Em Portugal, ao longo das
últimas duas décadas, os salários reais (excluindo o efeito da inflação)
evoluíram de forma muito desigual entre grupos profissionais. Enquanto as
profissões técnicas, administrativas ou menos qualificadas registaram aumentos
salariais significativos em termos reais, os rendimentos das profissões mais
qualificadas, em média, acabaram por diminuir. Entre 2002 e 2024, todos os
grupos de profissões técnicas, administrativas ou menos qualificadas viram o
seu ganho médio mensal aumentar, destacando-se sobretudo os grupos com os
rendimentos mais baixos. Os agricultores e trabalhadores qualificados da
agricultura, da pesca e da floresta viram o seu ganho médio mensal crescer 48%
desde 2002, passando de 791€ para 1.167€ (ambos os valores a preços de 2024).
Entre os trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e
vendedores, o crescimento foi de 35%, um pouco acima do que se verificou entre
os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artesanato (+31%) e
entre os trabalhadores não qualificados (+30%).
Em contraste, os técnicos e profissões de nível intermédio registaram uma ligeira redução de 1% no ganho médio mensal. Entre os especialistas das atividades intelectuais e científicas, a quebra foi bem mais acentuada, de 12%, tal como entre os dirigentes, diretores, gestores executivos e representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, que sofreram uma redução de 15%. Estes dados mostram uma compressão salarial significativa. A diferença entre os rendimentos das profissões mais qualificadas e mais bem remuneradas e os rendimentos das profissões técnicas, administrativas ou menos qualificadas e menos bem remuneradas, diminuiu ao longo das últimas duas décadas, não porque os salários mais baixos tenham convergido exclusivamente através de ganhos de poder aquisitivo, mas também porque os salários das profissões mais qualificadas perderam poder de compra. A evolução reflete fatores como o forte aumento do salário mínimo nacional, a maior proteção dos rendimentos mais baixos e um crescimento económico que não foi suficiente para impulsionar de forma sustentada os salários das profissões de maior qualificação. O resultado foi uma redução das disparidades salariais, mas também uma menor recompensa relativa para competências mais especializadas (Mais Liberdade, Mais Factos)

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