quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Diplomados sem trabalho há um ano sobem 84%

Li no Expresso que “há tantos licenciados no desemprego quanto pessoas com a quarta classe completa – cerca de 138 mil pessoas de um lado e de outro –, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística ( INE) divulgados pelo gabinete de estudos do Ministério da Solidariedade. E no capítulo do desemprego de longa duração ( há um ano ou mais), os diplomados são, de longe, os mais penalizados pelo fenómeno: desde o início de 2011 que este grupo engordou 84% ( quase duplicou), atingindo agora 70,4 mil pessoas, quase tantos quanto os 74,6 mil indivíduos na mesma situação, mas com apenas o ciclo preparatório ( 2. º ciclo do ensino básico) concluído. E é, justamente, no grupo dos licenciados que o número de desempregados de longa duração subiu de forma mais agressiva quando comparado com os restantes níveis de ensino ( mais baixos). Atualmente, metade dos licenciados desempregados está nessa situação há mais de um ano.
“O diagnóstico do problema está feito há já alguns anos, mas com o agravamento da crise alastrou às qualificações que dantes tinham mais procura pelas empresas”, diz Manuel Caldeira Cabral, professor de Economia da Universidade do Minho. Para o economista, “atualmente a esmagadora maioria das empresas, mesmo as mais competitivas e com os chamados negócios de futuro, no sector dos transacionáveis [ exportadores], está com grande dificuldade em assumir compromissos de curto e médio prazo a nível do emprego e, no caso em apreço, na contratação de pessoas qualificadas, em áreas como engenharias, economia, gestão”. “Mesmo nestes casos, para haver contratação tem de haver aumento de capacidade instalada – por exemplo, comprar máquinas novas, atualizar tecnologias, evoluir para a oferta de produtos melhores –, e isso só se faz com um acesso normal ao financiamento, que não existe. O mesmo em relação ao acesso a fundos de tesouraria. Conheço imensos exemplos de boas empresas, algumas exportadoras, mas em sectores sazonais, que estão a ser simplesmente travas pelo custo do crédito para tesouraria”. Caldeira Cabral acrescenta que, além da questão do crédito, “as empresas defrontam- se com um problema de expectativas muito pobres para a atividade económica e a procura externa, sobretudo as que estão viradas para o mercado europeu”.
Ou seja, no tempo em que Portugal ainda crescia ligeiramente “existia um desfasamento crónico entre os tipos de formação superior disponíveis no mercado e os perfis que as empresas mais procuravam. As formações superiores mais técnicas ou assentes em áreas de matemáticas e engenharias estavam em falta quando os empresários decidiam munir os projetos de investimento com pessoas mais qualificadas, sobretudo os ligados a áreas de exportação como tecnologias de informação ou serviços consultoria em engenharia e construção”. Agora nem esses estão a salvo. Com a crise da dívida e a interrupção dos fluxos normais do crédito à economia, muitos projetos foram suspensos”.