sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Irlanda adia parte da dívida para depois de 2038

Li no Expresso que "a dívida relacionada com as notas promissórias que resgataram a banca irlandesa foi trocada por um emissão de dívida com uma maturidade média de 34 anos e um juro médio de 3%. A primeira amortização só será realizada daqui a 25 anos. Depois do presidente do Banco Central Europeu (BCE) ter declarado que havia "tomado nota" da operação decidida pelo governo irlandês e pelo Banco central do país, o primeiro-ministro Enda Kenny veio ao Parlamento em Dublin dar os primeiros "detalhes" da troca de dívida que aliviará o défice público em mil milhões por ano nos próximos anos, permitindo à Irlanda superar a meta de 3% do PIB em 2015, prevendo-se que, nessa data, baixe para 2,4%. A troca (swap) de dívida consistiu na substituição das notas promissórias que ficaram em mãos do Banco Central da Irlanda num valor total de 25 mil milhões de euros que venciam anualmente até 2023 por uma emissão de títulos de longo prazo com uma maturidade média de 34-35 anos e com uma primeira amortização de capital só daqui a 25 anos, em 2038. O juro médio desta nova emissão rondará os 3% contra os 8% das notas promissórias, segundo disse Kenny. A título comparativo e aproximado, as yields dos Bunds, títulos alemães, no prazo a 30 anos, estão em 2,37%. Segundo o detalhe publicado pelo Departamento de Finanças irlandês, as promissórias por resolver (25 mil milhões de euros) serão substituídas por títulos de muito longo prazo com a seguinte distribuição: 6 mil milhões de euros em três tranches a vencer depois de 25, 28 e 30 anos; 9 mil milhões em três tranches a vencer depois de 32, 34 e 36 anos; e 10 mil milhões em duas tranches a vencer depois de 38 e 40 anos.
Governo alivia refinanciamento e Banco Central fica com títulos para vender
Segundo o documento divulgado pelas Finanças haverá uma redução das necessidades de financiamento na ordem de 2,3 mil milhões de euros no primeiro ano seguida de 20 mil milhões no conjunto dos dez anos seguintes. Ou seja, uma redução importante da necessidade de ir ao mercado primário emitir dívida para cumprir o pagamento de uma tranche anual de 3,1 mil milhões mais juros que se estendia até 2023, com um valor residual de 2,8 mil milhões a pagar em 2024 e 2025. O custo total das promissórias - capital e juros - subia a 47 mil milhões de euros. O governo irlandês acabou por só pagar a primeira tranche das promissórias em 31 de março de 2011, e resolveu o pagamento da segunda tranche em março do ano passado com uma emissão em abril de longo prazo, a vencer em 2025, de 3,4 mil milhões de euros, com base num acordo com o Banco da Irlanda (não confundir com o banco central), e que agora ficará na posse do Banco Central Irlandês. Os analistas irlandeses sublinham que para o Banco Central Irlandês é um bom negócio pois fica com títulos soberanos mais líquidos do que as notas promissórias, títulos que, a partir de 2014, segundo um calendário definido, poderá vender no mercado. Por outro lado, como sublinhou Mário Draghi, o presidente do BCE, o banco central irlandês livra-se de uma ELA, um mecanismo de assistência de liquidez de emergência. "Um passo positivo", disse Draghi.
Renegociação de dívida em duas fases
A Irlanda conseguiu, deste modo, renegociar o perfil deste encargo, alterando substancialmente a maturidade média, os juros e o início de amortização. Alguns analistas consideram as promissórias como quase-dívida pública. O efeito da operação, em termos de diminuição do peso projetado da dívida pública no PIB, só se fará sentir a partir de 2015, com a descida de 116,8% para 116,4%, um nível de dívida que continuará elevadíssimo. Outra parte da renegociação, em curso, de dívida soberana diz respeito à dívida "oficial" aos fundos europeus, derivada dos empréstimos no âmbito do resgate à Irlanda. O risco de incumprimento da dívida irlandesa desceu hoje mais de um ponto percentual. Tendo descido ontem para 16,2%, hoje acabou por fechar em 15,14%, segundo dados da CMA DataVision".