O ano que vem será duro e difícil mas a diversidade servirá de alternativa ao buraco negro da agenda mediática".
A bóia de salvação do sector
A baixa rentabilidade tem levado à concentração de alguns títulos, bem como ao despedimento de profissionais da área. De 2007 a 2014, o número de jornalistas desceu de 6.839 para 5.621, uma redução de 17,8%, segundo os últimos dados da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ).
Em 2015, o cenário de novos despedimentos voltou a ensombrar o sector com a reestruturação do Sol e do i, que levou à saída de 100 pessoas, o programa de rescisões do Público e a situação financeira complicada do Económico, que recentemente foi alvo de uma penhora pelo Fisco das receitas.
E apesar dos valores das receitas publicitárias estarem a recuperar, a indústria não voltará a registar os mesmos valores do passado, explicou Luís Mergulhão, presidente da OmnicomMediaGroup.
Em Portugal, desde 2013 que se começou a observar uma recuperação do investimento publicitário, tendo aumentado 10% em 2014 face ao ano anterior. Em 2015 o crescimento terá rondado 1 a 2%.
Como pode o sector inverter a situação de saída de profissionais e impulsionar as vendas e, consequentemente, as receitas? Através da digitalização. Esta parece ser a palavra-chave para o futuro sucesso e sustentabilidade dos media.
Francisco Rui Cádima defende que o caminho que os media têm de fazer para ultrapassar a actual crise passa pelo digital. Como? "Apostando sobretudo na interactividade com o seu público, na inovação, em novas narrativas/plataformas, na agregação de conteúdos e na especialização temática. E em sistemas de 'analytics' [análises], isto é, de Search Engine Optimization/Machine Learning [optimização de motores de pesquisa e conhecimento informático]", referiu.
O representante dos patrões dos media, Luís Nazaré, acredita que o sector pode ultrapassar os actuais desafios "a um tempo - inovando, valorizando, especializando e diversificando os conteúdos informativos numa lógica multi-plataforma". E, em simultâneo, capturando novos segmentos e fontes de receitas no meio digital, acrescentou.
"É preciso apostar cada vez mais nas formas digitais de difundir informação, explorando todos os novos recursos que elas permitem, porque é aí que está o futuro, e os órgãos convencionais acordaram tarde e a más horas para essa realidade, reagindo com muita lentidão", apontou Joaquim Vieira. No entanto, o jornalista frisa que esta aposta não é "garantia de sobrevivência, dado que a informação via digital ainda não assegura satisfatoriamente a viabilidade económica dos media. Contudo, acho que sem ela não haverá saída da crise".
O papel do regulador
Perante o actual cenário do sector dos media, que além dos problemas que o assombram há anos como a queda das receitas, as recentes notícias de despedimentos voltaram ao sector. Um panorama que tem de ser alterado pelos gestores dos grupos de media e não pelo regulador (ERC), segundo os especialistas ouvidos pelo Negócios.
"Nenhum regulador resolve os problemas da indústria. O que se espera é que contribua para um ambiente de negócios saudável e que saiba resolver com inteligência e presteza os conflitos que se lhe apresentam", considera Luís Nazaré.
Uma opinião partilhada por Joaquim Vieira: "Não vejo de que forma a ERC poderá contribuir para os media convencionais saírem da crise. Valerá contudo a pena reflectir sobre se não existirá forma de criar uma entidade pública independente, blindada às intervenções e pressões políticas e de outros centros de poder, e dotada financeiramente dos meios necessários, para apoiar e garantir a publicação de alguns media". Isto porque "a existência de media independentes, com formas distintas de abordagem da informação, continua a ser um dos garantes de uma sociedade democrática amadurecida e saudável", sustentou.
Para Francisco Rui Cádima a solução para o sector sair da crise "depende sobretudo da gestão e da sua capacidade em reorientar a estratégia da indústria com parcerias com os operadores de redes e os novos intermediários digitais", como o Google e Facebook, exemplificou. Uma sugestão partilhada por António Granado, que também defende que a associação dos media com estes gigantes digitais só traz benefícios. "Veja-se o que se passou em Espanha", sublinhou o professor na Universidade Nova de Lisboa, referindo-se à guerra dos media com o Google que levou à saída do Google News do mercado e, por sua vez, reduziu o tráfego dos sites.

Já Carlos Magno, presidente do regulador, lembrando que em 2016 a ERC fará dez anos, diz esperar "que seja mais útil ao sector. A regulação passa, do meu ponto de vista, mais pela certificação do que pela punição ou pela coima. Espero que o próximo ano seja regular. No verbo e no adjectivo. Espero que cada um siga o seu caminho e que os órgãos de comunicação defendam a sua própria liberdade. Enquadrados sempre pelo seu estatuto editorial e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos", concluiu (texto de Sara Ribeiro, Jornal de Negócios)

Cristiano Ronaldo ao El Mundo: "No voy a cambiar"

Los cursis lo llaman signo declinante. En el bar, donde las cosas se nombran señalándolas con el dedo, a la pérdida de chispa se la despacha con menos fanfarria. O con mayor crudeza. Basta decir 'stacabao con palillo entre los dientes para poner a un jugador en el disparadero. Así ejecuta a veces la voluntad popular. Con Alzheimer hacia sus propios mitos. Cristiano Ronaldo cumplirá 31 años en febrero y el runrún viene Castellana abajo cada vez más fuerte. ¿Y si...? ¿Ya no es capaz de...? ¿A qué esperan para...?Horas después del 8-0 al Malmoe y en un dúplex de ésos de aparcamiento con estanque, mobiliario de importación y cristaleras desde donde las Cuatro Torres parecen un animal disecado, CR7 hace justo lo contrario de lo que había estado haciendo en los últimos meses: se relaja. Tal vez intuya que lo que viene ahora le será menos favorable sobre el césped. Que bajo su apariencia de prototipo perfecto empieza a verse al héroe mortal. Si es así, no lo exterioriza. Él sigue dedicándose a sus cosas. A ser Cristiano Ronaldo. Y advierte: que no le esperen en las ligas menores de Qatar o Estados Unidos. El día que diga adiós en un estadio lo hará «con dignidad».De momento, el jugador que durante la última década ha interpretado cada partido como una ópera de Wagner, el único delantero con kriptonita frente al mejor Barça de siempre, el dueño de tres Balones de Oro, confiesa sentirse «muy a gusto» en el Real Madrid y en España. Lo dice sentado en un sofá con camisa blanca, vaqueros oscuros y zapatillas dejémoslo en poco discretas. Tiene tan buen cutis como mi sobrino pequeño y a unos metros es difícil comprobar si huele a perfume o a coco, como Beckham. Por cierto: el dúplex no es el suyo, pero vale para hacerse una idea.
Un campeón como tú, que juega más de 60 partidos por temporada al máximo nivel, ¿ha decidido qué va a hacer en el futuro?
No al 100%, pero tengo mucho de lo que ocuparme. El futuro se construye desde joven. Desde los 27 años desarrollo mi línea de ropa, y quiero que mi marca siga creciendo porque el fútbol va a terminar en cinco, seis, siete, 10 años.
¿Y entonces?
Después hay otra vida. Pienso que al principio me va a costar un poco, pero si ahora me preguntas si quiero ser entrenador, digo que no. Tampoco directivo de un club, ni presidente.
Alguien que lo tiene todo, ¿qué echa de menos en su día a día?
(Pensativo) Es difícil... Tengo una vida muy condicionada porque vivo para el fútbol, me gusta estar bien y hacer las cosas bien. Con eso no quiero dar la impresión de estar quejándome. No. Mi vida es top, pero pienso que voy a disfrutar más cuando termine la carrera, cuando tenga tiempo para hacer lo que me gusta.
¿Qué te falta?
Tú puedes decir: tienes un trabajo de puta madre, dinero, coches, casas... Pero eso no lo es todo. Un ejemplo: este sábado hay un combate de boxeo en Las Vegas y me gustaría coger a mi familia y mis amigos e ir a verlo. Y no puedo porque no tengo tiempo. No me puedo lamentar ahora porque me estoy sacrificando, entre comillas. Pero después quiero vivir como un rey.
Una furgoneta nos lleva desde Alonso Martínez hasta La Finca, el País de Oz del famoseo madrileño. Somos tres periodistas de otros tantos países para entrevistar a Cristiano. Ninguno ha tenido antes enfrente a alguien que ingresa al año cerca de 80 millones de euros y acaba de pagar 19 para tener su propio avión, así que el trayecto recuerda más a cualquier despegue espacial que a la cortinilla de Los Soprano: hay miradas laterales y uñas mordidas. Al llegar al lugar del encuentro todavía no sabemos que pasarán más de tres horas hasta que el Superman portugués aparezca. Entretanto, nos confinan con Wi-Fi, catering de proporciones familiares y un billar al que nadie le apetece jugar.Cuando por fin lo tenemos enfrente, Cristiano atiende durante 20 minutos. Presenta CR7 Drive, la nueva bebida de Herbalife para mejorar la hidratación y la resistencia. Responde sobre los beneficios del producto desarrollado con su colaboración para la multinacional especializada en nutrición deportiva, pero también se pronuncia con sinceridad sobre otras cuestiones que seguramente esquivaría en zona mixta, donde no hay tiempo ni ganas para confidencias. Se le nota aliviado tras reconducir su relación con Benítez y superar unos dolores en la rodilla izquierda. O quizás liberado por el estreno de su película documental, donde se ve su lado más íntimo y vulnerable. Le felicitamos por el enésimo récord goleador y guiña un ojo.
¿Cómo haces para soportar la presión?
La sobrellevo mejor por la vida difícil que he tenido, de eso no tengo ninguna duda. Salir de casa a los 11 años para ir a un mundo diferente, primero a Lisboa y luego a Manchester, fue muy difícil. De los 11 a los 18 años gané estabilidad. La persona que soy se debe al tiempo que pasé sin mi familia y a los tiempos difíciles. Era un adolescente, pero tuve que hacer las cosas como un hombre, hasta el punto de tener que plancharme mi propia ropa. Nunca pensé que a los 11 años tendría que hacerlo. Mi fuerza mental empezó en esos momentos. Ser la persona que soy, tener lo que tengo, mi patrimonio, mi vida, después de estas dificultades, es fantástico.
Escribió el mitólogo Joseph Campbell que la gran pregunta de nuestro tiempo es si elegiremos las máquinas o la humanidad. En el cambio de actitud de CR7 hay un momento clave: la ceremonia del Balón de Oro de 2013, cuando se le vio casi incapaz de dar las gracias al recoger el trofeo. Entonces sólo pudo atropellar palabras y sorber lágrimas durante dos minutos y medio. Lágrimas de rabia por lo que había sufrido para imponerse a Messi, cuatro años consecutivos en lo más alto. Lágrimas de orgullo por el hijo que corrió a abrazarle ante una audiencia planetaria. Lágrimas de felicidad, no como las que derramaba por teléfono en su primer año en el Sporting de Lisboa, cuando pedía que lo llevasen de vuelta a Madeira porque en la escuela hasta la profesora se burlaba de su acento tan cerrado. En su frustración, llegó a estrellar una silla contra una pared de clase. Sólo la insistencia de su madre y su padrino le convencieron de que permaneciese en la Academia. Y de allí, al triunfo absoluto.Atrás quedaba Quinta Falcao, el barrio en el que nació y se crió el personaje más popular del mundo en las redes sociales (más de 188 millones de seguidores en Facebook, Twitter e Instagram). «Salió de la pobreza. De pequeño quería ganar a cualquier juego, tenía ese instinto de competir para sobrevivir, para escapar de allí», confirma Luca Caioli. El periodista milanés le siguió el rastro para escribir Cristiano Ronaldo. Una ambición sin límites (Ed. Córner) «Empecé con una mala imagen de él, de prepotente, y acabé teniendo una buena, porque tras su caparazón descubres sus historias de vida». Coincide con él Manuel Pereira, el veterano corresponsal en España del diario A Bola. «En su película habla de cosas que dicen mucho a su favor. Cosas que las familias esconden él las expone ahí claramente: que su padre fue borracho, que su madre no quiso tenerlo y estuvo a punto de abortar, que su hermano fue drogadicto...».La marcha de CR7 dejaría la Liga coja. Cristiano es un referente por su vitrina, colmada como la de muy pocos, pero también por su insistencia en que todo esté impecable, ya se trate del flequillo o la disposición en un rondo. Y sobre todo Cristiano es Cristiano por su obsesión con ser siempre el número uno. En eso nadie le supera. «Ganar es lo más importante para mí. Es tan simple como eso», suelta al principio de su documental a modo de declaración de intenciones. «Hay gente que me quiere, hay gente que me odia, que dice que soy arrogante, que soy vanidoso o esto o lo otro. Es parte de mi éxito. Estoy hecho para ser el mejor». «Quiere jugarlo todo, el muy bruto, y va a quemar la vela por los dos extremos», subraya uno de los periodistas que mejor lo conoce. «La pregunta es: ¿hasta cuándo podrá mantener este nivel?», apunta Pereira. «Ya está en el límite», le responde Caioli.Nada es suficiente para el tipo que celebra cada gol con una especie de abucheo a sí mismo. Incluso David Navarro, el central del Levante que por poco lo deja tuerto de un codazo, aplaude su dedicación: «Es un perfeccionista». Hace dos años Cristiano se compró una criosauna con la que se recupera a -200ºC del desgaste de cada partido. Pedaleando en una bici estática en el fondo de una de sus piscinas se le vio al volver del Mundial de Brasil, del que se despidió prácticamente sin haber aparecido por culpa del tendón rotuliano y una selección mediocre. El problema es que sus machaques en el gimnasio se interpretan desde la grada como egoísmo cada vez que decide ahorrarse una carrera. O cuando insiste en anclarse en el centro del área, lejos de la banda en la que ha sido Depredador III. En esos momentos da la impresión de jugar sólo para el Cristiano Fútbol Club.Ahora que se entreabre la puerta, uno de los entrenadores que lo ha tenido en el Real Madrid reflexiona: «¿En el fondo quién ha conquistado de verdad el Bernabéu? Di Stéfano y Raúl. Gente que demostraba esfuerzo, que lo daba todo en el campo. Cristiano nunca conquistará del todo el Bernabéu». Tampoco ayuda que al marcar de penalti en un 4-1 se quite la camiseta para lucir tableta, por mucho que sea en pleno subidón en una final de Champions. «Culturista», le ha atizado estos días Alfredo Relaño, director de As, para quien «ya no es exactamente un futbolista, sino un Narciso que juega al fútbol». Guti coincidió un año a su lado en el coliseo blanco y sin embargo opina que «hay Cristiano para rato». «Un jugador de su edad no ha llegado aún a su tope. Además, la experiencia te permite ganar por otro lado», añade.Con todo, el gran cortocircuito entre los abonados blancos y el luso se produjo tras su última fiesta de cumpleaños, el pasado 15 de febrero. Venía el equipo de perder 4-0 frente al Atlético y aquella juerga con el cantante Kevin Roldán se interpretó como una traición. La buena sintonía de CR7 con los dueños del Paris Saint-Germain sirve igualmente para explicar el desencanto hacia una figura que en cualquier otro club sería indiscutible. «Cristiano está bajo la lupa», escribió Santiago Segurola en Marca tras los 10 goles al Rayo. Ni siquiera semejante tunda evitó el ruido de fondo.
¿Cómo ves el enfrentamiento entre los que te quieren y los que no?
No lo veo como una batalla. Todo el mundo puede pensar lo que quiera. Yo me voy a la cama todos los días con la conciencia tranquila y duermo bien. No podemos vivir obsesionados con lo que otros piensan de nosotros. Si no, no viviríamos. Ni siquiera Dios agradó a todo el mundo.
¿Crees que tus gestos en el campo, para bien o para mal, han marcado la imagen que se tiene de ti?
Obviamente que sí, pero me salen con naturalidad, no los planeo, los hago porque no me gusta perder. Y a veces me arrepiento. Mucha gente dice que nunca se arrepiente de lo que hace. Es mentira. Yo al menos me arrepiento muchas veces. Pero eso también explica la persona que eres. Si soy así, si todo lo que he conseguido en el fútbol ha sido por ser así, no se me puede pedir que cambie. Si se me pide mejorar, lo acepto. Pero cambiar es muy complicado.
Convivir con Cristiano, que lo mismo reclama cariño a la afición («Estoy triste») que le dedica algún foda-se («Hay que joderse»), es más fácil de lo que se piensa. Sus aspavientos y reproches nunca van más allá del terreno de juego. Si él tiene algo que decir, lo hace directamente con la persona involucrada. La tirantez con Casillas tras una crítica de Sara Carbonero en televisión se resolvió tras una charla entre ellos. En la caseta, donde confiesa que mayormente se habla de relojes, bolsos y chicas -con apuestas incluidas sobre quien es capaz de seducir a ésta u otra presentadora-, sus grandes aliados son Pepe y James. Aunque él es detallista con todos. Tras ganar la Décima, regaló a cada compañero un reloj Bulgari de 8.000 euros. Y al principio de cada temporada obsequia lo último en tecnología (teléfono inteligente o tableta) a cada miembro del cuerpo técnico y departamento de fisioterapia.Sus colaboraciones con ONG y proyectos benéficos prefiere no airearlas. Nada salió en prensa de la vez que abrió la tienda del Bernabéu en pleno Puente de diciembre para pagar de su bolsillo unas camisetas para unos niños en riesgo de exclusión social. Cristiano reconoce que quiere crear una fundación para ayudar a los más pequeños. «Es algo que estamos estudiando y que, sinceramente, me gusta. Yo no creo que el papel social sea una obligación de un jugador de fútbol. La gente no puede pensar: "Tiene dinero, tiene que ayudar". No estoy obligado a hacerlo. Pero me siento bien ayudando a otros poco o mucho. Dios me da el doble. Después de haber sido padre miro la vida de manera diferente», admite con madurez de treintañero quien fue tachado de frívolo en el pasado, cuando se dejaba 3.500 euros en productos cosméticos en el control de seguridad de un aeropuerto. O cuando, quejoso, decía: «He estado en Manhattan y no me ha reconocido nadie».El nacimiento de Cristiano Ronaldo Junior -anunciado en Facebook en 2010 por sorpresa y sin divulgar el nombre de la madre- es una de las grandes nebulosas en la vida de alguien paradójicamente tan expuesto al juicio público. La otra es la ruptura con la modelo rusa Irina Shayk, su pareja durante cinco años. Pero volvamos al niño. «Yo me pongo en su lugar. Ya sabes cómo son de crueles en el colegio. Mil veces le habrán preguntado ¿quién es tu madre? ¿Qué contestará él? ¿Qué le habrán contado en su casa?», se preocupa Oliveira por el hijo de su compatriota.En su cinta autopromocional, a Cristiano se le ve proyectar continuamente al pequeño a modo de miniyo. Hay varios pasajes que le arquearían las cejas a Sir Alex Ferguson, su entrenador y a la vez tutor en Inglaterra. En uno de esos momentos, Cristiano pone a prueba al chaval preguntándole qué coche falta en un garaje casi de emir (Porsche, Rolls-Royce, Mercedes, Ferrari...). «Voy a ser portero. ¿Vale, papá?». «No, no quiero». «Pero yo sí». «¿Portero? ¿Estás de broma o qué?», le afea en otra ocasión. Según constata un corresponsal en Lisboa, las fotografías de CR Junior -y la actividad de su padre en su ático de lujo de la Avenida da Liberdade- son asuntos de interés nacional.
¿Qué tipo de padre aspiras a ser para él?
El mejor posible. Para mí lo más importante es la educación. Eso es algo que voy a intentar que nunca le falte. Lo demás es una incógnita. Un niño que crece en una casa con todo... Es complicado, porque yo no he crecido así. Puede que a él le vaya a costar un poquito ver el mundo real, pero yo me siento bien dándoselo todo. Si les das una buena educación a tus hijos, lo demás lo puedes controlar.

Hace algunas temporadas, en la víspera de un partido en Andalucía, Cristiano cenaba con el resto de la plantilla mientras la tele emitía un encuentro del Barça. Messi marcó dos goles y para su némesis fue demasiado: lanzó la servilleta con rabia, arrastró la silla para atrás y enfiló su habitación sin decir una palabra. «Ver a Messi con el Balón de Oro cuatro veces seguidas fue difícil para mí. Después de que ganara el segundo o el tercero seguidos, dije: "No vengo más"», le confiesa al director Anthony Wonka. Esa rivalidad enfermiza ya no existe. Da la impresión de que los dos últimos grandes peloteros salidos de la calle, dos hijos del desarraigo, han descubierto que es preferible ser Bird y Magic que Fischer y Spassky. «La relación ha mejorado mucho. Fue muy divertido ver a Cristiano antes de la entrega del último Balón de Oro decirle a Messi 'mi hijo es fan tuyo' y ver también al otro emocionarse. Al final incluso los aficionados han superado esta dicotomía», enfatiza Caioli.No se ha ido (todavía), y sin embargo la saudade asoma por la esquina. Algunos periodistas rememoran cómo era el ídolo con mechas ante el que 90.000 personas se postraron bíblicamente el día de su presentación en Concha Espina. La estrella que tenía tiempo de pachanguear o que podía tomarse un café en el aeropuerto sin su séquito. En opinión de Pereira, «el Cristiano actual no tiene nada que ver con el que llegó a Madrid hace seis años. Ha aprendido muchísimo. Todo lo que dice está muy pensado. No es alguien que se arriesgue en los pasos que tiene que dar».Ahora a CR7 le toca asumir que incluso para él hay límites. Después se apagarán los focos y... «Quiero vivir como un rey», anuncia con intención de hacerse invisible entre la multitud de Las Vegas o en aguas de Formentera. De diluirse en la leyenda. Su desafío final (entrevistado jornalista do El Mundo, JOSE MARÍA ROBLES,com a devida vénia)

Banca: BPN e Banif ainda podem custar mais 4,3 mil milhões....

Um ano de investimento público ou o equivalente ao défice anual deste ano (o tal dos 2,7%, que já não vai ser alcançado) – cerca de 4,3 mil milhões de euros – é o valor em ajudas públicas que ainda podem vir a ser usadas (execução de garantidas) pelos universos BPN e Banif. A probabilidade do prejuízo se materializar é muito elevada. Como um buraco sem fundo, as ajudas estatais aos bancos somam e seguem desde 2008, tendo explodido na reta final do ano passado com os apoios públicos monumentais concedidos ao Banif, um banco pequeno, o oitavo maior medido em volume de ativos. Afinal, esses ativos ou valiam muito pouco ou são altamente arriscados, problemáticos. Resultado: além dos 3537 milhões de euros que, diz o Tribunal de Contas, o Estado garante aos fundos que contêm os ativos tóxicos e o lixo financeiro do antigo BPN (as chamadas sociedades “par” – Parvalorem, Parups e Parparticipadas), o Banif logrou obter ainda uma nova garantia pessoal dos contribuintes portugueses no valor de 746 milhões de euros. Estes dois valores perfazem os 4,3 mil milhões de euros. Segundo as Finanças, foi uma condição crucial para que o Santander aceitasse ficar com a instituição sedeada na Madeira, dada a pressa que envolvia a sua resolução. O conglomerado espanhol desembolsou apenas 150 milhões de euros, em todo o caso. Abate aos 3000 milhões de euros que custou resgatar a instituição, havendo ainda um empréstimo de 489 milhões de euros ao fundo de resolução que deverá ser ressarcido. O resto, dificilmente voltará aos cofres públicos, designadamente os 815 milhões de euros de capital já comprometidos no banco pelo anterior Governo PSD/CDS (Passos Coelho, Paulo Portas). De acordo com informações obtidas pelo Dinheiro Vivo e outras já publicadas pelo Tribunal de Contas no parecer à Conta Geral do Estado de 2014, os contribuintes podem contar com mais encargos. A bomba BPN A começar pelo buraco chamado BPN, ironicamente outro banco pequeno, como o Banif. Segundo as contas dos juízes, de 2008 a 2014, o Estado arcou com custos líquidos de 2,8 mil milhões de euros na sequência da nacionalização feita pelo antigo Governo PS (José Sócrates). Neste bolo, está já contabilizado o empréstimo e o aumento de capital feitos em 2014 destinado às sociedades “par” no valor de 526 milhões de euros. Depois a zona cinzenta: o Tribunal de Contas explica que “em 31 de dezembro de 2014, as garantias prestadas pelo Estado às sociedades veículo do ex-BPN totalizavam 3537 milhões de euros, menos 383 milhões do que no final de 2013”. As garantias são passivos contingentes, ainda não contam para o défice ou para a dívida, mas vão entrando nas contas à medida que forem executadas. Ao todo, o caso BPN, tendo em conta a informação hoje disponível (dinheiro já usado mais garantias se executadas), pode custar 6,3 mil milhões de euros. É, para já, o cenário mais provável. A bomba Banif No caso do Banif, o descalabro também impressiona. Cerca de 2255 milhões de euros injetados em capital já são dados como perdidos. Se as garantias forem usadas, o custo chegará aos tais 3000 milhões. E assim, dois bancos de dimensão reduzida podem impor perdas aos contribuintes no valor de 9,3 mil milhões de euros. Só para se ter um termo de comparação, a Segurança Social para 12 mil milhões de euros por ano em pensões de velhice (Dinheiro  Vivo)

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Banca: BANIFoi-se

O Banif bom (atividade comercial e balcões) foi absorvido pelo Santander, a troco de €150 milhões. O Banif mau (dívidas e ativos problemáticos) ficou nas mãos do Fundo de Resolução e agora chama-se Naviget.
40 MIL - Os pequenos acionistas, muitos deles investidores no último aumento de capital, que perderam tudo.
CHUMBOS - Seis planos de reestruturação foram submetidos à Comissão Europeia até julho de 2015 sempre rejeitados.
2,255 - mil milhões de euros será a injeção de capital imediata do Estado, dos quais €489 milhões são emprestados ao Fundo de Resolução.
746 MIL MILHÕES - é o valor das provisões que o Estado tem de repor face à depreciação em 66% (imposição da Comissão Europeia) de ativos de 2,170 mil milhões. Se os ativos forem vendidos abaixo desse valor, as perdas ficam para o contribuinte.
€3000 MILHÕES - É, em números redondos, quanto poderá custar aos contribuintes a solução para um banco com apenas 4% de quota no mercado, mas importante para as regiões da Madeira e dos Açores.
60% - Era a participação do Estado, desde janeiro de 2013, depois de ter recapitalizado o banco em €700 milhões. Ainda emprestou mais €400 milhões, €125 milhões dos quais ficaram por pagar.
DEPÓSITOS - Mil milhões em depósitos foi o valor levantado nas semanas que antecederam a solução para o banco.
SANTANDER - Ficou assim com mais 150 balcões e 400 mil clientes, e tornou-se o segundo maior banco privado do País, com uma quota de mercado de 14,5%.
BANCO DE PORTUGAL - O que correu mal na supervisão? O governador do BP, Carlos Costa, recusa culpas. Assiste-se ao jogo do empurra entre BP, anterior governo e CE. Uma comissão parlamentar de inquérito apurará responsabilidades.

"Os bancos não podem ser mantidos artificialmente no mercado com o dinheiro dos contribuintes" - Margrethe Vestager, comissária europeia responsável pela política da concorrência (Visão, pela jornalista Cesaltina Pinto)

sábado, janeiro 02, 2016

As 50 sombras do BES

Foi uma lista decisiva para a descoberta do escândalo no Grupo Espírito Santo, mas permaneceu em segredo mesmo para os deputados da comissão parlamentar de inquérito, que não tiveram acesso a nomes por causa do sigilo bancário. Mas é deste relatório, revelado pela primeira vez pelo Expresso, que depende, também, o valor final do Novo Banco: a lista dos 50 maiores clientes empresariais do Banco Espírito Santo, encomendada pelo Banco de Portugal em 2013. A análise agrega os 50 maiores devedores do BES à data de 31 de dezembro de 2012, isto é, antes de rebentar o escândalo no Grupo Espírito Santo. Ora, o Novo Banco continua a acumular prejuízos, resultantes de perdas com créditos empresariais. No total, estes 50 maiores devedores do BES somam um valor superior a €10 mil milhões. Note-se, no entanto, que esta lista de devedores empresarias foi concebida em função da exposição total do BES a cada cliente, o que em vários casos é superior à dívida reembolsável. É o caso típico das construtoras: grande parte destes valores inclui não só dívida mas também garantias bancárias, muitas vezes exigidas em obras. Nas garantias bancárias, o banco não está a conceder um crédito, apenas a assumir o risco de pagar a uma determinada contraparte em caso de incumprimento da empresa. O relatório que o Expresso revela corresponde ao ETRICC — Exercício Transversal de Revisão das Imparidades das Carteiras de Crédito, que o Banco de Portugal encomendou para os bancos portugueses no período de vigência da troika.
O exercício compilou os 50 maiores clientes de cada banco. Mais tarde, o supervisor cruzaria os relatórios para apurar os clientes com risco sistémico, aqueles que caso entrassem em incumprimento provocariam perdas nos bancos, ao ponto de pôr em causa os rácios de capital. Deste segundo relatório, o ETRICC 2, resultaria uma lista com 12 clientes. Entre eles estava o Grupo Espírito Santo. Foi a partir deste processo que o Banco de Portugal detetou o ‘buraco’ no GES depois do verão de 2013, que levaria ao seu colapso em 2014. Quando os deputados pediram este ETRICC 1, na comissão parlamentar de inquérito, o Banco de Portugal enviou a lista de devedores sem a identificação dos seus nomes.
A lista dos 50 maiores clientes visível na infografia está dividida por grupos e tipos de devedores. Essa classificação foi feita pelo Expresso

EMPRESAS RELACIONADAS COM O GRUPO ESPÍRITO SANTO
Ricardo Salgado sempre disse que a exposição do BES ao GES era relativamente baixa, o que se confirma em termos de crédito concedido. Antes do rebentamento do escândalo, a Espírito Santo International (a holding que tombaria, derrubando como um dominó tudo o resto) nem sequer está na lista de maiores devedores do Banco de Portugal. De lá para cá, estes ativos do grupo que entretanto implodiu foram mudando de mãos, da venda da Espírito Santo Saúde à participação na PT, que era o grande ativo estratégico do GES, em parceria com acionistas brasileiros como a Andrade Gutiérrez, dono da Zagope, construtora que também era cliente do BES.
GRANDES EMPRESAS
A relação do BES com grandes empresas sempre foi histórica. E isso era válido tanto em empresas do sector energético como nas telecomunicações.
LUÍS FILIPE VIEIRA
A ligação de Luís Filipe Vieira ao Banco Espírito Santo era forte e conhecida. E isso acontecia com diversas empresas de construção e imobiliário a que estava ligado. Além disso, o próprio Benfica, de que Vieira é presidente, tinha relações de crédito fortes com o BES. No final de 2012, a dívida bancária junto do BES era de pouco mais de cem milhões, valor que subiria no ano seguinte para quase 150 milhões, estando agora o Novo Banco a exigir uma redução dessa exposição.
OUTRAS EMPRESAS
Há diversas empresas grandes clientes de crédito do BES que não são notícia habitual mas demonstram a relação forte com diversos empresários, como, na Madeira, a Avelino Farinha & Agrela (AFA) ou a Heliportugal (ligada a Pedro Silveira).
GRUPOS FAMILIARES
A relação creditícia do Banco Espírito Santo com grupos económicos familiares sempre foi forte. Alguns desses grupos, aliás, eram acionistas do próprio Grupo Espírito Santo, tendo perdido dinheiro com o colapso do GES. Neste grupo, o maior credor era o Grupo José de Mello (incluindo a Brisa), a quem Ricardo Salgado acudiu quando a banca estrangeira deixou de o apoiar. O grupo José de Mello tem vindo a vender empresas para reduzir esta dívida. Assim foi também com a Fundação José Berardo. A SGC (de João Pereira Coutinho), a Logoplaste (de Filipe de Botton), a Sonae (de Belmiro de Azevedo) ou a Sumolis (família Eusébio) eram também clientes.
MOTA-ENGIL
A Mota-Engil é a empresa a que o BES tem maior exposição, com um total de 760 milhões de euros. Este valor, no entanto, incluía garantias bancárias no valor de 245 milhões, o que não constitui dívida reembolsável. Entretanto estes valores reduziram-se substancialmente: no final de 2014 a dívida reembolsável ao Novo Banco era de 250 milhões. A empresa controla ainda a Martifer, que está ligada à IM SGPS. BES e Mota eram sócios na Ascendi.
EMÍDIO CATUM
O empresário ligado à construção tem uma presença discreta mas negócios ativos. Já quando o BPN colapsou o empresário estava na lista dos devedores. Na altura, a sua empresa entrou em insolvência e a dívida não foi paga.
CONSTRUTORAS
O sector da construção era aquele a que o BES tinha, na sua carteira de crédito empresarial, maior exposição. Aliás, além das empresas identificadas neste grupo há ainda empresas como a Mota-Engil, que está isolada supra. Entre estas empresas inclui-se o empresário José Guilherme, que ficou célebre por ter dado 14 milhões de euros a Ricardo Salgado. Refira-se que parte deste dinheiro que é identificado como exposição do BES a estas empresas não é crédito, mas sim cartas de garantia para determinadas obras ou projetos.
HOTÉIS
O turismo e hotelaria eram sectores com peso relevante na carteira de crédito do BES. Parte deste dinheiro foi entretanto perdido. O grupo de Carlos Saraiva teve a reestruturação mais estrondosa.
IMOBILIÁRIO
A exposição do BES ao sector imobiliário era elevada, quer através do financiamento a fundos quer através de empresas de construção, turismo e hotelaria. É o caso da GEF, de Vasco Pereira Coutinho, amigo de Salgado.
ESTADO PORTUGUÊS
Nota: este texto foi publicado originalmente na edição de 11 de julho do semanário Expresso. A lista dos 50 maiores devedores pode não ser visível em alguns telemóveis (Expresso)

Quem são os 30 maiores perdedores do Novo Banco

Banco de Portugal ordenou que cerca de €2 mil milhões em obrigações seniores passem do Novo Banco para o BES. Investidores institucionais podem perder tudo. Obrigacionistas de retalho estão salvaguardados
Um ano e meio depois da intervenção no antigo BES, o Banco de Portugal decidiu terça-feira, capitalizar o Novo Banco à custa dos detentores de dívida sénior.
Sacrificou investidores institucionais na sua grande maioria fundos, bancos e gestoras de ativos estrangeiros. Em causa estão quase €2 mil milhões dos quais €877,3 milhões de dívida não subordinada está nas mãos de 30 entidades. Só a BlackRock e a Pimco, dois gigantes mundiais de gestão de ativos têm €482,7 milhões que acabam de se "evaporar".
Esta decisão a dois dias do final de 2015 vai aumentar a litigância em torno da intervenção do BES. Há já vários investidores a pedirem informações à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e há investidores com dívida senior a ponderar avançar judicialmente.
Até à hora de fecho desta edição, não foi possível obter qualquer comentário por parte da BlackRock e da Pimco, a esta decisão. O Expresso queria saber se estes dois fundos irão contestar a decisão nos tribunais e se este facto pode levar, por exemplo a BalckRock a desinvestir em ativos que tem em Portugal.
Os contribuintes desta vez foram poupados mas os obrigacionistas seniores (que têm direito a ser ressarcidos com prioridade face a outros credores) enfrentam perdas totais. Embora se tornem credores da massa falida do BES mau. O Banco de Portugal decidiu agora liquidar o BES e só depois disso se poderá apurar quais as perdas reais destes investidores.
A medida deixa no entanto um amargo de boca no mercado que por via da resolução no antigo BES tinham sido poupados a 4 de agosto de 2014 e agora são também chamados a pagar a fatura. Para isso há um reconhecimento implícito por parte do Banco de Portugal de que as contas feitas foram insuficientes e foi por isso agora necessário reclassificar estes ativos transferindo-os para o BES mau. Ficou mais uma vez esclarecido que a litigância em torno desta questão fica por conta do Fundo de Resolução.
O Banco de Portugal invoca para a esta decisão "razões de interesse público tendo em vista salvaguardar a estabilidade financeira". Objetivo: capitalizar o Novo Banco antecipando as condições que vão vigorara em 2016 para atender a necessidades de capital dos bancos e que penalizam não só os acionistas, como os obrigacionistas subordinados e não subordinados, assim como também os depositantes acima dos €100 mil. É por isso que o supervisor da banca argumenta que esta medida protege "todos os depositantes, os credores por serviços prestados e outras categorias de credores comuns". Neste pacote estão os clientes particulares de divida subordinada do Novo Banco, que continuam no Novo Banco.
Com esta reclassificação de ativos o Banco de Portugal fecha definitivamente o perímetro do Novo Banco, não sendo a partir de agora possível transferir mais ativos do Novo banco para o BES (Expresso)