quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Quem me avisa meu amigo é: Polícia aconselha Governo a alterar saídas públicas...

1 - Seguranças retiraram ontem Miguel Relvas do ISCTE. 2 - Cá fora, estudantes contestavam política do Governo. 3 - Os protestos foram convocados pelo Facebook

Li no DN de Lisboa que "a polícia entende que a melhor medida de prevenção para evitar os protestos de ontem no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa ( ISCTE), e que levaram à retirada de Miguel Relvas, é o ministro alterar a sua agenda e não participar nos próximos dias em eventos onde seja previsível um forte grau de contestação, soube o DN de fonte policial. Esse tem sido sempre o entendimento da PSP e do SIS, que já em setembro passado recomendavam a ministros e secretários de Estado cautelas especiais e alteração de rotinas devido a uma escalada de casos de ataques e insultos a governantes. Até ao momento o grau de risco e respetivo nível de segurança do ministro Miguel Relvas é considerado moderado. Mas a PSP e o SIS podem vir a alterá- lo em função dos acontecimentos recentes, como o que aconteceu ontem no ISCTE e no dia anterior, com o episódio “Grândola, Vila Morena”, no Clube dos Pensadores, em Gaia.
Repúdio
O gabinete do primeiro- ministro manifestou o “repúdio” pelos protestos estudantis decorridos ontem à tarde no ISCTE aquando da chegada de Miguel Relvas à conferência sobre o jornalismo promovida pela TVI. O executivo de Passos Coelho reagiu uma hora depois dos protestos que levaram o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares a não discursar na iniciativa e a a abandonar a sala, escoltado por seguranças e com vários momentos de tensão e de confronto físico ao longo de um percurso que teria cem metros, num período que não excedeu os 20 minutos. O ministro seguiu depois, cercado por seguranças, para um corredor, que ficou fechado à chave, e que o levaria à garagem, de onde saiu num veículo de vidros fumados. Este compasso de espera não impediu a concentração dos manifestantes que empunhavam cartazes e faixas com palavras de ordem como “não validamos a política, não vamos ficar falidos” ou ainda “propinas e Bolonha, é tudo uma vergonha”. Duas horas antes, o auditório do Instituto, que até então tinha estado ocupado por figuras ligadas à área dos media e jornalistas, começou a compor- se com estudantes. Mal o ministro entrou na sala, o coro de vozes fez- se ouvir com frases como “para o Relvas são milhões, para o ensino são tostões”, “Demissão”, “Gatuno”. O pivô Pedro Pinto, moderador do último debate, pediu aos estudantes que se acalmassem e tal aconteceu por breves segundos. Mas quando Relvas subiu ao palco para discursar, os protestantes voltaram a pedir “demissão” e a gritar “está na hora do Governo ir embora”. Depois de uma breve conversa entre o ministro, Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, e José Alberto Carvalho, diretor de Informação da TVI, decidem terminar a conferência sem o discurso final. “A decisão foi tomada ali. Era uma situação absurda estar nas mãos de pessoas que não estavam a cumprir as regras e que não se iriam calar. Não valia a pena, embora seja claro que um jornalista não pode impedir os outros de falar ou de se expressar”, justifica o diretor de Informação.
À saída do ISCTE, vários estudantes explicaram ao DN que a concentração tinha acontecido através de passa palavra. “Soube esta tarde através de colegas”, explicava Paulo Antunes, 27 anos, estudante de mestrado da Faculdade de Letras. Também Vasco Marques, de 20 anos e estudante de Sociologia, disse que tinha visto “cartazes espalhados na faculdade sobre a vinda de Relvas e Portas [ que faltou por motivos de saúde]”. Porém, esta ação de protesto, à semelhança do que aconteceu anteontem no Clube dos Pensadores, em Gaia, foi convocada através da página de Facebook Indignados Lisboa"